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segunda-feira, março 07, 2011

WikiLeaks Portugal - Telegramas sobre Timor

Insiro, abaixo, uma tradução livre de dois telegramas liberados pelo WikiLeaks e que dizem respeito às operações em Timor Leste dos governos da Austrália e de Portugal.

ID: 67674 Data: 2006-06-12 16:01 Origem: 06LISBON1137 Fonte: Embaixada de Lisboa Classificação: CONFIDENCIAL Não sei: Destino: VZCZCXRO5965 PP RUEHDT DE RUEHLI 1137-1101 # 1631601 ZNY ZZH CCCCC P junho 121601Z 06 FM LISBOA AMEMBASSY A RUEHC / SECSTATE PRIORIDADE WASHDC 4863 INFO RUEHBY / PRIORIDADE CANBERRA AMEMBASSY 0523 RUEHDT / AMEMBASSY PRIORIDADE DILI RUEHKL / AMEMBASSY PRIORIDADE KUALA LUMPUR 0028 RUEHWL / PRIORIDADE WELLINGTON AMEMBASSY 0125 RUEKJCS / PRIORIDADE OSD WASHDC RUEAIIA PRIORIDADE CIA / WASHDC RUCNDT / USMISSION USUN PRIORIDADE DE NEW YORK 1437 RUEHNO / PRIORIDADE USNATO USMISSION 0591 RUEHGV / PRIORIDADE GENEBRA USMISSION 0529 RUEKJCS PRIORIDADE SecDef / WASHDC RHEHNSC / PRIORIDADE NSC WASHDC RHHJJAA / PRIORIDADE HONOLULU JICPAC HI RUEKJCS / PRIORIDADE MAIOR CONJUNTO WASHDC RHHMUNA / PRIORIDADE HONOLULU USCINCPAC HI 1. (C / NF)

Em uma discussão sobre Timor Leste, o Chefe de Gabinete da República de Portugal Serviços de Inteligência (SIRP) ressaltou a necessidade de reconhecer o Partido da Fretilin popularidade e o importante papel desempenhado primeiro-ministro Alkatiri nele. Foi crítico de papel passado da Austrália em Timor Leste mas estava confiante de que os problemas de coordenação entre os potugueses e as forças australianas no terreno seriam trabalhados.

Alkatiri ainda influente ----------------------------

2. (C / NF) Durante um encontro casual em 8 de junho, Pol / Econ DepCouns tive a oportunidade de solicitar Chefe do Estado Maior da República dos Serviços de Inteligência de Portugal (SIRP), Jorge Carvalho ponto de vista sobre a situação no Timor Leste. No que respeita à situação política, Carvalho destacou a necessidade de reconhecer a realidade política em Timor Leste sem favorecer o Presidente Gusmão ou o primeiro-ministro Alkatiri. Ele comentou que embora Alkatiri tenha empreendido ações questionáveis e manchado com a marca de filiação comunista, o fato é que a Fretilin ganharia se as eleições fossem hoje e Alkatiri permaneceria em uma posição de poder. Quaisquer planos para resolver o conflito deverão ter a sua influência em consideração.

Questionando o papel da Austrália ----------------------------------

3. (C / NF), Carvalho comentou que a Austrália não havia desempenhado um papel produtivo em Timor Leste, destacando que motivos da Austrália foram impulsionados pela geopolítica e comercial (por exemplo, petróleo), enquanto o interesse principal de Portugal era manter estabilidade. Ele observou que Portugal tinha o mínimo, se houver, de laços econômicos. Ele explicou que SIRP seguiu a situação do território de muito perto, afirmando que "nós ainda sabemos que tipo de sapatos os manifestantes usam e onde comprá-los ", e sugeriu que a Austrália já havia fomentado tumultos em seu benefício. Ele citou dois exemplos - as negociações de demarcação da marítimas da fronteira entre Timor Leste e Austrália e demarcação de limites de exploração de petróleo ao largo da costa do leste de Timor - onde a Austrália tinha fomentado tumultos para colocar a pressão no Governo de Timor-Leste.

Confiante Coordenação problema seria resolvido ---------------------------------------

4. (C / NF), Carvalho estava confiante de que os problemas de coordenação entre o Estado Português com a paramilitar Guarda Nacional Republicana (GNR) e as forças australianas estariam resolvidos e minimizou quaisquer conflitos no terreno. Reflexões e subseqüentes relatórios destacam um acordo de 08 de junho em que a GNR irá operar exclusivamente no bairro de Comoro até que comando e controle de situações fossem resolvidas.

Comentário -----------

5. (C / NF) Carvalho, o equivalente a DNI John Negroponte Chefe de Gabinete, é um importante pro-Americano de contacto da Embaixada que não só é conhecedor em matéria de inteligência, mas também ligados a partidos políticos em todo o aspecto. Sua análise da situação no Timor Leste foi desapaixonada –- interpretada assim até mesmo por seus crítica da Austrália --, foi entregue em uma questão de forma realista. Embora Carvalho enfatizasse o lado mais altruísta de Portugal para envio de GNR para Timor Leste, há um carinho genuíno para a sua ex-colônia e um senso de responsabilidade por seu bem-estar. É claro que os relatórios de inteligência informam a oficial posição de Portugal sobre as políticas e caminho a seguir. Reflete a relutância a interlocutores AMF para comentar sobre o Oriente e em particular sobre dirigentes timorenses e sim que deveria destacar a importância dos timorenses em conceber uma solução para os seus difíceis problemas políticos. Hoffman.


