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quarta-feira, abril 12, 2017
sábado, agosto 13, 2011
Correios do Brasil
Com o advento da internet, o fluxo de cartas expedidas pelo Correio teve uma assombrosa deminuição. No meu caso, já não me lembro de quando usei esses serviços, apesar de ter família e amigos fóra do Brasil e espalhados por muitos rincões do Mundo.
Nesses outros tempos, até pelo uso frequente dos serviços do Correio, eu sabia de ante-mão quanto me custaria a postagem de uma carta ou encomenda; tinha uma tabela das taxas com os respectivos pesos. Bons tempos!
Ontem dirigi-me à Estação central dos Correios, aqui na cidade de Campinas, para enviar um DVD a um amigo que reside nos Estados Unidos. É um DVD com as filmagens da nossa festa de formatura da Faculdade do ano de 1983. É para nós uma preciosidade e ele não tem. Pensei colocar o DVD num daqueles envelopes forrados com plástico bolha de ar e enviar como uma carta comum. Imaginei ter de pagar 5 reais, no máximo.
Cheguei no guichê e pedi à funcionária o que me vendesse um daqueles envelopes. Porém, ao ver que eu iria enviar um DVD para o exterior, informou-me que só o poderia fazer com uma caixa de papelão com as medidas 185 x 130 x 90. Respondi que achava aquilo um absurdo devido ao tamanho muito inferior do objecto a ser expedido e que teria que preencher o espaço vazio com qualquer tipo de enchimento. Ele logo me respondeu que os próprios Correios depois que eu expedisse a caixa, se encarregariam de completar o enchimento com papel. Porra! Isso chega até a ser uma violação, uma vez que a funcionária fiscaliza o conteúdo naquele momento.
Contrariado e apesar e tudo, comprei a referida caixa e dentro dela coloquei o DVD. Preenchi os endereços --- destinatário e remetente. No momento em que pensei que se seguia o processo de expedição, fui informado que teria que retirar uma senha e aguardar a chamada para outro guichê...
Cumpri tudo direitinho, qual cordeirinho manso. Quando me atenderam no outro guichê, fui informado que teria que pagar 36 reais de sêlos! É claro que esbravatei, pois achei aquilo a coisa mais estúpida do dia... Não é permitido enviar o objecto num simples envelope que pagaria 7 vezes menos e temos que cair no balaio que eles querem. Desisti da operação e retirei-me antes que ficasse mais nervoso e começasse a ser malcriado.
O amigo a quem vou enviar o DVD poderá até estar lendo esta matéria de hoje e, assim, desde já o alerto que essa relíquia chegará às suas mãos. Claro que será enviada do meu modo prático de ser. E nem é tanto pelo terei que pagar, mas sim pelo que é justo e pela não alimentação dessa corja que superintende um dos serviços mais importantes para o povo.segunda-feira, dezembro 27, 2010
Dez sugestões
Tomei a liberdade de passar para o meu blog esta matéria que foi publicada num outro blog do qual sou seguidor: http://jardimdeurtigas.blogspot.com/ . Serve para Portugal e para o Brasil...
Sr. Dr. Mário Soares,
Sou um cidadão que trabalha, paga impostos, para que o Sr. e todos os restantes políticos de Portugal andem na boa vida.
