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segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Nú e crú (2)

Uma vez pensei em pedir a alguém que filmasse um dia da rotina da minha ocupação profissional actual. Muitas oportunidades eu deixei passar em ocupações anteriores e, agora, não tem volta...
Esta oportunidade surgiu agora quando da visita a Campinas de um dos meus filhos residente em Portugal. Juntou-se o meu desejo de ter uma recordação e testemunho, ao facto desse meu filho ter o mesmo gosto do pai: registar em imagens tudo o que vislumbre e ache ser digno de registo. Uma maneira, também, de mostrar aos que da nossa família lá vivem e desconhecem certos detalhes interessantes que vão além da ideia básica.
Pela limitação de recursos, uma vez que usou a filmadora do telefone celular (telemóvel), o filme ficou muito bom. Reconheço que contribuíu para o sucesso, a sua capacidade e gosto pela arte. Tudo ficou a preceito e os meus leitores podem certificar-se disso vendo o vídeo abaixo nesta página. Esse é o trabalho do meu Fellini...
O que escrevi até aqui é um alinhavo e não pròpriamente a costura da matéria de hoje, pois esta alavanca-se noutro fulcro.
Dos meus amigos virtuais, cibernéticos, pouquíssimos sabem da minha actividade profissional e até mesmo muitos pensarão que eu sou um ancião aposentado de bem com a vida; um doutor ou mais sei lá o quê numa dessas escalas burras de valores. Culpa minha que, sem motivo, não me abro tanto e culpa dos que nada me perguntaram, pois eu sou na realidade um livro aberto. Na verdade, nestes contactos na internet a limitação é a troca de simples e-mails com pps e vídeos ou curtas mensagens pessoais sem muitos agregados. E para quem tem mais de 200 desses amigos já nem tudo isso se observa em relação a todos. Li algures não sei onde, que a nossa memória não retém mais que 150...
Quando recebi já editado o vídeo, postado também no Youtube (decisão do filho...), encaminhei-o a umas dez pessoas mais chegadas a mim. Porém, mais tarde resolvi enviá-lo a todos e assim o fiz com esta mensagem introdutória:
"Aqueles para quem eu já enviei por outros meios, desprezem este e-mail.
Aqui estou enviando para a maioria dos meus amigos e amigas o link de um vídeo do Youtube. Esse é o meu passatempo diário. É uma forma de me dar a conhecer melhor quando compartilho estes detalhes com vocês. Aqui, como sempre, não existem segredos.
Beijos para elas e abraços para eles."
Recebi muitos e-mails por causa desse vídeo. Uns com rasgados elogios, outros com uma pitada de gozação e outros ainda com demonstração de surpresa e incredulidade. Um destes últimos dizia entre outras coisas:
"...Fiquei muito admirada......não sabia que era feirante. Não leve a mal por o que vou dizer......aqui em Portugal, feirante é analfabeto ou semi-analfabeto".
Conheço bem Portugal, como não poderia deixar e ser. Conheço muitos que por lá fôram feirantes e que, ao contrário de mim, já se reformaram. Todos enriqueceram. Eu ainda não!... Certos tipos são englobados num todo. É o caso dos tendeiros. Estes parecem-se muito com o feirante daqui quando se trata do meu ramo de negócio. Mas é muito diferente na essência e chegam a ser rebaixados em relação aos ciganos. Reconheço que contribuem para essa discriminação.
O feirante aqui no Brasil jamais pode significar algo abaixo na escala de ocupações. Não só eu, mas muitos também têm curso superior e optaram por esta actividade que acaba por ser muito mais rentável que a profissão a que se refere o seu curso de 4 ou 5 anos perdidos... De que adianta eu ser gerente num setor de grande multinacional (como fui, entre outros cargos), ter que andar de terno e gravata, engolir sapos às vezes e ganhar infinitamente menos que o que ganho aqui, voltando mais cêdo para casa, andando de bermudas e senhor do meu nariz!? Só não tenho férias, mas isso faz parte...







