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segunda-feira, setembro 13, 2010

Sagres em Timor

Fiquei muito feliz em saber disto e imagino o quanto também terão ficado os timorenses. Que bela imagem será a desse nosso belo veleiro nas águas de Díli. Gostaria de estar presente.

Díli, 12 set (Lusa)
O navio-escola Sagres aportou hoje em Díli, para completar mais uma etapa na viagem, a terceira que faz de volta ao Mundo, e a sua maior viagem de sempre, numa missão que começou em Janeiro, em Lisboa.
Timor-Leste, onde vai permanecer até ao dia 18, é escala obrigatória pelos laços de cooperação que se desenvolvem entre a Marinha Portuguesa e a componente naval das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).
Alguns dos elementos da componente naval das F-FDTL integram a tripulação, durante a estadia, sendo de referir que o tenente timorense Nicolau de Sousa, já havia embarcado na Sagres, fazendo a viagem entre Tóquio e Díli.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

O rôto e o esfarrapado

 

Em reunião do Conselho de Ministros de 20 de Janeiro, o Governo de Timor Leste decidiu entre outros itens:
3. Doação à Republica do Haiti.
Em consequência do violento terramoto que atingiu a República do Haiti, e
que provocou grande devastação em todo o país, o Conselho de Ministros, em
acto de solidariedade e fraternidade (princípios fundamentais consignados na
Constituição de Timor-Leste) decidiu aprovar apoio financeiro, a fim de
ajudar a minimizar os efeitos nefastos provocados pelo desastre natural.
O Primeiro Ministro de Timor-Leste enviou, atempadamente, ao seu homólogo do
Haiti as suas mais profundas condolências e expressão de solidariedade para
com o povo e Estado da República do Haiti.
Enquanto isso:
Dili - Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão recebeu elogios da ONU por causa da sua liderança no IV Governo Constitucional, que contribuiu para o sucesso das reformas, nos sectores da segurança e da defesa em Timor-Leste.
“Paz e tranquilidade em Timor-Leste não caíram do céu, mas são pensamentos e as ideias de toda a gente, que tem o mesmo compromisso que leva avante o processo da reforma com sucesso”, afirmou a representante do Secretario Geral das Nações Unidas em Timor-Leste, Ameera Haq, recentemente no Palácio do Governo, depois de se encontrar com o Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão.
Então, eu como sempre, com o meu espírito crítico e língua afiada pergunto: Será que uma coisa tem algo a ver com a outra?!…
Afinal, quem tem que ajudar são os que ao longo dos anos contribuíram para toda essa desgraça, há muito presente, e que agora veio mais à tona por força da Natureza.
Neste caso não se sabe quem é que mais precisa; se o rôto ou o esfarrapado.

domingo, novembro 01, 2009

Amigos

“Eu quero ter um milhão de amigos…” é um trecho de canção cantada por Roberto Carlos. Não sei se o título também é esse, bem como também não sei se o cantor é, ao mesmo tempo o compositor e se alguém tem um milhão de amigos. Parece que sei muito pouco, mas acho que é mais porque nunca fui muito admirador do citado…
Um milhão de amigos eu tenho a certeza que jamais teria na minha vida e não tanto pelo meu caracter, mas naturalmente, pelo tempo que vivemos e pelo espaço que é exíguo em relação ao número. Além de tudo, amigo é um grau difícil de alcançar nas triagens a que submetemos as pessoas com quem nos relacionamos. Daí que muitos confundem conhecidos como amigos.
Amigo, como diz outra canção, “é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito”. E eu guardo no meu alguns de quem me lembro do nome ou não. O nome vamos esquecendo com o decorrer do tempo, mas a imagem de todos ou algumas passagens em que fôram protagonistas permanecem.
Sou uma pessoa que jamais perdeu o hábito de tentar reencontrar muitos desses amigos, senão todos, que há muito deixaram de conviver comigo. Nem que seja só para um cumprimento ou uma troca rápida de palavras conforme as circunstâncias. Aqui mesmo, neste espaço, já coloquei alguns nomes na esperança de encontrar alguém, tipo um apêlo, bem como outras histórias já escrevi e subordinadas ao mesmo tema.
Uma época que muito marcou a minha vida e a da maioria dos então jovens portugueses, foi a dos anos 60. Devido à situação de guerra que o Portugal travava nas colónias.
Naquele tempo poucos escapavam de vir a transformar-se em carne para canhão e, por isso mesmo, desde o primeiro dia em que nos alinhávamos, compulsóriamente, nas fileiras castrenses, até ao dia da passagem à reserva, processava-se no meio um relacionamento com sulcos profundos de amizade e solidariedade.
Por isso, são frequentes os encontros de confraternização de ex combatentes ou simplesmente  ex expedicionários, pois é grande essa força mobilizadora em cada um. Por isso, também, existe grande grande número de sites e blogues na Internet inerentes a essa época e circunstâncias.
Tenho participação interactiva em algumas dessas páginas e até já encontrei alguns ex camaradas. Poucos, mas encontrei…
Há tempos atrás, reconheci um deles através de uma foto recente e esta mostrava os mesmos traços de há 40 anos… O indivíduo não mudara nada e logo identifiquei ali o “Malveira”, apelido pelo qual era tratado na tropa.
O “Malveira” era companheiro de pelotão na recruta que fizémos na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, no Curso de Sargentos Milicianos. Ele acabou por ir para a especialidade de Intendência e eu para a de Serviço de Material. Ele para Moçambique e eu para Timor.
Enquanto em Santarém, todos os fins de semana em que íamos para as nossas cidades para os passar com a família, nós dois ficávamos num ponto da estrada que levava a Lisboa e ali pedíamos boleia (carona) aos veículos que passavam. O dinheiro era curto ou simplesmente inexistente para pagar passagens. E até pulávamos o muro de alguma quinta para conseguir colher alguma fruta, principalmente laranjas, quando a fome apertava.
E foi essa história das laranjas que eu citei num e-mail que enviei ao “Malveira”, quando o descobri naquele site, como ponto de referência para que ele se lembrasse de mim. Tinha a certeza que se iria lembrar! Mas a minha surpresa e decepção foram muito grandes quando, simplesmente, respondeu serem aqueles actos de surrupiu da coisa alheia algo reprovável e dos quais não se lembrava. Assim mesmo. Curto e grosso.
Hoje, mais uma vez, naveguei na Internet e visitei alguns desses sites que referi. Encontrei o do Batalhão de Caçadores 1916 e lá estavam algumas fotos do meu camarada quando da sua estadia em Mueda, Moçambique.
Como as fotos estavam abertas a comentários, numa delas deixei o meu referindo-me às laranjas… E fiquei pensando que nem a mil amigos eu chegarei, quanto mais a um milhão…

