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segunda-feira, dezembro 27, 2010

Dez sugestões


Tomei a liberdade de passar para o meu blog esta matéria que foi publicada num outro blog do qual sou seguidor:  http://jardimdeurtigas.blogspot.com/  . Serve para Portugal e para o Brasil...


Sr. Dr. Mário Soares,

Sou um cidadão que trabalha, paga impostos, para que o Sr. e todos os restantes políticos de Portugal andem na boa vida.

Há dias, ouvi o Sr., doutamente, nas TV's, a avisar o povo português para que não se pusesse com greves, porque ainda ia ser pior. Ouvi o Sr. perguntar onde estava a alternativa ao aumento de impostos, aqui estou eu para lhe dar a alternativa. Aqui lhe deixo 10 medidas que me vieram à mente assim, de repente:

1.    Acabar com as pensões vitalícias e restantes mordomias de todos os ex-presidentes da República (os senhores foram PR's, receberam os seus salários pelo serviço prestado à Pátria, não têm de ter benesses por esse facto);


2.    Acabar com as pensões vitalícias e / ou pensões em vigor dos primeiros-ministros, ministros, deputados e outros quadros (os Srs deputados receberam o seu ordenado aquando da sua actividade como deputado, não têm nada que ter pensões vitalícias nem serem reformados ao fim de 12 anos ; quando muito recebem uma percentagem na reforma, mas aos 65 anos de idade como os restantes portugueses - veja-se o caso do Sr. António Seguro que na casa dos 40 anos de idade já tem direito a reforma da Assembleia da República);


3.    Reduzir o nº de deputados para 100;


4.    Reduzir o nº de ministérios e secretarias de estado, institutos, fundações e outras entidades criadas artificialmente, a maioria das quais desnecessárias e muitas vezes até redundantes, apenas para dar emprego aos "boys", como é o caso, por exemplo, do Instituto das Descobertas, que dá emprego a 32 chulos que não têm nada para "descobrir".


5.    Acabar com as mordomias na Assembleia da República e no Governo, e ao invés de andarem em carros de luxo, andarem em viaturas mais baratas, ou de transportes públicos, como nos países ricos do Norte da Europa (veja-se que no dia em que se anunciou o aumento dos impostos por falta de dinheiro, o Estado adquiriu viaturas na ordem dos 140 mil € cada para os VIP's que nos visitarão, como se não houvesse viaturas a requisitar aos Ministérios para tal);


6.    Acabar com os subsídios de reintegração social atribuídos aos vereadores, aos presidentes de Câmara, e outras entidades (multiplique-se o número de vereadores existentes pelo número de municípios e veja-se a enormidade e imoralidade que por aí grassa);


7.    Acabar com as reformas múltiplas, sendo que um cidadão só poderá ter uma única reforma (ao invés de duas e três, como muitos têm);


8.    Criar um tecto para as reformas, sendo que nenhuma poderá ser maior que o vencimento do PR;


9.    Acabar com o sigilo bancário;


10.  Criar um quadro da administração do Estado, de modo a que quando um governo mude, não mudem dezenas de milhares de lugares na administração do Estado, sendo que o critério para a escolha dos lugares passe a ser o mesmo que um ministro/político adopta na escolha de um médico para lhe tratar uma doença ou lhe fazer uma operação cirúrgica ( porque nesta situação eles não vão buscar os “boys” do partido, mas sim os mais competentes, pois é a “vidinha” deles que está em jogo e não o dinheiro do erário público ).


Com estas simples 10 medidas, a classe política que vai desgraçando o nosso amado Portugal, daria o exemplo e deixaria um sinal inequívoco de que afinal, vale a pena fazer sacrifícios e que o dinheiro dos portugueses não é esbanjado em Fundações duvidosas e em obras de fachada sumptuosas.

Enquanto isso não acontecer, eu não acredito no Sr. Mário Soares e não acredito em nenhum político desde o Bloco de Esquerda ao CDS, nem lhes reconheço autoridade moral para dizerem ao povo o que deve fazer, porque o tal povo de que os políticos muito falam, jamais fará o que quer que seja contra a sua consciência, mesmo se o Estado o apele. Se os políticos por conveniência se ajudam entre si para fazer passar este OE, ao povo cabe fazer derrubar e paralisar este governo nas ruas.

