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terça-feira, maio 19, 2009

Adegas de Estremoz

Nem sempre é possível postar aqui uma matéria no dia certo ou sem muito atrazo. Infelizmente dependo de um serviço de acesso à Internet que é campeão de reclamações no Brasil e muitos são os dias em que fica tudo fóra do ar. Ainda aqui abordarei esse assunto especìficamente e juntar-me-ei a outras vozes que já começam a contestar a concessão dos serviços à Telefonica pelo desastrado governo anterior do senhor Fernando Henrique Cardoso.
Esqueçamos esse e outros nomes que acabam por ser mesquinhos. Colocarei uma nota referente a um grande estremocense que, infelizmente, nos deixou no passado dia 11 deste mês.
Para todos, sómente Isaías! Quem, além dos seus conterrâneos, conheceu a "Adega do Isaías" em Estremoz? --- Milhares de pessoas! Nacional e internacionalmente, pois a sua arte gastronómica foi reconhecida e premiada.
Eu, em especial, pouco me poderei alongar em detalhes sobre o Isaías pois que, na verdade, conheci mais o seu pai e a mesma taberna com o nome de "Adega do Zé da Glória".
Das vezes que voltei a Estremoz durante os 37 anos de imigração no Brasil, algumas eu almocei naquele local quando para tal havia lugar disponível. E, exactamente como está na foto que aqui publico, quase sempre eu o encontrava sentado naquele lugar da rua, talvez para que uma vaga mais ficasse à disposição...
Certifiquei-me do quão era frequentado por ex militares do Regimento de Cavalaria 3 e suas respectivas famílias em visita de saudade à cidade e, claro, ao local onde muitas vezes petiscaram e deram de beber à dor... É possível, até, que muitos deles venham a saber deste último acontecimento através da minha postagem ou por outros que, como eu, escrevem nestes recantos cibernéticos.
Como citei acima e apesar da minha tenra idade, tenho mais viva na memória a taberna quando gerida pelo pai de Isaías. Vivi até aos 11 anos em Estremoz e fui depois para Évora. Nesses anos da minha infância, muitas vezes acompanhava o meu pai num triângulo de tascas --- "Zé da Glória", "Júlio Zé Gato" e "Pilhó Pato". As duas primeiras bem perto uma da outra e a última perto da antiga cadeia no Castelo. Hoje a permanência de crianças nesses locais não é bem vista, se bem que naquela época também só poderia acontecer na companhia dos pais. Porém, quieto ficava num canto e me deslumbrava com os torneios de malha e chito disputados pelos adultos e com e exuberância daquelas talhas cheias de vinho que íam enchendo as jarras que os serviam. São lembranças.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

CARACOIS E OUTROS PETISCOS

“Então, quando é que o meu amigo vem a Portugal, para eu lhe oferecer um petisco?” Assim começava e pràticamente a essa pergunta se limitava a mensagem que recebera na Internet. E não só porque a pergunta me abriu um horizonte largo das muitas coisas que tenho vontade de petiscar quando for à terrinha, como evidenciou aquilo em que muito tenho pensado ùltimamente e constituiu a base da minha resposta: petisco de caracóis.

Dias atrás liguei para alguns dos amigos na minha terra, algo que não fazia com muita assiduidade mas que agora se torna mais constante, mercê da oportunidade de aproveitar um daqueles serviços de comunicação na Internet que barateia, quase a custo zero, as ligações de longa distância... E, a um deles eu disse que a primeira coisa que faria quando voltasse a Évora seria visitar a Tasca dos Caracóis do nosso amigo Galego. Porém, qual balde de água fria despejado sobre a cabeça, ouvi que a tasca não existe mais a exemplo de outros estabelecimentos do mesmo tipo, mercê de disposição legal de um Órgão oficial coordenador. Tudo isso está proibido respeitando normas da União Européia.

“Puta que pariu!” eu tenho vontade de gritar. Essas pequenas coisas tradicionais e características dos povos faziam a diferença entre os pares e aguçavam a curiosidade de uns em relação aos outros. Nivelar tudo em nome do progresso e na sustentação do pilar do “saneamento” é, na verdade, um desafino nessa afinação por diferentes diapasões...

Por uma questão de formação e actualização de conhecimentos resolvi pesquisar algo a respeito dessas imposições e confesso que fiquei abismado. Por exemplo, saborear uma “bica” na chávena de porcelana ou beber um “tintol” na púcara de barro não mais será permitido; terá que ser em copo descartável de plástico... E isto quando este Mundo altamente poluído deveria ter como uma das principais metas a atingir, exactamente a extinção da produção de plásticos...

Participar numa caçada ou pescaria e, antes, avisar o Chico lá de Mourão que deveria preparar um almoço especial com aquelas carnes de porco defumadas na chaminé; programar mais uma daquelas tradicionais voltas pela raia e saborear um presunto de pata negra na Espanha, provar um tinto ou branco directamente do tonel numa taberna de Barrancos, arrematando com um queijinho de Serpa; viajar pela “Rota dos Vinhos” num passeio de fim de semana e provar os novos e as água-pé nas tascas de Estremoz, Borba, Reguengos e Vidigueira; num lugar qualquer do Alentejo, sentar num mocho de tronco de azinheira numa tasca castiça e petiscar azeitonas retalhadas e curtidas no pote de barro, queijo de leite de ovelha, farinheira assada, chouriço e morcela. Agora é tudo coisa do passado e a minha terra não tem mais cores e sabores, pois foi mutilada.