domingo, novembro 08, 2009

Peão de obra

O governo andorrenho tinha adiantado esta manhã que o número de operários mortos no acidente de ontem tinha subido para cinco, escusando-se a confirmar a nacionalidade das vítimas. Horas depois, a secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas confirmou que todas as vítimas mortais são portuguesas e adiantou que os serviços têm estado em contacto com as empresas para as quais trabalhavam, a Ambicepol e a Unifor. As autoridades tentam encontrar a causa da derrocada da estrutura metálica, uma das maiores obras da região que estaria concluída no próximo ano.
O acidente deu-se na manhã de sábado, quando ruiu a ponte exterior que liga a estrada principal à boca do túnel de Dos Valires, que une as localidades de Encamp e La Massana.
O Sindicato da Construção do Norte garante que o acidente ocorreu devido a falhas na segurança.
Actualmente, são cerca de seis mil os portugueses que trabalham na construção civil em Andorra.

Este é um resumo das informações oficiais sobre o acidente do Principado de Andorra. Comentários específicos eu não poderei fazer, pois seria muita presunção da minha parte. As preocupações a respeito tenho-as, como todo o mundo, no que respeita aos possíveis erros técnicos ou políticos, uma vez que graves problemas nesses campos não se limitam a países do denominado terceiro mundo.
O que realmente eu quero comentar é a presente discriminação oficial que certos países insistem em implantar ou desenvolver. Lògicamente que andorrenhos natos, possívelmente ali nenhum se encontra trabalhando; devem ser franceses e espanhois os que lá estão e isso no nível da engenharia, coordenação e supervisão. No trabalho pesado, mesmo, são e serão sempre aqueles cidadãos, heroicos, que esses países tentam barrar…

domingo, fevereiro 15, 2009

Xenofobia e Racismo

O caso da brasileira Paula Oliveira na Suiça já se arrasta há uns poucos dias mas, como sempre, nunca abordo um assunto sem que a respeito do mesmo tenha detalhes concretos. Principalmente este que é melindroso e, a cada dia que passa, fica mais enrolado ou mais esclarecido, nadando assim em turvas águas.
É sempre de boa índole ter-mos alguns conhecimentos pessoais do caracter das pessoas e de lugares, o que nos dá um certo àvontade para chafurdar nesses mares de lama que é, ao que parece, no que se está transformando este caso.
O governo Brasileiro precipitou-se no primeiro momento, da mesma maneira que grupos de imigrantes brasileiros na Suiça e veículos da imprensa brasileira. Num segundo momento, a imprensa suíça deu grande destaque à reviravolta no caso Paula. Alguns jornais publicaram duros ataques. Acho eu que aqui também se caracteriza precipitação quando o que poderia ser simplesmente notícia passa a ser editorial ou opinião.
Um colunista do diário conservador "Neue Zürcher Zeitung", um dos maiores do país, acusa a imprensa brasileira de inventar fatos "regularmente" e afirma que o Brasil é um dos países mais racistas do mundo. Aqui fica em dúvida a seriedade deste órgão da imprensa, bem como de outros que seguem a mesma linha, pois que não mais se trata de opinião séria e sim de um fulcro para alavancagem de ações de grupos racistas.
O estado psicológico de Paula Oliveira é "grave e se tornou mais preocupante", segundo palavras do pai dela, Paulo Oliveira. Segundo ele, não há previsão de alta. Um dia após ter afirmado que acredita na versão da filha, Paulo fez ontem a primeira concessão em relação às suspeitas da polícia suíça."Em qualquer circunstância, a minha filha é vítima", disse ele.
Outro que está jogando lenha na fogueira, quando deveria ser o principal interessado em procurar colocar tudo no seu devido lugar, independentemente dos resultados que a verdade traga à tona. Porém, quanto a este senhor e aos seus métodos, a partir do momento que eu soube tratar-se de assessor de um dos nossos políticos, nada mais tenho a declarar...
O ponto crucial de toda esta trama, se é que se pode chamar assim, é saber, sem margem de uma única dúvida, se Paula estava grávida ou não no dia dos alegados factos. É tão simples assim. Claro que, além do que foi atestado pelos médicos suiços, outro exame deveria ser feito por equipe médica neutra. Perante a incontestabilidade dos resultados finais, partiríamos para o doa a quem doer.
Tenho razões para poder duvidar do que dizem os médicos do hospital suiço, uma vez que já fui vítima de tratamento indigno no Hospital Universitário de Génève no início da década de 90, não no que se refere à competência médica e à excelência das instalações, mas por declarações xenofóbicas de um cirurgião que, por sinal, era espanhol... Acusava-me ele da falta de pagamento pelo atendimento quando da urgência, no meu retorno para extração dos pontos e curativo. Ora, eu nem sabia que tinha que pagar algo e fi-lo de imediato antes de ele se pronunciar, quando do acesso à consulta. Ouvi tudo, impávido e sereno, mas escrevi-lhe depois uma bela carta em português castiço, pois não acharia os termos certos no espanhol ou francês. Quem jamais me reembolsou desse dinheiro foi a cidadã suiça para quem eu prestei serviços profissionais...
Já por algumas vezes aqui meti o pau nos suiços, principalmente quando eles escondem atrás da sua tão propalada neutralidade, actos abomináveis como o de grande fornecedor de minas anti-pessoais a grupos e países africanos, principalmente. Mas, pessoalmente, gosto da Suiça e do seu povo porque, mesmo com curta permanência por lá, conheci um pouco e me relacionei muito bem. Até uma das minhas primeiras namoradas, na adolescência, morava em Salavaux e ouvia as emissões diárias da Rádio Suiça Internacional...
Voltando a bater na tecla das dúvidas e sem querer entrar no mérito da questão com uma opinião final, direi que aquelas marcas que a moça tem no corpo não fôram feitas por ela; ela estaria num estado de subconsciência quando uma outra pessoa fez a arte com mão firme e sem que a tela vibrasse.
Certa vez, na década de 70, logo após o regresso do Ultramar, fui passar o dia no complexo de piscinas da cidade de Évora, em Portugal. Lá juntei-me a dois antigos amigos que também tinham regressado da guerra colonial. Tive oportunidade de assistir a uma mutilação mútua entre os dois, quando um fazia cortes nos braços do outro e vice versa, dando ambos risadas e sem manifestarem um único indício de dor. Acabaram os dois por receber atenção médica na enfermaria do local. Era o trauma de guerra do qual muitos hoje ainda sofrem.
Então, parece sempre haver um motivo para esse tipo de mutilação, seja ou não a vítima conivente. E quem sabe se o de Paula não era fortíssimo!?...

