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segunda-feira, janeiro 14, 2008

CAMPINAS E CAMPINEIROS

Já lá vão 31 anos desde o dia em que cheguei a Campinas para aqui me fixar. Desde já adianto que não foi tarefa fácil a tentativa de adaptação a esta grande cidade. Porém, jeitinho daqui, jeitinho dali, fui-me acomodando e aqui permaneço. Ainda hoje tento analisar tudo e todos e vou construindo a minha idéia definitiva sobre o reduto. Enquanto isso, transcrevo uma crônica de autor desconhecido, muito atual, enviada pelo amigo Marcílio. As reticências em cada frase, omitidas, subentendem-se...

SER CAMPINEIRO É....

Estar devendo dinheiro a meio mundo, mas ter carro importado para ”desfilar" pela Norte-Sul, no domingo.

Ir trocar roupa na C&A do Iguatemi, levando a roupa na sacola da Márcia Mello.

Achar mais bonito ficar do lado de fora em bares pequenos como o saudoso Maria Bonjour ou o Cleso, por mais ótimos bares e casas noturnas que existam para ficar do lado de dentro. E ainda chamar de “mano” o pessoal que faz exatamente a mesma coisa no Shopping Unimart.

Encaixar um "véio" no final de cada frase.

Sendo mulher, achar a coisa mais linda do mundo poder dizer às amigas que ficou com aquele cara que é "animarrrrrrrrrr"!

Sendo homem, ter que dizer a alguém de outra cidade, quando perguntado, que é de Campinas, mas não bebe a água de lá; manda buscar em Jaguariúna ou Indaiatuba.

Chegar para conversar com a menina na balada, na hora que ela está indo embora.

Ser apresentado 10 vezes para mesma pessoa e, mesmo assim, na enésima vez dizer que não conhece.

Ficar saindo com o ex da melhor amiga, sob o argumento e convicção que ele também é seu amigo. (Bem típico das campineiras falsas e não confiáveis).

Correr na Lagoa do Taquaral pelo lado de fora porque só os "mano" gostam de ver os bichinhos que tem lá dentro. Achar que sabe andar em São Paulo porque conhece a marginal Pinheiros para pegar a Imigrantes!

Ir à missa em Nova Campinas por “se achar”.

Levar 4 horas para ir pra Ubatuba e ainda achar perto.

Jamais andar de ônibus, mesmo que não tenha grana.

Ter a certeza que conhece, mas não cumprimentar.

Nunca saber se chove ou se faz sol, porque está sempre enfiado dentro de um shopping nas horas vagas

Não ter idéia de beleza natural a não ser pela naturalíssima Lagoa do Taquaral.

Ter o saudável hábito de dormir cedo, até mesmo nos fins de semana, pela impossibilidade de tomar choppinho até depois de 1h da manhã na maioria dos botecos.

Não ter um tostão no bolso e, mesmo assim, achar que é milionário por ser sócio do Tenis Clube de Campinas.

Ter uma garrafa de whisky no “Coronel” e no “Seo Rosa” para ser vip. Ser criado no Castelo, Marieta, Botafogo, Jardim Leonor, Bela Vista, Taquaral e achar que é de classe média alta. Sobretudo, não achar que é do interior Put'z!

segunda-feira, agosto 20, 2007

PERDIDOS EM CASA...

Frequentemente sou abordado, em qualquer ponto da cidade, solicitando informações sobre determinada rua ou ponto. Quase sempre dou a informação correcta e definitiva e acredito que, assim, tenha terminado o suplício de quem parecia estar perdido e cansado de preambular por aí. Se, por acaso, fui o primeiro a ser indagado, então acho que farejaram a pessoa certa...
Até reconheço que esta cidade onde resido, Campinas (foto cima) é muito complicada até mesmo para os seus habitantes, quanto mais para quem vem de fóra. Sofri muito, também, quando para cá vim, de mala e cúia. Mas, como em todas as demais por onde tenho assentado bases, adaptei-me fàcilmente. Foi assim em Lisboa, Porto Alegre, Genebra e muitas outras, grandes ou pequenas.
Para onde vou ou por onde passo, uso sempre alguns truques e a curiosidade é uma constante. Lembro-me, por exemplo, quando aos 14 anos de idade saí de casa de meus pais e fui trabalhar e residir em Lisboa. Caminhava muito sem destino e gravava na mente grande número de nomes de ruas e imagens relacionadas. Usava muito ônibus (autocarro) e bondes (elétricos) do início ao final da linha e volta. Muitas vezes no sobe e pula para não pagar a passagem, mas isso eram acidentes de percurso...
Em Campinas eu tive uma pequena frota de caminhões e trabalhava fazendo entregas. É natural que tenha ficado a conhecer a cidade como a palma de minha mão. Mas, independentemente disso, sempre imperou a curiosidade em conhecer o máximo que a cidade de poderia oferecer e era assim em todos os demais lugares.
Reconheço que isso é quase impossível nos dias de hoje. As pessoas vão de casa para o trabalho e vice versa. Nas horas de ócio ou de lazer vão passear nos shoppings e lá até poderão assistir a um filme numa das salas de cinema. Muitas vezes não vão além do bar da esquina próximo à sua rua. Assim, jamais terão oportunidade de conhecer a sua cidade.
O que nos leva a ter esse comportamento nos dias de hoje? Sem dúvida, a insegurança total em que vivemos! Afinal, existem bairros em que, para por lá passar, teremos que pagar um tipo de pedágio para a malandragem...
Enquanto a cidade vai crescendo não tomamos conhecimento do seu tamanho e das suas características. Estamos perdidos em "casa"...

quinta-feira, junho 07, 2007

PICHADORES

Nesta madrugada, 3 horas, um jóvem de 16 anos estava empoleirado na fachada do terceiro andar de um prédio aqui na cidade de Campinas. O que ele estaria fazendo numa situação dessas àquela hora? Uma serenata para a sua amada? Pintando as paredes ou janelas? Qualquer uma das duas hipóteses seria esdrúxula, se levado em conta o horário, porém não descabida de todo.
Quem apostou na segunda hipótese quase acertou. É que o indivíduo tem dotes de pintor... É um dos muitos pichadores que emporcalham a cidade e que disputam entre si os espaços mais altos e de difícil acesso. Estava executando mais uma das suas obras de arte, daquelas que enfurecem o proprietário e moradores do imóvel, tanto quanto os que simplesmente por ali transitam.
Aconteceu que o jóvem artista despencou lá de cima, bateu com a cabeça numa marquize, chegou redondinho no chão e... milagre!!! Não morreu! Acredito que brevemente esteja nòvamente produzindo e enriquecendo, assim, o acervo artístico da cidade...