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segunda-feira, março 09, 2009

Literatura de cordel

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA
I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.
II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.
III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.
IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.
V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.
VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.
VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.
VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.
IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na linguiça
É uma coisa do Cão.
X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.
Miguezim de Princesa

sábado, julho 21, 2007

TEMPOS E VENTOS

Confesso que começo a ficar preocupado.
Jamais pensei em ter que escrever algo a respeito e a ter que juntar esses três símbolos como ilustração...
Recordo-me daquelas juventudes ligadas às ditaduras fascistas na Alemanha de Hitler, no Portugal de Salazar, na Espanha de Franco e outras que tanto, quando me deparo com posturas semelhantes nos dias de hoje aqui no Brasil. Será que eu estou exagerando? Talvez! Mas estou ficando muito preocupado e acho que devemos tomar certos cuidados.
Nestas paragens da Internet e não só, pois também se constata o mesmo nas conversas de rua e outros locais, há reacções muito agressivas quando algo se escreve ou se comenta como crítica ao governo instalado ou a alguns elementos do mesmo. E essas reacções são por parte de postulantes jóvens, muitos dos quais desfalcados de conhecimentos da história recente. Nota-se que essas pessoas estão totalmente cegas e obcecadas. Fanáticas, mesmo.
Cronistas ou comentaristas da mídea em geral são atacados sem escrúpulos, mercê daquilo que escrevem ou comentam sobre fatos relevantes que acontecem no dia-a-dia e que, de algum modo colocam em cheque algum membro do governo, principalmente se este é do PT.
Pessoalmente, uso muito a Internet para me comunicar com os meus amigos, entre outras coisas. Muitos, até mesmo a maioria, são amigos virtuais que vou conhecendo gradativamente e, a certa altura, elejo um pequeno grupo que passa a ser especial pela abertura e confiança. É normal receber e-mails com matérias de cunho político e anexos com charges, audio e vídeo. Costumo partilhá-los com os demais e acaba por se tornar uma espécie de corrente. O interessante é que algumas vezes acabo por receber de alguns dos amigos referidos (não os do grupo especial) manifestações de protesto e até ofensivas, como foi um caso de ontem que me incutiu a escrever estas linhas hoje. Chegam essas pessoas a agir como se fôsse eu o autor daquilo que lhes enviei... E até antecipam não estar receptivos a réplica.
É preocupante!