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sexta-feira, agosto 21, 2015

Tradições Timorenses

O sacrifício de dois búfalos, cujas entranhas foram lidas como oráculo, foi dos momentos mais dramáticos da cerimónia de três dias conduzida em Díli pelos liurais e lia nain, chefes tradicionais timorenses, como bênção ao monumento da “Chama Eterna”.
Serigala, uma cerimónia que se realiza, a nível nacional, muito poucas vezes em Timor-Leste – a última foi em 2008, depois da crise e dos conflitos que assolaram o país – é um ritual tradicional e animista que envolve os “donos das coisas sagradas” de todos os municípios.
‘Sacerdotes gentilícios’, como eram apelidados pelos portugueses, que integram o complexo sistema legislativo e judicial tradicional timorense e que foram chamados para uma homenagem aos heróis desconhecidos.
Ponto final nas cerimónias do 40.º aniversário das Falintil, a serigala marcou a colocação da primeira pedra no monumento em forma de estrela, a Chama Eterna, que vai ser construído no jardim em frente ao Arquivo e Museu da Resistência Timorense (ARMT), anfitrião deste encontro místico.
Eugénio Sarmento, ele próprio lia nain “de Soibada, a Coimbra de Timor-Leste” é o guia para uma cerimónia cheia de símbolos, de memória, de rituais ancestrais que ligam o passado dos reinos timorenses ao passado mais recente da resistência e “ao futuro do país”.
O objetivo central era “pedir licença” para fazer um monumento que representará os heróis desaparecidos e anónimos, que sirva como “sítio de reflexão” sobre os “atos heroicos” e para “manter viva a chama de todos os que lutaram pela libertação da pátria, como explicou ?Hamar’ Antoninho Baptista Alves, diretor do ARMT.
A cerimónia começou na noite de quarta-feira quando os chefes tradicionais dos 13 municípios timorenses presidiram ao sacrifício de uma galinha. A leitura das entranhas revelou que o projeto “tem um pequeno problema”.
Informação confirmada na segunda fase da cerimónia, na noite de quinta-feira, a mais dramática, em que primeiro se sacrificou um porco – as entranhas voltam a ser consultadas e o seu sangue benze os instrumentos e objetos centrais à cerimónia – e depois dois búfalos.
Um, vermelho, para chamar até ao jardim, próximo do Parlamento Nacional e ao lado do ARMT, “as almas dos heróis” e depois, um preto, para ‘fechar’ a cerimónia, voltando a unificar as armas neste espaço.
Os búfalos morrem junto a uma árvore onde depois são colocados os seus chifres. O seu sangue trás ao centro da capital timorense, um ritual secular e que pretende ser unificador.
Três pedras, de maior dimensão, uma do mar, uma das montanhas e uma do rio, representam os timorenses que morreram na luta pela libertação, 13 pedras mais pequenas representam, uma por cada distrito, os mortos dessas zonas e depois outras, de ainda menor dimensão, os de cada posto administrativo.
Os búfalos morreram rápido – “o que é bom sinal”, explica Eugénio Sarmento, e os oráculos são positivos, ainda que se mantenha a informação inicial, da galinha: há um pequeno problema com o projeto.
“O problema não é com os mortos. É com os vivos”, explica ?Hamar’. O ritual parece confirmar a alguma oposição política que existe, em Díli, face a esta iniciativa da “Chama Eterna”.
As pedras e os 13 belak distritais (os discos dourados representativos do sol e usados pelos chefes tradicionais), são benzidos com o sangue dos animais sacrificados. Com tais, os panos tradicionais e bandeiras das Falintil, Fretilin e de Timor-Leste, passaram a noite no ARMT.
A cerimónia só terminou hoje com vários veteranos da luta, interna e externa, a juntaram-se ao ritual, ajudando a colocar os objetos benzidos, as pedras e os belak, no buraco onde fica a primeira pedra.
José Ramos-Horta, Mari Alkatiri, Rogério Lobato, os ex-guerrilheiros Ma Huno e Mau Meta – este último de cadeira de rodas – juntam-se, tocam as pedras, os objetos, fundindo a sua presença com as dos heróis aqui homenageados.
Ma Huno, emocionado, não consegue controlar as lágrimas. Caminha com dificuldade e mostra na cara a dor da memória que lhe evoca este encontro carregado de misticismo.
“Nós, os que sobrevivemos a luta pela resistência, temos o dever moral de contar e transmitir a história e os que tombaram habitam, agora, na memória e no orgulho de nós que vivemos”, disse o diretor do ARMT.
Na fusão cultural que é Timor-Leste, a cerimónia animista inclui uma bênção de um padre católico que lança água benta por sobre as pedras e restantes objetos marcados com o vermelho do sangue dos animais sacrificados.
E termina com um minuto de silêncio.

Por em

quarta-feira, maio 15, 2013

Notícias de Timor

Fundo Petrolífero de Timor-Leste aumenta para quase 10 mil milhões de euros

Díli, 13 mai (Lusa) - O Fundo Petrolífero de Timor-Leste aumentou 728,4 milhões de euros para 9,9 mil milhões de euros, segundo o relatório hoje divulgado na página oficial na Internet do Banco Central timorense.
O relatório relativo ao primeiro trimestre de 2013 refere que o capital do fundo em 31 de março era de 9,9 mil milhões de euros (12,98 mil milhões de dólares).
Segundo o documento, a entrada bruta de capital proveniente de impostos, royalties e outras receitas foi de 728,4 milhões de euros e as saídas de dinheiro foram de dois milhões de euros para "pagar a gestão externa e interna".
"Durante o trimestre não foram realizadas quaisquer transferências de fundos para a conta geral do Estado", refere o documento.
A Lei do Fundo Petrolífero foi estabelecida em 2005 com intenção de contribuir para a gestão eficaz dos recursos petrolíferos de Timor-Leste.
O fundo é gerido em conjunto pelo Banco Central de Timor-Leste, responsável pela gestão operacional, e o Ministério das Finanças, responsável pela gestão global.
Em agosto de 2011, o parlamento aprovou uma alteração da lei com o objetivo de flexibilizar a diversificação da carteira de aplicações, que, até àquela data, contava apenas com investimentos em títulos do Tesouro norte-americano, para aumentar o retorno dos investimentos.
MSE // PNE.
Lusa/Fim

