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segunda-feira, fevereiro 11, 2008

CONTRADIÇÕES

Na minha caixa de correio, na Internet, estou recebendo este texto enviado por amigos que entraram nessa corrente. A alguns dos mais chegados respondi com uma pequena nota comentando o assunto e, como continúo recebendo, resolvi publicar no blog como uma participação da minha parte, não sem meter a colher, apesar da minha convicção sobre quanto é melindroso este tema.
Numa primeira leitura do texto conclui-se que o mesmo foi elaborado por um cidadão judeu, quiçá americano...
Não me dei ao trabalho de uma pesquisa sobre exactamente o que Eisenhower tenha ou não dito, mas sempre fico com um pé atrás quando de certos tipos de propaganda americana. Porém, isso não vem tanto ao caso. Todavia reconheço que tem sido atendido totalmente o apelo do ex-presidente no decorrer destas seis décadas.
Estranho muito a revolta manifestada por alguns perante decisões como a do Reino Unido, pois evidencia uma grande contradição ao se comparar com o que sucedeu no Carnaval do Rio de Janeiro, onde a Associação Israelita recorreu à Justiça para proibir a exibição desse tema no desfile de uma das escolas de samba. Não entendo! Essas imagens seriam vistas por muito mais de 40 milhões em todo o mundo...
Exactamente, como foi previsto há cerca de 60 anos

É uma questão de História lembrar que, quando o Supremo Comandante das Forças aliadas, General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotos, e fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos e até mesmo enterrassem os mortos.
E o motivo, ele assim explanou: ' Que se tenha o máximo de documentação - façam filmes - gravem testemunhos - porque, em algum ponto ao longo da história, algum bastardo se erguerá e dirá que isto nunca aconteceu'.
'Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam'.
(Edmund Burke)
Relembrando:
Esta semana, o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares porque 'ofendia' a população muçulmana, que afirma que o Holocausto nunca aconteceu... Este é um presságio assustador sobre o medo que está atingindo o mundo, e o quão facilmente cada país está se deixando levar.
Estamos há mais de 60 anos do término da Segunda Guerra Mundial. Este email está sendo enviado como uma corrente, em memória dos 6 milhões de judeus,20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos, e 1900 padres católicos que foram assassinados, massacrados, violentados, queimados , mortos de fome e humilhados , enquanto Alemanha e Rússia olhavam em outras direcções. Agora, mais do que nunca, com o Irão, entre outros, sustentando que o 'Holocausto é um mito', torna-se imperativo fazer com que o mundo jamais esqueça. A intenção em enviar este email, é que ele seja lido por 40 milhões de pessoas em todo o mundo.
Seja um elo desta corrente e ajude a enviar o email para o mundo todo. Não o apague. Você gastará, apenas, um minuto do seu tempo a reencaminhá-lo.

