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domingo, janeiro 17, 2021

A Corrupção Mata

Arena Amazônia, orçada em 499 milhões de reais, custou 669,5 milhões. TCU apontou superfaturamento de 86,5milhões. O Brasil e suas prioridades. a conta chegou.

Hoje é notícia em todo o Mundo a morte de doentes com Covid e outros males, por falta de oxigénio nos hospitais da região. E o estádio está lá sem uso, abandonado. 

 

                                                                    A CORRUPÇÃO MATA!


sábado, março 25, 2017

terça-feira, agosto 14, 2012

Frutas Tropicais (Caramuri)


O caramurizeiro, árvore que dá a agora célebre fruta caramuri, é muito alta como todas as que disputam a luz na selva amazônica. Chega a medir 25 metros. Por isso mesmo, os índios cortam o tronco bem rasteiro com as suas catanas ou machadinhas quando vão colher a fruta, uma vez que é impossível chegar-lhe lá nos confins da copa. Não diria que seja impossível, mas certamente muito difícil. Contudo, plantada em região descampada, algo que actualmente já se começa a fazer, ela se torna frondosa e o caule engrossa, diferentemente de suas irmãs no meio da mata. Nesse caso já não se torna necessário o seu abate para a colheita das frutas muito saborosas.
Eu jamais vi ao natural uma dessas frutas, pois a árvore só frutifica de quatro em quatro anos e, por isso, a produção acaba por não ser mercantilizada. Não aparece aqui nos Mercados da minha região.
O caramuri é uma fruta  pequena e nasce colada nos galhos que ficam na copa. O local de ocorrência natural da árvore é uma localidade ribeirinha chamada São Francisco do Caramuri, nas proximidades do município de Itacoatiara no Estado do Amazonas.
Estando ciente que a maioria das visitas ao meu blog  centraliza-se nas matérias sobre frutas tropicais, eu resolvi hoje falar do caramuri, seguindo essa tendência e porque o mesmo está famosíssimo. Mas, infelizmente, não o faço do mesmo modo que fiz com outras frutas anteriormente e exactamente pela falta de conhecimentos científicos.
Os biólogos estimam que existe 1,8 milhão de espécies de animais e vegetais catalogados na Terra e ainda de 10 a 40 milhões que não foram sequer descritas. Boa parte dos vegetais está na Amazônia, região que concentra a maior biodiversidade do planeta e uma prova desse desconhecimento é o caramuri.
O trabalho de pesquisa sobre o caramuri deve iniciar-se pela investigação do ciclo de germinação em todas as suas nuances. Passada esta fase,  será investigado se de fato o caramuri só dá fruto de quatro em quatro anos e se isso é uma característica genética da espécie ou ocorre porque a árvore está em competição por luz e nutrientes no meio da floresta.
Resta-me, então, explicar o motivo da minha abordagem da fruta e o porquê da mesma estar tão famosa no momento.
Ela foi escolhida pelo povo da Amazónia para ser símbolo da bola a ser usada na próxima Copa do Mundo a realizar-se no Brasil e o resto do país aceitou essa ideia com muito carinho. Afinal, só frutificando a cada 4 anos e tendo sido a última frutificação em 2010, nada mais a ser cogitado.
Porém,  neste pretérito domingo  pela manhã, no programa “Esporte Espetacular”, da Rede Globo, a FIFA e a Adidas (fabricante da bola) lançaram uma campanha para que a população escolha, via Internet, o nome da bola e das 3 opções apresentadas não constava o nosso caramuri.
Apenas três opções horrorosas e muito desgastadas constam na lista anunciada: Bossa Nova, Brazuca e Carnavalesca. Em nenhum momento foi explicado como estes nomes foram selecionados para a disputa. Isto foi um grande golpe na já enraizada campanha que pretendia fosse escolhida a nossa frutinha e por uma série de razões ambientais, culturais e de sustentabilidade
Eu tive que usar fotos que retirei da Internet e que não referiam os créditos, algo que deixei de fazer há algum tempo por causa de uma reclamação. Passei a comprar as frutas das quais me proponha a escrever e delas tirar as respectivas fotos e com mais propriedade referir as suas qualidades. Desta vez fico devendo isso…