domingo, setembro 25, 2011

Cesária Évora

Há uns anos atrás, quando ainda Timor Leste se tentava livrar dos tentáculos da Indonésia, Ramos Horta passou pelo Brasil na sua incansável caminhada pelo Mundo e, sinceramente, não sei se pela primeira vez. A situação estava efervescente, pois isso tudo se passava após o massacre de Santa Cruz.
Sorrateiramente eu sempre andei envolvido em algo que de alguma forma pudesse ajudar o sacrificado povo timorense. Sempre fiz uma grande propaganda de Timor, explicava a muitos o que foi, o que era e o que aspirava a ser aquele Território. Por incrível que pareça, muita gente culta jamais tinha ouvido falar...
Nessas andanças de Ramos Horta, ele passou aqui por Campinas, mas eu não tive oportunidade de conversar com ele ou, pelo menos, de vê-lo. Mas tentei envolver-me mais e contactei algumas Organizações. Fiz alguns comentários em matérias publicadas na Imprensa e abordei certas passagens de que me lembrava de quando estive cumprindo comissão militar em Díli.
Por tudo isso, pela minha exposição no momento, surgiu um convite da Rádio Transamérica de São Paulo para que eu desse uma entrevista. Claro que de imediato recusei, pois a timidez sempre foi o meu fraco e eu sei que me iria engasgar ou entrar num buraco negro a qualquer momento. Além disso, acho que não seria a pessoa indicada para falar daquele Timor do momento.
Nessa mesma altura recebi um telefonema do então Director da Tv Cultura de São Paulo que me fez algumas perguntas sobre a situação em Timor e, lá pelas tantas, inquiriu-me sobre alguns dados pessoais como, por exemplo, a minha origem portuguesa. Citei-lhe Estremoz, a minha cidade natal e Évora onde mais vivi e estudei.
Não percebi a confusão que ele engendrou naquele momento ao confundir Évora com Cesária Évora e sobre esta tecer alguns comentários, pois a nobra caboverdiana não estava na pauta em discussão e um director de um Canal cultural jamais poderia cometer uma gafe dessas...
Após tudo o que escrevi até aqui nesta crónica só um detalhe assinalado na mesma me trouxe aqui. Exactamente a diva Cesária Évora.
Sim! desta vez é ela o personagem central da peça e vim até ao seu nome passando por Timor e São Paulo porque o seu nome foi citado naquelas situações e até se sobrepôs ao da cidade que é Património Mundial da Humanidade.
Cesária Évora também é Património Mundial para todos aqueles que ouviram as suas maravilhosas interpretações no titmo de mornas e coladeras.
Surgiu na Imprensa que Cesária Évora sofreu um acidente cerebral vascular nestes dias e isso me deixou estupefacto e muito aborrecido. Possìvelmente ela não voltará a cantar, mas teremos sempre o prazer de escutar as suas gravações, ver os seus clips e passar tudo isso e muito mais sobre ela às gerações futuras.

segunda-feira, março 07, 2011

WikiLeaks Portugal - Telegramas sobre Timor

Insiro, abaixo, uma tradução livre de dois telegramas liberados pelo WikiLeaks e que dizem respeito às operações em Timor Leste dos governos da Austrália e de Portugal.

ID: 67674 Data: 2006-06-12 16:01 Origem: 06LISBON1137 Fonte: Embaixada de Lisboa Classificação: CONFIDENCIAL Não sei: Destino: VZCZCXRO5965 PP RUEHDT DE RUEHLI 1137-1101 # 1631601 ZNY ZZH CCCCC P junho 121601Z 06 FM LISBOA AMEMBASSY A RUEHC / SECSTATE PRIORIDADE WASHDC 4863 INFO RUEHBY / PRIORIDADE CANBERRA AMEMBASSY 0523 RUEHDT / AMEMBASSY PRIORIDADE DILI RUEHKL / AMEMBASSY PRIORIDADE KUALA LUMPUR 0028 RUEHWL / PRIORIDADE WELLINGTON AMEMBASSY 0125 RUEKJCS / PRIORIDADE OSD WASHDC RUEAIIA PRIORIDADE CIA / WASHDC RUCNDT / USMISSION USUN PRIORIDADE DE NEW YORK 1437 RUEHNO / PRIORIDADE USNATO USMISSION 0591 RUEHGV / PRIORIDADE GENEBRA USMISSION 0529 RUEKJCS PRIORIDADE SecDef / WASHDC RHEHNSC / PRIORIDADE NSC WASHDC RHHJJAA / PRIORIDADE HONOLULU JICPAC HI RUEKJCS / PRIORIDADE MAIOR CONJUNTO WASHDC RHHMUNA / PRIORIDADE HONOLULU USCINCPAC HI 1. (C / NF)

Em uma discussão sobre Timor Leste, o Chefe de Gabinete da República de Portugal Serviços de Inteligência (SIRP) ressaltou a necessidade de reconhecer o Partido da Fretilin popularidade e o importante papel desempenhado primeiro-ministro Alkatiri nele. Foi crítico de papel passado da Austrália em Timor Leste mas estava confiante de que os problemas de coordenação entre os potugueses e as forças australianas no terreno seriam trabalhados.

Alkatiri ainda influente ----------------------------

2. (C / NF) Durante um encontro casual em 8 de junho, Pol / Econ DepCouns tive a oportunidade de solicitar Chefe do Estado Maior da República dos Serviços de Inteligência de Portugal (SIRP), Jorge Carvalho ponto de vista sobre a situação no Timor Leste. No que respeita à situação política, Carvalho destacou a necessidade de reconhecer a realidade política em Timor Leste sem favorecer o Presidente Gusmão ou o primeiro-ministro Alkatiri. Ele comentou que embora Alkatiri tenha empreendido ações questionáveis e manchado com a marca de filiação comunista, o fato é que a Fretilin ganharia se as eleições fossem hoje e Alkatiri permaneceria em uma posição de poder. Quaisquer planos para resolver o conflito deverão ter a sua influência em consideração.