sexta-feira, outubro 09, 2009

Colegas de Timor

Vitor Murteira fez um comentário numa das minhas postagens dizendo ter estado em Timor na mesma época que eu, e que actualmente reside em Santarém. Pediu para que eu entrasse em contacto, mas não deixou um endereço válido.
Amigo Murteira, envie-me um e-mail para que eu lhe possa responder. Obrigado.

terça-feira, maio 26, 2009

segunda-feira, maio 25, 2009

segunda-feira, abril 20, 2009

Ex Expedicionários a Timor

35.º Aniversário da chegada a Timor da

Companhia de Artilharia 6556

DATA DA REALIZAÇÃO DO EVENTO: 02 de Maio de 2009

HORA DE INICIO: 11H00

LOCAL DO EVENTO: Penafiel, frente ao Quartel

DISTRITO DO EVENTO: Porto

Inscrição:

Luís Melo: 919504600

Joé Rocha: 919163624

NOME DO RESPONSÁVEL PELO EVENTO: Luís Jesus Melo e José Rocha

TEXTO DO EVENTO: Vamos celebrar mais um encontro/convívio da Companhia de Artilharia 6556 no mesmo local do ano anterior "PENAFIEL". Solicita-se aos que têm faltado à chamada que se juntem a nós para comemorar mais um ano de amizade.

segunda-feira, março 30, 2009

Alerta geral

Um ciclone tropical em formação lenta no Mar do Timor poderá atingir na quarta-feira a costa Sul do Timor Leste, informaram
nesta segunda-feira os serviços meteorológicos australianos.
Um sistema de baixa pressão que se desloca para Timor Leste poderá tornar-se um ciclone tropical durante os próximos dois dias e atingir a
costa da ilha com grandes ondas e fortes ventos .
O alerta meteorológico foi noticiado por vários sites australianos que
consideram tratar-se de uma ameaça potencial para a ilha. E eu reforço aqui, sugerindo aos timorenses que fiquem espertos...
A principal ameaça são chuvas intensas que poderão conduzir a inundações e potenciais deslizamentos nessa área

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Timorenses e Alentejanos

Depois do protocolo assinado entre a Universidade de Évora e o Ministério da Educação de Timor-Leste, já chegaram àquela cidade os primeiros estudantes que através de uma bolsa da Secretaria de Estado dos Recursos Naturais de Timor-Leste, vão estudar na bela e acolhedora capital do Alentejo.
Os primeiros estudantes possuem licenciaturas nas áreas das geociências (Engenharia Geológica e Engenharia dos Petróleos) obtidas na Indonésia e irão frequentar o mestrado em Ciências da Terra e da Atmosfera.
Ao abrigodo protocolo estabelecido, neste semestre irão frequentar como estudantes externos, um semestre propedêutico, por forma a que a sua adaptação à língua e cultura portuguesas seja mais fácil.
Da última vez que estive em Évora, há oito anos atrás, percebi que na mesa ao lado da minha, num café da cidade, era timorense o grupo que a ocupava pois que, além do seu jeitinho inconfundível, entendi muito do que falavam em tetum. Pedi licença e juntei-me a eles. Ficaram muito encabulados mas, aos poucos, foram relaxando.
Aos meus conterrâneos eborenses peço que lhes dêem o maior apoio e com eles se relacionem dentro do espírito alentejano do bom acolhimento; eles também são assim na sua terra. Sempre que com eles se cruzem, dirijam-se-lhes com um "díak ka lai", que se pronuncia "diakalái ", e serão retribuidos com um sorriso aberto.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Um só Timor

Díli - O líder rebelde de Timor-Leste, Alfredo Reinado, tinha um cartão de cidadania indonésio no seu de bolso quando foi atingido a tiro em 11 de Fevereiro durante o ataque contra o Presidente Ramos Horta, onde ele foi morto a tiro, por guardas presidenciais. No entanto, seus homens continuaram o ataque e, 30 minutos mais tarde, o Presidente José Ramos-Horta, foi alvejado duas vezes quando caminhava em direcção a sua casa.
Reinado, foi comandante da polícia militar de Díli até deixar o seu posto e pegar em armas contra o Estado, em 2006, levando consigo um punhado de rebeldes.
Segundo o relatório da autópsia, o cartão foi encontrado durante a autópsia da tarde de 11 de Fevereiro, segundo comunicado do Timor Post.
Com o cartão de cidadania, ou cartão KTP, como são conhecidos em indonésio, Reinado poderia ter fugido de Timor após o ataque.
A embaixada da Indonésia em Díli negou que o documento tenha alguma vez sido oficialmente dado a Reinado, de acordo com o que disseram os diplomatas ao Deutsche Presse-Agentur DPA.Victor Sambuaga, chefe de assuntos políticos indonésios em Timor-Leste, disse que os cartões KTP são dadas apenas aos cidadãos nascidos na Indonésia. Sambuaga disse que não tinha qualquer ideia se o cartão era real ou forjado. As autoridades timorenses têm ainda o cartão em seu poder para efeitos da inspecção. De acordo com o Timor Post, Reinado tinha no cartão o nome de Simplisio de la Crus.
Sambuaga disse ainda que os mais recentes cartões KTP são de plástico e digitais, mas que os cartões mais antigos poderiam ter sido falsificados com bastante facilidade."O cartão, de tipo antigo, só era laminado pelo que poderia facilmente ter sido cortado, aberto e a fotografia ser mudada", disse Sambuaga.
Quando o Presidente Ramos-Horta regressou a Timor-Leste, em Abril, após dois meses de recuperação em Darwin, Austrália, acusou a estação indonésia de televisão Metro TV de ter dado a Reinado e aos rebeldes documentos de viagem, durante o contrabando de fronteira em 2007, para dar uma entrevista televisiva.
A Metro TV tem negado qualquer actividade ilegal e Ramos-Horta cessou as acusações, embora esta última revelação possa vir a renovar as especulações.
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A minha opinião e sonho de muitos timorenses, um laivo de romantismo talvez , é que a Ilha deveria ser um único Timor. Exactamente do jeito como foi descoberta pelos portugueses... Isso, a ser viabilizado, demorará muitos anos mas seria a solução para muitos problemas.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Katuas