sexta-feira, julho 01, 2011

Amazónia e Vietnam

Para muitas das indagações que aqui coloco, em matérias que expressam a minha revolta, a maioria dos cidadãos sabe a resposta. Porém, jamais devemos esquecer esses problemas e sempre teremos que estar alerta e denunciá-los.
Tive a oportunidade de viver em dois países governados por ditaduras ferozes e implacáveis --- Portugal e Brasil. Sei que as coisas não são difíceis nesse campo, pois a investigação é profunda e existem inúmeras forças delatoras que em muito facilitam as operações. Notemos que, mesmo que determinado indivíduo não fosse comunista, mas que tivesse postura contrária ao regime, fàcilmente era identificado, preso e até assassinado em seguida.
Perante o exposto no parágrafo anterior, pergunto como é tão difícil  identificar os grandes desmatadores da Amazónia? Acho e todos acham que essa identificação é muito fácil e só não se faz nada para conter esse desastre porque eles estão no Poder ou com o mesmo convivem umbilicalmente.
Eu já me sinto empedernido perante um infinito número de situações, porque o tempo vai cicatrizando muitas feridas abertas e aos poucos vamo-nos embrutecendo também. Porém, pela grandiosidade e o inusitado de certas dessas situações novas, ainda há espaço para outro momento de comoção e perplexidade.
No período de 1961 a 1971, as tropas americanas espargiram 80 milhões de litros de herbicidas, que continham 400 quilogramas de dioxina sobre o território vietnamita, de acordo com estatísticas oficiais.
Esse desfolhantes destruiram o habitat natural, deixaram 4,8 milhões de pessoas expostas ao agente laranja e provocaram enfermidades irreversíveis, sobretudo malformações congênitas, câncer e síndromes neurológicas em crianças, mulheres e homens do país. Não é o que parece nesta foto? Mas não é. 
No Brasil o Ibama identificou uma área de floresta amazônica, do tamanho de 180 campos de futebol, destruída pela ação de herbicidas.
A terra, que pertence à União, fica ao sul do município amazonense de Canutama, na divisa com Rondônia. O responsável pelo crime ambiental ainda não foi identificado pelo órgão.
Em sobrevoo de duas horas de helicóptero, na segunda semana de junho, analistas do Ibama observaram milhares de árvores em pé, mas desfolhadas e esbranquiçadas pela ação do veneno.
Encontraram também vestígios de extração de madeira por motosserras e queimadas, práticas usadas para limpar o terreno. Especialistas dizem que os agrotóxicos, pulverizados de avião sobre as florestas nativas, matam as árvores de imediato, contaminam solo, lençóis freáticos, animais e pessoas.
Numa outra comparação e ainda no passado no Vietnam, eles usavam uma mistura de dois herbicidas compondo o célebre agente laranja aplicado como desfolhante, não só para facilitar o pouso de helicópteros na floresta densa, como para achar os esconderijos do inimigo.
O Ibama apreendeu mais de quatro toneladas de veneno numa reserva de desenvolvimento sustentável no interior do Amazonas. O produto serviria para desmatar a floresta de forma silenciosa.
De acordo com o órgão ambiental federal, o veneno seria suficiente para destruir pelo menos 3 mil hectares (30 km²) de mata.
Os suspeitos de serem os responsáveis já foram identificados e podem responder por crime ambiental, com pena de até 4 anos de reclusão, além do pagamento de multa de até R4 2 milhões. Evidentemente que esse tipo de punição jamais acontecerá. Nem o nome dos criminosos será publicado.
De 1º a 3 de junho, especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobrevoaram o norte do Mato Grosso para verificar alertas de desmatamento indicados pelo DETER. Nesta região, de grande incidência de desmatamento, foram vistoriados cerca de 90 pontos de alerta que, somados, chegam a 200 km². 
O desmatamento no Estado do Mato Grosso chegou a 243 quilômetros quadrados no mês de abril, correspondendo a um aumento de 537% comparado a abril de 2010. Mais absurdo ainda são os dados relacionados a florestas degradadas, de 1.755 quilômetros quadrados, 13.500% maior do mesmo período do ano passado.
Em 1980 o uso de armas incendiárias (tais como o Napalm) contra civis foi proibido pelo Protocolo III da "Convenção sobre Proibições e Restrições ao Uso de Certas Armas Convencionais que Podem Ser Consideradas como Excessivamente Lesivas ou Geradoras de Efeitos Indiscriminados". E este é o caso, pois as pessoas estão sendo ameaçadas e eu digo que até directamente, pois uma árvore é para nós um sopro de vida. 