Questionando o papel da Austrália ----------------------------------

3. (C / NF), Carvalho comentou que a Austrália não havia desempenhado um papel produtivo em Timor Leste, destacando que motivos da Austrália foram impulsionados pela geopolítica e comercial (por exemplo, petróleo), enquanto o interesse principal de Portugal era manter estabilidade. Ele observou que Portugal tinha o mínimo, se houver, de laços econômicos. Ele explicou que SIRP seguiu a situação do território de muito perto, afirmando que "nós ainda sabemos que tipo de sapatos os manifestantes usam e onde comprá-los ", e sugeriu que a Austrália já havia fomentado tumultos em seu benefício. Ele citou dois exemplos - as negociações de demarcação da marítimas da fronteira entre Timor Leste e Austrália e demarcação de limites de exploração de petróleo ao largo da costa do leste de Timor - onde a Austrália tinha fomentado tumultos para colocar a pressão no Governo de Timor-Leste.

Confiante Coordenação problema seria resolvido ---------------------------------------

4. (C / NF), Carvalho estava confiante de que os problemas de coordenação entre o Estado Português com a paramilitar Guarda Nacional Republicana (GNR) e as forças australianas estariam resolvidos e minimizou quaisquer conflitos no terreno. Reflexões e subseqüentes relatórios destacam um acordo de 08 de junho em que a GNR irá operar exclusivamente no bairro de Comoro até que comando e controle de situações fossem resolvidas.

Comentário -----------

5. (C / NF) Carvalho, o equivalente a DNI John Negroponte Chefe de Gabinete, é um importante pro-Americano de contacto da Embaixada que não só é conhecedor em matéria de inteligência, mas também ligados a partidos políticos em todo o aspecto. Sua análise da situação no Timor Leste foi desapaixonada –- interpretada assim até mesmo por seus crítica da Austrália --, foi entregue em uma questão de forma realista. Embora Carvalho enfatizasse o lado mais altruísta de Portugal para envio de GNR para Timor Leste, há um carinho genuíno para a sua ex-colônia e um senso de responsabilidade por seu bem-estar. É claro que os relatórios de inteligência informam a oficial posição de Portugal sobre as políticas e caminho a seguir. Reflete a relutância a interlocutores AMF para comentar sobre o Oriente e em particular sobre dirigentes timorenses e sim que deveria destacar a importância dos timorenses em conceber uma solução para os seus difíceis problemas políticos. Hoffman.


ID: 66513 Data: 2006-06-02 19:09 Origem: 06LISBON1014 Fonte: Embaixada de Lisboa Classificação: SECRET Não sei: Destino: VZCZCXYZ0017 OO RUEHWEB DE RUEHLI 1014-1001 # 1531909 ZNY SSSSS ZZH O 021909Z 06 junho FM LISBOA AMEMBASSY A RUEHC / SECSTATE WASHDC 4815 IMEDIATA INFO RUEHBY / CANBERRA AMEMBASSY IMEDIATA 0514 RUEHKL / KUALA LUMPUR AMEMBASSY IMEDIATA 0019 RUEHWL WELLINGTON AMEMBASSY / IMEDIATA 0116 RUCNDT USUN USMISSION / NOVA YORK 1428 IMEDIATA RHMFISS / HQ GE Vaihingen USEUCOM IMEDIATA RUEKJCS PESSOAL / MISTO WASHDC IMEDIATA E S C R E T LISBOA 001014 SIPDIS E.O. 12958: DECL: 2016/06/02 TAGS: PREL, MOPS TT, PO ASSUNTO: VISTA PORTUGUÊS EM TIMOR-LESTE e planos de implantação Classificadas: Política / Economia Harrington Matt Conselheiro razões 1.4 (b) e (d).

Resumo --------

1. (C) Português interlocutores do Ministério da Defesa, Ministério das Relações Exteriores, e Guarda Nacional Republicana (GNR) tem confirmou os planos de Portugal para ajudar a estabilizar o Timor Leste, embora não sob os auspícios da Joint Task Force liderada pela Austrália. Todos, Consultor do Ministro da Defesa Português e da Austrália e o Embaixador em Lisboa, registaram que Portugal e a Austrália, acordaram em permanecer neutros no conflito, mas diferem em seus pontos de vista sobre a resposta apropriada. O Governo de Portugal (GOP) visa apoiar Timor Leste através de canais bilaterais e pelo fornecimento de pessoal sob o controle direto do governo timorense na pendência de uma missão da ONU. Uma vez que a missão da ONU está no local, o Partido Republicano considera que deveria ser o foco na criação de instituições e resolução de conflitos para evitar a violência no futuro. A chegada do contingente da G. N. R. a Díli foi adiada, alegadamente devido à Indonésia ter negado autorização de sobrevoo, mas espera-se que partem de Lisboa em 02 de junho. Fim Resumo.

A insistência em uma estrutura de comando separada -------------------------------------------

2. (C) MFA Vice Ministro dos Negócios Estrangeiros João Gomes Cravinho disse à DCM em 2 de junho que as forças Portuguesas da GNR irão trabalhar directamente sob a estrutura de comando Timor Leste devido a um pré protocolo com o Timor Leste, que se opõe Portugal ao funcionamento de comando de outra nação. Ele acrescentou que os comandantes são susceptíveis de chegar a um acordo, uma vez que a GNR esteja no terreno, mas observou que a missão da GNR de restabelecer a ordem civil difere significativamente do missão militar liderada pela Austrália Task Force. 

