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terça-feira, outubro 30, 2012

Soneto quase inédito




 
  

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo Parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos -- só! -- por seu ofício
Receber, a bem dele... e da Nação 




 
JOSÉ RÉGIO (Soneto escrito em 1969, no dia de uma reunião de antigos alunos)

terça-feira, maio 01, 2012

Alentejo Primaveril

Passeio ao Campo Meu Amor! Meu Amante! Meu Amigo!
Colhe a hora que passa, hora divina,
Bebe-a dentro de mim, bebe-a comigo!
Sinto-me alegre e forte! Sou menina!

Eu tenho, Amor, a cinta esbelta e fina...
Pele doirada de alabastro antigo...
Frágeis mãos de madona florentina...
- Vamos correr e rir por entre o trigo!

Há rendas de gramíneas pelos montes...
Papoilas rubras nos trigais maduros...
Água azulada a cintilar nas fontes...

E à volta, Amor... tornemos, nas alfombras
Dos caminhos selvagens e escuros,
Num astro só as nossas duas sombras!...


Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

quinta-feira, junho 25, 2009

Poemas

Devora-me
Faça-me tua presa
Enlace teu corpo junto ao meu
Explora-me pacientemente
Feito serpente...
Cola tua boca na minha
Sugue de meus lábios úmidos
Este desejo alvoroçado
Faz-me profanar em teus atos
Entrelace perfeito...
Ouça meu gemido
Feito um pedido
Possua-me
No instante que nos enlaça
No realce dos corpos nus
No limiar que reluz
E estampam as paredes do quarto...
Gotas de suor de um gozo anunciado
Pelo tremor que antecede
Sussurros que nos despem dos pudores
Entregamos-nos aos ruídos ilícitos
Para nós
Puros cantos líricos!
Iara A. Máximo Melchor

segunda-feira, março 09, 2009

Poesia Alentejana

Perdi a minha caneta
Lá prós lados da várzea

Se lá fores e a vires

Trázea !

Subi a um êcaliptre
Com o tê retrato na mão
Desencaliptrê-me lá em cima
Malhê com os cornos no chão !!!
Ê vi-te no tê jardim,
Andavas colhendo hortelã!
Ê cá gosto de ti,
E tu? Hãããã ???
Subi acima duma arvori
Para ver se te via,
Como não te vi,
Desci-a
Atirê um limão rolando...
À tua porta parou...

Depois fiquei pensando...

Será que o cabrão se cansô???

segunda-feira, novembro 03, 2008

Poesia Caipira

Vô contá como é triste, vê a veíce chegá, vê os cabelo caíno, vê as vista encurtá. Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá.. Vê "aquilo" esmoreceno, sem força prá levantá.

A veíce é uma doença que dá em todo cristão: dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão. Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o purmão. Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.

Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece: vai passano pelas rua e as menina se oferece. A gente óia tudo, benza Deus e agradece, correno ligeiro prá casa, procurano o INSS.

No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava Eu tinha mir namorada, tudo de bão me sobrava. As menina mais bonita, da cidade eu bolinava. Eu fazia todo dia, inté o bichim desbotava.

Mais tudo isso passô, fais tempo ficô prá trais as coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz. O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz. Prá fala memo a verdade, nem trepá eu trepo mais.

Quando chega os cinquenta, tudo no mundo embaraça. Pega a muié, vai prá cama, aparpa, beja e abraça, porém só faiz duas coisa: solta peido e acha graça

domingo, setembro 21, 2008

Poema domingueiro...

Poema da MENTE

Há um primeiro ministro que mente,
Mente de corpo e alma, completa/mente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele, mente sincera/mente,
Mais que mente, sobretudo, impune/mente...
Indecente/mente.
E mente tão nacional/mente,
Que acha que mentindo história afora,
Nos vai enganar eterna/mente.
--------------- # ---------------
Dependendo do país,
troque-se Ministro por Presidente

quarta-feira, junho 04, 2008

FERNANDO PESSOA

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

domingo, novembro 18, 2007

DICÇÕES DA LÍNGUA PORTUGUESA

Na edição do pretérito dia 14, o jornal "Folha de S. Paulo" publicou, num dos seus cadernos, uma reportagem da qual retirei para o blog dois trechos que compactei:
Jô Soares agora vai se lançar numa seara musical, digamos, experimental. A partir de hoje à noite, o "Gordo" inaugura a programação adulta do Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, com "Remix em Pessoa", espetáculo insólito em que recita, com direito a sotaque lusitano, poemas de Fernando Pessoa (1888-1935).
Acompanhado de uma trilha sonora igualmente insólita, que inclui o compositor alemão Johann Sebastian Bach, rock, hip hop e drum "n" bass, entre outros.
É o meu xodó", disse Jô em entrevista coletiva na semana passada, adiantando que promete recitar os poemas com sotaque lusitano, brincadeira que, diz ele, costuma fazer em shows em Portugal.
"Não dá para falar palavras como "algibeira" e "enxovalho" com sotaque brasileiro", explica Jô, que fica sozinho no palco do teatro.
Não tive oportunidade de assistir à apresentação e não comprei o CD. Porém, este último eu pretendo adquirir, pela única razão de se tratar de um trabalho que faz parte de águas onde costumo navegar... Adoro poesia e gosto de recitar obras de vários autores num estilo próprio e dentro das quatro paredes da minha biblioteca. Não tenho pretensões de me igualar aos bons como Paulo Autran, Villaret e até mesmo Jô Soares.
Com esta nota fugi ao tema mestre do que pretendia abordar aqui e que diz respeito à récita ser executada com sotaque português. Não sou desmancha prazeres, mas isso não vai ficar bem. Fortalece a minha afirmativa aquela cena de alguns tempos atrás, num dos programas do mesmo Jô Soares em que um dos convidados foi o fadista português Carlos do Carmo.
Nessa oportunidade o Jô tocou nesse assunto de brasileiros algumas vezes falar imitando o sotaque de Portugal e ele próprio assim proferiu algumas frases. A reprimenda foi imediata e contundente quando Carlos do Carmo disse: "Isso sôa muito ridículo". Jô Soares engoliu a sêco...
Muitas vezes oiço amigos meus ou outras pessoas contarem piadas de português, facto muito comum aqui no Brasil, e todos fazem questão de aportuguesar a dicção como na frase "estás a ver?" em que pronunciam "estais a veire?". O mesmo acontece quando um português tenta falar abrasileirado; ridículo também. Sou da opinião que cada um deve falar com o seu sotaque corrente, mesmo que este tenha assimilado partes distintas do original, numa fluência natural que, principalmente não agrida a língua e não se preste a xacota.