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segunda-feira, março 07, 2011

WikiLeaks Portugal - Telegramas sobre Timor

Insiro, abaixo, uma tradução livre de dois telegramas liberados pelo WikiLeaks e que dizem respeito às operações em Timor Leste dos governos da Austrália e de Portugal.

ID: 67674 Data: 2006-06-12 16:01 Origem: 06LISBON1137 Fonte: Embaixada de Lisboa Classificação: CONFIDENCIAL Não sei: Destino: VZCZCXRO5965 PP RUEHDT DE RUEHLI 1137-1101 # 1631601 ZNY ZZH CCCCC P junho 121601Z 06 FM LISBOA AMEMBASSY A RUEHC / SECSTATE PRIORIDADE WASHDC 4863 INFO RUEHBY / PRIORIDADE CANBERRA AMEMBASSY 0523 RUEHDT / AMEMBASSY PRIORIDADE DILI RUEHKL / AMEMBASSY PRIORIDADE KUALA LUMPUR 0028 RUEHWL / PRIORIDADE WELLINGTON AMEMBASSY 0125 RUEKJCS / PRIORIDADE OSD WASHDC RUEAIIA PRIORIDADE CIA / WASHDC RUCNDT / USMISSION USUN PRIORIDADE DE NEW YORK 1437 RUEHNO / PRIORIDADE USNATO USMISSION 0591 RUEHGV / PRIORIDADE GENEBRA USMISSION 0529 RUEKJCS PRIORIDADE SecDef / WASHDC RHEHNSC / PRIORIDADE NSC WASHDC RHHJJAA / PRIORIDADE HONOLULU JICPAC HI RUEKJCS / PRIORIDADE MAIOR CONJUNTO WASHDC RHHMUNA / PRIORIDADE HONOLULU USCINCPAC HI 1. (C / NF)

Em uma discussão sobre Timor Leste, o Chefe de Gabinete da República de Portugal Serviços de Inteligência (SIRP) ressaltou a necessidade de reconhecer o Partido da Fretilin popularidade e o importante papel desempenhado primeiro-ministro Alkatiri nele. Foi crítico de papel passado da Austrália em Timor Leste mas estava confiante de que os problemas de coordenação entre os potugueses e as forças australianas no terreno seriam trabalhados.

Alkatiri ainda influente ----------------------------

2. (C / NF) Durante um encontro casual em 8 de junho, Pol / Econ DepCouns tive a oportunidade de solicitar Chefe do Estado Maior da República dos Serviços de Inteligência de Portugal (SIRP), Jorge Carvalho ponto de vista sobre a situação no Timor Leste. No que respeita à situação política, Carvalho destacou a necessidade de reconhecer a realidade política em Timor Leste sem favorecer o Presidente Gusmão ou o primeiro-ministro Alkatiri. Ele comentou que embora Alkatiri tenha empreendido ações questionáveis e manchado com a marca de filiação comunista, o fato é que a Fretilin ganharia se as eleições fossem hoje e Alkatiri permaneceria em uma posição de poder. Quaisquer planos para resolver o conflito deverão ter a sua influência em consideração.

Questionando o papel da Austrália ----------------------------------

3. (C / NF), Carvalho comentou que a Austrália não havia desempenhado um papel produtivo em Timor Leste, destacando que motivos da Austrália foram impulsionados pela geopolítica e comercial (por exemplo, petróleo), enquanto o interesse principal de Portugal era manter estabilidade. Ele observou que Portugal tinha o mínimo, se houver, de laços econômicos. Ele explicou que SIRP seguiu a situação do território de muito perto, afirmando que "nós ainda sabemos que tipo de sapatos os manifestantes usam e onde comprá-los ", e sugeriu que a Austrália já havia fomentado tumultos em seu benefício. Ele citou dois exemplos - as negociações de demarcação da marítimas da fronteira entre Timor Leste e Austrália e demarcação de limites de exploração de petróleo ao largo da costa do leste de Timor - onde a Austrália tinha fomentado tumultos para colocar a pressão no Governo de Timor-Leste.

Confiante Coordenação problema seria resolvido ---------------------------------------

4. (C / NF), Carvalho estava confiante de que os problemas de coordenação entre o Estado Português com a paramilitar Guarda Nacional Republicana (GNR) e as forças australianas estariam resolvidos e minimizou quaisquer conflitos no terreno. Reflexões e subseqüentes relatórios destacam um acordo de 08 de junho em que a GNR irá operar exclusivamente no bairro de Comoro até que comando e controle de situações fossem resolvidas.