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Os Ingleses

Há muito, muito tempo, que não tenho o prazer de me deslocar até lá e gozar dos prazeres de uma praia; nem mesmo a visão de uma, pois os 200 km que me separam da mais próxima é muito caminho a galgar e o tempo, mais devido à falta dele do que propriamente ao espaço, não me permite esse deleite. Nessas horas de estafa que de mim se apoderam, como a qualquer um que há quase 9 anos não tem um dia de férias, vem aquele fiozinho de inveja que nutro pela minha grande amiga Dora, uma são paulina com assento cativo no meu coração; qualquer grilo que a incomode é motivo para descer a serra...
A ideia da praia não surgiu por causa da Dora, apesar de esta sempre estar ligada àquela... Surgiu, sim, pelo facto de ter sido a "Praia dos Ingleses" na bela cidade de Florianópolis, a última onde estive pegando um bronze e no rola rola com uma namoradinha. E, também, não tanto por isto ou pelas deliciosas peixadas da cozinha de cunho açoriano, mas pelo termo "Ingleses" que dá o nome àquele pedacinho de paraíso.
Se eu mandasse alguma coisa, mesmo que democráticamente eleito para o cargo, faria tudo para mudar o nome daquela praia, não importando qual o motivo do baptismo (não me darei, agora, ao trabalho de investigar), pois uma coisa não coaduna com a outra. Os ingleses são hostis, xenófobos, oportunistas e racistas. Não tenho muita certeza se poderia usar aqui, para o efeito, o termo "britânicos" para generalizar, pois até acredito que, por exemplo, os escoceses não se sintam muito confortáveis com a pele que vestem, e disso algo já transpirou, certa vez, pela voz do também barbudo, como eu, sir Sean Connery...
Muitas vezes tenho ficado perplexo quando certos brasileiros metem o pau nos portugueses que colonizaram o Brasil e manifestam frustração por isso não ter acontecido sob os britânicos. Vade retro! Olhai para o horizonte, vislumbrem todos os lugares que fizeram parte do Império Britânico, até mesmo a denominada "joia da coroa" e venham conversar comigo depois...
Já me expressei aqui numa outra postagem sobre a condição de não europeus dos britânicos, numa visão comungada com a de De Gaulle. Achava eu e continúo achando, que a única ligação que eles têm com a Europa é o túnel da Mancha. Sempre estão em desacordo com as políticas da UE quando estas contrariam o Tio Sam; até hoje não quiseram entrar na zona do euro; discriminam os cidadãos de outros membros da UE, da qual fazem parte.
É revoltante ver nas páginas da imprensa mundial uma foto como a de hoje, sobre uma manifestação xenófoba britânica e onde aparece um cartaz com os dizeres: If your name isn't Pedro - Luigi or Alfonso do not apply. A bem da verdade se diga, não são os nomes nem os empregos, pois eles mataram sem dó e nem piedade aquele cidadão brasileiro com o nome de Charles. E olha que Charles é até nome de chifrudo com sangue azul...

