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segunda-feira, dezembro 26, 2011

Velho Artesão

Tinha prometido a mim próprio que iria contar esta vivência no blog e cá estou eu, apesar de quase 3 meses já se terem passado sobre o acontecimento.

Outubro passado, logo nos primeiros dias de estadia em Évora, fui buscar um dos meus netos na Escola de São Mamede. Velha conhecida esta escola pois que, além de eu ter endereço naquela Freguesia (quando em Portugal), um dos filhos brasileiros também estudou lá.

Parece meio confusa esta colocação, não é? Sim, para os que não me conhecem ou pouco sabem a meu respeito, eu sou um cidadão do Mundo e por muitos lugares já assentei arraial com uma ou outra família. Realmente uma verdadeira confusão...

Voltemos ao âmago da questão para eu falar do Sr. Isidro. Velho artesão de 96 anos de idade que tem uma aparência muito semelhante à minha de 66... Parabéns para ele!

A Rua da Mouraria desemboca no Largo de São Mamede e por ela eu ía caminhando desde o seu começo na Rua de Avis. Quase no final, pegado onde outrora morou o falecido grande amigo Gabriel (Lambuça) notei haver ali um grande portão, aberto, e lá dentro um senhor idoso rodeado de inúmeros trabalhos artesanais que ele próprio confecciona. E o que mais me chamou a atenção fôram as esculturas em cortiça pois que, modéstia à parte, era coisa que eu fazia muito bem nas aulas de trabalhos manuais do curso secundário que eu fiz em Évora. Era meu parceiro na confecção  dessas esculturas o Sardinha colega que eu não vejo desde antanho e tão pouco sei se  vivo será.

Lògicamente que não lhe contei sobre a minha veia artística neste campo, pois conheço muito bem o interior dos alentejanos, principalmente no que diz respeio à sua sensibilidade. Mas outros tipos de trabalho eu verifiquei que aquele artista fazia bem: latoaria com peças perfeitas e funcionais e pintura. Ali eu vi alguns esboços e um retrato do grande toureiro português que foi Manuel dos Santos. Versatilidade!
 
Mostrou-se muito interessado em me falar sobre o seu trabalho da multidão de turistas que pela sua oficina passa. E eu ía fazendo as minhas perguntas, mais até para que ele mantivesse toda a disponibilidade. E às tantas, apontando para duas fiadas de garrafas perguntou-me se eu sabia do que se tratava. Parece que quase todos erravam na resposta quando indagados como eu. Mas o meu olho de lince viu que a primeira garrafa tinha uma pequena etiqueta com as letras "do" o que ràpidamente me levou a deduzir e afirmar que se tratava de uma escala musical e, portanto um tipo de instrumento. Na môsca!

Acertei e o senhor Isidro ficou feliz por isso. Foi quando ele pegou em duas batutas e começou a tocar Aquarela do Brasil. Eu não queria acreditar no que estava vendo e ouvindo e vocês podem ter a certeza que foi isso mesmo.


sexta-feira, agosto 13, 2010

Skate de dedo



"Skate de dedo", esse é o nome da mais recente brincadeira dos nossos putos (moleques) e, acreditem, de muitos marmanjos também. Cito também anciãos, não na perspectiva de ficarem fazendo manobras radicais com os dedos, palma e costa da mão, pois a muitos o reumatismo e outros "ismos" para tal não os liberam, não obstante a mente compartilhar e transmitir um certo desejo. Eu, talvez um dos poucos casos, já experimentei e não me dei mal de todo; botei figura dentro dos limites e o neto gostou...

Da minha parte existe total interactividade nesta brincadeira pois que, nos dois primeiros quadros de fotos acima, a obra e arte são minhas. Nunca tinha visto uma pista/prancha dessas e imaginei-as pela descrição que o neto me ia fazendo; nem sabia que a coisa estava tão popular na internet e, quando procurei já foi depois que construira a minha terceira obra prima da qual, acreditem, existem modelos que eu diria serem cópias e que não são porque só hoje estou publicando a imagem das minhas...

A terceira imagem que representa um looping, essa sim, é uma foto recolhida da internet e de um site que vende esses artigos manufacturados. Também desconhecia haver já alguém ganhando dinheiro em cima disso... Baixei essa foto para servir de modelo à próxima prancha que terei o prazer de fazer, mas com detalhes pessoais. Desta vez, porém, com madeira nova e escolhida, com um banho caprichado de verniz. Coisa que poderá até embelezar uma sala ou outro cómodo qualquer da casa...

É interessante que eu nunca vi os pais dos meus netos fazerem essas coisas artesanais para os filhos. Mas eu fazia para eles, filhos meus e agora para os filhos deles... O meu pai era um excelente marceneiro/carpinteiro, um daqueles artistas, diria até, qual renascentista... Muitas vezes o vi restaurando peças sacras das igrejas, mesmo que ateu fôsse e confeccionando móveis que, anos depois, ele próprio não acreditava ter sido o autor. Acho que ere um desabafo de humildade... Ele fazia todos os meus brinquedos e que eu me lembre, carrinho de mão, pateira e régua, trotinete (patinnette), carros e caminhões, enfim. Até a régua (menina dos 5 olhos) com que o professor nos dava reguadas era feita por ele...

Do que conheci do meu pai e pelo que outras pessoas contemporâneas dele testemunham, parece que sou dele uma cópia fiel em certos detalhes do comportamento e com aquela veia empreendedora no campo de certas habilidades mas, lògicamente que muito aquém do grande artista e profissional.

No meu quarto de ferramentas não falta quase nada. Digo quase, porque sempre existe uma ferramenta que cobiço mas que nem sempre está ao alcance e que, possívelmente pouco seria usada. Algumas que tenho jamais fôram por mim usadas. Porém, tenho um prazer enorme quando olho para aquele quadro na parede e vejo tudo ali organizado e talvez aguardando, algumas, que eu lhes pegue e as manuseie com carinho e arte.

Mas, porque eu estou escrevendo sobre brinquedos, artesãos e ferramentas? --- Porque tudo está relacionado às postagens anteriores sobre os meus problemas de saúde. Como afirmei, daqui para a frente tentarei ser mais e muito mais activo. Irei buscar tempo até onde não houver. Dormirei muito menos, só o essencial e aproveitarei a vida em todas as suas nuances de felicidade. Passearei com o meu cachorro sempre que ele me pedir, pois ele sabe fazer isso, podarei as árvores, cuidarei do jardim. Entrarei debaixo dos carros para ajustar o cabo de embraiagem ou o que quer que seja e, se a barriga dificultar, macaco e cavalete para suspender, tanto as viaturas como outras coisas pendentes e adormecidas... Darei atenção aos netos daqui e conversarei com os portugueses quando eles quiserem. Passearei com a mulher em volta da quadra ou para algum lugar diferente iremos com mais frequência. Nunca mais gritarei com o meu neto daqui, mesmo que ele me encha muito o saco como tão bem sabe fazer; serei muito condescendente com todos esses detalhes e a minha pressão vai agradecer.

Hoje estou fazendo pistas de skate de dedo. Amanhã farei o que mais fôr inventado ou desenterrado do baú. Restaurarei centenas de tranqueiras velhas e doá-las-ei em perfeito estado para que outras crianças sejam felizes. Imaginarei que um coração que bate naquela criança de 8 ou 10 anos é exactamente igual ao meu que tem 65. Sem diferenças!