Comentário -----------

5. (C / NF) Carvalho, o equivalente a DNI John Negroponte Chefe de Gabinete, é um importante pro-Americano de contacto da Embaixada que não só é conhecedor em matéria de inteligência, mas também ligados a partidos políticos em todo o aspecto. Sua análise da situação no Timor Leste foi desapaixonada –- interpretada assim até mesmo por seus crítica da Austrália --, foi entregue em uma questão de forma realista. Embora Carvalho enfatizasse o lado mais altruísta de Portugal para envio de GNR para Timor Leste, há um carinho genuíno para a sua ex-colônia e um senso de responsabilidade por seu bem-estar. É claro que os relatórios de inteligência informam a oficial posição de Portugal sobre as políticas e caminho a seguir. Reflete a relutância a interlocutores AMF para comentar sobre o Oriente e em particular sobre dirigentes timorenses e sim que deveria destacar a importância dos timorenses em conceber uma solução para os seus difíceis problemas políticos. Hoffman.


ID: 66513 Data: 2006-06-02 19:09 Origem: 06LISBON1014 Fonte: Embaixada de Lisboa Classificação: SECRET Não sei: Destino: VZCZCXYZ0017 OO RUEHWEB DE RUEHLI 1014-1001 # 1531909 ZNY SSSSS ZZH O 021909Z 06 junho FM LISBOA AMEMBASSY A RUEHC / SECSTATE WASHDC 4815 IMEDIATA INFO RUEHBY / CANBERRA AMEMBASSY IMEDIATA 0514 RUEHKL / KUALA LUMPUR AMEMBASSY IMEDIATA 0019 RUEHWL WELLINGTON AMEMBASSY / IMEDIATA 0116 RUCNDT USUN USMISSION / NOVA YORK 1428 IMEDIATA RHMFISS / HQ GE Vaihingen USEUCOM IMEDIATA RUEKJCS PESSOAL / MISTO WASHDC IMEDIATA E S C R E T LISBOA 001014 SIPDIS E.O. 12958: DECL: 2016/06/02 TAGS: PREL, MOPS TT, PO ASSUNTO: VISTA PORTUGUÊS EM TIMOR-LESTE e planos de implantação Classificadas: Política / Economia Harrington Matt Conselheiro razões 1.4 (b) e (d).

Resumo --------

1. (C) Português interlocutores do Ministério da Defesa, Ministério das Relações Exteriores, e Guarda Nacional Republicana (GNR) tem confirmou os planos de Portugal para ajudar a estabilizar o Timor Leste, embora não sob os auspícios da Joint Task Force liderada pela Austrália. Todos, Consultor do Ministro da Defesa Português e da Austrália e o Embaixador em Lisboa, registaram que Portugal e a Austrália, acordaram em permanecer neutros no conflito, mas diferem em seus pontos de vista sobre a resposta apropriada. O Governo de Portugal (GOP) visa apoiar Timor Leste através de canais bilaterais e pelo fornecimento de pessoal sob o controle direto do governo timorense na pendência de uma missão da ONU. Uma vez que a missão da ONU está no local, o Partido Republicano considera que deveria ser o foco na criação de instituições e resolução de conflitos para evitar a violência no futuro. A chegada do contingente da G. N. R. a Díli foi adiada, alegadamente devido à Indonésia ter negado autorização de sobrevoo, mas espera-se que partem de Lisboa em 02 de junho. Fim Resumo.

A insistência em uma estrutura de comando separada -------------------------------------------

2. (C) MFA Vice Ministro dos Negócios Estrangeiros João Gomes Cravinho disse à DCM em 2 de junho que as forças Portuguesas da GNR irão trabalhar directamente sob a estrutura de comando Timor Leste devido a um pré protocolo com o Timor Leste, que se opõe Portugal ao funcionamento de comando de outra nação. Ele acrescentou que os comandantes são susceptíveis de chegar a um acordo, uma vez que a GNR esteja no terreno, mas observou que a missão da GNR de restabelecer a ordem civil difere significativamente do missão militar liderada pela Austrália Task Force. 