Zé do Povo

Portugal

quinta-feira, março 20, 2008

REESCREVENDO A HISTÓRIA - II

(…) Os descolonizadores estavam tão ocupados com a Guiné, Angola e Moçambique que quase se esqueceram de Timor. Mas em Julho de 1974, o lugar-tenente de Mário Soares visita Timor e é surpreendido por um portuguesismo quase fanático. Aquela população era uma miscelânea de povos, cada um com a sua língua e os seus costumes próprios. O que os une, permitindo-lhes viver em paz, é a veneração que nutrem pela Bandeira Portuguesa e por Portugal. Almeida Santos confessa que ficou estarrecido com a devoção daquelas gentes a Portugal. Ainda em Timor, em Julho de 1974, numa conferência de Imprensa, afirmou: “para além dos programas políticos, o que conta são as realidades humanas, e a realidade humana de Timor, que eu pude testemunhar e que os senhores também puderam testemunhar é que existe aqui muito vivo o sentimento de respeito e amor a Portugal. É um fenómeno sociológico que me parece que sai fora das regras normais da sociologia política”.
E Almeida Santos acrescentaria mais tarde que “os timorenses não querem ser descolonizados pela simples razão de que não se sentem colonizados”. Perante a hipótese de uma descolonização recebeu como resposta das forças-vivas de Timor “a nossa resposta ao problema da descolonização é que o que nós precisamos é de mais cultura, mais saúde, mais desenvolvimento agro-pecuário, mais tractores, mais comunicações e mais indústrias”.
O desenvolvimento que teve lugar nos territórios onde grassara a guerra desde 1961, não se verificou em Timor. O pequeno território não foi objecto da cobiça dos imperialistas. Aos EUA agradava o seu actual estatuto e à URSS o seu potencial estratégico ou geo-estratégico não justificava o seu envolvimento, mesmo indirecto.
No acto de posse do novo Governador, ao tempo, Ten-Coronel Lemos Pires, o Ministro Almeida Santos afirmaria:
“Prepare-se V. Ex.ª para o mais espantoso fenómeno de dedicação a Portugal. Quando de lá regressei, rendido a essa heterodoxa sociologia de divinização da Bandeira Portuguesa, que venceu o tempo, a distância e o universalismo político, alguns me terão julgado possesso de romantismo caduco ou de heroicismo carlyleano. Não se trata disso. Apenas relatei, entre atónito e emocionado, factos que sem defesa possível emocionam e espantam”.
Esta era a atitude de Almeida Santos que correspondia à vontade dos timorenses, expressa não em votos, mas em actos e sentimentos. Mas Mário Soares, que de tudo sabe e jamais disse a qualquer questão “Não sei”, e “profundo conhecedor da realidade timorense”, reagiu negativamente à posição do seu lugar-tenente, acabando por afirmar: “É necessário convencer o mundo da intenção sincera de Portugal de abandonar as suas colónias. Manter diversos laços entre os territórios e a Metrópole conduziriam, a meu ver, a formas de neo-colonialismo larvar, que o governo português rejeita em bloco. Nós comprometemo-nos com um trabalho histórico”.
Esta posição do “patrão” da descolonização coloca em xeque a opinião de Almeida Santos que, com o seu grande à-vontade e discernimento, rapidamente faz agulha, acabando por afirmar: “Que independência está em dúvida? Nenhuma. Apenas a de Timor não tem ainda data. Mas tê-la-á em breve”.
Nada havia a fazer. O rei da descolonização não poderia hesitar pois, mo fim, era o seu ego que estava em causa. Para subir ao mais alto pedestal na nova plêiade dos políticos portugueses, teria de começar por realizar algo que o imortalizasse e provasse à sociedade a sua enorme capacidade intelectual, cultural e, principalmente, a sede de poder. (…)
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(…) antes do Ten-Coronel Lemos Pires e do seu grupo de colaboradores ter chegado a Timor, se deu a entrega da Guiné ao PAIGC, o que significou ser o autor moral do fuzilamento de milhares de guineenses; que o então Ministro dos Negócios Estrangeiros (Mário Soares) andou aos abraços a Samora Machel, quando os soldados das nossas FA continuavam a lutar e a morrer na província (Moçambique) em defesa das suas populações; (…)
Trechos do livro "25 de Abril de 1974 --- A Revolução da Perfídia"
Editora Prefácio. 2008

Autor: General Silva Cardoso

Alto Comissário de Angola (1975). Governo Mário Soares.

Ex Presidente do Supremo Tribunal Militar.