Nos últimos seis Encontros dos Expedicionários a Timor não estive presente. Talvez esteja, no próximo em 2009...
Não obstante, consegui duas fotos do evento deste ano que se realizou na cidade de Coimbra (Portugal) no pretérito dia 1 de Junho. Tem muita cara conhecida aí e até a velha kakatua...

sexta-feira, agosto 22, 2008

Évora e Évora

Há uns anos atrás, quando efervescia a violência em Timor, ainda sob o domínio indonésio, havia grande movimentação por esse Mundo fóra, inclusivamente no Brasil. Tendo-me ligado a alguns núcleos com o intuito de haver um grito mais forte, certo dia recebi um telefonema de uma rádio estatal ligada à cultura. Queriam algumas informações sobre a minha vivência naquele território e opiniões sobre a situação.
A certa altura do diálogo, o director da rádio perguntou-me sobre a minha origem, tendo-lhe respondido ser de Évora (na verdade sou de Estremoz, mas sempre me refiro a Évora como minha cidade por lá ter passado toda a minha adolescência) e aí ele fez a maior confusão porque, na verdade, com esse nome só conhecia Cesária Évora, a grande cantora cabo-verdiana. Suou-me muito estranho isso, em se tratando de uma rádio cultural...
Agora temos Nelson Évora o atleta que acaba de conquistar para Portugal uma medalha de ouro no atletismo olímpico. É português, mas nasceu em Cabo Verde e, possívelmente pertence à família da grande diva Cesária (?).
Assim, Évora vai tendo o seu nome cada vez mais difundido pelo Mundo. Porém, é interessante que todos se lembrem ou venham a conhecer a cidade que tem o seu nome ligado a todos os eventos da história de Portugal e não só.

sexta-feira, junho 20, 2008

Dilema

A candidatura de José Ramos-Horta a um cargo das Nações Unidas encerra oportunidades e riscos tanto para o chefe de Estado como para Timor-Leste, segundo opiniões recolhidas pela agência Lusa em Díli.
Familiares de José Ramos-Horta, políticos timorenses e algumas figuras internacionais têm dado o seu conselho ao chefe de Estado sobre candidatar-se ou não a Alto Comissário das Nações Unidas para os DireitosHumanos (ACNUDH). Para o próprio Presidente, a decisão está a ser "um grande dilema", conforme José Ramos-Horta confessou esta semana aos jornalistas.
No círculo familiar e de amigos, os testemunhos recolhidos pela Lusa apontam para uma opinião favorável à ida de José Ramos-Horta para Genebra, sede doACNUDH. "Está na altura de o Presidente pensar um bocadinho nele, sobretudo depois do que se passou em Fevereiro", resumiu uma fonte próxima do chefe deEstado. A 11 de Fevereiro, José Ramos-Horta foi atingido com três tiros num ataque àsua residência em Díli e ficou dois meses convalescendo em Darwin (Austrália), antes de regressar a Timor-Leste a 17 de Abril para reassumir funções.
Um dos homens ouvidos por José Ramos-Horta foi o brigadeiro-general TaurMatan Ruak, chefe de Estado-Maior-general das Falintil-Forças de Defesa deTimor-Leste (F-FDTL). "A qualquer timorense, primeiro é Timor e depois o mundo. Mas a decisão é dosenhor Presidente", resumiu o comandante timorense numa entrevista recente à Lusa. "Ele não é um homem apenas de Timor, é sobretudo um homem com estatuto internacional. Ele sabe-o bem", explicou Taur Matan Ruak, sem desvendar o conselho que deu ao chefe de Estado. "Para nós, os timorenses, estamos com ele qualquer que seja a decisão", acrescentou, fazendo eco de uma posição ouvida pela Lusa de outros líderes timorenses.
José Ramos-Horta está consciente dos desafios e riscos de "um cargo muito difícil e ingrato", se decidir candidatar-se e se for escolhido, segundo admitiu à imprensa. O chefe de Estado timorense pensa, também, que tem o perfil exacto para o cargo, ao referir que "o ACNUDH não deve ser ocupado por alguém que seja apenas jurista. Deve ser para alguém com experiência política e diplomática".
Segundo os comentários recolhidos pela Lusa, a opinião prevalecente entre os pares políticos de José Ramos-Horta é que a saída do chefe de Estado deixa Timor-Leste numa situação de fragilidade institucional. O próprio Presidente explicou que a sua escolha seria mais fácil "se o país estivesse cem por cento estável e (o Presidente da República) não fizesse tanta falta". "Não é claro que a comunidade internacional entenda a saída de Ramos-Horta nesta altura, quase no início do mandato e retirando, com isso, um factor essencial de estabilidade política", afirmou à Lusa um responsável internacional há mais de duas décadas envolvido com o processo timorense. "Também não vejo que o cargo em Genebra seja o que melhor serve as ambições para mais altos voos, que o Presidente continua a ter", acrescentou a mesma fonte, referindo-se a uma eventual candidatura de Ramos-Horta a secretário-geral da ONU, em 2012. "O que melhor serve esse sonho é um desempenho eficaz como chefe de Estado, concluindo a transição da crise de 2006", declarou."Genebra, ao ser um cargo de intercepção de grandes divergências internacionais, por exemplo entre os EUA, a Europa e a China, pode tornar-sea muito curto prazo uma armadilha para Ramos-Horta", comentou ainda a mesmafonte, que conhece o Nobel da Paz timorense desde os anos 1990.
Um elemento das Nações Unidas em Díli, familiarizado com o ACNUDH e com oprocesso de selecção, analisa a escolha do sucessor de Louise Arbour como "uma decisão apenas política dos Estados". "Tudo está nas mãos dos Estados que propõem os candidatos e naquilo que pensam conseguir", explicou a mesma fonte. Este responsável da ONU desvaloriza, por isso, o eventual impacto negativo, na candidatura a Genebra, de um decreto presidencial que colocou em liberdade vários condenados por crimes contra a humanidade. "Infelizmente para o mandato do ACNUDH, as pessoas que poderiam incomodar-se com este perdão presidencial não são aquelas que influenciarão, no fim do dia, a escolha em Nova Iorque", declarou ainda a fonte da ONU.
José Ramos-Horta referiu que o seu nome tem o apoio de "muitos países, grandes e pequenos", citando apenas a Austrália, "porque isso já veio na imprensa" mas referindo capitais como Washington.
Fontes das Nações Unidas confirmaram à Lusa que o nome de José Ramos-Horta foi avançado em primeiro lugar pelos Estados Unidos. A insistência de Washington e Camberra na candidatura de Ramos-Horta levanta, aliás, suspeitas entre alguns dos colaboradores do Presidente. "Talvez o queiram em Genebra como forma de se ver livres dele em Díli", resumiu um assessor do chefe de Estado, sugerindo que José Ramos-Horta é visto como um obstáculo aos interesses americanos e australianos em Timor-Leste.
Mesmo que José Ramos-Horta aceite candidatar-se ao ACNUDH, após uma conversa telefónica com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, existe apossibilidade "forte" de não vir a ser escolhido, notam fontes internacionais em Díli. "Isso seria a pior situação de todas para José Ramos-Horta. Um chefe de Estado não pode correr para perder", concluiu um seu amigo estrangeiro que conhece bem a realidade timorense.