3. (C) Em uma conversa em separado, Diretor da Ásia e Oceania Assuntos Jorge Silva Lopes disse Pol / Econ oficial da GNR que estão indo relatar através de um Comandante Português diretamente para o Presidente de Timor e o primeiro-ministro, uma vez que chegou, em acordo com um 25 de maio Memorando de Entendimento entre Portugal e Timor Leste. Quando perguntado sobre possíveis problemas de dupla coordenação decorrentes da Presidencia e estrutura de comando do PM, Lopes alegou que ele não prevê quaisquer problemas de solicitações conflitantes do escritórios. Ele similarmente minimizou perguntas sobre a coordenação com o controle das forças australianas. Enquanto o governo português respeita o papel da Austrália, não há planos para colocar a GNR sob comando da Austrália, segundo Lopes.

4. (C) Em um telefonema 01 de junho com o Embaixador da Austrália Embaixador em Lisboa, Greg Polson, disse mecanismos de coordenação para a empresa liderada GNR para Díli ainda estão sendo discutidos entre Camberra e Lisboa. Ele pensou que a situação iria funcionar muito bem no terreno onde era uma questão de coordenar áreas em que contingentes estrangeiros teriam responsabilidades. Ele acrescentou que a GNR teria principalmente um papel de polícia, responsável principalmente para controlar a multidão, que era diferente do que aconteceu com o contingente militar formado pela Austrália, Malásia e Nova Zelândia. Ele ofereceu sua visão de que, em última instância, o Partido Republicano poderia insistir em que a GNR poderia operar de forma autônoma e que considerações de ordem prática no terreno seriam consideradas para fechar coordenação com as forças australianas e de outros.

Implantação da GNR e dos planos de Missão ----------------------------------

5. (S) Depois de um breve atraso na saída da GNR, devido à falta de aprovação de sobrevoo da Indonésia, a força de 120 homens, está previsto para sair em 2 de junho às 21:00, horário local, para Dili em dois vôos alugados. Uma vez lá, a GNR pretende ter a sua força no Oriente Timor-Leste por pelo menos um ano, girando tropas a cada quatro meses. Em contradição com o dupla estrutura de comando Presidente / PM Lopes descritas em 01 de junho, o Vice-Chefe de Gabinete da GNR em 02 de junho que seu comandante receberá ordens diretamente do presidente Xanana Gusmão. Só na sua ausência, eles vão receber ordens do primeiro-ministro Alkatiri, e será responsável perante o Embaixador Português.

6. (C) A primeira fase da implantação será focada no estabelecimento da paz e ordem em Díli e arredores, ou em uma área designados pelo Presidente Xanana Gusmão, e na segunda fase do seu missão será focada no treinamento da polícia local. A portuguesa GNR teve uma equipa de vanguarda em Timor há algum tempo e já desenvolveu um plano para a missão. O comandante da GNR vai apresentar este plano a Gusmão para a final autorização.

Depois da Tempestade - Reconstrução de Timor-Leste ---------------------------------------

7. (C) a assessoria diplomática do ministro da Defesa, Paulo Lourenço, delineou a sua perspectiva sobre a necessidade de uma solução a longo prazo em Timor Leste, em conversa para o DCM em 01 de junho, mas notou que seu Ministério não têm o papel principal na determinação da política nesta questão. Lourenço insistiu que o problema é muito maior a PM Alkatiri. Sobre tensões étnicas do país nunca terem sido abordadas, ele disse, que o levantamento da ONU ocorreu muito cedo e muito rapidamente, por isso Timor Leste e a comunidade internacional estão agora pagando o preço por miopia do passado. É essencial que uma força internacional sob mandato das Nações Unidas para ser implantado no futuro previsível. Entretanto, a GNR deveria fazer a ligação com as forças locais de segurança para proteger a ordem pública. Presidente Gusmão, segundo Lourenço, é um líder forte plenamente capaz de gerir a crise atual. 

8. (C) Lourenço expressou sua opinião de que a motivação da Austrália em intervir em Timor Leste é para preservar a estabilidade regional e demonstrar a sua influência naquela parte do mundo. Ele Também pensou que a Austrália estava preocupada que os muçulmanos radicados na comunidade na Indonésia poderiam ter uma influência sobre a população timorense (Comentário: que nos atingiu de modo ímpar, uma vez que acredito que uma esmagadora maioria da população de Timor Leste é Católica Romana. Fim Comentário).