sábado, março 22, 2008

"MALAI" NÃO É "DIAK LIU"

Frequentemente tenho lido em alguns blogues informações e protestos a respeito do comportamento desumano por parte das forças militares internacionais de segurança para com os cidadãos timorenses. Tenho lido coisas como estas:
“A maioria dos elementos da PNTL chega a tocar as raias da selvajaria ao agredirem-nos e isso causa traumas e medos a qualquer um.”

“A ONU deveria preocupar-se em constatar a realidade, os espancamentos e sevícias que as forças da ordem nos infligem e puni-los exemplarmente. Em vez disso dá palmadinhas nas costas dos seus comandantes e faz lindos relatórios para o Secretário-Geral Moon.”

“A ONU deveria abrir um gabinete independente, imparcial e protector de identidades, onde recebesse com segurança as denúncias e em paralelo com as autoridades timorenses e comandantes das forças dos países a operar em Timor (porque as forças internacionais também violam os Direitos Humanos) punir os faltosos.”

A propósito dos usos e abusos das forças policiais e militares que espancam e vilipendiam timorenses, cujas denúncias têm sido feitas através da comunicação social, declarou TMR:
“Estamos prontos para receber qualquer relato das vítimas que tenham sido torturadas por soldados, para que os casos possam ser investigados, não apenas os relatados pelos média, ”convidando os timorenses se dirigirem à PNTL e denunciar os casos.
Em resposta a este comunicado há respostas como estas:

“Ir à PNTL denunciar os casos?! Mas desde quando é que não correríamos o risco de sairmos de lá ?”

“Ir à PNTL queixar que tínhamos sido agredidos pela PNTL?”

Já comentei aqui neste espaço algo a respeito de tudo isto e principalmente os elogios da comunidade em relação às forças de segurança portuguesas ali estacionadas (GNR), pois estas comportam-se do mesmo modo que os militares do meu tempo quando Timor era uma Província portuguesa; ou uma colónia, pois que para o efeito tanto faz... Não foram muitas as vezes, mas em duas ou três em que estive de serviço como Sargento de Dia, durante os dois anos em que permaneci em Timor, recebi reclamações de moças timorenses sobre abusos sexual ou mau comportamento. Encaminhava o problema para o Oficial de Dia e este para o Comando e, se comprovadas as denúncias os prevaricadores eram duramente castigados. Nós, portugueses, jamais fomos xenófabos e sempre respeitamos os nativos das colônias como nossos irmãos. Está no nosso sangue.