quinta-feira, março 08, 2007

O ÚLTIMO VÔO SOBRE TIMOR

Tomei emprestado o título do livro para esta minha crónica de hoje...Até 1975 poucos haviam por esse mundo fóra que tivessem ouvido falar de Timor, enquanto Província Ultramarina portuguesa (colónia). Até mesmo a generalidade dos portugueses pouco daquelas terras conheciam, a não ser o "b, a, ba" das cartilhas de geografia do ensino primário que referiam o nome de duas ou três cidades, de uma ou duas montanhas e um resumo da organização política.
Depois da Revolução dos Cravos, em Portugal e mais exactamente com a invasão daquele território por parte da Indonésia, o mundo começou a ouvir falar de Timor. Principalmente quando dos acontecimentos bárbaros que antecederam a sua independência como país. Porém, daquele período em que os portugueses deixaram Timor, muito pouco é conhecido da realidade; factos, nomes, enfim. Por isso, quando relatos surgem, de pessoas que vivenciaram os acontecimentos, é de suma importância que os mesmos sejam divulgados. É o que estou pretendendo fazer, ao aconselhar a leitura de um livro interessantíssimo, "O Último Vôo Sobre Timor", da autoria de Abílio Ferreira, o qual poderá ser acessado em www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=405253
Com autorização do autor, inclúo aqui alguns trechos:
“Como todos os dias, dirigi-me naquele sábado, oito de Agosto de 1975, ao aeroporto para fazer as carreiras que, de véspera, me tinham sido determinadas. O avião já se encontrava pronto e, juntamente com os passageiros, dirigi-me para ele. Estava a fazer os procedimentos para por os motores em marcha quando um funcionário do aeroporto se dirigiu a mim e disse para ir atender uma chamada telefónica urgente.” ...“ Fiz-lhe notar a minha condição de militar, embora ao serviço de uma organização civil, e ainda o facto de os passageiros já se encontrarem a bordo, pelo que faria a carreira que estava prestes a iniciar e depois resolveria. Que não, os aviões não deveriam descolar, eram ordens do Governador.” ...“Entretanto, o enviado de Portugal continuava retido em Bali e não chegaria ao Kupang. A Indonésia continuava a fazer o seu jogo sujo.” ...“Na noite de 19 para 20, o que todos temíamos aconteceu. Dá-se a sublevação da CCS, Quartel General e Destacamento de Material. Estava iniciada a guerra civil. No Quartel General, na cerimónia do hastear da bandeira, o alferes Lobato, do recrutamento local, dobra a Bandeira Nacional cuidadosamente, entrega-a ao oficial português mais antigo ...” ...“E o dia 26 chegou. Não sei se a decisão de mudar para a ilha de Ataúro já existia, ou se nasceu com o amanhecer desse dia, que seria o último passado em Timor.” “...Nas ruas, dezenas de refugiados timorenses passavam, arrastando penosamente o seu desgosto. Um velho maubere, com a sua típica lipa em volta da cinta, olhou-nos demoradamente talvez irmanado no mesmo desgosto. Possivelmente pensando, porque se teria deixado matar o heróico régulo D. Aleixo para defender a bandeira verde-rubra que agora lhe fugia. A tarde caía. Nos olhos do maubere o sol punha-se a oriente.” ...“Quando cheguei ao aeroporto olhei com saudade o velho Dove. Estava guardado por apenas um soldado e estava calçado com um monte de pedra em todas as rodas! A porta da cabina estava fechada à chave. Eu tinha-a deixado aberta e a chave dentro do avião.” ...“O regresso ao Ataúro era como um sonho! A ilha já de si maravilhosa, parecia-me ainda mais bela! Liberdade passava a ser agora para mim, uma palavra com significado.” ...“A declaração unilateral da independência de Timor por parte da Fretilin, surpreendeu-nos a todos completamente!Como poderiam ser tão ingénuos?! Acreditariam, por acaso, nas promessas de auxílio de outros “países socialistas” que estavam a milhares de quilómetros de distância?” ...“Para mim, apenas existiam dois réus naquele crime hediondo! A situação política em que Portugal se encontrava – ninguém mandava em ninguém! – e a Indonésia. A primeira porque permitiu a desagregação dos timorenses com a “invenção” dos partidos políticos. A segunda porque, aproveitando a primeira, fizeram o seu jogo. – autêntica partida de xadrez com cheque mate à vista – Jogo em que a UDT/MAC ingenuamente colaborou. Pelo caminho ficaram muitos peões, cavalos e até reis.” ...“O meu espírito estava longe daqueles corais e conchas. Aquela concentração de navios de guerra preocupava-me. Aquelas “barcaças” ali, não podiam ter outro significado: a invasão!- Os indonésios estão a bombardear Dili!Ah! Então era isso! Os meus pressentimentos tinham sido certos. O destino de Timor estava traçado.” ...“Preparei as poucas coisas que tinha no Ataúro e meti tudo numa mala. Faltavam as conchas! Não ia deixá-las ficar. Eram o resultado de muitas horas passadas naquelas maravilhosas águas do Ataúro. Tinha algumas a limpar em casa de um pescador. Fui buscá-las.- Ainda não estão todas prontas – disse o maubere.- Não faz mal. Vão como estão. Eu limpo-as depois.” ...“Eram exactamente três horas e cinco minutos daquela tarde de sete de Dezembro, quando iniciei a descolagem. Era a minha última viagem.O último vôo sobre o mar de Timor!O Ataúro foi ficando para trás. Lá à frente Dili, chamas e fumo!Tentei contar os barcos de guerra. Sete, suponho A distância era bastante para poder afirmar com segurança.Um pouco acima de mim, há uma camada de nuvens como que a cobrir toda a “miséria” que aos poucos vou deixando para trás. Vou pensando na hipótese de ser realmente abatido. Entro nelas e passo para cima. Emergindo lá ao longe, à direita, o Ramelau, a montanha mais alta de Timor, ergue-se imponente. Não posso deixar de sentir uma ponta de emoção. Os meus olhos humedeceram. Lá em baixo, um pouco de mim próprio.Procurei concentrar-me mais nas tarefas de bordo. Liguei o rádio e falei para Darwin. Olhei para baixo e pude ver entre as nuvens a vila de Viqueque, na costa Sul.Estava no rumo certo. Agora à minha frente era o mar, o mar de Timor, sobre o qual fazia o meu último vôo.”