9. (C) Vice-FM Cravinho ecoou preocupações sobre Lourenço reconstrução e comunicados à DCM que, embora Portugal acredita que a crise imediata vai acabar em breve, o mais importante da missão será a de responder à fractura social em curso. Ele acredita que a ONU deveria repensar a sua missão em Timor Leste e começar a abordar a institucionalização de conflitos e de apoio com esforços. Para esse fim, ele mencionou que as comissões que incidiram sobre o reforço de entidades da sociedade ajudaria mais as missões de segurança continuou.

Ver australiano a partir de Lisboa ---------------------------

10. (C) Embaixador Hoffman pediu ao embaixador australiano Polson que verificasse se o Portugal estava apoiando o primeiro-ministro Alkatiri e se o Partido Republicano estava em desacordo com Canberra. "Eu não diria que há probabilidades ", respondeu Polson. Portugal e a Austrália, disse ele, fazem a abordagem a Timor Leste a partir de duas perspectivas diferentes. De Portugal abordagem é moldada pela emoção, história e língua, enquanto a política da Austrália é fundamentada na geoestratégica, preocupações tais como o desejo de evitar a instabilidade e consequentes fluxos de refugiados na região. Alguns da liderança portuguesa, Polson continuou, muito claramente apóiam Alkatiri. O GOP, Polson acredita, quer que todos os três altos líderes timorenses - o Presidente, o Primeiro-Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros – permaneçam e - apostou que ninguém no Partido Republicano estaria disposto a pedir a demissão de Alkatiri. Comentário -------

11. (C) Ouvimos uma mensagem consistente de todos os nossos interlocutores portugueses que o Partido Republicano não tem intenção de colocação do contingente da GNR sob comando e controle da Austrália, devido, em parte, nós suspeitamos, a históricas passagens ruins entre os dois países em Timor Leste, e à convicção de que eles sabem dar o seu melhor no solo desde longa data nas conexões históricas com o país. Dito isto, os nossos contactos portugueses e o Embaixador da Austrália em Lisboa, estavam confiantes de que este acordo não representa grandes problemas, tanto parar militares como para os comandantes no terreno, a sua coordenação eficaz. E porque as forças Português teriam muito diferente missão (manutenção da ordem pública, principalmente) de outros contingentes internacionais.

12. (C) Não temos ouvido nenhuma indicação de nossos contatos GOP sobre que Portugal tomou ou pretende tomar partido no mercado interno e na luta pelo poder no Timor Leste. Os nossos interlocutores em todos os níveis, do Primeiro-Ministro para baixo, com rigor, pressionam por uma nova Mandato da ONU o mais breve possível. Um novo esforço da ONU é sustentado, a partir da perspectiva do GOP, com realizações do tipo de longo prazo e a construção de instituições que, nomeadamente, reduzam a possibilidade de partidarismo político. Hoffman

sábado, dezembro 25, 2010

Compadres

     
A invasão e ocupação de Timor pela Indonésia foi, como todos sabemos, a maior das carnificinas de inocentes, num conluio com EEUU, Austrália e... Portugal. Sinto até nojo, algumas vezes de escrever sobre isto e agora sabe-se mais um pouco a respeito.

Telegramas diplomáticos divulgados pelo WikiLeaks confirmam que o governo australiano trabalhou com a Indonésia para gerir as consequências políticas quando, em 2007, um relatório atestou que o exército indonésio tinha mandado executar cinco jornalistas em Balibó, Timor-Leste.

Os telegramas diplomáticos da Embaixada dos Estados Unidos em Jacarta, agora tornados públicos pelo Wikileaks, também dão conta de que Camberra declarou Yunus Yosfiah --- o capitão das forças especiais indonésias durante a invasão de 1975 do Timor-Leste que terá ordenado a execução --- "pessoa non grata na Austrália", apesar de o executivo australiano "nunca ter apresentado qualquer ação formal contra Yosfiah pelos homicídios".

