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Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo Parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos -- só! -- por seu ofício
Receber, a bem dele... e da Nação
JOSÉ RÉGIO (Soneto escrito em 1969, no dia de uma reunião de antigos alunos) |
terça-feira, outubro 30, 2012
Soneto quase inédito
terça-feira, maio 01, 2012
Alentejo Primaveril
Colhe a hora que passa, hora divina,
Bebe-a dentro de mim, bebe-a comigo!
Sinto-me alegre e forte! Sou menina!
Eu tenho, Amor, a cinta esbelta e fina...
Pele doirada de alabastro antigo...
Frágeis mãos de madona florentina...
- Vamos correr e rir por entre o trigo!
Há rendas de gramíneas pelos montes...
Papoilas rubras nos trigais maduros...
Água azulada a cintilar nas fontes...
E à volta, Amor... tornemos, nas alfombras
Dos caminhos selvagens e escuros,
Num astro só as nossas duas sombras!...
Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"
quinta-feira, junho 25, 2009
Poemas
segunda-feira, março 09, 2009
Poesia Alentejana
Se lá fores e a vires
Trázea !
Depois fiquei pensando...
Será que o cabrão se cansô???
segunda-feira, novembro 03, 2008
Poesia Caipira
Vô contá como é triste, vê a veíce chegá, vê os cabelo caíno, vê as vista encurtá. Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá.. Vê "aquilo" esmoreceno, sem força prá levantá.
A veíce é uma doença que dá em todo cristão: dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão. Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o purmão. Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.
Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece: vai passano pelas rua e as menina se oferece. A gente óia tudo, benza Deus e agradece, correno ligeiro prá casa, procurano o INSS.
No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava Eu tinha mir namorada, tudo de bão me sobrava. As menina mais bonita, da cidade eu bolinava. Eu fazia todo dia, inté o bichim desbotava.
Mais tudo isso passô, fais tempo ficô prá trais as coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz. O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz. Prá fala memo a verdade, nem trepá eu trepo mais.
Quando chega os cinquenta, tudo no mundo embaraça. Pega a muié, vai prá cama, aparpa, beja e abraça, porém só faiz duas coisa: solta peido e acha graça
domingo, setembro 21, 2008
Poema domingueiro...
quarta-feira, junho 04, 2008
FERNANDO PESSOA
domingo, novembro 18, 2007
DICÇÕES DA LÍNGUA PORTUGUESA