ID: 66513 Data: 2006-06-02 19:09 Origem: 06LISBON1014 Fonte: Embaixada de Lisboa Classificação: SECRET Não sei: Destino: VZCZCXYZ0017 OO RUEHWEB DE RUEHLI 1014-1001 # 1531909 ZNY SSSSS ZZH O 021909Z 06 junho FM LISBOA AMEMBASSY A RUEHC / SECSTATE WASHDC 4815 IMEDIATA INFO RUEHBY / CANBERRA AMEMBASSY IMEDIATA 0514 RUEHKL / KUALA LUMPUR AMEMBASSY IMEDIATA 0019 RUEHWL WELLINGTON AMEMBASSY / IMEDIATA 0116 RUCNDT USUN USMISSION / NOVA YORK 1428 IMEDIATA RHMFISS / HQ GE Vaihingen USEUCOM IMEDIATA RUEKJCS PESSOAL / MISTO WASHDC IMEDIATA E S C R E T LISBOA 001014 SIPDIS E.O. 12958: DECL: 2016/06/02 TAGS: PREL, MOPS TT, PO ASSUNTO: VISTA PORTUGUÊS EM TIMOR-LESTE e planos de implantação Classificadas: Política / Economia Harrington Matt Conselheiro razões 1.4 (b) e (d).

Resumo --------

1. (C) Português interlocutores do Ministério da Defesa, Ministério das Relações Exteriores, e Guarda Nacional Republicana (GNR) tem confirmou os planos de Portugal para ajudar a estabilizar o Timor Leste, embora não sob os auspícios da Joint Task Force liderada pela Austrália. Todos, Consultor do Ministro da Defesa Português e da Austrália e o Embaixador em Lisboa, registaram que Portugal e a Austrália, acordaram em permanecer neutros no conflito, mas diferem em seus pontos de vista sobre a resposta apropriada. O Governo de Portugal (GOP) visa apoiar Timor Leste através de canais bilaterais e pelo fornecimento de pessoal sob o controle direto do governo timorense na pendência de uma missão da ONU. Uma vez que a missão da ONU está no local, o Partido Republicano considera que deveria ser o foco na criação de instituições e resolução de conflitos para evitar a violência no futuro. A chegada do contingente da G. N. R. a Díli foi adiada, alegadamente devido à Indonésia ter negado autorização de sobrevoo, mas espera-se que partem de Lisboa em 02 de junho. Fim Resumo.

A insistência em uma estrutura de comando separada -------------------------------------------

2. (C) MFA Vice Ministro dos Negócios Estrangeiros João Gomes Cravinho disse à DCM em 2 de junho que as forças Portuguesas da GNR irão trabalhar directamente sob a estrutura de comando Timor Leste devido a um pré protocolo com o Timor Leste, que se opõe Portugal ao funcionamento de comando de outra nação. Ele acrescentou que os comandantes são susceptíveis de chegar a um acordo, uma vez que a GNR esteja no terreno, mas observou que a missão da GNR de restabelecer a ordem civil difere significativamente do missão militar liderada pela Austrália Task Force. 

3. (C) Em uma conversa em separado, Diretor da Ásia e Oceania Assuntos Jorge Silva Lopes disse Pol / Econ oficial da GNR que estão indo relatar através de um Comandante Português diretamente para o Presidente de Timor e o primeiro-ministro, uma vez que chegou, em acordo com um 25 de maio Memorando de Entendimento entre Portugal e Timor Leste. Quando perguntado sobre possíveis problemas de dupla coordenação decorrentes da Presidencia e estrutura de comando do PM, Lopes alegou que ele não prevê quaisquer problemas de solicitações conflitantes do escritórios. Ele similarmente minimizou perguntas sobre a coordenação com o controle das forças australianas. Enquanto o governo português respeita o papel da Austrália, não há planos para colocar a GNR sob comando da Austrália, segundo Lopes.

4. (C) Em um telefonema 01 de junho com o Embaixador da Austrália Embaixador em Lisboa, Greg Polson, disse mecanismos de coordenação para a empresa liderada GNR para Díli ainda estão sendo discutidos entre Camberra e Lisboa. Ele pensou que a situação iria funcionar muito bem no terreno onde era uma questão de coordenar áreas em que contingentes estrangeiros teriam responsabilidades. Ele acrescentou que a GNR teria principalmente um papel de polícia, responsável principalmente para controlar a multidão, que era diferente do que aconteceu com o contingente militar formado pela Austrália, Malásia e Nova Zelândia. Ele ofereceu sua visão de que, em última instância, o Partido Republicano poderia insistir em que a GNR poderia operar de forma autônoma e que considerações de ordem prática no terreno seriam consideradas para fechar coordenação com as forças australianas e de outros.

Implantação da GNR e dos planos de Missão ----------------------------------

5. (S) Depois de um breve atraso na saída da GNR, devido à falta de aprovação de sobrevoo da Indonésia, a força de 120 homens, está previsto para sair em 2 de junho às 21:00, horário local, para Dili em dois vôos alugados. Uma vez lá, a GNR pretende ter a sua força no Oriente Timor-Leste por pelo menos um ano, girando tropas a cada quatro meses. Em contradição com o dupla estrutura de comando Presidente / PM Lopes descritas em 01 de junho, o Vice-Chefe de Gabinete da GNR em 02 de junho que seu comandante receberá ordens diretamente do presidente Xanana Gusmão. Só na sua ausência, eles vão receber ordens do primeiro-ministro Alkatiri, e será responsável perante o Embaixador Português.

6. (C) A primeira fase da implantação será focada no estabelecimento da paz e ordem em Díli e arredores, ou em uma área designados pelo Presidente Xanana Gusmão, e na segunda fase do seu missão será focada no treinamento da polícia local. A portuguesa GNR teve uma equipa de vanguarda em Timor há algum tempo e já desenvolveu um plano para a missão. O comandante da GNR vai apresentar este plano a Gusmão para a final autorização.