domingo, março 09, 2008

TOURADAS EM MADRID

TOURADAS EM MADRID
(Alberto Ribeiro e João de Barro)
Eu fui as touradas em Madri
Para tim bum, bum, bum
Para tim bum, bum, bum
E quase não volto mais aqui
Para ver Peri beijar Ceci
Para tim bum, bum, bum
Para tim bum, bum, bum
Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha
Queria que eu tocasse castanhola
E pegasse o touro à unha
Caramba, caracoles, sou do samba
Não me amoles
Pro Brasil eu vou fugir
Que é isso é conversa mole para boi dormir
Para tim bum, bum, bum
Para tim bum, bum, bum
Carmélia Alves cantava esta canção como ninguém e lembro-me dela, dos meus tempos de infância e juventude. Lembro-me, também, daquele dia em que, no Maracanã, jogaram o Brasil e a Espanha. O Brasil ganhou o jogo e durante o decorrer do mesmo abriram-se os altifalantes do estádio ouvindo-se essa música. Os espanhois consideraram isso uma afronta e quase se gerou uma crise diplomática...
A "Telefonica", uma das maiores empresas da Espanha, entrou no campo das telecomunicações, no Brasil, de um modo a que geralmente denominamos por aqui como "mamata". Foi uma das maiores aberrações do anterior governo de FHC. Os espanhois entraram aqui sem grandes custos e riscos no investimento, pois o governo brasileiro financiou quase tudo. Jamais fez isso comigo ou com outros pequenos empresários como eu...
Represálias nas nossas fronteiras, uma reciprocidade em relação ao que os espanhois fazem com os brasileiros, não é de bom tom. Isso sempre acaba pos estourar no mais fraco em ambos os lados. Eu sugeria que se cotucassem os espanhois no lugar onde doi mais: o capital! Bastaria que se iniciasse uma grande campanha popular para que fôsse abolida a taxa obrigatória (10% do salário mínimo brasileiro) que todos nós pagamos por serviços não prestados e pagar tão sòmente o serviço que usufruimos. Na Espanha a empresa não cobra isso; porque razão cobra aqui?
Nessas manifestações populares protestaríamos ao som da música de "Touradas em Madrid"...

domingo, março 02, 2008

ABUSOS NAS FRONTEIRAS

Antes de pròpriamente entrar no âmago da questão, traçarei em linhas gerais o que é o Acervo de Schengen. Uma série de medidas para compensar a abolição do controle nas fronteiras internas com o reforço da segurança nas fronteiras externas da União Europeia. A principal destas medidas é o requisito de que os Estados Membros com uma fronteira externa têm a responsabilidade de garantir controles apropriados e vigilância eficaz nas fronteiras externas da UE. Qualquer pessoa que já esteja dentro do Espaço Schengen tem a liberdade para circular por onde quiser durante curto período. Por conseguinte, é vital que as verificações e os controles nas fronteiras externas da UE sejam suficientemente rigorosos para impedir a imigração ilegal, o contrabando de estupefacientes e outras actividades ilegais.
Frequentemente ocorrem casos esdrúxulos no controle das fronteiras de alguns dos países que perimetram o Espaço de Schengen e debruçar-me-ei sobre dois deles --- Espanha e Reino Unido. Não quero dizer que não ocorram também nos demais, pois que, no que diz respeito a Portugal eu já abordei o assunto em crónica anterior.
Um dos últimos casos foi o da brasileira Patrícia Magalhães, 23 anos, pós graduanda em física na Universidade de São Paulo. O seu destino era Portugal onde participaria de um congresso. Como desembarcara na Espanha para uma conexão de vôo, este país actuou como executor do preceituado no Acervo de Schengen. Não havia nada de ilegal com a cidadã brasileira e uma análise consciente e não xenófoba ter-lhe-ía dado passagem, o que não aconteceu. Ela foi muito humilhada. As autoridades agem adotando critérios na base de conclusões pessoais dos elementos fiscalizadores. Se o agente achar que a cidadã tem cara de "puta", para ele é "puta"! Com quantas cidadãs e cidadãos problemas desse naipe ocorrem todos os dias?
Esta semana o Embaixador no Brasil do Reino Unido veio à imprensa com uma nota reprovando o artigo publicado por renomado jornalista e escritor brasileiro, porque este sugerira que aqui se pagasse na mesma moeda, em relação aos súbditos de Sua Majestade que visitam o país, aquilo porque passam os brasileiros. Amparou-se nas leis do seu país, uma vez que este não faz parte do Tratado de Schengen, as quais deverão ser de conhecimento prévio de todos os que se proponham a viajar para a União Europeia e tendo como porta de entrada aquele.
Na verdade não sei que critérios possam ser os que fornecem a um agente de fronteira a indicação de que A ou B possa ser isto ou aquilo que se enquadre nos ditames que impeçam a sua entrada no país, quando a sua documentação e demais exigências estão em ordem!? Afinal, ninguém tem um sinal na testa. E deduzo que a reciprocidade iria montar um grande circo... Aliás, esse problema de reciprocidade é coisa muito complicada, grave e abominável, apesar de se sugerir em situações de exaltação dos ânimos quando do ferimento da dignidade de cada um de nós. Pessoalmente já passei por uma situação dessas no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, abordada sumàriamente em crónica anterior. Não quero voltar ao assunto.
Infelizmente muitos cidadãos brasileiros, de ambos os sexos, vivem na ilegalidade e praticam actividades pouco abonatórias nos vários países da UE. E sabemos que muitos dos que pretendem lá ingressar já vão com essas intenções, porém devidamente documentados e cumprindo todas as exigências. Então, a fiscalização terá que ser feita durante a estadia e principalmente em lugares específicos, o que não é nada difícil. É mais trabalhoso e mais onoroso para os cofres dos Estados? É um risco a assumir.
Na Espanha, nos subúrbios da cidade de Badajoz, conheço uma grande boate e confesso que o único prazer que lá usufrui foi o de ingerir algumas bebidas em companhia de amigos quando do final de alguma caçada nas tapadas do Alentejo que são fronteiriças. Eles sempre me convidavam e eu ía. Naquele local de diversão tem mais ou menos 100 mulheres de programa e 50% são brasileiras. Uma parte de outros países do leste europeu e poucas espanholas. Como não podia deixar e ser, conheci algumas bem de perto e cheguei até a fazer amizade. Lembro-me de uma mineira de Uberaba que me confidenciou jamais terem sido interpeladas pelas autoridades... Todo o mundo sabe. Só as autoridades desconhecem.

