terça-feira, maio 08, 2007

E OS FILHOS COMEÇAM A CHORAR...

Era uma tarde de Outubro de 1996.
Os soldados indonésios entraram numa casa bebak no bairro de Tuana Laran, Díli.
Os filhos começaram a chorar.
- Pai, não vai; somos ainda pequeninos!
- Oh tuan, perdoai o nosso pai!
O tuan disse:
- Anak-anak vamos ver um filme. Trazê-lo-emos depois.
No entanto, o pai entrou para o quarto e meteu no bolso um crucifixo, imagens de Nª. Sª. de Fátima e do Coração de Jesus, um terço e uma oração de Santa Cruz.
Na varanda, os filhos continuavam a chorar:
- Pai não vai. Perdoai-nos pai, pai, pai! Ai coitadinho do pai!
O pai saíu do quarto, começou a beijar os filhos e disse:
- Rezem, não chorem!
E virando-se para a mãe, abraçou-a, beijou-a e disse:
- É a nossa vida, a vida do homem timorense. Se eu não voltar, tome conta dos nossos filhos.
O pai foi-se embora com os soldados naquele dia de Outubro de 1996 e nunca mais voltou.
Eles nunca mais o viram.
(Poema de Celso Oliveira)
Ao ler, ontem, notícias sobre declarações do General Wiranto, lembrei-me deste poema e o postei aqui, sobre as infelizes e cínicas declarações de tão monstruoso personagem. Cada um dos meus leitores fará o seu próprio julgamento e dirá de sua justiça.
O general Wiranto, ex-chefe das Forças Armadas da Indonésia, admitiu que "alguns" de seus homens "podem ter se envolvido" em atos de violência registrados no Timor Leste antes e depois do referendo de autodeterminação de 1999. Em entrevista ao jornal The Jakarta Post, Wiranto negou, no entanto, que os militares presentes no Timor no período tivessem cometido "violações graves aos Direitos Humanos".
O general foi uma das 16 testemunhas ouvidas no último sábado em Jacarta, na terceira sessão de audições da Comissão da Verdade e Amizade, órgão indonésio-timorense criado para investigar os incidentes que deixaram mais de 1,5 mil mortos, em sua maioria timorenses favoráveis à independência.
Segundo Wiranto, a "carnificina" ocorrida na época na ex-colônia portuguesa foi provocada pelo "longo conflito interno" no território, que estava sob ocupação da Indonésia desde 1975."Estas foram as únicas ações dos militares. Mas não foram baseadas em ordens. Isso não foi planejado, e traduziu apenas o comportamento de alguns soldados. É uma responsabilidade individual, uma vez que o Exército indonésio não tomou partido por nenhum dos lados", afirmou Wiranto aos integrantes da Comissão.
O general, já condenado por um tribunal de Díli por crimes contra a humanidade, após um julgamento que acabou realizado sem que estivesse presente, insistiu várias vezes em afirmar que as tropas de Jacarta tiveram "um trabalho difícil" no Timor.Esse "trabalho difícil" foi atribuído por Wiranto ao "conflito horizontal" que existia há décadas no país lusófono, defendendo ainda que o referendo, que teve vitória do "sim" em favor da independência, foi "um êxito", e que a violência após a votação só aconteceu porque a parte perdedora só se preocupou em questionar a legitimidade da apuração.
(Enxertos de notícias da Agência Lusa)

segunda-feira, maio 07, 2007

QUADROS DO PRESIDENTE

Aqui também abro um espaço para a Arte. E porque não!? Tanto mais que são dois quadros da autoria de Xanana Gusmão e, assim, tem tudo a ver com Timor.
Quando se trata de Arte, de pintura principalmente, a crítica jamais deve ser negativa ou destrutiva. A crítica é sempre técnica e, por isso, sempre será construtiva. Analiso como sendo pintura objectiva expontânea e executada, como foi, em ambiente de grande isolamento o que, sem dúvida, trás à memória toda a visualização de lugares ou situações nos mínimos detalhes. As côres estão muito bem colocadas no impacto que proporcionam.
Em momentos de tranquilidade, de paz, que todos esperamos vindouros e brevemente, esperamos que o Presidente, depois de deixar o cargo, se ocupe na criação de outras obras como estas duas, mas sempre retratando a vida e a alma timorense; não resolva ele pintar aborígenes ou crocodilos da Austrália...

quinta-feira, maio 03, 2007

O MAR DE TIMOR

No pretérito dia 8 de Março postei aqui uma matéria divulgando o livro "O Último Voo sobre Timor" da autoria do meu amigo Cap. Abílio Ferreira, transcrevendo algumas partes do mesmo. Trata-se de um relato dos últimos acontecimentos antes da invasão por parte da Indonésia.
O teor integral desse livro poderá ser lido e baixado em www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=40523
A última página do livro tem o seguinte poema:
NO MAR DE TIMOR
ONDE A PAZ CONHECI,
QUIS VOLTAR UM DIA
P'RA REENCONTRAR.
JÁ NÃO EXISTIA.
PERGUNTEI AO MAR,
AO MAR DE TIMOR
E NEM ELE SABIA
ONDE A PROCURAR.
CHORAVA DE DOR,
TALVEZ DE SAUDADE,
MAS NEM PAZ, NEM VERDADE
AGORA EXISTIA
NO MAR DE TIMOR.
PERDI A ALEGRIA,
PERDI O MEU AMOR,
O MAR DE TIMOR!