3. (C) Em uma conversa em separado, Diretor da Ásia e Oceania Assuntos Jorge Silva Lopes disse Pol / Econ oficial da GNR que estão indo relatar através de um Comandante Português diretamente para o Presidente de Timor e o primeiro-ministro, uma vez que chegou, em acordo com um 25 de maio Memorando de Entendimento entre Portugal e Timor Leste. Quando perguntado sobre possíveis problemas de dupla coordenação decorrentes da Presidencia e estrutura de comando do PM, Lopes alegou que ele não prevê quaisquer problemas de solicitações conflitantes do escritórios. Ele similarmente minimizou perguntas sobre a coordenação com o controle das forças australianas. Enquanto o governo português respeita o papel da Austrália, não há planos para colocar a GNR sob comando da Austrália, segundo Lopes.

4. (C) Em um telefonema 01 de junho com o Embaixador da Austrália Embaixador em Lisboa, Greg Polson, disse mecanismos de coordenação para a empresa liderada GNR para Díli ainda estão sendo discutidos entre Camberra e Lisboa. Ele pensou que a situação iria funcionar muito bem no terreno onde era uma questão de coordenar áreas em que contingentes estrangeiros teriam responsabilidades. Ele acrescentou que a GNR teria principalmente um papel de polícia, responsável principalmente para controlar a multidão, que era diferente do que aconteceu com o contingente militar formado pela Austrália, Malásia e Nova Zelândia. Ele ofereceu sua visão de que, em última instância, o Partido Republicano poderia insistir em que a GNR poderia operar de forma autônoma e que considerações de ordem prática no terreno seriam consideradas para fechar coordenação com as forças australianas e de outros.

Implantação da GNR e dos planos de Missão ----------------------------------

5. (S) Depois de um breve atraso na saída da GNR, devido à falta de aprovação de sobrevoo da Indonésia, a força de 120 homens, está previsto para sair em 2 de junho às 21:00, horário local, para Dili em dois vôos alugados. Uma vez lá, a GNR pretende ter a sua força no Oriente Timor-Leste por pelo menos um ano, girando tropas a cada quatro meses. Em contradição com o dupla estrutura de comando Presidente / PM Lopes descritas em 01 de junho, o Vice-Chefe de Gabinete da GNR em 02 de junho que seu comandante receberá ordens diretamente do presidente Xanana Gusmão. Só na sua ausência, eles vão receber ordens do primeiro-ministro Alkatiri, e será responsável perante o Embaixador Português.

6. (C) A primeira fase da implantação será focada no estabelecimento da paz e ordem em Díli e arredores, ou em uma área designados pelo Presidente Xanana Gusmão, e na segunda fase do seu missão será focada no treinamento da polícia local. A portuguesa GNR teve uma equipa de vanguarda em Timor há algum tempo e já desenvolveu um plano para a missão. O comandante da GNR vai apresentar este plano a Gusmão para a final autorização.

Depois da Tempestade - Reconstrução de Timor-Leste ---------------------------------------

7. (C) a assessoria diplomática do ministro da Defesa, Paulo Lourenço, delineou a sua perspectiva sobre a necessidade de uma solução a longo prazo em Timor Leste, em conversa para o DCM em 01 de junho, mas notou que seu Ministério não têm o papel principal na determinação da política nesta questão. Lourenço insistiu que o problema é muito maior a PM Alkatiri. Sobre tensões étnicas do país nunca terem sido abordadas, ele disse, que o levantamento da ONU ocorreu muito cedo e muito rapidamente, por isso Timor Leste e a comunidade internacional estão agora pagando o preço por miopia do passado. É essencial que uma força internacional sob mandato das Nações Unidas para ser implantado no futuro previsível. Entretanto, a GNR deveria fazer a ligação com as forças locais de segurança para proteger a ordem pública. Presidente Gusmão, segundo Lourenço, é um líder forte plenamente capaz de gerir a crise atual. 

8. (C) Lourenço expressou sua opinião de que a motivação da Austrália em intervir em Timor Leste é para preservar a estabilidade regional e demonstrar a sua influência naquela parte do mundo. Ele Também pensou que a Austrália estava preocupada que os muçulmanos radicados na comunidade na Indonésia poderiam ter uma influência sobre a população timorense (Comentário: que nos atingiu de modo ímpar, uma vez que acredito que uma esmagadora maioria da população de Timor Leste é Católica Romana. Fim Comentário).

9. (C) Vice-FM Cravinho ecoou preocupações sobre Lourenço reconstrução e comunicados à DCM que, embora Portugal acredita que a crise imediata vai acabar em breve, o mais importante da missão será a de responder à fractura social em curso. Ele acredita que a ONU deveria repensar a sua missão em Timor Leste e começar a abordar a institucionalização de conflitos e de apoio com esforços. Para esse fim, ele mencionou que as comissões que incidiram sobre o reforço de entidades da sociedade ajudaria mais as missões de segurança continuou.

Ver australiano a partir de Lisboa ---------------------------

10. (C) Embaixador Hoffman pediu ao embaixador australiano Polson que verificasse se o Portugal estava apoiando o primeiro-ministro Alkatiri e se o Partido Republicano estava em desacordo com Canberra. "Eu não diria que há probabilidades ", respondeu Polson. Portugal e a Austrália, disse ele, fazem a abordagem a Timor Leste a partir de duas perspectivas diferentes. De Portugal abordagem é moldada pela emoção, história e língua, enquanto a política da Austrália é fundamentada na geoestratégica, preocupações tais como o desejo de evitar a instabilidade e consequentes fluxos de refugiados na região. Alguns da liderança portuguesa, Polson continuou, muito claramente apóiam Alkatiri. O GOP, Polson acredita, quer que todos os três altos líderes timorenses - o Presidente, o Primeiro-Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros – permaneçam e - apostou que ninguém no Partido Republicano estaria disposto a pedir a demissão de Alkatiri. Comentário -------

11. (C) Ouvimos uma mensagem consistente de todos os nossos interlocutores portugueses que o Partido Republicano não tem intenção de colocação do contingente da GNR sob comando e controle da Austrália, devido, em parte, nós suspeitamos, a históricas passagens ruins entre os dois países em Timor Leste, e à convicção de que eles sabem dar o seu melhor no solo desde longa data nas conexões históricas com o país. Dito isto, os nossos contactos portugueses e o Embaixador da Austrália em Lisboa, estavam confiantes de que este acordo não representa grandes problemas, tanto parar militares como para os comandantes no terreno, a sua coordenação eficaz. E porque as forças Português teriam muito diferente missão (manutenção da ordem pública, principalmente) de outros contingentes internacionais.