Depois da Tempestade - Reconstrução de Timor-Leste ---------------------------------------

7. (C) a assessoria diplomática do ministro da Defesa, Paulo Lourenço, delineou a sua perspectiva sobre a necessidade de uma solução a longo prazo em Timor Leste, em conversa para o DCM em 01 de junho, mas notou que seu Ministério não têm o papel principal na determinação da política nesta questão. Lourenço insistiu que o problema é muito maior a PM Alkatiri. Sobre tensões étnicas do país nunca terem sido abordadas, ele disse, que o levantamento da ONU ocorreu muito cedo e muito rapidamente, por isso Timor Leste e a comunidade internacional estão agora pagando o preço por miopia do passado. É essencial que uma força internacional sob mandato das Nações Unidas para ser implantado no futuro previsível. Entretanto, a GNR deveria fazer a ligação com as forças locais de segurança para proteger a ordem pública. Presidente Gusmão, segundo Lourenço, é um líder forte plenamente capaz de gerir a crise atual. 

8. (C) Lourenço expressou sua opinião de que a motivação da Austrália em intervir em Timor Leste é para preservar a estabilidade regional e demonstrar a sua influência naquela parte do mundo. Ele Também pensou que a Austrália estava preocupada que os muçulmanos radicados na comunidade na Indonésia poderiam ter uma influência sobre a população timorense (Comentário: que nos atingiu de modo ímpar, uma vez que acredito que uma esmagadora maioria da população de Timor Leste é Católica Romana. Fim Comentário).

9. (C) Vice-FM Cravinho ecoou preocupações sobre Lourenço reconstrução e comunicados à DCM que, embora Portugal acredita que a crise imediata vai acabar em breve, o mais importante da missão será a de responder à fractura social em curso. Ele acredita que a ONU deveria repensar a sua missão em Timor Leste e começar a abordar a institucionalização de conflitos e de apoio com esforços. Para esse fim, ele mencionou que as comissões que incidiram sobre o reforço de entidades da sociedade ajudaria mais as missões de segurança continuou.

Ver australiano a partir de Lisboa ---------------------------

10. (C) Embaixador Hoffman pediu ao embaixador australiano Polson que verificasse se o Portugal estava apoiando o primeiro-ministro Alkatiri e se o Partido Republicano estava em desacordo com Canberra. "Eu não diria que há probabilidades ", respondeu Polson. Portugal e a Austrália, disse ele, fazem a abordagem a Timor Leste a partir de duas perspectivas diferentes. De Portugal abordagem é moldada pela emoção, história e língua, enquanto a política da Austrália é fundamentada na geoestratégica, preocupações tais como o desejo de evitar a instabilidade e consequentes fluxos de refugiados na região. Alguns da liderança portuguesa, Polson continuou, muito claramente apóiam Alkatiri. O GOP, Polson acredita, quer que todos os três altos líderes timorenses - o Presidente, o Primeiro-Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros – permaneçam e - apostou que ninguém no Partido Republicano estaria disposto a pedir a demissão de Alkatiri. Comentário -------

11. (C) Ouvimos uma mensagem consistente de todos os nossos interlocutores portugueses que o Partido Republicano não tem intenção de colocação do contingente da GNR sob comando e controle da Austrália, devido, em parte, nós suspeitamos, a históricas passagens ruins entre os dois países em Timor Leste, e à convicção de que eles sabem dar o seu melhor no solo desde longa data nas conexões históricas com o país. Dito isto, os nossos contactos portugueses e o Embaixador da Austrália em Lisboa, estavam confiantes de que este acordo não representa grandes problemas, tanto parar militares como para os comandantes no terreno, a sua coordenação eficaz. E porque as forças Português teriam muito diferente missão (manutenção da ordem pública, principalmente) de outros contingentes internacionais.

12. (C) Não temos ouvido nenhuma indicação de nossos contatos GOP sobre que Portugal tomou ou pretende tomar partido no mercado interno e na luta pelo poder no Timor Leste. Os nossos interlocutores em todos os níveis, do Primeiro-Ministro para baixo, com rigor, pressionam por uma nova Mandato da ONU o mais breve possível. Um novo esforço da ONU é sustentado, a partir da perspectiva do GOP, com realizações do tipo de longo prazo e a construção de instituições que, nomeadamente, reduzam a possibilidade de partidarismo político. Hoffman

domingo, março 08, 2009

Catana: ferramenta ou arma?

Catana. Nestes dias tem-se lido bastante na imprensa sobre acontecimentos em que esse utensílio, ou ferramenta, é protagonista de peso. Mas, afinal, não seria uma arma?!
Resolvi escrever alguma coisa a respeito e pensei, como quase sempre faço, em procurar uma imagem para ilustrar a postagem. Por incrível que pareça, tive muitas dificuldades em achar na internet e o que mais aparecia era a versão japonesa "katana" que, sendo da mesma família e que até poderá ter dado o nome à outra, a que está em questão, é bem diferente e mais sofisticada.
Pensando e repensando, de repente acendeu-se uma luz. Na bandeira de Angola tem uma catana no símbolo e é essa exactamente a figura que eu procurava. Só teria que trabalhar a imagem no paint e foi o que fiz. Desenhar uma e digitalizar, seria muito mais trabalhoso...
E já que Angola apareceu aqui, quase do nada, só por causa da procura de uma imagem, o meu pensamento acabou por voar para os primeiros anos da década de 60 quando começaram os distúrbios no norte daquela então Província Ultramarina Portuguesa. Foram momentos muito trágicos e a "catana" era a grande e principal arma.
Cheguei ao cerne da questão: desde aqueles tempos até aos nossos dias, a catana deixou de ser um utensílio ou ferramenta e passou a ser, realmente, uma arma de ataque bárbaro. Nino Vieira na Guiné e quatro elementos da Guarda Nacional Republicana (portuguesa), servindo em Timor-Leste, fôram vítimas dos seus golpes.
Hoje não irei abordar os acontecimentos em si. Possívelmente meterei a minha colher nos de Timor amanhã. Só pretendia escrever um pouco sobre a catana e acho que consegui.