O correio diplomático revela que esta sanção --- que o impediria de entrar na Austrália --- foi aplicada discretamente a Yunus Yosfiah numa altura em que Camberra já trabalhava nos bastidores com Jacarta para ajudar o executivo indonésio a gerir as consequências do escândalo.
                 

domingo, junho 22, 2008

Cangurus traidores

A Australian Security Intelligence Organization (ASIO, serviços secretos) desclassificou ontem centenas de documentos referentes ao actual Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta. Mas ainda conserva por desvendar cinco dossiers que tem sobre ele.
Naquilo que o jornal The Canberra Times considerou "um passo em falso diplomático", a ASIO e o ministério australiano dos Negócios Estrangeiros nem sequer teriam consultado ou avisado o chefe de Estado de que iam trazer a público todo o seu passado, desde que, em Outubro de 1974, o começaram a espiar. Foi quando se tornou claro que era o principal representante internacional da causa nacionalista timorense.
A divulgação de ficheiros secretos sobre um Presidente em exercício num país vizinho é algo "sem precedentes", comentou Clinton Fernandes, professor da Universidade da Nova Gales do Sul." Primeiro a Austrália espia a vida de Ramos-Horta, depois Camberra trai Timor para benefício dos militares indonésios e, três décadas depois, divulga os documentos sem sequer se dar ao trabalho de um telefonema para lhe dizer", referiu.
O material vindo a lume revela que, em Maio de 1975, a ASIO contou à sua congénere indonésia BAKIN os contactos que Ramos-Horta tivera com a Comissão Australiana para um Timor-Leste Independente e com o Partido Comunista da Austrália. Sabe-se que o primeiro-ministro australiano do período 1972-1975, o trabalhista Gough Whitlam, achava que Timor-Leste "era demasiado pequeno e economicamente inviável para se tornar independente". Whitlam "lamentará um dia a negociata que fez com Suharto" (o ditador indonésio), para que Jacarta ocupasse Timor-Leste, teria escrito em dada altura Ramos-Horta, segundo uma carta sua incluída nas mais de 550 páginas agora desclassificadas.

sábado, fevereiro 23, 2008

ARGUEIRO NOS OLHOS DE TIMOR

«Os australianos devem partir de Timor» declararam responsáveis timorenses do Campo de Deslocados do Aeroporto, situado às portas de Díli, que conta com mais de 4600 habitantes. A GNR portuguesa é a única força que respeita os timorenses, afirmam os mesmos responáveis.
A tensão entre os Deslocados timorenses do Campo do Aeroporto e as forças australianas aumentou em 2007 quando um blindado do exército australiano da «Stabilisation Force» em Timor Leste entrou no Campo, em 23 de Março de 2007, depois de ter destruído a barreira de limite do recinto, abrindo fogo contra os deslocados provocando a morte de dois residentes e ferindo gravemente um terceiro. A 31 de Outubro, do mesmo ano, um novo incidente é denunciado pelos Deslocados que afirmam que os militares australianos abriram fogo, sem razão aparente, ferindo gravemente um residente.
Os dois incidentes provocaram um mal-estar entre os Deslocados e as forças australianas presentes em Timor Leste, composta por 1200 militares, dos quais 200 da Nova Zelândia, e 70 polícias.
Gestos obscenos e sinais com a mão de ameaça de «cortarem cabeças» são constantes das forças australianas quando patrulham os campos, confirmaram os Refugiados. Durante a noite alguns blindados australianos circundam os campos, enquanto helicópteros das mesmas forças sobrevoam continuamente a capital Díli.
«Se os australianos tentarem entrar aqui vamos os receber com pedras» disse um jovem timorense do mesmo campo. «Os únicos militares que são bem vindos são os da GNR de Portugal» afirma o chefe do campo que considera os portugueses como os únicos que respeitam os timorenses. «Quando temos problemas só queremos a GNR» prossegue o mesmo responsável perante sinais de concordância de vários jovens.
Condensado do Jornal Digital (http://jornaldigital.com/

As acusações são gravíssimas. Todavia, para mim isso não me causa muita estranheza e sempre tenho publicado aqui o que penso sobre a Austrália com relação a Timor. O ventos que de lá sopram não são bons e, pelo passado não muito logínquo, durante a Segunda Grande Guerra, deveria existir reconhecimento e gratidão, pois os timorenses ofereceram grande resistência à invasão japonesa e aquele país beneficiou-se disso. Os grandes interesses económicos sobrepõem-se à moralidade. As forças da ONU ali estacionadas se constituídas com uma maioria arregimentada nos países dos PALOP, principalmente Portugal e Brasil, dariam um rumo muito diferente à consolidação de Timor.