sábado, abril 26, 2008

XXXIX ENCONTRO DOS EXPEDICIONÁRIOS A TIMOR

Dias 31 de Maio e 1 de Junho de 2008
Local – Escola Superior Agrária de Coimbra
Comissão Organizadora – Rua Cabral Antunes, Lt 6 – 2º. Dtº. 3030-390 - Coimbra
Contactos – António Quitério – +351+939 905 958, Fernando Lopes – +351+966 660 456
Coordenadas p/GPS – 40º-12´-51´´Norte; 08º-27´-03´´Oeste
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Katuas,
Mais um ano se passou e aí temos à porta o nosso encontro anual que se irá realizar em Coimbra, mais precisamente na ESAC, onde a Organização terá a honra e o prazer de vos receber, nos dias 31 de Maio e 1 de Junho do corrente ano, para juntos podermos recordar os bons velhos tempos passados nas terras do crocodilo, onde o sol ao nascer as vê primeiro.
Para os que nunca faltam aos encontros, só temos uma coisa para lhes dizer: tragam outro katuas, pois estes encontros já não são mera tradição, mas sim a obrigação de estreitar as amizades vindas de longe.
PROGRAMA
SÁBADO 31 de Maio:
14 hrs – Recepção aos Katuas
15 hrs – Visita turística a Coimbra
18 hrs – Oferta da Organização: - Caldo Verde, Sardinhas, Febras, Broa, Vinho Branco ou Tinto.
Pela noite dentro – Conjunto musical “Ex-Libris”; Fados de Coimbra (Grupo de Fados de Coimbra Aeminium.
DOMINGO 1 de Junho:
09 hrs – Alvorada
09, 30 hrs – Içar da Bandeira
10,30 hrs - Missa
Confraternização, e Folclore Timorense
12 hrs – Almoço para quem trouxer farnel, e Refeitório onde se pode comer: (Filetes com arroz ou Feijoada à Agrária e Sobremesa

sábado, abril 12, 2008

E TIMOR NÃO ACORDA

Já aqui escrevi algumas vezes a respeito das dúvidas que sustento sobre a real capacidade e interesses das lideranças timorenses. Não gosto de ser repetitivo quanto ao tema, mas há momentos em que sou forçado a bater na mesma tecla.
Ramos Horta nunca me transmitiu confiança em termos de capacidade para ocupar o cargo de Presidente da república timorense. Mesmo que no cargo desempenhe as funções qual rainha da Inglaterra, é sabido que tem poderes decisórios ao abrigo da Constituição. É um homem "fraco" para agir com decisões fortes. É um homem bom mas um dirigente fraco.
Xanana Gusmão é mais perspicaz e não tão ingénuo, ou nada ingénuo. Não confio nele quanto à salvaguarda dos naturais interesses de Timor Leste, ou mesmo na luta por eles. Vejo-o muito abrigado na sombra dos cangurús...
Nada de corridas às armas porque isso só leva o povo timorense a mais e enormes sofrimentos. Mas esse Povo, através de representantes e lideranças outras, tem que começar a movimentar-se nesse atoleiro em que se encontra para alcançar chão firme onde possa caminhar tomando o rumo das urnas em próximas eleições gerais, de preferência antecipadas. Resguardado pelas forças internacionais (não hipócritas), terá que iniciar um ciclo de mais acentuada e madura politização e de discussão dos problemas e ocorrências que amiúde ressaltam.
Uma das maiores empreitadas é fazer todo o possível e o impossível para escancarar as cortinas desse teatro que encenou os atentados aos altos dignatários dos timorenses. Se Ramos Horta agora aventa insinuações sobre a participação de milícias indonésias nos atentados e ilibe o governo daquele país, é de crer, in loco, que tem bases concretas que o fundamentam. Se assim colocadas as coisas e se isso tem alguma veracidade, acredita-se que a própria Indonésia estaria interessada em participar no aclareamento das dúvidas. Se, como diz Ramos Horta agora, os rebeldes Alfredo Reinaldo e Gastão Salsinha tinham apoio dos militares indonésios e fornecimento de material bélico por parte dos mesmos, sendo que esses militares agiam à revelia da instituição, não oficialmente portanto, é imperetrível uma reunião de alto nível dos governantes dos dois países.
As facilidades e protecção que a Austrália sempre ofereceu aos rebeldes, leva-nos a pensar que as autoridades deste país tinham conhecimento dos fornecimentos de material bélico e da sua proveniência. Haveria, então, um conluio entre as duas grandes potências vizinhas?! Repetem-se gestos de amizade e entendimento anteriores quando da ocupação? É difícil acreditar que o governo indonésio desconhecia a movimentação de alguns dos seus militares e das milícias, bem como de alguns cidadãos civis importantes, como, também, a "ignorância" da Austrália sobre a situação.
Recorro ao título de crónica anterior como frase final desta: Acorda Timor!