sábado, março 22, 2008

"MALAI" NÃO É "DIAK LIU"

Frequentemente tenho lido em alguns blogues informações e protestos a respeito do comportamento desumano por parte das forças militares internacionais de segurança para com os cidadãos timorenses. Tenho lido coisas como estas:
“A maioria dos elementos da PNTL chega a tocar as raias da selvajaria ao agredirem-nos e isso causa traumas e medos a qualquer um.”

“A ONU deveria preocupar-se em constatar a realidade, os espancamentos e sevícias que as forças da ordem nos infligem e puni-los exemplarmente. Em vez disso dá palmadinhas nas costas dos seus comandantes e faz lindos relatórios para o Secretário-Geral Moon.”

“A ONU deveria abrir um gabinete independente, imparcial e protector de identidades, onde recebesse com segurança as denúncias e em paralelo com as autoridades timorenses e comandantes das forças dos países a operar em Timor (porque as forças internacionais também violam os Direitos Humanos) punir os faltosos.”

A propósito dos usos e abusos das forças policiais e militares que espancam e vilipendiam timorenses, cujas denúncias têm sido feitas através da comunicação social, declarou TMR:
“Estamos prontos para receber qualquer relato das vítimas que tenham sido torturadas por soldados, para que os casos possam ser investigados, não apenas os relatados pelos média, ”convidando os timorenses se dirigirem à PNTL e denunciar os casos.
Em resposta a este comunicado há respostas como estas:

“Ir à PNTL denunciar os casos?! Mas desde quando é que não correríamos o risco de sairmos de lá ?”

“Ir à PNTL queixar que tínhamos sido agredidos pela PNTL?”

Já comentei aqui neste espaço algo a respeito de tudo isto e principalmente os elogios da comunidade em relação às forças de segurança portuguesas ali estacionadas (GNR), pois estas comportam-se do mesmo modo que os militares do meu tempo quando Timor era uma Província portuguesa; ou uma colónia, pois que para o efeito tanto faz... Não foram muitas as vezes, mas em duas ou três em que estive de serviço como Sargento de Dia, durante os dois anos em que permaneci em Timor, recebi reclamações de moças timorenses sobre abusos sexual ou mau comportamento. Encaminhava o problema para o Oficial de Dia e este para o Comando e, se comprovadas as denúncias os prevaricadores eram duramente castigados. Nós, portugueses, jamais fomos xenófabos e sempre respeitamos os nativos das colônias como nossos irmãos. Está no nosso sangue.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