12. (C) Não temos ouvido nenhuma indicação de nossos contatos GOP sobre que Portugal tomou ou pretende tomar partido no mercado interno e na luta pelo poder no Timor Leste. Os nossos interlocutores em todos os níveis, do Primeiro-Ministro para baixo, com rigor, pressionam por uma nova Mandato da ONU o mais breve possível. Um novo esforço da ONU é sustentado, a partir da perspectiva do GOP, com realizações do tipo de longo prazo e a construção de instituições que, nomeadamente, reduzam a possibilidade de partidarismo político. Hoffman

domingo, julho 12, 2009

Manuel Carrascalão

Manuel Carrascalão, veterano da luta pela independência de Timor Leste, morreu neste sábado, aos 75 anos.
O político timorense era um veterano da luta pela independência do país.
O histórico defensor da autodeterminação timorense não resistiu às complicações de saúde sofridas depois de uma embolia cerebral.
Sucessor de Xanana Gusmão na liderança do CNRT, afastado da política há algum tempo, estava hospitalizado em Díli há dois meses.
Conheci-o pessoalmente nos anos 68-70.
Nas pessoas de seus irmãos, Angela e João, apresento os meus sentidos pêsames.

segunda-feira, abril 13, 2009

De Campinas a Timor

Não é meu costume postar aqui matéria sobre personalidades políticas, d’aquém e d’além mar, principalmente se for para elogiar, pois é coisa rara haver algo de positivo. Até mesmo perante as negatividades individuais eu me estou omitindo ùltimamente, pois entendi que é terreno pantanoso...

É fato relevante terem morrido no mesmo dia 2 parlamentares brasileiros, o que deu motivo a muita chacota nas páginas da internet. Mas vamos lá com mais calma pessoal! --- quando dois desaparecem, outros dois tomam os seus lugares e assim, aquele número estratosférico manter-se-á para o bem ou para o mal. Além disso, um sorriso maroto não deverá passar da discreção...

Atenho-me a citar João Herrmann Neto só pelo motivo de o mesmo ser natural aqui de Campinas, onde hoje será sepultado, e de ter tido atuação notável no processo de consolidação da independência de Timor Leste e cujo aniversário se comemorará no próximo dia 20 de Maio.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Concórdia e desenvolvimento

O Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos-Horta, acaba de combinar com o primeiro-ministro Xanana Gusmão e com o chefe da oposição, Mari Alkatiri, que os três se deverão passar a reunir regularmente, pelo menos uma vez em cada três semanas, indica um comunicado hoje distribuído em Díli.
Sexta-feira da semana passada os três mais destacados políticos do jovem país tiveram já uma reunião "muito cordial, de mais de duas horas, que incluiu a discussão do desenvolvimento do grande campo de gás natural de Greater Sunrise", diz o comunicado da Presidência da República, que parece expressar uma vontade de concórdia nacional, a bem da estabilidade e do desenvolvimento. Os três dirigentes históricos afirmaram partilhar as mesmas posições e opiniões quanto ao desenvolvimento daquele recurso e os dois primeiros destacaram a particular sabedoria de Alkatiri quanto às questões do Mar deTimor.
O conclave de sexta-feira determinou que o antigo primeiro-ministro, secretário-geral do partido Fretilin, deverá conduzir e coordenar todos os esforços nacionais no sentido de se avançar para o desenvolvimento do Greater Sunrise, que fica a 170 quilómetros do litoral meridional de Timor-Leste e a 450 da cidade australiana de Darwin. Em breve, o Presidente Ramos-Horta deverá anunciar mecanismos específicos para a concretização do desígnio nacional de um oleoduto que leve à zona de Betano, no território timorense, a sul de Same e de Maubisse, parte substancial dos hidrocarbonetos a extrair do campo de Greater Sunrise.
As autoridades de Díli estão a proceder a um mapeamento do leito do Mar de Timor, juntamente com um consórcio de empresas sul-coreanas, ao mesmo tempo que efectuam também um estudo de pré-viabilidade com os malaios da Petronas. O oleoduto para Timor-Leste é a rota mais curta e mais económica para o gás natural de Timor-Leste, recordou recentemente o Governo de Xanana Gusmão, que das reservas do Greater Sunrise espera obter mais de 100 mil milhões de dólares (78 mil milhões de euros).
O secretário de estado dos Recursos Naturais, Alfredo Pires, anunciou então que a nação se encontrava unida neste objectivo; e isto mesmo foi agora reafirmado, em vésperas da visita oficial que o primeiro-ministro efectua esta semana a Portugal.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Notícias de Timor

Médicos retiram tumor de 3,3 kg de bebê timorense
Médicos neozelandeses removeram um tumor de 3,3 kg, o equivalente a um terço do peso de um bebê que corria risco de morte. A cirurgia, realizada em Willington no último final de semana, salvou a vida de Alex Gonzaga, 1 ano e dois meses, de Timor Leste, informa o jornal The Times.
Alex, que pesava 11 kg antes da cirurgia, se recupera bem e deve deixar o hospital na próxima semana, quando ele e a mãe, Elisa da Conceição, poderão voltar para casa.
O tumor foi identificado por um médico do Timor Leste, que alertou colegas americanos a bordo de um navio-hospital. Exames mostraram que a criança tinha um tumor que crescia rapidamente e empurrava para baixo seus rins, intestinos e outros órgãos vitais.
O menino foi submetido a uma avaliação do Rotary Oceania Medical Aid for Children (Romac), programa que presta assistência médica a crianças de países em desenvolvimento e que custeou sua viagem à Nova Zelândia para ser operado.