terça-feira, março 25, 2008

TIMOR --- SUBSÍDIOS PARA EDUCAÇÃO

Escolas do Timor adotam livro de pesquisador da Unicamp

Livro organizado por Jorge Fernando Hermida, ex-aluno de mestrado e doutorado da Unicamp, acaba de ser adotado pelo Timor Leste, para ser utilizado no programa de formação de professores do ensino infantil daquele país. A obra, intitulada Educação Infantil: Políticas e Fundamentos, reúne textos de 17 especialistas da Região Nordeste. A publicação integra um conjunto de ações culturais quem vem sendo desenvolvido em várias cidades brasileiras sob o patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil. A iniciativa consiste na promoção de palestras, oficinas e seminários gratuitos dirigidos a professores de educação infantil da rede pública de ensino. Perto de 3,5 mil pessoas já foram beneficiadas pelo projeto. O livro foi publicado pela editora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde Hermida é professor. De acordo com ele, esta é a primeira vez que uma obra editada pela UFPB é adotada oficialmente por outro.
Nós ficamos muito felizes com a notícia. Penso que estamos cumprindo com a nossa função social ao colaborar para a reconstrução do Timor Leste, afirma. O docente conta que a publicação nasceu a partir de um projeto idealizado por ele. Este, por sua vez, participou de um edital lançado pelo Banco do Nordeste do Brasil voltado ao financiamento de ações culturais.
Fomos contemplados entre mais de 2.200 propostas, lembra. A contrapartida a ser oferecida era a realização de atividades dirigidas a professores de educação infantil da rede pública, com a conseqüente doação do livro. Conforme Hermida, as palestras, seminários e oficinas já foram realizados em cerca de 20 cidades dos estados do Piauí, Tocantins, Maranhão, Pernambuco, Paraíba e Santa Catarina. Cada participante recebe um certificado emitido pela Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da UFPB.
Aqui no Brasil, os resultados têm sido excelentes. Os professores estão gostando muito da nossa proposta. Temos tido a chance de oferecer o que as políticas governamentais não oferecem, como subsídios teóricos e metodológicos para melhorar a educação no país, analisa o docente. Entre os temas abordados nas atividades que constituem o programa está a importância do jogo e da brincadeira no processo de aprendizado. Quando deixa o ambiente doméstico e chega à escola, a criança troca uma situação de liberdade e permissividade por um espaço limitado, a sala de aula, onde ficará presa a uma carteira. Além disso, ainda existe a máxima de que, para aprender, ela tem que ficar calada, apenas ouvindo. Nós queremos resgatar a natureza lúdica da criança, por entender que esse é um período importante na vida de uma pessoa. Por que não respeitar a natureza humana para basear uma proposta pedagógica?, questiona Hermida.
A expectativa do professor da UFPB, assim como a dos demais autores, é que o livro possa deflagrar uma ação semelhante no Timor Leste. Hermida relata que a obra chegou até o conhecimento das autoridades daquele país por intermédio de Everaldo José Freire, um dos participantes da coletânea e professor-colaborador na nação do Sudeste Asiático. Assim que o livro chegou por lá, o Ministério da Educação ficou interessado em adotá-lo para o curso de formação de professores de educação infantil. Inicialmente, entretanto, a Pasta queria uma autorização para tirar cópias. Com o avanço dos entendimentos, surgiu a oportunidade de realizarmos um programa mais amplo, nos moldes do que executamos no Brasil, explica Hermida.
A primeira medida do docente foi procurar a Reitoria da UFPB, para falar da importância desse tipo de colaboração, que tem caráter eminentemente humanitário. Graças ao apoio do reitor Rômulo Soares Polari, firmamos um convênio com o Timor Leste. A partir dele, ficou estabelecido que o Banco do Nordeste do Brasil editará mais mil livros para serem doados àquele país. A editora da UFPB também doará três exemplares de cada título publicado por ela, o que soma cerca de 4 mil volumes. Adicionalmente, estamos iniciando entendimentos com o Ministério da Educação do Brasil para facilitarmos o intercâmbio entre alunos brasileiros e timorenses de pós-graduação, enumera.
Como o livro foi escrito a partir de experiências brasileiras, Hermida admite que a obra talvez tenha que sofrer adaptações para ser utilizada no programa de formação de professores de educação infantil do Timor Leste. Obviamente, quando tocamos no aspecto político da educação, falamos de casos genuinamente brasileiros. Entretanto, muitos pontos são comuns aos dois países. Quando abordamos o tema do direito à educação ou quando refletimos sobre a educação infantil na pós-modernidade, estamos raciocinando sobre assuntos mais gerais. Na opinião do ex-aluno de pós-graduação da Unicamp, tanto aqui quanto lá existe uma preocupação acerca do tipo de cidadão que se pretende formar, para que tipo de sociedade e com quais valores.
O convênio com o Timor Leste, continua o professor Hermida, tem tudo para virar uma agradável bola de neve. Ele revela que está em contato com uma organização não-governamental que pretende verter o livro para o inglês. Há, ainda, o desejo de que a obra também possa vir a ser traduzida para o tétum, idioma predominante em Timor Leste. Como essas possibilidades são reais, já estamos formatando uma nova publicação, também voltada para a educação infantil, reunindo autores brasileiros e timorenses, adianta.
Hermida é uruguaio naturalizado brasileiro. Ele realizou o mestrado em Educação Física e o doutorado em Educação na Unicamp. Ainda hoje, colabora com o Grupo de Estudos e Pesquisas em Filosofia da Educação (Paidéia), vinculado à Faculdade de Educação (FE). Atualmente, é membro do Programa de Pós-graduação em Educação da UFPB e do Programa Associado de Pós-graduação em Educação Física UPE/UFPB. A Unicamp foi e continua sendo muito importante na minha formação. Na Faculdade de Educação, vivi experiências enriquecedoras, afirma.
O docente espera embarcar em maio para o Timor Leste, para participar pessoalmente de algumas das ações do programa de formação de professores local, já tendo o livro organizado por ele como um dos materiais pedagógicos.