TIMOR E OUTRAS VERGONHAS DO IMPÉRIO

Detesto o “politicamente correcto” dos tempos correntes: tem um cheiro a bafio, a corrupção moral e material, a União Nacional do Estado Novo. Timor e todo o processo por que passou desde a revolução de 25 de Abril de 1974 até à sua constituição como Estado independente, em 20 de Maio de 2002, e daí até à actualidade, constitui em Portugal um caso típico da prática dessa subserviente atitude mental do “politicamente correcto”, por parte de sucessivos governos, de todas as formações políticas e, mais grave ainda, pela quase generalidade da comunicação social que, na sua função de formadora de opinião pública, induziu até muitos portugueses - em alguns casos por falta de melhor informação e noutros por manifesto oportunismo político - a vestir-se de branco, sair à rua, acender velas e dar as mãos em intermináveis cordões humanos para derramar lágrimas de crocodilo por uma terra que uma grande parte, porventura, nem saberá bem onde fica.
É evidente que estão bem patentes na nossa lembrança acontecimentos dramáticos como o massacre de Santa Cruz e, posteriormente, a acção de destruição, de política de terra queimada, levada a cabo pelas forças indonésias e, sob a sua protecção, pelas milícias timorenses e, por isso mesmo, poder-se-á afirmar que, em sintonia com todo o mundo civilizado, aí sim, a totalidade da nação portuguesa, incluindo eu próprio, cidadão anónimo e contribuinte fiscal que nada deve ao Estado, não podia deixar de se indignar perante a barbárie dos acontecimentos. Lá como cá, sempre o povo sofredor!
Quando se pretende ser formador de opinião, mandam a ética e a deontologia profissional que se faculte toda a informação disponível sobre o assunto, sob pena de se incorrer na ignóbil atitude de manipulação, tão característica e criticada no regime de Salazar e agora frequentemente aplicada pela “ditadura de partidos” que nos governa e pela comunicação social que temos, a qual, sistemática e deliberadamente, confunde opinião publicada com opinião pública e que, tal como frequentemente faz em relação a outras matérias, tem vindo a arrogar-se o direito de falar sobre a questão de Timor em nome de “todos os portugueses”, como se milhões de portugueses, anónimos como eu, alguma vez lhe tivessem passado poderes de representação em matéria de opinião ou fossem um bando de imbecis incapazes de opinião própria, ao mesmo tempo que omitiu parte da informação, porque era “politicamente incorrecto” dá-la a conhecer. Vem isto a propósito do “Relatório da Comissão de Análise e Esclarecimento do Processo de Descolonização de Timor”, um documento produzido por aquela Comissão, nomeada pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas em 27 de Julho de 1976, e entregue ao Presidente da República e Chefe do Estado- Maior General das Forças Armadas, Senhor General Ramalho Eanes, em 1 de Fevereiro de 1977. Posteriormente, em 1981, esse documento foi mandado imprimir, em forma de livro, com 303 páginas, pela Presidência do Conselho de Ministros, sem qualquer classificação de segurança que impedisse a sua consulta, como se pode ver da capa respectiva aqui incluída, mas nunca nenhum órgão de comunicação fez qualquer referência pública ao seu conteúdo. Nele reside, todavia, toda a informação indispensável à formação de opinião do povo português sobre a descolonização de Timor, muita da qual, desde 1975, tem vindo a ser sistematicamente branqueada.
A título de rápido enquadramento dos vergonhosos méritos da colonização portuguesa e embora sabido, recorde-se aqui que os portugueses aportaram a Timor por volta de 1514 e por lá ficaram até que, em 1975, da forma mais desastrada, como se pode ler no Relatório, a Administração Portuguesa local literalmente fugiu do território, abandonando nos paióis grande quantidade de armas e munições - de que a Fretilin, o partido dessa sinistra figura política chamada Ramos Horta (a quem, como homem, daqui desejo as rápidas melhoras), não tardou a apoderar-se e a utilizar numa guerra fratricida que se cifrou em dezenas de milhares de mortos - e, mais grave ainda, abandonando no terreno militares portugueses que viriam a ser feitos prisioneiros pela Indonésia, como se, quando o barco se afunda, a regra não fosse que o comandante deve ser o último a abandoná-lo.
Nesses 461 anos de presença portuguesa, a população nativa foi mantida no mais profundo “obscurantismo”, simbolicamente transportado pelos timorenses para a sua actual bandeira nacional através do triângulo de cor negra que a integra, em paralelo com o triângulo amarelo que, alegadamente, pretende representar “o rasto do colonialismo português”. Estas são as quase únicas marcas históricas da presença portuguesa porque e, mais não digo, de acordo com os números oficiais, Portugal conseguiu, ao longo de quase cinco séculos, ensinar a língua portuguesa a apenas 5% da população, deixando uma marca cultural sensivelmente igual a zero. Quer se queira quer não, segundo insuspeitos observadores internacionais, a Indonésia, que não tinha qualquer reivindicação territorial sobre Timor-Leste – apenas informou Portugal que, após o golpe anticomunista de 1965 no seu próprio país, não toleraria a instalação de um regime comunista em Timor-Leste, nem a criação de um pólo de instabilidade na área - fez mais pela educação do povo de Timor-Leste em 25 anos que Portugal em cinco séculos. Embora irrelevante, deixo bem claro que não sou pró nem contra a Indonésia e que, como português, assumo apenas, profundamente envergonhado, a minha parcela de responsabilidade por essa miserável falta de legado histórico.
Todavia, o tempo não anda para trás. Todas as colonizações, a portuguesa e as outras, foram feitas ao sabor das respectivas épocas, foram as possíveis e não as desejáveis. Os líderes nativos timorenses disso devem ter tido profunda consciência, porque por várias vezes se revoltaram contra Portugal e, no pós-25 de Abril, uns tentaram a integração de Timor-Leste na Indonésia, outros declararam unilateralmente a independência do território, todos atentando contra a soberania portuguesa, como consta do referido Relatório.
Efectivamente, a UDT (União Democrática Timorense) liderada pelos Srs. Lopes da Cruz e João Carrascalão, a APODETI (Associação Popular Democrática de Timor), O KOTA (Klibur Oan Timur Aswain) e o Partido Trabalhista, constituindo o sector politicamente mais conservador de Timor, pediram (pág. 253), em 7 de Setembro de 1975 e em nome do povo que lhes não conferira mandato (“Nós, o povo de Timor Oriental…”) a integração na Indonésia, por documento com 31 artigos, que termina com “Viva a República Indonésia”e “Viva a 27ª Província Indonésia” (leia-se, Timor-Leste).