Há dias, ouvi o Sr., doutamente, nas TV's, a avisar o povo português para que não se pusesse com greves, porque ainda ia ser pior. Ouvi o Sr. perguntar onde estava a alternativa ao aumento de impostos, aqui estou eu para lhe dar a alternativa. Aqui lhe deixo 10 medidas que me vieram à mente assim, de repente:
1. Acabar com as pensões vitalícias e restantes mordomias de todos os ex-presidentes da República (os senhores foram PR's, receberam os seus salários pelo serviço prestado à Pátria, não têm de ter benesses por esse facto);
2. Acabar com as pensões vitalícias e / ou pensões em vigor dos primeiros-ministros, ministros, deputados e outros quadros (os Srs deputados receberam o seu ordenado aquando da sua actividade como deputado, não têm nada que ter pensões vitalícias nem serem reformados ao fim de 12 anos ; quando muito recebem uma percentagem na reforma, mas aos 65 anos de idade como os restantes portugueses - veja-se o caso do Sr. António Seguro que na casa dos 40 anos de idade já tem direito a reforma da Assembleia da República);
3. Reduzir o nº de deputados para 100;
4. Reduzir o nº de ministérios e secretarias de estado, institutos, fundações e outras entidades criadas artificialmente, a maioria das quais desnecessárias e muitas vezes até redundantes, apenas para dar emprego aos "boys", como é o caso, por exemplo, do Instituto das Descobertas, que dá emprego a 32 chulos que não têm nada para "descobrir".
5. Acabar com as mordomias na Assembleia da República e no Governo, e ao invés de andarem em carros de luxo, andarem em viaturas mais baratas, ou de transportes públicos, como nos países ricos do Norte da Europa (veja-se que no dia em que se anunciou o aumento dos impostos por falta de dinheiro, o Estado adquiriu viaturas na ordem dos 140 mil € cada para os VIP's que nos visitarão, como se não houvesse viaturas a requisitar aos Ministérios para tal);
6. Acabar com os subsídios de reintegração social atribuídos aos vereadores, aos presidentes de Câmara, e outras entidades (multiplique-se o número de vereadores existentes pelo número de municípios e veja-se a enormidade e imoralidade que por aí grassa);
7. Acabar com as reformas múltiplas, sendo que um cidadão só poderá ter uma única reforma (ao invés de duas e três, como muitos têm);
8. Criar um tecto para as reformas, sendo que nenhuma poderá ser maior que o vencimento do PR;
9. Acabar com o sigilo bancário;
10. Criar um quadro da administração do Estado, de modo a que quando um governo mude, não mudem dezenas de milhares de lugares na administração do Estado, sendo que o critério para a escolha dos lugares passe a ser o mesmo que um ministro/político adopta na escolha de um médico para lhe tratar uma doença ou lhe fazer uma operação cirúrgica ( porque nesta situação eles não vão buscar os “boys” do partido, mas sim os mais competentes, pois é a “vidinha” deles que está em jogo e não o dinheiro do erário público ).
Com estas simples 10 medidas, a classe política que vai desgraçando o nosso amado Portugal, daria o exemplo e deixaria um sinal inequívoco de que afinal, vale a pena fazer sacrifícios e que o dinheiro dos portugueses não é esbanjado em Fundações duvidosas e em obras de fachada sumptuosas.
Enquanto isso não acontecer, eu não acredito no Sr. Mário Soares e não acredito em nenhum político desde o Bloco de Esquerda ao CDS, nem lhes reconheço autoridade moral para dizerem ao povo o que deve fazer, porque o tal povo de que os políticos muito falam, jamais fará o que quer que seja contra a sua consciência, mesmo se o Estado o apele. Se os políticos por conveniência se ajudam entre si para fazer passar este OE, ao povo cabe fazer derrubar e paralisar este governo nas ruas.
Zé do Povo
Portugal
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terça-feira, novembro 06, 2007
VISÃO
“Assim, sob qualquer ângulo em que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, deixarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo.
Quem duvida disso não conhece a natureza humana.”
Mikhail Bacunin (1814-1876)
Anarquista russo
segunda-feira, setembro 03, 2007
RECOMEÇO EM TIMOR
TIMOR --- REACTIVAR A GOVERNAÇÃO
Em Abril, Maio e Junho, por três vezes se verificou o afluxo massivo dos timorenses às urnas, com civismo, ordem e confiança. Poucos povos terão prestado mais pungentes provas de empenho na democracia, desmentindo quem propala a “inviabilidade” de Timor.