sábado, novembro 03, 2007

POVO DESPREZÍVEL

Assinado pelo polémico jornalista Tony Parsons, artigo publicado no tabloide britanico "Daily Mirror" cita uma entrevista do embaixador português ao diário "The Times" no passado sábado.
Nesta, o embaixador afirma que em Portugal "as famílias vivem todas juntas", razão pela qual, sugere, alguns portugueses terão criticado os McCann por terem deixado os seus filhos sozinhos a dormir num apartamento enquanto jantavam num restaurante próximo.
"Eles erraram, embaixador. As vidas deles foram destruídas. Isso é um castigo suficiente, sem os seus comentários estúpidos e desnecessários", escreve o articulista do Mirror, que aconselha que no futuro Santana Carlos "mantenha fechada a boca estúpida e trituradora de sardinhas".
A embaixada de Portugal em Londres já apresentou um protesto oficial. E naturalmente que nada mais há a fazer, por enquanto, nos trâmites oficiais que a diplomacia define. Todavia, os portugueses em geral terão que começar a tratar os cidadãos britânicos do jeito que eles merecem. Afinal, eles sempre fôram arrogantes, racistas, criminosos, bandidos, desprezíveis; e mais um monte de adjectivos do mesmo calibre eu poderia aqui enunciar, pois que seriam perfeitamente ajustáveis a essa corja.
Já há tempos atrás aqui escrevi uma crónica abordando tema parecido no protesto e indignação. Esse povo é detestável em quase todo o Mundo. De Gaule tinha carradas de razão quando dizia que a Gran Bretanha não pertencia à Europa e com a mesma não tinha afinidade. Por isso sempre foi contra a sua integração no então Mercado Comum Europeu. Digo eu e dirão muitos, que continúa a não ser interessante a sua permanência na U.E..
Entristeço-me quando o meu País mantém Alianças históricas com eles, pois as mesmas jamais funcionaram quando deles precisámos.
Jamais me esquecerei de um quadro patético em águas territoriais portuguesas, na costa da então Provìncia Ultramarina de Moçambique.
Eu fazia parte de um contingente de tropas que fôra rendido em Timor e, a bordo de um navio de passageiros português, com bandeira e flâmula, regressávamos a Lisboa. O governo de Sua Majestade havia imposto um bloqueio total à então denominada Rodésia. Assim, nas nossas águas o nosso navio foi cercado por fragatas inglesas e revistado, para só depois poder atracar no porto da Beira. Foi uma grande humilhação! Oficialmente o meu país nunca protestou ou fez alguma coisa para impedir essa e outras acções. Mas eu o faço por conta própria, nunca desprezando uma oportunidade para deles falar mal.

quinta-feira, junho 07, 2007

ACORDEI AZÊDO!!!