quinta-feira, março 20, 2008

REESCREVENDO A HISTÓRIA - II

(…) Os descolonizadores estavam tão ocupados com a Guiné, Angola e Moçambique que quase se esqueceram de Timor. Mas em Julho de 1974, o lugar-tenente de Mário Soares visita Timor e é surpreendido por um portuguesismo quase fanático. Aquela população era uma miscelânea de povos, cada um com a sua língua e os seus costumes próprios. O que os une, permitindo-lhes viver em paz, é a veneração que nutrem pela Bandeira Portuguesa e por Portugal. Almeida Santos confessa que ficou estarrecido com a devoção daquelas gentes a Portugal. Ainda em Timor, em Julho de 1974, numa conferência de Imprensa, afirmou: “para além dos programas políticos, o que conta são as realidades humanas, e a realidade humana de Timor, que eu pude testemunhar e que os senhores também puderam testemunhar é que existe aqui muito vivo o sentimento de respeito e amor a Portugal. É um fenómeno sociológico que me parece que sai fora das regras normais da sociologia política”.
E Almeida Santos acrescentaria mais tarde que “os timorenses não querem ser descolonizados pela simples razão de que não se sentem colonizados”. Perante a hipótese de uma descolonização recebeu como resposta das forças-vivas de Timor “a nossa resposta ao problema da descolonização é que o que nós precisamos é de mais cultura, mais saúde, mais desenvolvimento agro-pecuário, mais tractores, mais comunicações e mais indústrias”.
O desenvolvimento que teve lugar nos territórios onde grassara a guerra desde 1961, não se verificou em Timor. O pequeno território não foi objecto da cobiça dos imperialistas. Aos EUA agradava o seu actual estatuto e à URSS o seu potencial estratégico ou geo-estratégico não justificava o seu envolvimento, mesmo indirecto.
No acto de posse do novo Governador, ao tempo, Ten-Coronel Lemos Pires, o Ministro Almeida Santos afirmaria:
“Prepare-se V. Ex.ª para o mais espantoso fenómeno de dedicação a Portugal. Quando de lá regressei, rendido a essa heterodoxa sociologia de divinização da Bandeira Portuguesa, que venceu o tempo, a distância e o universalismo político, alguns me terão julgado possesso de romantismo caduco ou de heroicismo carlyleano. Não se trata disso. Apenas relatei, entre atónito e emocionado, factos que sem defesa possível emocionam e espantam”.
Esta era a atitude de Almeida Santos que correspondia à vontade dos timorenses, expressa não em votos, mas em actos e sentimentos. Mas Mário Soares, que de tudo sabe e jamais disse a qualquer questão “Não sei”, e “profundo conhecedor da realidade timorense”, reagiu negativamente à posição do seu lugar-tenente, acabando por afirmar: “É necessário convencer o mundo da intenção sincera de Portugal de abandonar as suas colónias. Manter diversos laços entre os territórios e a Metrópole conduziriam, a meu ver, a formas de neo-colonialismo larvar, que o governo português rejeita em bloco. Nós comprometemo-nos com um trabalho histórico”.
Esta posição do “patrão” da descolonização coloca em xeque a opinião de Almeida Santos que, com o seu grande à-vontade e discernimento, rapidamente faz agulha, acabando por afirmar: “Que independência está em dúvida? Nenhuma. Apenas a de Timor não tem ainda data. Mas tê-la-á em breve”.
Nada havia a fazer. O rei da descolonização não poderia hesitar pois, mo fim, era o seu ego que estava em causa. Para subir ao mais alto pedestal na nova plêiade dos políticos portugueses, teria de começar por realizar algo que o imortalizasse e provasse à sociedade a sua enorme capacidade intelectual, cultural e, principalmente, a sede de poder. (…)
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(…) antes do Ten-Coronel Lemos Pires e do seu grupo de colaboradores ter chegado a Timor, se deu a entrega da Guiné ao PAIGC, o que significou ser o autor moral do fuzilamento de milhares de guineenses; que o então Ministro dos Negócios Estrangeiros (Mário Soares) andou aos abraços a Samora Machel, quando os soldados das nossas FA continuavam a lutar e a morrer na província (Moçambique) em defesa das suas populações; (…)
Trechos do livro "25 de Abril de 1974 --- A Revolução da Perfídia"
Editora Prefácio. 2008

Autor: General Silva Cardoso

Alto Comissário de Angola (1975). Governo Mário Soares.

Ex Presidente do Supremo Tribunal Militar.