As contagens decorreram regularmente. Os resultados foram normais e como se podia antecipar depois da primeira volta das presidenciais: nas legislativas confirmou-se o que o povo já dissera nas urnas a 9 de Abril e 9 de Maio --- que não queria a FRETILIN a dominar o Estado, como antes. E por isso não lhe deu a presidência da República, nem maioria para governar.
A solução de governo encontrada era também de esperar: desde a primeira volta das presidenciais que se anunciava que das legislativas emergiria uma coligação anti-FRETILIN –- o acordo seria accionado depois de se ver o que contaria cada partido, do peso relativo resultando a escolha do líder. Sendo a AMP antecipável, a FRETILIN podia ter procurado negociar-lhe uma alternativa. Mas ensaiou, num primeiro tempo, gritar “fraude”. E, ao obter, afinal, a maior votação de entre os concorrentes, reclamou o direito de formar governo. O que seria sustentável, se tivesse trabalhado para uma coligação esfrangalhadora da AMP.
Ao conhecer-se a decisão do Presidente Ramos Horta de investir a coligação AMP que garantia maioria parlamentar, a FRETILIN "decretou-a" "inconstitucional”, o que não tardou a precipitar os seus apoiantes numa onda de violência que se havia de voltar contra o próprio partido. Alkatiri enjeitou responsabilidades pela “reacção espontânea dos militantes”, mas vozes mais avisadas rapidamente reconduziram o partido à manifestação ordeira.
O Presidente podia ter optado por chamar a FRETILIN e esperar pela derrota no parlamento do seu programa de governo minoritário. Mas poderiam as necessidades de governação de Timor Leste voltar a ser adiadas por mais uns meses, depois de um ano de profunda crise? E seriam as reacções nas ruas mais controláveis do que as da FRETILIN? A solução encontrada era --- é --- perfeitamente constitucional (como por cá Pedro Bacelar de Vasconcelos explicou e o Prof. Jorge Miranda teve de reconhecer).
O processo de regeneração da FRETILIN --- que importa à governação democrática de Timor Leste --- já estará em curso. Prova-o o facto de ter recuado no propósito de boicotar o novo parlamento. E por discretamente já estarem a colaborar com os novos governantes alguns experientes quadros da FRETILIN. Quadros que o governo de Xanana Gusmão, pela inclusão democrática e pelo interesse nacional, não pode deixar muito tempo fora de responsabilidades governativas ou institucionais.
A crise do ano passado eclodiu com os peticionários das Forças Armadas (FDTL) que se queixavam, com razão, de discriminação. O efeito potenciou o fomento de rivalidades artificiais entre as FDTL e a Polícia (PNTL) e entre lorosae e loromunu. Australianos, britânicos e americanos, ainda pouco afeitos a encarar um Timor-Leste soberano com forças armadas (e língua portuguesa), também contribuíram para a crise, sobre-equipando a PNTL e desvalorizando as FDTL.
Timor-Leste precisa de Polícia e de Forças Armadas eficazes e capazes de responder a desafios internos e externos. O novo Governo assumiu já a prioridade da reforma do sector da segurança. Para isso é precisa cooperação institucional com a Presidência. E é bom sinal que veteranos da FRETILIN já tenham sido chamados e estejam a colaborar. De Washington, também, anuncia-se uma mudança de rumo: o Departamento de Estado propõe para o ano fiscal de 2008 apoio na compra de material militar para Timor Leste de quase $1milhão (antes previa 0) e $400.000 (mais do dobro) para treino e formação de militares timorenses.
O factos de os militares se terem comportado impecavelmente, sem tomar partido, nos incidentes pós-eleitorais em Baucau e Viqueque, só mostra a liderança esclarecida que as FDTL, apesar de tudo, souberam criar, sob o comando do General Taur Matan Ruak. O que confirma, mais uma vez, que TL tem alicerces para fazer funcionar a democracia. Importa agora reactivar a governação.
Artigo de Ana Gomes publicado no COURRIER INTERNACIONAL em 31-08-2007
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