quarta-feira, junho 25, 2008

Tatamailau

Quando o navio entrou nas águas do Mar de Timor e na sua aproximação de Díli, destacava-se entre o sistema montanhoso, na cordilheira central, o pico do monte Tatamailau. Era impressionante a sua majestade e beleza e isso aguçava-nos mais a muita ansiedade que todos sentíamos naquela aproximação após 60 dias de viagem desde Lisboa.
Após um ano de estadia em Díli, resolvi passar alguns dias em Maubisse no quartel local. Eram 70 km ao sul. No caminho aproximava-me cada vez mais daquela montanha misteriosa e bela, mas só acessível o seu cume a 2963 metros por escalada. Acredito que ainda hoje assim seja.
Há tempos a esta parte, despertou-me a atenção na internet um blog com o mesmo nome da famosa montanha. Dedicado a "coisas por esse mundo fora, de Portugal ao Brasil, de Macau a Timor Leste, de Moçambique à China, e outros..." , incluí o link nesta minha página na secção de "Espaços recomendados".
Nestes dias tive a oportunidade de verificar, na tentativa de acessá-lo, que esse blog requer autorização do seu dono para o efeito. Acreditava que todos os blogs fossem públicos e abertos e surpreendi-me. Como o mesmo deve ter acontecido com alguns dos que visitam a minha página, peço desculpas e informo que, a partir de hoje, não mais o recomendarei...

sexta-feira, junho 13, 2008

Maus exemplos

Estudantes universitários se manifestaram nesta quinta-feira (12), pelo segundo dia, em Dili, capital de Timor Leste, contra a aquisição de 65 carros para o Parlamento, considerada mais uma regalia dos deputados.
Pelo menos já é um tipo de manifestação diferente ou, pelo menos, é uma manifestação de caracter cívico e não uma "rebelião" como aquelas a que já nos estávamos habituando naquela terra massacrada.
A proposta de compra dos veículos para os 65 deputados foi anunciada há uma semana pelo presidente do Parlamento timorense, Fernando La Sama de Araújo. Os carros têm preço unitário de US$ 33 mil, enquanto a maior parte da população do Timor Leste vive com US$ 1 por dia.
Tenho que lamentar ese tipo de comportamento na política, pois é um mau começo importar essas aberrações para um país que está construindo uma identidade.
Protestos semelhantes já tinham acontecido em 2007, quando os deputados aprovaram sua própria pensão vitalícia. Uma lei de janeiro de 2007 estabeleceu uma "pensão mensal vitalícia igual a 100% do vencimento desde que [os deputados] tenham exercido o cargo, em efetividade de funções, durante 42 meses, consecutivos ou interpolados". Em caso de morte do beneficiário da pensão, o valor integral é transmitido ao cônjuge, aos filhos menores de idade ou aos ascendentes sob responsabilidade do parlamentar.
Tudo copiado do modus operandi dos seus congéneres portugueses e brasileiros... E, assim, começam a trilhar caminhos sinuosos que não são os mais recomendados.
No artigo intitulado "outras regalias", a mesma lei estabelece o "direito a assistência médica dentro, e, sempre que for considerada necessária, fora do país".Os deputados têm também "o direito a importar um veículo para uso pessoal, sem pagamento de taxas aduaneiras e outras imposições fiscais sobre as importações". Podem ainda "importar todo o material necessário para a construção de uma residência privada" nas mesmas condições de isenção fiscal e aduaneira.
No meio de um povo sofrido e no qual a imensa maioria não tem acesso ao mínimo de atendimento e benefícios sociais, é subir num patamar muito alto e a partir do qual a queda será contundente...
Os membros do Parlamento beneficiam de "direito a livre-trânsito e a passaporte diplomático", assim como cônjuges e descendentes. A estes benefícios, somam-se os salários normais dos deputados, que são o triplo do que recebem os funcionários públicos nos escalões médios e superiores do país. O vencimento-base de um deputado timorense é de US$ 450, mais US$ 300 para gastos com telefone e US$ 450 para despesas de alojamento. Os deputados têm direito ainda a diferentes auxílios.
Não brinquem com o fogo! Esse povo não é mais tão manso como parece. Olhem para trás, para o assado recente, e esforcem-se para construir um país decente e igualitário. Caso contrário tudo se perderá mais uma vez.