Hoje vou abordar um assunto melindroso. Melindroso em relação à mentalidade de alguns. Passei parte do dia com o pensamento direccionado para a questão e, porque assim, achei que deveria abordá-la aqui neste meu espaço que é, afinal, o lugar onde me posso exprimir livremente e espernear o quanto a tal me obrigam...
Antes do mais, ilustrarei esta crónica com algumas passagens nas quais fui protagonista o que, por si só, me dá autoridade e liberdade para a escrever.
1) Nos idos de 1992 fui representante comercial em Portugal e viajava muito pelo meu Alentejo. Um belo dia, argumentando e tentando vender produtos da linha que representava, senti muitas dificuldades e pressenti que o meu presumível cliente me estava discriminando só porque o meu sotaque abrasileirava o meu "português", do mesmo modo que aqui no Brasil aportuguesa o meu "brasileiro"... Então, deduzi que ele não gostava de brasileiros. Sem querer substimar os brasileiros, a certa altura, quando senti que não conseguiria nada ali, chamei o indivíduo mais perto de mim, mostrei-lhe o meu Bilhete de Identidade português e disse-lhe: "O senhor é um filho da puta de um xenófobo, um racista! Eu nasci aqui nesta mesma cidade e há muito mais tempo! Não sou brasileiro, como pensa e, se por acaso o fôsse, com a mesma veemência o repreenderia quanto ao seu comportamento porco e imundo. O senhor é um filho da puta!"
2) Há uns cinco anos atrás estava eu num dos bares que costumo frequentar e do qual era freguês há muito tempo. A certa altura a TV estava mostrando passagens da Copa de 1966 na qual Portugal se classificou em 3º lugar, tendo ganho do Brasil num dos jogos que disputou. Comentando com um dos meus amigos sobre o evento e num tom saudável de brincadeira, disse eu que naquele tempo nós eramos muito melhores que o Brasil. Foi o estopim para que o dono do bar me abordasse com uma pergunta que já ouvi muitas vezes de outros seres inteligentes como ele: "Você cospe no prato em que come! Porque não vai para a sua terra?".
Costumo ouvir algo parecido quando, rebatendo uma piada de português que me contam, conto uma piada de brasileiro...
3) Ontem recebi na minha caixa de e-mails um anexo que exibia vídeo com pronunciamento do conhecido jornalista brasileiro Olavo de Carvalho, em que este fazia críticas contundentes à classe política, chegando mesmo a usar de linguagem chula. Fortíssimo! Encaminhei-o a todos os amigos que constam da minha lista, como costumo fazer com muitos outros que recebo e que abordam os mais variados assuntos.
Em resposta, recebi hoje um e-mail de um amigo, que não é virtual. É amigo há mais de 30 anos. Será mesmo?... Diz ele o seguinte: "oi portugues voce e meu amigo , mais nunca mais passa qualquer coisa sobre o que refere ao governo Lula, porque não tem o direito de depreciar , que não e´ o seu Pais no qual gostamos muito , e não esqueça eu sou BUGRINO.... um abraço .... afratopiza....". (sic). Exactamente como escreveu eu transcrevi...
Teria muito mais o que aqui escrever a respeito deste assunto, referindo-me tão sòmente a casos comigo passados. Nem precisaria recorrer a outros que me relataram.
Aqueles que me dão a honra de passar por este meu espaço e que teem a paciência de ler o que escrevo, decerto que já deduziram sobre a mentalidade dos três protagonistas que comigo se relacionaram. A análise a vós pertence. Eu abstenho-me...
Poderei acrescentar só mais o seguinte: Vivi em Portugal 27 anos; vivo no Brasil há 35. Ao abrigo do Acordo Internacional de 1972, assinado pelo então Presidente Médici (Brasil) e Américo Thomaz (Portugal), adquiri em 1990 a "Igualdade de Direitos e Deveres", status que me libera da naturalização e me deu um RG (documento de identidade brasileiro). Sou igual a qualquer cidadão brasileiro; posso votar e ser votado aqui. Porém, perdi os direitos políticos em Portugal, sem deixar de ser português.
Estou consciente que o meu dia está estragado. Não obstante, vou trabalhar, apesar de ser feriado, e emitirei as devidas notas fiscais das minhas vendas. Tudo certinho como sempre! Tenho a certeza que contribuo com amor e honestidade para o desenvolvimento deste País que me acolheu!