Mas, pior ainda é a atitude mental destes líderes de Timor-Leste, muito reveladora do que o povo timorense deles pode esperar no futuro, alguns deles actualmente altos dignitários daquela nova nação que, como refere o Relatório, após terem solicitado a integração de Timor-Leste na Indonésia, no documento de “Proclamação da Integração” de 30 de Novembro de 1975 (pág. 269) justificam-se nos termos seguintes, “... Admitindo que, por via da acção colonialista de Portugal e da Holanda (para quem Portugal perdeu a metade ocidental da mesma ilha) a qual, ao longo de quase 500 anos separou profundamente os laços de sangue, afinidade étnica, moral e cultural com o povo indonésio da ilha de Timor”; “...Em nome do Todo Poderoso, pelos motivos atrás apontados, proclamamos solenemente a Integração de todo o território da antiga colónia portuguesa de Timor na Nação Indonésia, em virtude de isto constituir a expressão mais elevada dos sentimentos”. Desavergonhadamente, não se coibiram sequer de terminar o referido “Pedido de Integração”, escrevendo, em nome do Povo (!), no respectivo artigo 31º (o último), a seguinte barbaridade: “...O Povo de Timor Oriental solicita ao Governo da República da Indonésia que todos aqueles que se distinguiram pela preservação do ideal timorense oriental em reencontrar os seus irmãos da parte ocidental de Timor sejam publicamente agraciados”. Isto é, reservem-nos lá uns “tachos” no pós-integração!
Semelhante, na sua gravidade, a este pedido de integração, recorde-se aqui também a declaração unilateral de independência de Timor-Leste feita um pouco antes pela Fretilin de Ramos Horta. Sobre ela, eu diria apenas que, em 11 de Novembro de 1965, o Sr. Ian Smith, da então Rodésia, declarou em Salisbury a independência unilateral daquele território colonial inglês. As autoridades do Reino Unido retiraram ao Sr. Ian Smith a qualidade de cidadão inglês e, penso que até à sua morte, em 20 Novembro de 2007, sobre ele impendeu um mandado de captura nas fronteiras do Reino Unido, por traição à pátria inglesa.
Como se a asneira não bastasse, lê-se no Relatório que “…foram repatriados para Portugal (a expensas do governo português, pasme-se!...) alguns refugiados de Timor que se encontravam na Indonésia, alguns dos quais com graves responsabilidades contra a Administração Portuguesa”, isto é, traidores da soberania portuguesa.
Do lado português, é preciso que seja dito que a Comissão autora do Relatório nele incluiu também uma proposta de sanções do foro exclusivamente militar contra vários dos mais destacados elementos do Exército Português em Timor, a qual “…o Governo deliberou não divulgar…”, apesar de recomendação em contrário da própria Comissão e também de um parecer oficial do Senhor General Carlos de Azeredo, este transcrito até para o seu livro “Trabalhos e Dias de um Soldado do Império” (págs. 483 a 493): “… Em face da gravidade dos acontecimentos de Timor… sou de parecer que a manutenção da confidencialidade de um assunto que transcende o próprio âmbito militar, reverte em inaceitável prejuízo para o prestígio das FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS, que não podem ser confundidas com alguns dos seus membros, cuja responsabilidade urge definir em conformidade com as Leis e através dos Tribunais”, depois de ter também feito notar que “… no que se refere às Propostas do Relatório, falta aludir ao apuramento das responsabilidades de muitas entidades…”.
Nunca ninguém veio dizer claramente aos portugueses qual foi a intervenção de Portugal no processo de descolonização que se seguiu ao 25 de Abril. Ainda que tardiamente, porém, e como consta do Relatório, é necessário que os portugueses saibam que, em relação a Timor, ainda que tendo defendido o direito do povo timorense à autodeterminação, Portugal recomendou também, expressa e reiteradamente, em sucessivos contactos bilaterais, que a Indonésia anexasse Timor-Leste, sugerindo mesmo formas de se atingir esse objectivo. Por exemplo, sugerindo que “...a Indonésia melhorasse a sua imagem junto das populações de Timor e que fornecesse apoio económico, o que ajudaria a uma possível escolha, o povo de Timor, a seu favor”; que “...Portugal nada fará para dificultar a integração de Timor na Indonésia...” e que “...Portugal nada fará para que uma das opções seja a ligação a Portugal”. Esta é uma das páginas mais negras deste processo de descolonização que, a todo o custo, se tem tentado branquear.
Para quê as lágrimas de crocodilo? Muito pragmaticamente e segundo a imprensa da época, veio secá-las o Senhor Dr. Jorge Sampaio, quando, na sua visita à Austrália, depois de, como Presidente da República Portuguesa, ter assistido às cerimónias da independência de Timor-Leste, declarou à SBS australiana que “Portugal não tem quaisquer interesses económicos ou estratégicos em Timor Leste”, tendo-se empenhado na luta pela independência por “razões emocionais...”.
Razões emocionais são sempre maus fundamentos para a política externa ou interna de qualquer país e a portuguesa dos tempos recentes tem, com demasiada frequência, sido guiada por emoções e paixões de uns senhores que nos governam, mas cuja noção de Estado deixa muito a desejar e por uma comunicação social que, salvo raras e honrosas excepções, pratica um jornalismo de “causas”, ao sabor dos interesses dos seus mentores e mandantes. Convenhamos, os timorenses, ou antes, os líderes de Timor-Leste, tiverem finalmente, nos últimos anos, a independência que tanto desejavam para o “seu” querido povo. Do meu ponto de vista de cidadão anónimo, com direito à minha opinião, não existe dívida histórica para com Timor. E, publicamente, manifesto a minha indignação por afirmações como aquela feita pelo então Primeiro-Ministro, Sr. Eng. António Guterres, que, em resposta a um jornalista, afirmou oportunamente em directo na televisão que “…para Timor não há limitação orçamental”. Ele e os seus antecessores e sucessores, esqueceram-se que, ao serem eleitos democraticamente, assumiram, como primeira responsabilidade, garantir a segurança e o bem estar de todos os portugueses e que existe, sim, dívida histórica da nação portuguesa para com os milhares de civis (homens, mulheres e muitas inocentes crianças) barbaramente chacinados pelos terroristas angolanos em 15 de Março de 1961 e para com os seus familiares; existe dívida histórica para com o milhão de refugiados das ex-colónias, espoliados de todos os seus bens sem qualquer contrapartida e rotulados depreciativamente de “retornados” e, por vezes, marginalizados até pela sociedade portuguesa de forma não muito diversa daquela como se marginalizam actualmente os imigrantes; existe dívida histórica para com os combatentes das Forças Armadas, os seus órfãos, as suas viúvas; existe dívida histórica para com significativos sectores da sociedade portuguesa, normalmente de avançada idade, que ajudaram a desenvolver Portugal, mas que, no início deste século XXI, vivem no limiar da miséria, não dispondo alguns deles sequer de energia eléctrica que lhes dê algum conforto, qualidade de vida e acesso à informação; existe dívida sistemática da nação para com os deficientes, os das Forças Armadas e todos os outros, tantas vezes abandonados a si próprios, e para com tantos outros portugueses.