Notícia recolhida do Jornal "Folha de S. Paulo".
Histórico e fotos na Internet





terça-feira, setembro 14, 2010

Fome de Marina

Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente Lula da Silva, justificando: “Lula é analfabeto”. Por isso, o cantor baiano aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva, que tem diploma
universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em Marina para presidente, “porque ela tem cara de quem está com fome”.
Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come.
Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores, cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da
existência humana.
Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados.
Caetano Veloso e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos. Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas famélicos e desescolarizados. De um lado, reforçam a ideia burra e cartorial de que o saber só existe se for sacramentado pela escola e que tal saber é condição sine qua non para o
exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem está com fome carece de qualidades para o exercício da representação política.
A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos, dessa vez pisou na bola feio.“Venenosa! Êh êh êh êh êh!/ Erva venenosa, êh
êh êh êh êh!/ É pior do que cobra cascavel/ O seu veneno é cruel…/ Deus do céu!/ Como ela é maldosa!
Nenhum dos dois - nem Caetano, nem Rita, têm tutano para entender esse Brasil profundo que os silvas representam.
A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata de um preconceito da roqueira, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma
beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque, seus vestidos longos e seu inevitável xale? Talvez Rita Lee tenha razão em ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê?
O mapa da fome. A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua
infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crónica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre.
Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilómetros para cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava. Três de seus irmãos não aguentaram e acabaram aumentando o alto índice de mortalidade infantil.
Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que, mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha, frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava seringa no meio da floresta. Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado
por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose.
A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a cidade em busca de tratamento médico e aí mitigou o apetite por novos saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever.
Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando.
Fome e sede de justiça, essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no Acre e depois ajudou a construir o PT. Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco , quando devolveu o dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora, também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os povos da floresta.
Quem viveu da floresta, não quer que a floresta morra. A cidadania ambiental faz parte da sua quinta fome.
Ministra do Meio Ambiente, ela criou o Serviço
Florestal Brasileiro e o Fundo de Desenvolvimento para gerir as florestas e estimular o manejo florestal. Combateu, através do Ibama, as atividades predatórias. Reduziu, em três anos, o desmatamento da Amazónia de 57%, com a apreensão de um milhão de metros cúbicos de madeira, prisão de mais 700 criminosos ambientais,
desmonte de mais de 1,5 mil empresas ilegais e inibição de 37 mil propriedades de grilagem.