segunda-feira, março 17, 2008

AO DESTINATÁRIO COM CARINHO

De Cavaco Silva para Ramos Horta

"Espero que, em breve, possa regressar a Timor e reassumir a chefia do Estado", escreve o Presidente português na carta dirigida ao seu homólogo timorense e que foi acompanhada por uma garrafa de vinho do Porto de 1949, ano do nascimento de José Ramos-Horta, e pastéis de Belém."Envio-lhe, caro amigo, um contributo para reforço do seu ânimo e prazer do paladar: um Porto de 1949 (ano da sua graça) e pastéis de Belém", adianta ainda Cavaco Silva.
Um vôo de Lisboa a Darwin, com as escalas que forçosamente terá que fazer, não se completará em menos de 20 horas. Acreditando que tenha sido um vôo comercial e presumindo ter havido baldeações, enfim, deve ter demorado ainda mais.
O vinho do Porto com 59 anos de idade, certamente que se trata de um “vintage” e, por isso, poderá manter a sua qualidade inalterada por muito mais tempo. Quanto aos pasteis de Belém...
Em 1968, contava eu seis meses de permanência em Timor, numa das terças-feiras em que recebíamos correspondência através do Serviço Postal Militar (SPM 0036 era o meu endereço...), chegou uma encomenda entre algumas cartas. O conteúdo das cartas já me causava ansiedade e curiosidade; uma encomenda, então, nem se fala. Aquela era remetida pela minha única tia que me considerou sempre como o filho que nunca teve e eu, recìprocamente, a considerava como minha segunda mãe.
A maioria dos meus camaradas abria a correspondência ali mesmo, no SPM de Taibesse. Via as suas expressões de alegria ou tristeza à medida que liam as cartas e acompanhava a troca de idéias entre uns e outros durante o tempo em que esperava a minha vez. Eu levava tudo para abrir em casa, pois morava a cem metros dali, no Bairro dos Sargentos.
Sem sombra de dúvidas que a primeira coisa a ser aberta foi a encomenda. O papel primeiro e depois aquela pequena caixa de papelão. Lembro-me como se fosse hoje que fiquei olhando, incrédulo, para aquele bife empanado...
Por incrível que pareça, não estava putrefacto! Não tinha qualquer cheiro desagradável e até parecia fresco. Claro que o joguei no lixo. Porém, não tive a “obrigação” de explicar aos meus camaradas o motivo da sequência das minhas expressões: ansiedade, perplexidade, acabrunhamento, desânimo, compreensão...

segunda-feira, março 03, 2008

REESCREVENDO A HISTÓRIA

Carta do Bispo de Dili à viúva do Ten-Coronel Maggiolo Gouveia
Há muito que me pesam no coração a dolorosa ansiedade e a cruel angústia de V.Exª. e de todos quantos têm, em Timor, os seus entes queridos e têm estado sem notícias deles. Por S. Exª. Revª. o Pró-Núncio Apostólico em Jacarta, sei, agora, que V. Exª. vive mergulhada em grande aflição e tristeza por absoluta falta de notícias e que pediu à Santa Sé informações sobre a situação do seu extremoso marido. É mais uma falta da minha parte. Mas, como compreenderá, nem sempre é possível escrever em pleno fragor da guerra. A vida começa, agora, tanto quanto é possível, a normalizar-se na cidade de Díli e nalgumas vilas da Província e, por isso, apresso-me a escrever-lhe esta carta, através da mesma Nunciatura em Jacarta que, espero, a fará chegar à mãos de V. Exª..
Durante o período da guerra, como V. Exª sabe, tenho acompanhado, mais ou menos de perto, directa ou indirectamente, a sorte dos nossos queridos prisioneiros e, por isso, a do seu Exmº Marido e meu caríssimo amigo Tenente-Coronel Maggiolo Gouveia. Particularmente assisti-lhe com assiduidade, quando ele baixou ao hospital sem gravidade, mas onde se manteve até ao dia 7 de Dezembro de 1975. Nesta data, a FRETILIN levou, para Aileu, todos os doentes presos, como aliás todos os seus prisioneiros, detidos em Díli, que andariam à volta de uns 800. (1)
Foi, então, que perdemos o contacto com os presos. Todos nós sentíamos a sensação de nos encontrarmos num túnel de curva fechada e vivíamos horas cheias de angústia, situações de terror e como de contínuo suspensos sobre o abismo da morte. Deus e só Deus, era a nossa esperança: ao coração d’Ele fazíamos e continuamos a fazer insistente violência.
Só agora, - e já vão sete meses de guerra – começa a raiar esquivamente a aurora de possíveis dias de paz: começa a haver tranquilidade e confiança e a vida está a voltar à normalidade. E, também, só agora, estão chegando daqui e dali, do interior da Província, notícias do que por lá se passou. Estão aparecendo alguns prisioneiros levados pela FRETILIN, mas são muito poucos, os suficientes, porém, para por eles se saber os que não mais voltarão, porque foram mortos pelas forças comunistas. E entre estes que não mais voltarão, porque seguiram rumo à Casa do Pai do Céu, está o nosso querido Tenente-Coronel Maggiolo Gouveia: fez parte de mais de mil prisioneiros executados pela FRETILIN, no altar do ódio a Deus, à Família e à Pátria.
É deveras dolorosa esta minha missão de lhe anunciar que Seu extremoso marido não pertence já ao número dos vivos “neste vale de lágrimas”, deu a sua vida pela fé e pela Pátria, morreu como um autêntico cristão, como um homem inteiriço, como um militar da têmpera desses militares de antanho, que são o orgulho e exemplo da nossa gloriosa História. É natural, minha Senhora, que o seu coração de esposa sangre de dor e que a Sua alma mergulhe na tristeza mais atroz; mas quando um homem morre como o seu marido morreu, herói da fé e da Pátria, é mais motivo para dar graças a Deus e honrar-se em tal morte do que para lamentações e lutos (...)
A execução devia ter sido entre 9 e 15 de Dezembro de 75. Neste momento, ainda não me é possível averiguar a data exacta. (1). Sei apenas, como atrás disse, que todos os presos tinham sido levados de Díli para Aileu, em condições das mais desumanas. (2) Em dia que não consegui ainda precisar, mandaram reunir todos os presos, como era rotina, e foi feita a chamada de cerca de 50 a 60 homens, incluindo o nome de Maggiolo Gouveia, que sucessivamente iam alinhando no terraço. A este grupo, escoltado pela milícia armada, como era hábito, foi dada ordem de marcha em relação à estrada Aileu-Maubisse. Chegados aqui, e percorridos uns metros de estrada, soou a voz de “alto” e o grupo parou e viu-se próximo de uma grande vala, previamente aberta ao lado da estrada. É-lhes, então, dito que todos vão, ali, ser fuzilados. Há um momento de consternação e estremecimento colectivos. As milícias põem a arma à cara: e é então que o Tenente-Coronel Maggiolo Gouveia levanta a voz e diz: “Senhores, deixem-nos rezar.” E todo o grupo, de joelhos em terra, reza o terço a Nossa Senhora, dirigido pelo Tenente-Coronel Maggiolo Gouveia. Terminado este e estando todos ainda de joelhos, encoraja e anima os seus companheiros “condenados à morte” e termina dizendo: “Irmãos, breve vamos comparecer na presença de Deus e Pai; façamos o nosso acto de contrição, o nosso acto de amor”. E, em silêncio, intercortado de lágrimas, os corações daqueles homens sobem a Deus para pedir... para lembrar..., e dizer... aquilo de que, naquela hora verdadeira, Deus é o único testemunho. Depois, o Tenente-Coronel põe-se de pé, sendo seguido neste gesto pelos seus companheiros, e dirige-se aos soldados-algozes nestes termos: “Irmãos, nós estamos já preparados para comparecer no Tribunal de Deus, lá vos esperamos também a vós. O meu único crime foi o de não renegar a minha fé e o de amar Timor. Morro por Timor. Morro pela minha Pátria e pela minha fé católica. Podeis disparar”. Evidentemente, os soldados timorenses ficam como que petrificados. Não se movem, nem se atrevem a pôr arma à cara. É um estrangeiro que rompe o silêncio nestes primeiros instantes e quebra a indecisão daqueles soldados nativos: põe ele a arma à cara e dispara contra o Tenente-Coronel Maggiolo. E, logo a seguir, todos os outros soldados fazem o mesmo, abatendo, com rajadas sucessivas, todos os presos. (Esta narrativa – quero que o saiba, minha Senhora – ouvi-a da boca de um dos presos de Aileu, o Administrador de Concelho de Maubisse, Lúcio da Encarnação, que a ouviu, por sua vez, dos próprios soldados algozes e que, ao fim, foi salvo pelas milícias de Ainaro).
Assim morrem os heróis. Assim morreu o Tenente-Coronel Alberto Maggiolo Gouveia. E quem assim morre, é orgulho para os pais, para a esposa, para os filhos e para a Pátria; e desta forma, não é a morte que coroa a vida, é a glória eterna em Deus, que sublima a morte. E mais vale morrer com glória do que viver com desonra – eram desta têmpera os portugueses de antanho. – Foi a ideia-força na vida deste Homem, deste Cristão e deste Oficial do Exército Português, de Maggiolo Gouveia. Se, como piedosamente cremos, ele continua a viver no Céu, junto de Deus, também viverá no coração dos timorenses, enquanto a memória dos homens não se desvanecer. Desculpe, minha Senhora, fui muito extenso e não disse tudo, mas penso que seria esta a melhor forma de mitigar a sua grande dor, de pedir-lhe que tenha coragem na vida para vencer até ao fim, onde o encontrará, e de exortá-la à confiança em Deus, que é o melhor dos pais e que, assim, a começa a preparar para “esse encontro” na meta final da vida.
Aqui vão, Senhora D. Maria Natália, para V. Exª., para os seus filhos e para a demais família, as minhas profundas condolências e a expressão da minha comunhão de orações de sufrágio, com os meus sentimentos de religiosa estima e muita consideração.
De Vossa Excelência, servo inútil em Cristo
Em 10 de Março de 1976
José Joaquim Ribeiro
Bispo de Díli
Notas:
(1) No aspecto legal, o Tribunal Judicial de Abrantes considerou a sua morte presumida em 8-12-75, sendo esta data publicada na Ordem do Exército.
Entretanto, através de fontes ligados a D. Ximenes Belo à Igreja Católica, veio a confirmar-se o fuzilamento de Maggiolo Gouveia e dos seus companheiros na antevéspera do Natal de 1975, e tal como referi anteriormente, ordenado pelo comité central da FRETILIN, ao qual pertencia Xanana Gusmão.
(2) Recortada a notícia de Maggiolo Gouveia ter feito o percurso a pé, carregando um cunhete de munições.
Do Livro "Timor -- Abandono e Tragédia"
Dos autores
Cor. Morais Silva e Manuel Amaro Bernardo