Sempre por limitação orçamental. Todavia, entre outras enormidades e apenas a título de exemplo, existiu cabimento orçamental para a aparente máfia do futebol - li em alguma imprensa, a propósito do Euro 2004, que, entre estádios e as acessibilidades respectivas, o Estado Português gastou, em moeda antiga, cerca de 200 milhões de contos - e para que o Estado Português perdoe significativas dívidas externas de países ex-colónias portuguesas dirigidos por uma classe política que, à custa do seu querido povo, acumulou ilegitimamente fabulosas fortunas pessoais, ao mesmo tempo que iniciativas de inúmeras entidades em Portugal tentam captar donativos para crianças e adultos que por lá morrem de doença e até de fome. As sociedades verdadeiramente democráticas vivem com a verdade, por mais incómoda que ela possa ser. As que se dizem democráticas, como a portuguesa, vivem do “politicamente correcto”, um comportamento atávico, tipicamente nacional, que leva a que, como eu próprio tenho testemunhado ao longo de décadas de Estado Novo e, posteriormente, durante a 3ª República, se constituam frequentemente “comissões de inquérito” para esclarecer situações que, pela sua gravidade, interessam à totalidade da Nação, mas cujas conclusões à Nação nunca são facultadas. Como, aliás, foi o caso deste Relatório da Descolonização de Timor, de que sou co-autor. Por isso mesmo, eu, cidadão anónimo, convido daqui o Sua Excelência o Senhor Primeiro-Ministro, que tanta coragem tem revelado em afrontar interesses instalados e a forçar reformas impopulares nunca antes tentadas, a promover a publicação e colocação nas montras das livrarias da VERSÃO INTEGRAL do “Relatório da Comissão de Análise e Esclarecimento do Processo de Descolonização de Timor”, para finalmente esclarecer a Nação sobre essa importante matéria. Mercê do processo corrente de branqueamento da história, neste Portugal de brandos costumes que parece desconhecer a sua própria dignidade nacional, os traidores da Pátria Portuguesa viraram todos heróis. No entanto, dos milhares de militares que, nos três teatros de operações ultramarinos, morreram ao serviço da Pátria, muitos nunca foram devolvidos às suas famílias e por lá se encontram sepultados em cemitérios abandonados e cheios de mato. E tal não aconteceu por falta de cobertura orçamental: aconteceu porque a generalidade dos políticos portugueses nutria e continua a nutrir o maior dos desprezos pelos seus militares.
Foi paradigmático o caso dos restos mortais do Tenente-Coronel Maggiolo Gouveia, distinto oficial do Exército Português, preso, torturado e, em Dezembro de 1975, fuzilado pela mesma Fretilin, partido da simpatia do Sr. Ramos Horta, que foram convenientemente abandonados em Timor-Leste em vala comum e esquecidos por sucessivos governos que nunca, por sua iniciativa, promoveram, como deviam, a sua trasladação para Portugal. O mesmo Ramos Horta que é hoje (imagine-se!) um ilustre Prémio Nobel da Paz e que, em Junho de 2006, todo o mundo viu “de braço dado” com o major Alfredo Reinado, agora morto em condições que estão por explicar, aparentemente conspirando contra Mário Alkatiri, o primeiro-ministro do seu próprio país, cujo governo acabou por cair. Apesar de tudo isso, essa sinistra figura, tem sido sistematicamente bajulada pela generalidade dos políticos portugueses.
Roma não pagou mas, ao mesmo tempo que, como nação, maltrata, vilipendia e persegue até os seus militares, todos aqueles que doaram uma vida inteira ao serviço do bem comum, Portugal paga principescamente aos seus traidores. Foi particularmente infeliz e ofensivo que uma figura pública como Almeida Santos, em tempos a segunda figura na hierarquia do Estado Português, se tenha prestado a apresentar na FNAC, em 14 de Novembro passado, o livro “Memórias em Voo Rasante” do ex-alferes Jacinto Veloso que, de Moçambique, desertou em 1963 para a Tanzânia tripulando um avião militar que roubou (teve vergonha de se assumir como desertor e traidor e, nos convites para a apresentação do livro, escreveu que “… abandonou Moçambique aos comandos de um avião…”), levando também consigo os códigos secretos das comunicações da Força Aérea Portuguesa em Moçambique, pondo, portanto e deliberadamente, em risco as vidas dos seus camaradas da Força Aérea. A quem quis ver, Almeida Santos ofereceu um refinado exemplo de branqueamento da traição e da história.
Sejamos claros. Não há dívida histórica a colonizado nenhum. Na epopeia colonizadora portuguesa, não há nada para esconder ou branquear. No caso em apreço, há sim que assumir, com toda a humildade, que a colonização de Timor foi a vergonha do Império, mas que é tarde para corrigir esse facto.
Concordando plenamente que “Portugal não tem quaisquer interesses económicos ou estratégicos em Timor-Leste”, como cidadão contribuinte fiscal, digo eu (e, comigo, dirão seguramente milhões de outros portugueses a quem, tal como a mim, nunca ninguém pediu a opinião), chega de regabofe, nem mais um euro (ou um GNR) para Timor, nem para qualquer outro teatro de operações onde não esteja directamente em jogo a nossa segurança nacional, seja ele a Bósnia, o Afeganistão, o Iraque, o Kosovo ou o que for, onde, como tem sido o caso, as graves situações de guerra, de instabilidade interna e de consequente existência de centenas de milhares de cidadãos refugiados se tem ficado a dever, quase sistematicamente, ao “terrorismo de Estado” praticado pelos Estados Unidos, à margem de toda a legalidade internacional, transformando o mundo actual, que já não era muito seguro, num verdadeiro inferno. Feito o estrago, esses imperialistas invocam então a solidariedade das alianças formais para praticamente exigir que países como Portugal venham ajudar a limpar a porcaria que eles fizeram. E, lamentavelmente, esquecendo que o nosso País está atolado num défice orçamental que custa aos portugueses os olhos da cara, sucessivos governos que até, em flagrante incumprimento da lei, devem de remunerações aos militares uma enorme soma de dinheiro, insistem em gastar milhões de contos nessas operações ditas de manutenção da paz, procurando aparentemente, como Vicente Jorge Silva magistralmente sintetizou no Diário de Notícias de 26 de Julho de 2006, “o reconhecimento da patética insignificância da nossa política externa”.
E, finalmente, aos timorenses deixo um conselho: agora que são detentores da vossa independência, com a qual se libertaram definitivamente do “colonialismo português”, agora que são livres, deixem-nos em paz, façam as revoluções que quiserem e, em momentos de aflição como é o actual, não nos peçam mais GNR, mas sim, rejubilem, cantem com alegria o vosso Hino Nacional que, para quem não saiba, reza assim:
“Pátria, pátria, Timor-Leste nossa nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Pátria, pátria, Timor-Leste nossa nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
VENCEMOS O COLONIALISMO.
Gritamos: abaixo o imperialismo.
Terra livre, povo livre,
não, não, não à exploração.
Avante, unidos, firmes e decididos.
Na luta contra o imperialismo,
o inimigo dos povos,
até à vitória final,
pelo caminho da revolução!”
Fernando Paula Vicente