domingo, junho 01, 2008

LEMBRANÇAS DE GLENO

Estive em Timor muito pouco tempo, comparando com aquilo que eu desejava.
Nao vivi em Dili, centro confuso e comercial onde a cada esquina se encontra una criança vendendo peixe, banana, manga, cigarros ou dvds do filme mais recente que alguém gravou numa sala de cinema indonésia.
Vivi no meio de Gleno, pequena capital de distrito, tão grande como uma rua principal e uma dúzia de ruas perpendiculares. Onde às quintas-feiras, o mercado se enchia de gente vindo Deus sabe de onde para fazer as suas compras, alguns legumes, alguma fruta, alguma carne que as gentes compravam sem se importar da carne estar ali, exposta ao sol, à chuva, ao pó dos carros, às mãos dos passantes...
Gleno, pequena capital, mais pequena do que uma vila simples de Portugal, mas tão cheia de cor, tão rica em cheiro e sabores, onde o sol iluminava todos desde às 5h da manhã. E a noite caía pouco depois das 16/17h à tarde. Onde as criançais surgiam por todos os lados, sempre com Aquele sorriso que nunca consegui entender.... Onde homens e mulheres passavam, carregando crianças, roupas, sacos, cestos, de tudo um pouco.... Onde homens e mulheres faziam fila para ir ai posto médico -- uma clínica, chamavam-na -- sem saber quando saíriam... para alguns deles, sem saber se sairíam. Onde homens e mulheres, de todas as idades, mas sobretudo jovens, vivem ao sabor das plantações de café, bem numerosas. Onde a política de Dili parece ser ali tão longe e ali tao perto porque, afinal, foi por ali por aqueles montes que a Resistência se escondeu durante tantos anos.
E Gleno, com aquela sua gente tão linda e tão cheia de histórias e estórias para contar.... e quando se toca mais além do que a superficie desta gente, percebe-se que atrás do sorriso que continua fixo no rosto, há muita dor, muitas lágrimas caídas, muitas dores sofridas mas, apesar de tudo o que sofreram e sofrem ainda, apesar de tudo por aquilo que passaram e passam ainda, a esperança de um futuro melhor permanace. Uma grande confiança que Deus, là em cima, não os esqueceu e que um dia, todos eles poderão conhecer uma vida feliz, sem medo, sem opressão, sem pobreza.
E Gleno, com aquela sua gente tão bela, sempre curiosa em aprender o que se passa do outro lado daquelas montanhas que os separa de Dili e do resto do mundo.... e um sorriso natural ao imaginar que algures no mundo, há bocadinhos de algodão que cai do céu.... e aquele orfanato, onde dezenas de crianças vivem e crescem, como podem e como conseguem, sem grande ajuda de fora, depois de ter perdido seus pais...
E Gleno, com aquela sua gente tao simples e tao integra, com aquela brisa sempre presente e com aquelas chuvas tão bruscas e repentinas como breves...
Quando se sai de Dili em direcção a Gleno, não se imagina o que vamos descobrir...
Gleno parece um mundo à parte. O caminho sinuoso que sobe, sobe, sobe, faz-nos descobrir o mar là em baixo, tão limpido, tão claro, tão azul... Mais além, aquelas primeiras ilhas da indonésia... e no infinito, o mar que se confunde com o céu.
A pouco e pouco, deixa-se o mar para trás e entra-se na terra do café. Plantações pela direita, plantações pela esquerda; umas cabanas aqui, umas casitas ali e, por todo o caminho, crianças, mulheres e homens que vão e que vêm ("Hello Mister"), sempre com o eterno sorriso. Quando se entra na mata, descobrem-se novos cheiros, novas cores. Há mangas e bananas um pouco por todo o lado, vendidos nessas cestas feitas de folhas de bananeira, e sempre aquele sorriso.
Descobri em Timor uma paisagem magnífica, como raramente tive opotunidade de ver em toda a minha vida. Paisagens belas ainda selvagens, que uma dia certamente serão em parte, senão todas, destruidas pelo poder enorme do turismo. Mas o que realmente descobri de mais belo, foi a sua gente.
Desde então (2002), é provável que muita coisa tenha mudado. As notícias que aqui chegam são raramente felizes, as mensagens que recebo são de medo, de dúvida, mas na minha memória e no meu coração o que fica é o sorriso desta gente e a esperança que um dia (breve!) consigam, finalmente, alcançar a paz.

terça-feira, maio 27, 2008

INDEPENDÊNCIA DE TIMOR

INJUSTAMENTE ESQUECIDA, a independência de Timor é fruto do sacrifício de muitos timorenses, de todos os quadrantes políticos. Pelo menos, é o que os políticos dizem quando pretendem propagandear ao Mundo a unidade conseguida pelos timorenses durante mais de uma vintena de anos na luta travada com os indonésios.
Antes ainda da entrada dos invasores indonésios, Timor encontrava-se a ferro e fogo, numa luta fratricida que dizimou muitos milhares de timorenses cujo único crime consistiu na liberdade de pensamento que defendiam ser um direito humano inalienável. Não o pensaram assim os fautores da independência unilateral de 28 de Novembro de 1975. Milhares de timorenses - por haverem cometido o crime de querer um Timor independente diferente do que o que pretendiam a FRETILIN e o Poder português saído da Revolução de Vinte e Cinco de Abril de 1974 – foram barbaramente assassinados por outros timorenses acobertados pelo revolucionarismo de cariz esquerdista.
Pensava eu que passados mais de trinta anos sobre o ano nefasto de 1975, os líderes timorenses que hoje ocupam cargos políticos – após anos do que eu imaginava ser de profunda interiorização da fundamental unidade nacional feita à custa de sangue, suor e lágrimas de todo o povo, ao qual pertencem os militantes de outros partidos timorenses para além da FRETILIN - tivessem(finalmente!) concluído que a independência de Timor se deve a todos os timorenses e não só a determinado partido e a algumas personalidades políticas desse partido. Julgava eu, animado do fervor patriótico que a todos os timorenses anima em dias de comemoração da independência a 20 de Maio– data a que pomposamente se denomina de restauração da independência -, que a liderança timorense teria coragem suficiente para incluir, nos seus discursos oficiais, na imposição de medalhas, de condecorações, da saudação aos mártires da Pátria, os mártires de outros partidos que pereceram às mãos da FRETILIN, antes ainda da invasão oficial pela Indonésia. Acredito também que os sobreviventes das masmorras de Aileu se lembram do sofrimento e dos terrores infligidos pelos revolucionários. Mas, se alguns prisioneiros se salvaram (alguns deles devido ao gesto de clemência de uns muito poucos revolucionários condoídos da sua má sorte) igual sorte não coube a tantos outros que jazem em valas que guardam milhares de restos mortais de militantes da UDT, da APODETI e do KOTA, quantos deles enterrados vivos!?
Tem sido vã a esperança de que os líderes timorenses se imbuiam da generosidade de reconhecer que, para além dos mortos às mãos da Indonésia, timorenses houve – e foram milhares! – que sucumbiram às mãos dos revolucionários da FRETILIN. E assim é que, ano após ano, em cada 20 de Maio da comemoração daindependência, se prestam loas, se curvam, se referem os nomes de militantes da FRETILIN e se esquece de que timorenses houve que mataram outros timorenses cujo único crime foi pensar um Timor livre mas diferente.
E é por isso também que, ano após ano, vou perdendo a crença de que aunidade nacional é real, é interiorizada, é sentida. Assim será enquanto permanecerem propositadamente esquecidos nomes dos que foram barbaramente assassinados pela FRETILIN, numa tentativa da liderança de falsear a História branqueando aqueles que ordenaram as execuções.
Mas, se a liderança timorense, se os detentores do Poder político de hoje continuam a ignorar o nosso contributo para a independência de Timor, se todos teimam em esquecer os nossos mortos, gritemos a nossa revolta ao Mundo– apesar do esquecimento do Senhor Presidente da República, Ramos Horta, num gesto consequente de gesto igualmente revelador da vontade do seu antecessor Xanana Gusmão de esquecer que há outros heróis em Timor - dizendo que a FRETILIN assassinou Vasco Senanes, Fernando Luz, Agapito Mariz, Coronel Lourenço, Casimiro, Maggiolo Gouveia, António Araújo Nélio Oliveira, César Mouzinho, José Oliveira, Luís Oliveira, Serafim dos Santos, Guilherme Exposto dos Santos, Adão Exposto, Águedo Inácio, Rogério Inácio. Não quero esquecer também os irmãos Maia, os jovens Jerónimo (16 anos) e Rui (14 anos), que foram ambos mortos em Same!
Muitos outros nomes ficaram por ser aqui referidos mas, para ilustrar, a barbárie de 1975, estes exemplos são bastantes! Se restarem dúvidas sobre a verdade histórica, há sobreviventes que vivem em Timor, em Portugal e na Austrália que ainda não conseguiram esquecer os maus tratos, poderão prestar esclarecimentos e apontar os nomes e as caras dos seus algozes!
Assisti à condecoração de Mari Alkatiri e de Ramos Horta e pensei que tambémos líderes da UDT que lutaram por Timor seriam condecorados. Mas não. Deles não consta a lista de heróis do então Presidente Xanana Gusmão. Nem sequer do actual Presidente. Considero de elementar justiça atribuir a condecoração pelos trabalhos prestados durante os anos da Resistência na diáspora a João Carrascalão, Domingos Oliveira, António Nascimento, Lúcio Encarnação, entre tantos outros. Ou que, Manuel Carrascalão, activista e fundador do Movimento para a Unidade e Reconciliação do Povo de Timor-Leste (MURPTL) defensor acérrimo do Referendo em Timor, fosse reconhecido como personalidade histórica e por isso o condecorassem. Mas, ano após ano, as condecorações, os cumprimentos e as homenagens limitam-se a personalidades da área da FRETILIN, contribuindo para o descrédito da vontade de construir uma Nação onde todos os timorenses tenham lugar e vejam reconhecidos os seus méritos, o seu trabalho, o seu esforço.
Não compreendo como nunca se nomeia Francisco Gonçalves, com o nome de guerra Mali Iku – operador de transmissão, o único que, na Ponta Leste, decifrava os códigos políticos do comissário político Juvenal Inácio, SeráKei; ou Rui Gonçalves, que tinha o nome de guerra de Ximangano Mac Mahon e foi um prisioneiro político de Aileu que, depois da invasão, pelas suas qualidades de liderança, ascendeu a comandante da guerrilha e Delegado Político. Se o Senhor Presidente da República actual, se o Presidente da República anterior os esqueceram, tal como os esqueceram os deputados ao Parlamento Nacional, nós não os esquecerenos! Se outros esquecem, cabe-nos a nós, militantes da UDT, lutar - sempre! -, para que o Mundo não esqueça que outros heróis existem para além dos que anualmente são propagandeados pelos actuais líderes timorenses e pela própria FRETILIN.
Se a esperança deve prevalecer, então direi que continuo à espera que Timor seja um dia a Pátria que entre os seus braços vai acolher todos os seus filhos independentemente da sua raça, credo ou convicção política! E que então ninguém mais se sentirá injustiçado, marginalizado, ignorado, numa desnecessária demonstração de desprezo.
Hélder Encarnação