Tudo vira bosta! Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que - na voz de Rita Lee – a descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir
dos ovos, “o ovo frito, o caviar e o cozido/ a buchada e o cabrito/ o cinzento e o colorido/ a ditadura e o o primido/ o prometido e não cumprido/ e o programa do partido: tudo vira bosta”.
Lendo a declaração da roqueira, é o caso de devolver-lhe a letra de outra música - ‘Se Manca’ - dizendo a ela: “Nem sou Lacan/ pra te botar no divã/ e ouvir sua merda/ Se manca, neném!/ Gente mala a gente trata com desdém/ Se manca, neném/ Não vem se achando bacana/ você é babaca”.
Rita Lee é babaca? Claro que não, mas certamente cometeu uma babaquice. Numa de suas músicas - ‘Você vem’ - ela faz autocrítica antecipada, confessando:
“Não entendo de política/ Juro que o Brasil não é mais chanchada/ Você vem… e faz piada”. Como ela é mutante, esperamos que faça um gesto grandioso, um
pedido de desculpas dirigido ao povo brasileiro, cantando: “Desculpe o auê/ Eu não queria magoar você”.
A mesma bala do preconceito disparada contra Marina atingiu também a ministra Dilma Rousseff, em quem Rita Lee também não vota porque, “ela tem cara de professora de matemática e mete medo”. Ah, Rita Lee conseguiu o milagre de tornar a ministra Dilma menos antipática! Não usaria essa imagem, se tivesse aprendido elevar uma fração a uma potência, em Manaus, com a
professora Mercedes Ponce de Leão, tão fofinha, ou com a nega Nathércia Menezes, tão altaneira.
Deixa ver se eu entendi direito: Marina não serve porque tem cara de fome. Dilma, porque mete mais medo que um exército de logaritmos, catetos, hipotenusas, senos e co-senos. Serra, todos nós sabemos, tem cara de vampiro. Sobra quem? Se for para votar em quem tem cara de quem comeu (e gostou), vamos ressuscitar, então, Paulo Salim Maluf ou Collor de Mello, que exalam saúde por todos os dentes. Ou o Sarney, untuoso, com sua cara de ratazana bigoduda. Por que não chamar o José Roberto Arruda, dono de um apetite voraz e de cuecões multi-bolsos? Como diriam os franceses, “il péte de santé”.
O banqueiro Daniel Dantas, bem escanhoado e já desalgemado, tem cara de quem se alimenta bem. Essa é a elite bem nutrida do Brasil…
Rita Lee não se enganou: Marina tem a cara de fome do Brasil, mas isso não é motivo para deixar de votar nela, porque essa é também a cara da resistência, da luta da inteligência contra a brutalidade, do milagre da sobrevivência, o que lhe dá autoridade e a credencia para o exercício deliderança em nosso país.
Marina Silva, a cara da fome? Esse é um argumento convincente para votar nela. Se eu tinha alguma dúvida, Rita Lee me convenceu definitivamente.

Por José Ribamar Bessa Freire
Professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ)e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)

sexta-feira, outubro 09, 2009

Festa na casa do Chicão


 
Cansado da agitação da vida urbana, Pedro larga o emprego, compra um pedaço  de terra no Amazonas e se muda para lá. Ele vê o carteiro uma vez por semana e vai à mercearia uma vez por mês. No mais, é paz e tranqüilidade.  
Seis meses depois, em dezembro, alguém bate na porta.
Pedro abre e vê um homem barbudo (com camiseta do PT e boné do MST), enorme, que diz:
- Meu nome é Chicão, seu vizinho, 7 léguas daqui. Festa de Natal lá em casa, sexta-feira. Começa às cinco.
Pedro se entusiasma:
- Ótimo, depois de seis meses por aqui, na solidão, nada melhor que isso, muito obrigado, vou sim.
Chicão começa a ir embora, pára e diz:
- Seguinte: vai rolar bebida.
Pedro responde:
- Sem problema. Eu topo.
Novamente Chicão começa a ir embora, mas pára e diz:
- Olha, também pode ter briga.
Pedro novamente responde:
- Sem problema, eu me dou bem nesses lugares. Mais uma vez obrigado.
Chicão continua:
- E pode ter sexo meio selvagem...
Pedro ancioso responde:
- Também não é problema. Eu estou aqui faz 6 meses, mais um motivo para ir. E, aproveitando, me diz uma coisa: qual é o traje?
Chicão:
- Cê que sabe. É só nós dois.

sexta-feira, junho 26, 2009

Poema da Amazónia

Em meio ao seu verde, o fogo arde queimando o nosso pulmão.

