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segunda-feira, março 17, 2008

POESIA GAÚCHA

Andava mijando errado
Com as urina em atraso
Era uma gota no vaso
Três ou quatro na lajota
Quando não era nas bota
Na bombacha ou nos carpim
Eu mesmo, mijando em mim
Que tamanha porcaria
E o meu tico parecia
Uma mangueira de jardim
O pensamento mandava
O pau não obedecia
Quando a bexiga se enchia
Eu mijava à prestação
Pro banheiro, em procissão
Uma ida atrás da ôtra
Numa mijada marota
Contrastando com meu zelo
Pra beber, era um camelo
E pra mijar, um conta-gota
Depois de passar um bom tempo
Convivendo com esse horror
Me fui atrás de um doutor
Que atendesse meu pedido
Me desse algum comprimido
Pra mim empurrar goela abaixo
Tenho certeza, não acho
Que bem antes que eu prossiga
É importante que eu diga
Que não deixei de ser macho
Mas buenas, voltando ao causo
Que é natural que eu reclame
Depois de um monte de exame
De urina e ecografia
E até fotografia
Da minha arma de trepá
Me obrigaro desaguá
Ajoelhado num pinico
E me enfiaro um troço no tico
Que me dói só de lembrá
Ainda dei o meu sangue
Pros vampiro diplomado
Pensei que tinha acabado
Só me faltava a receita
Já tinha uma idéia feita
Me trato e adeus, doutor
Recupero o mijador
Nem sonhava em concluir
Que alguém iria invadir
Meu buraco cagador
Fiquei bem contrariado
Tomei um baita dum choque
Quando me falaram em toque
Achei bem desagradável
Pra um macho é coisa impensável
Um dedão campeando vaga
No lugar que a gente caga
Vejam só o meu dilema
O pau é que dá problema
E o meu cú é que paga
Tentei todos argumentos
Me esquivei o quanto pude
Mas se é pra o bem da saúde
Não deve me fazer mal
Expor assim meu anal
Fazer papel de mulher
Nem tudo que a gente quer
Tá de acordo com os planos
Fui derrubando meus panos
E se salve quem puder
De cotovelo na mesa
A bunda véia empinada
No cú não passava nada
Nem piscava de apertado
Mas era um dedo treinado
Acostumado na bosta
E eu, que nunca dei as costa
Pra desaforo de macho
Pensava, de pinto baixo
O pior é se a gente gosta
Pra mim foi mais que um estupro
Aquilo me entrou ardendo
E então eu fiquei sabendo
Como se caga pra dentro
Aquele dedo nojento
Me atolando sem piedade
Me judiou barbaridade
Que alívio quando saiu
Garanto pra quem não viu
Que não vou sentir saudade
Enfiei a roupa ligeiro
Com vergonha e desconfiado
Vai que o doutor abusado
Sem pena das minhas prega
Chamasse um outro colega
Pra uma segunda opinião
Apertei o cinturão
Fiz uma cara de brabo
Dois mexendo no meu rabo
Aí seria diversão
Depois daquela tragédia
Que pior pra mim não tem
Não comentei com ninguém
Pra evitar o falatório
Se alguém fala em consultório
Me bate um pouco de medo
Não faço nenhum segredo
Dessa macheza que eu trago
Mas cada vez que eu cago
Me lembro daquele dedo

domingo, setembro 23, 2007

AVE MARIA DO PEÃO

Ao reponte do sol que descamba o dia se aprochega do arremate pelos campos e nos matos da querência no revoar da bicharada voltando aos ninhos é hora de recolhimento
No rancho que há no interior de mim mesmo eu, gaúcho de fé me arrincono e medito
Despindo o poncho da vaidade e do orgulho tiro o chapéu, apago o pito e me achego pra uma prosa com o patrão maior
Na sua presença meu sangue quente de farrapo se faz manso caudal. Entrego-lhe minha alma afoita de alcançar lonjuras e abrir cancha em busca do destino Renuncio à minha xucra rebeldia e me faço doce de volta e macio de tranco para dizer-lhe
Gracias patrão por tudo que me deste por esta querência Senhor que meus ancestrais regaram com seu sangue e que aprendi a amar desde piá
Pelos meus parceiros desta ronda da vida sempre de prontidão para me amadrinharem na campereada mais custosa ou para matearem comigo na hora do sossego
Reparte com eles, patrão esta fé que me deste e este orgulho pela minha querência
Ajuda patrão a manter acessa esta chama concede sempre ao gaúcho a força no braço e o tino pra saber o que é correto
Dá-nos consciência para preservar a nossa cultura livre da invasão dos modismos conserva a essência e a beleza da nossa tradição
E agora, com licença patrão que vou aproveitar a olada para um dedo de prosa com Nossa Senhora
Ave Maria primeira prenda do céu contigo está o Senhor, na estância maior tu és bendita entre todas as prendas e bendito é o piá que trouxeste ao mundo, Jesus
Maria, mãe de Deus E mãe de todos nós roga pela querência e pelos gaudérios que aqui moram nesta hora e no instante da última cavalgada Amém!
Poesia de Odilon Ramos

Minha homenagem à Semana Farroupilha