sábado, setembro 01, 2007

AJUDAS A TIMOR LESTE

Timor assina programa de cooperação com Portugal até 2010.
Programa Indicativo de Cooperação foi estimado em 60 milhões de euros.
Os governos de Portugal e Timor-Leste assinaram hoje (31-08-2007) o Programa Indicativo de Cooperação (PIC) para os próximos quatro anos, estimado em 60 milhões de euros (cerca de 81,6 milhões de dólares americanos).
O PIC foi assinado no Palácio do Governo por João Gomes Cravinho, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação português, e por Zacarias da Costa, ministro dos Negócios Estrangeiros timorense.
O Programa Indicativo de Cooperação 2007-2010 concretiza os objectivos do documento "A Visão Estratégica para a Cooperação Portuguesa" e as metas de desenvolvimento identificadas pelo governo timorense e define a estratégia de cooperação entre ambos os países.O primeiro eixo, denominado Boa Governação, Participação e Democracia, tem uma dotação de 12,5 milhões de euros e inclui a cooperação no sector da justiça.Desenvolvimento Sustentável e Luta contra a Pobreza é o segundo eixo do PIC, com uma dotação de 46 milhões de euros, incluindo o sector da educação e a reintrodução da língua portuguesa.O PIC define ainda o apoio de 1,5 milhões de euros a um "cluster", em região a definir, um programa que pretende "potenciar o desenvolvimento sustentado, através de uma intervenção integrada e descentralizada que crie sinergias entre vários agentes e áreas de intervenção", segundo informação da Cooperação Portuguesa em Díli.
Entre 1999 e 2006, o total da ajuda portuguesa a Timor-Leste ascende a mais de 381 milhões de euros.O anterior PIC, que vigorou no triénio 2004-2006, previa o total de 50 milhões de euros.
Lusa
Governo da Austrália anuncia pacote de ajuda a Timor-Leste.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Alexander Downer, anunciou quinta-feira em Díli um pacote reforçado de 214 milhões de dólares em assistência a Timor-Leste para os próximos quatro anos.
Alexander Downer anunciou o reforço da assistência australiana no final de um encontro com o Presidente da República timorense, José Ramos-Horta.
O pacote inclui cerca de 75 milhões de dólares para água e saneamento, 24 milhões para formação técnica e profissional, 40 milhões para a justiça e 75 milhões para gestão económica e infra-estruturas.A ajuda financeira da Austrália a Timor-Leste para o ano de 2007-2008 está calculada em 73 milhões de dólares.
Desde 1999, a Austrália forneceu a Timor-Leste 590 milhões de dólares em Assistência Oficial ao Desenvolvimento, segundo dados do ministério dos Negócios Estrangeiros australiano.
macauhub
Temos aqui uma diferença de 200 milhões de dólares entre as duas ajudas... E isso é compreensível ao analisarmos a capacidade dos dois doadores e os interesses de cada um. Porém, Portugal sempre investiu e investe muito mais, em termos gerais, que qualquer outro país.
Portugal tem a obrigação de ajudar, até por uma questão de moralidade em relação ao abandono que protagonizou quando da "saída" das suas ex-colónias. Talvez, até, devesse fazer uma espécie de "volta ao começo", ponto a partir do qual colocaria em execução um programa gradual e eficaz para uma independência definitiva. É uma oportunidade de mostrar ao Mundo que tem capacidade de fazer o que deveria ter feito com todos os seus antigos territórios e sair de cabeça erguida. Timor merece e Portugal está em dívida. E nunca é tarde para corrigir os erros do passado. Tudo o que Portugal investir em Timor e que vise ùnicamente o desenvolvimento do jóvem país, certamente trará um retorno especial que nos dará muito orgulho.
Em relação à Austrália e como se costuma dizer popularmente, "já são outros quinhentos"...
Aqui já há interesses ocultos e nada está sendo feito gratuitamente.
Na verdade, este país tem uma grande dívida para com o povo timorense desde os tempos da Segunda Grande Guerra e, ao invés de reconhecer isso e de muitas maneiras tentar amortizá-la, sempre agiu em causa própria e com outra visão. Toda a ajuda será bem vinda, mas o povo maubere deverá sempre ficar atento.

sexta-feira, julho 27, 2007

VISITA INOPORTUNA...

A rápida visita do Primeiro Ministro australiano, John Howard, a Timor Leste está deixando muita gente "encucada" e coçando a cabeça...
A minha opinião pessoal não pesa nada, é claro. Não obstante, reafirmo que qualquer aproximação com a Austrália, nos moldes actuais e pelos interesses que envolve, não é benéfica para Timor. Os que lá vivem e que sempre lutaram por uma verdadeira independência, deverão estar alerta e actuantes.