Major-General da Força Aérea Portuguesa (Reformado)

Co-autor do “Relatório da Comissão de Análise e Esclarecimento do Processo de Descolonização de Timor”

Lisboa, 18 de Fevereiro de 2008

Publicado em www.portugalclub.org

sábado, fevereiro 23, 2008

ARGUEIRO NOS OLHOS DE TIMOR

«Os australianos devem partir de Timor» declararam responsáveis timorenses do Campo de Deslocados do Aeroporto, situado às portas de Díli, que conta com mais de 4600 habitantes. A GNR portuguesa é a única força que respeita os timorenses, afirmam os mesmos responáveis.
A tensão entre os Deslocados timorenses do Campo do Aeroporto e as forças australianas aumentou em 2007 quando um blindado do exército australiano da «Stabilisation Force» em Timor Leste entrou no Campo, em 23 de Março de 2007, depois de ter destruído a barreira de limite do recinto, abrindo fogo contra os deslocados provocando a morte de dois residentes e ferindo gravemente um terceiro. A 31 de Outubro, do mesmo ano, um novo incidente é denunciado pelos Deslocados que afirmam que os militares australianos abriram fogo, sem razão aparente, ferindo gravemente um residente.
Os dois incidentes provocaram um mal-estar entre os Deslocados e as forças australianas presentes em Timor Leste, composta por 1200 militares, dos quais 200 da Nova Zelândia, e 70 polícias.
Gestos obscenos e sinais com a mão de ameaça de «cortarem cabeças» são constantes das forças australianas quando patrulham os campos, confirmaram os Refugiados. Durante a noite alguns blindados australianos circundam os campos, enquanto helicópteros das mesmas forças sobrevoam continuamente a capital Díli.
«Se os australianos tentarem entrar aqui vamos os receber com pedras» disse um jovem timorense do mesmo campo. «Os únicos militares que são bem vindos são os da GNR de Portugal» afirma o chefe do campo que considera os portugueses como os únicos que respeitam os timorenses. «Quando temos problemas só queremos a GNR» prossegue o mesmo responsável perante sinais de concordância de vários jovens.
Condensado do Jornal Digital (http://jornaldigital.com/

As acusações são gravíssimas. Todavia, para mim isso não me causa muita estranheza e sempre tenho publicado aqui o que penso sobre a Austrália com relação a Timor. O ventos que de lá sopram não são bons e, pelo passado não muito logínquo, durante a Segunda Grande Guerra, deveria existir reconhecimento e gratidão, pois os timorenses ofereceram grande resistência à invasão japonesa e aquele país beneficiou-se disso. Os grandes interesses económicos sobrepõem-se à moralidade. As forças da ONU ali estacionadas se constituídas com uma maioria arregimentada nos países dos PALOP, principalmente Portugal e Brasil, dariam um rumo muito diferente à consolidação de Timor.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

G.N.R. EM TIMOR

• GNRPortugal deve continuar em Timor-Leste para lá de 2008
O ministro da Administração Interna (Portugal) considerou que existem condições para que a GNR fique em Timor-Leste para lá de 2008. Rui Pereira fez estas declarações momentos antes da partida de 128 militares da GNR para a antiga colónia portuguesa.
Esta corporação policial é de elite e sou da opinião que deverá continuar prestando serviços em Timor para além de 2008. Portugal, Brasil e outros países de língua portuguesa deverão ter um peso maior na construção do país. Na implantação (recuperação) da língua, a G.N.R também colaborará à margem do seu serviço específico.

sábado, novembro 03, 2007

NATAL EM TIMOR

A Guarda Nacional Republicana lança a campanha "Uma criança um sorriso em Timor", em âmbito nacional, onde recolhe brinquedos, roupa e livros para os distribuir no Natal às crianças timorenses, disse à Lusa fonte do Comando Geral.
A recolha dos bens vai ter lugar nos dias 6 e 7 e vai decorrer junto das escolas do segundo e terceiro ciclo em todo o território. A "família da Guarda" também se associa a este evento, já que "os filhos dos militares vão contribuir" com materiais didácticos para a campanha; explicou à agência Lusa o tenente Nogueira.
Os brinquedos e demais bens recolhidos são transportados para Timor pela transportadora DHL que se "associou à campanha sem qualquer custo", explicou o oficial. As crianças timorenses vão receber a contribuição nacional nos dias 24 e 25 de Dezembro, das mãos dos militares do sub-agrupamento Bravo, que prestam serviço naquele território. A recolha é promovida pela Guarda Nacional Republicana com o apoio de várias instituições e empresas, como a TMN e a Delta.
Agência LUSA