Os pássaros perdem seus galhos, em desespero voam sem rumo na imensidão.

Os animais correm em círculos, perdidos na fumaça da morte certa.

Os gritos das aves, dos animais, das plantas...

Não são ouvidas pelos homens do poder sem visão...

Que não reconhecem o ciclo da natureza que tenta em desespero...

Limpar o ar que sujamos com nossos carros, nossas indústrias...

Quebrando o ciclo da água, reduzindo as chuvas...

Até chegar as grandes cidades, nos nossos campos que na seca matarão os gados...

A abundancia das frutas brasileiras desaparecerão das nossas mesas.

Haverá dor naqueles que por muitas vezes jogaram as frutas no lixo...

E lágrimas rolarão sobre os olhos daqueles que a colhiam para comer...

Sentindo-nos impotentes, perguntaremos a nós mesmos:

O que fizemos com a nossa Amazônia?

O que não fizemos por ela...

Poema de Regina Eenas Martins

sábado, junho 14, 2008

Grande Brasil

Muita gente por aqui diz coisas sem nexo e não sabe que a Linha de Tordesilhas (Tratado de Tordesilhas) delimitava as fronteiras do Brasil quando Pedro Álvares Cabral aqui chegou.
A Amazônia e todo o atual Centro-Oeste brasileiro pertenciam à Espanha, não a Portugal, desde 1494.
Foram os portugueses que traçaram as actuais fronteiras do país e legaram a Amazônia ao Brasil com sua ocupação física e a manutenção daquela imensa área, com a construção de inúmeras fortificações militares, como o Forte Príncipe da Beira, no Amazonas, em 1776...

quinta-feira, maio 29, 2008

ÍNDIOS ISOLADOS

Índios isolados que habitam região amazónica na fronteira do Brasil com o Perú. Fotos recentemente divulgadas e com o intuito de forçar a manutenção da total preservação.
Na primeira imagem dois deles estão pintados com urucum e outro com jenipapo. Tanto na primeira como na segunda, o grupo tenta atingir, com as flechas, o avião que os sobrevoava e fotografava.
Na terceira imagem distingue-se com maior nitidez o diferente tipo de construção das palhoças em relação às que conhecemos e às quais nos habituámos. Algumas destras tribos estão-se refugiando no Brasil por causa dos perigos que correm no Perú. Eles não imaginam o que os espera...

quinta-feira, maio 22, 2008

AMAZÓNIA SECRETA

Há algum tempo eu tento descrever aqui o actualíssimo problema da demarcação das reservas de índios brasileiros, principalmente no Estado de Roraima, e dar a minha opinião a respeito. Contudo, dada a complexidade envolvente e porque diàriamente novos lances surgem, adiei essa minha disponibilidade. Não obstante, transcrevo aqui um pequeno resumo específico.
Vítimas da sêca:
-total ................................................................................ 10 milhões
- sugeitos à fome? ....................................................................... sim
- passam sêde? ............................................................................ sim
- subnutridos? .............................................................................. sim
- ONGs estrangeiras ajudando ....................................... nenhuma
Índios da amazónia:
- total ..................................................................................... 230 mil
- sujeitos à fome? ......................................................................... não
- passam sêde? ............................................................................. não
-subnutridos? ............................................................................... não
-ONGs estrangeiras ajudando ................................................... 350
A explicação para este absurdo:

A Amazônia tem ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo, diamantes, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares. O nordeste não tem tanta riqueza e por isso não há ONGs estrangeiras lá ajudando os famintos. Enquanto isso, uma ONG estrangeira (principalmente dos EUA) está gastando milhões de dólares para salvar o mico leão dourado.
Tente entender:

Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as minas terrestres.
Agora uma pergunta:

Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito? A União Européia investe milhões de dólares na demarcação de reservas indígenas no Brasil. Por quê? Quando há tantos problemas de maior gravidade: terremotos em El Salvador e na Índia, a catástrofe em que vive a África, a seca no nordeste, a epidemia de AIDS, etc.. E eles gastam milhões para demarcar reservas indígenas que já são exageradamente grandes. Por quê?

quinta-feira, janeiro 31, 2008

DESMATAMENTO DA AMAZÓNIA

Estes últimos dias fôram pródigos em notícias sobre o alarmante desmatamento da Amazónia. Particularmente, acho que todo esse alarde poderá ser a pedra fundamental na construção de algo que, finalmente, possa vir a colocar côbro a essa catástrofe.
Não era meu propósito abordar o tema porque eu, como uma grande maioria, ando a tal ponto enojado que preferi ler a gama de protestos que circulam na mídea em geral e que, afinal, espelham as minhas opiniões e revoltas. Porém, não aguentei ficar em silêncio e peguei uma "carona" na principal manchete que desde ontem ocupa os grandes meios de comunicação: "União Europeia suspende a compra de carne bovina do Brasil".
Os motivos alegados para tal medida são duvidosos. Lá, como cá, as coisas nunca são explicadas com transparência, mas sabemos de antemão que isso visa a proteger a economia da Irlanda no que respeita à carne... Melhor ficaria se se dissesse que era uma medida de protesto pelo desmatamento da Amazónia para formação de áreas de pasto para o gado de corte. Mesmo que não fôsse esse o motivo, a U.E. daria uma ajuda, indirectamente, à onda de protestos...
Sabemos que o Brasil perderá muito com esse "boicote". Mas, qual o Brasil que perde? A carne ficará mais barata para consumo interno, e os "churrasquinhos" de fim de semana irão proliferar entre o povão... Eles, os tais que compõem uma minoria, os grandes plantadores de soja e criadores de gado, exactamente os que desmatam a floresta, levarão uma "porrada". De certo modo é até motivo de júbilo, apesar do meu interesse maior ser o progresso deste País.
Não será demais lembrar que navios com grandes cargas de madeira nobre oriunda da Amazónia atracam e descarregam em portos da Europa. Lá e noutros pontos do Mundo atracam com a carne e o soja. Tudo isso produzido nas grandes áreas desmatadas criminosamente.
Fotos "Greenpeace" e "iStockphoto" da Internet

quinta-feira, junho 28, 2007

ÀS ARMAS!!!

Depois que renovou parte das suas esquadrilhas com a compra de aviões "Sucoy", a Venezuela está providenciando a aquisição de 5 submarinos para equipar a sua Armada.
Quanto a mim, nada de mais. Entendo isso como uma questão de ordem interna e, até certo ponto, estou de pleno acordo com o facto daquele país se preocupar com a defesa do seu território e da renovação de material que se torna obsoleto com o passar do tempo. Há coisas mais importantes para serem resolvidas? Há, sim, tão importantes quanto. Mas esse não é pròpriamente o assunto que quero abordar.
Desperta-me mais a curiosidade o alarido que isso está causando nas redondezas... Até se fala numa possível corrida armamentista, que um país vai ficar mais potente que o outro, etc., etc..
Vejo a questão por outro prisma. Acho, até, que o fortalecimento da Venezuela pode trazer benefícios para o Brasil. Como? Simples! O Brasil, apesar da sua maior extensão territorial, encontra-se hoje em patamar mais baixo que alguns dos seus vizinhos no que se refere a capacidade bélica. Tem muitas dificuldades em controlar as suas fronteiras na Amazónia e por ali tudo entre e sai tranquilamente. Um vizinho bem equipado só poderia ajudar nesse controle e jamais ser um potencial e preocupante inimigo.
Porém, o Brasil também terá que se preocupar com o equipamento e modernização das suas Forças Armadas e com urgência. Há a necessidade de uma revisão do orçamento a isso destinado e algo terá que ser feito para que se inicie discussão na esfera do Congresso Nacional.