sábado, fevereiro 23, 2008

ARGUEIRO NOS OLHOS DE TIMOR

«Os australianos devem partir de Timor» declararam responsáveis timorenses do Campo de Deslocados do Aeroporto, situado às portas de Díli, que conta com mais de 4600 habitantes. A GNR portuguesa é a única força que respeita os timorenses, afirmam os mesmos responáveis.
A tensão entre os Deslocados timorenses do Campo do Aeroporto e as forças australianas aumentou em 2007 quando um blindado do exército australiano da «Stabilisation Force» em Timor Leste entrou no Campo, em 23 de Março de 2007, depois de ter destruído a barreira de limite do recinto, abrindo fogo contra os deslocados provocando a morte de dois residentes e ferindo gravemente um terceiro. A 31 de Outubro, do mesmo ano, um novo incidente é denunciado pelos Deslocados que afirmam que os militares australianos abriram fogo, sem razão aparente, ferindo gravemente um residente.
Os dois incidentes provocaram um mal-estar entre os Deslocados e as forças australianas presentes em Timor Leste, composta por 1200 militares, dos quais 200 da Nova Zelândia, e 70 polícias.
Gestos obscenos e sinais com a mão de ameaça de «cortarem cabeças» são constantes das forças australianas quando patrulham os campos, confirmaram os Refugiados. Durante a noite alguns blindados australianos circundam os campos, enquanto helicópteros das mesmas forças sobrevoam continuamente a capital Díli.
«Se os australianos tentarem entrar aqui vamos os receber com pedras» disse um jovem timorense do mesmo campo. «Os únicos militares que são bem vindos são os da GNR de Portugal» afirma o chefe do campo que considera os portugueses como os únicos que respeitam os timorenses. «Quando temos problemas só queremos a GNR» prossegue o mesmo responsável perante sinais de concordância de vários jovens.
Condensado do Jornal Digital (http://jornaldigital.com/

As acusações são gravíssimas. Todavia, para mim isso não me causa muita estranheza e sempre tenho publicado aqui o que penso sobre a Austrália com relação a Timor. O ventos que de lá sopram não são bons e, pelo passado não muito logínquo, durante a Segunda Grande Guerra, deveria existir reconhecimento e gratidão, pois os timorenses ofereceram grande resistência à invasão japonesa e aquele país beneficiou-se disso. Os grandes interesses económicos sobrepõem-se à moralidade. As forças da ONU ali estacionadas se constituídas com uma maioria arregimentada nos países dos PALOP, principalmente Portugal e Brasil, dariam um rumo muito diferente à consolidação de Timor.