terça-feira, maio 13, 2008

BOLSAS PARA TIMOR

O prazo para interessados em bolsa no Timor Leste termina dia 14. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério de Educação (Capes/MEC) está com inscrições abertas até 14 de maio para bolsas do Programa de Qualificação de Docente e Ensino de Língua Portuguesa no Timor Leste. O programa é uma parceria entre a Capes e o Ministério da Educação e Cultura de Timor Leste. Serão selecionados até 50 bolsistas. Os candidatos escolhidos receberão bolsa mensal da Capes no valor de € 1.100, para bolsistas, e de € 2.000 para o coordenador (com mestrado); seguro-saúde; auxílio-instalação; e passagem aérea Brasil/Timor Leste/Brasil, em classe econômica promocional. O início das atividades está previsto para julho de 2008. Mais informações no edital. http://www.capes.gov.br/bolsas/cooperacao/timor_leste.html

sexta-feira, abril 18, 2008

CONTRA MÃO

O ex-chefe da milícia pró-Indonésia em Timor-Leste, Eurico Guterres, anunciou ontem que se reunirá este mês com o primeiro-ministro e seu antigo inimigo, Xanana Gusmão, para procurar a reconciliação entre indonésios e timorenses. Guterres disse à edição digital do diário "The Jakarta Post" que se reunirá no próximo dia 28 em Díli, com Xanana Gusmão, contra quem combateu durante anos quando a Fretilin lutava contra a ocupação militar da Indonésia.
A imprensa estampa a notícia desse modo e pela afirmativa quanto à data depreendo pela aquiescência de Xanana... É possível uma coisa dessas? O indivíduo foi absolvido pela justiça indonésia, acto que, aliás, todos esperávamos. Jamais deixará de ser um bandido, um criminoso, um genocida. Jamais deveria ser permitida a sua entrada em Timor-Leste.

domingo, abril 13, 2008

INEXPLICÁVEL

Existe, como sempre existiu e continuará a existir, o inexplicável. Acho que nem Freud explicaria!?
Eurico Guterres, natural de Viqueque. Hércules Marçal, natural de Ainaro. Portanto, os dois são timorenses e nascidos em lugares lindos que tive a oportunidade de conhecer para podê-lo afirmar. Aliás, Timor no seu todo é um lugar maravilhoso de beleza exuberante.
Os dois passaram por dramas semelhantes, pois os seus pais fôram assassinados com o fôgo das armas criminosas dos indonésios nos anos de chumbo da ocupação. Eram inocentes como os outros milhares de timorenses que tiveram o mesmo fim. Eram, certamente, pessoas boas que amavam a sua terra, independentemente da situação de cada um.
O que move os dois indivíduos a alinharem-se aos assassinos de seus pais e participar das acções criminosas de antanho e actuais contra os seus conterrâneos?