quarta-feira, maio 02, 2007

COMENTÁRIOS

Para que os visitantes do blog possam deixar os seus comentários, parece-me ser exigido o endereço de e-mail como "username" e, mais, que seja um endereço "gmail". Muitos terão que criar um, certamente... Adianto que sou alheio a essa exigência e, pelo transtorno, peço desculpas.

segunda-feira, abril 30, 2007

O DIA DA VOLTA

Assim está sendo denominado o dia de ontem, quando o Guarani conquistou o direito da volta à série A-1 do campeonato paulista de futebol. O meu texto está escrito na cor verde, numa homenagem a todos os bugrinos...
Não sou um torcedor dos times de Campinas nem de qualquer outro aqui no Brasil que não o vermelhinho dos pampas do sul. O meu time de coração, no Brasil, é e sempre será o Internacional. Porém, como vivo na cidade de Campinas há mais de trinta anos, nutro simpatia pelos dois da terra --- Guarani e Ponte Preta.
O Guarani vem atravessando, já há algum tempo, uma fase muito crítica, principalmente no que diz respeito a finanças o que, aliás, é um problemão da maioria dos times brasileiros. Isso se tem reflectido sobremaneira no desempenho do time de futebol com uma série de resultados negativos que parecia interminável. De campeão brasileiro que já foi, hoje encontra-se na série C do maior certame do futebol brasileiro. No campeonato paulista encontrava-se na A-2 e, agora, passou para a A-1.
Pelas mãos do técnico Carbone (ex jogador do Internacional...) as coisas começaram a mudar e um dos pontos fundamentais para isso foi a opção de promoção da rapaziada das categorias de base; a prata da casa. Acredito que o Guarani tenha começado a trilhar com segurança o caminho de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído.
Campinas está mais feliz!

INFORMAÇÕES SOBRE MEDICAMENTOS

http://bulario.bvs.br/ Afinal, um "blog" também serve para divulgar assuntos de utilidade pública. Há alguns de muito interesse e nem sempre temos à mão um tipo de informação importante quando de uma emergência. Por outro lado, também se preenche aqui um espaço naqueles dias em que falta a inspiração...
No link acima encontram-se bulas de todos os medicamentos disponíveis no mercado, em duas versões: para leigos, em que vem tudo mastigadinho, numa linguagem de fácil entendimento, explicando o que são os termos técnicos; e para profissionais de saúde , com detalhamento das substâncias e com os termos técnicos que só eles entendem.
Muito bom esse serviço prestado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)

sábado, abril 28, 2007

28 DE ABRIL; NADA A COMEMORAR!

Esta é uma daquelas datas que passaria despercebida, não fôsse o tanto que li a respeito da mesma em alguns sites para os quais escrevem as "viúvas inconformadas". Se fôsse vivo (!!!), completaria hoje 118 anos, aquele que foi a mais nefasta figura de Portugal --- Salazar.
Nada a comemorar, portanto. Nem estas linhas eu deveria escrever, mas faço-o, tão sòmente, por estar revoltado com tanta coisa que li e que considero um verdadeiro lixo. Surpreende-me a exposição de ideias por parte de muitos que não eram vivos à época dos acontecimentos ou que tenra idade tinham para poder elogiar ou, até mesmo, criticar. Eles não viveram aquela época e não sofreram na carne as grandes barbaridades de uma das piores ditaduras. Outros adoptam essa postura porque faziam parte do sistema; as verdadeiras viúvas do regime.
Hoje é dia de luto!

quarta-feira, abril 18, 2007

OUTROS ESPAÇOS, OUTROS BLOGS

Problemas de vária ordem deixaram-me afastado dos meus blogs e, assim, deixei de publicar a minha opinião sobre temas interessantíssimos que no dia-a-dia aparecem. E, na verdade, sempre tenho alguma ideia para ser aqui desenvolvida, principalmente porque gosto de escrever, admitindo que o meu gosto não seja do gosto dos visitantes do espaço... Atrelado a tudo isso, descurei as mensagens e comentários de alguns dos meus visitantes e, por isso, peço que todos me desculpem. Prometo que serei mais atencioso d'ora avante; acompanharei tudo o que se publica nos espaços dos amigos e com eles tentarei interagir. Tendo actualizado este meu blog no dia de hoje, publiquei uma lista de outros espaços que considero não só interessantes, como, também, um acto de devida reciprocidade. Na lista esse espaço tem o título de "ESPAÇOS RECOMENDADOS" e colocarei aqui uma nota sobre cada um deles. Mais Évora ---- aqui estou actualizado sobre tudo o que acontece na cidade que me acolheu na infância e adolescência. O outro lado do Mundo --- espaço de Angela Carrascalão, timorense residente em Díli, com assuntos actuais e outros sobre acontecimentos históricos sobre Timor. Alentejano e Eborense --- amigo de Évora que publica matérias regionalistas e castiças, num espraiar da sua grande inteligência e cultura. Fórum Estremoz --- não é um espaço oficial da edilidade, mas tem tudo ali sobre a minha terra natal. Alandro Al --- Alandroal é a terra dos grandes poetas alentejanos (décimas) e o espaço abrange todo o Alentejo. Estremoz em debate --- assuntos interessantes sobre Estremoz. Coisas da Vida --- um espaço do agora meu amigo Carlos Pedro. Também esteve em Timor, numa época posterior à minha, e sobre aquela terra escreve. Grande fotógrafo e escritor! Crónicas de Lisboa --- encontrei este endereço no Orkut. Visitei e gostei. Tudo o que Manuel Marques escreve é primoroso e, se sobre a Lisboa que tanto amo, melhor. O meu Mundo--- este é um dos meus outros espaços, mas pouco me dedico a ele por achar a sua estrutura muito complicada... E já notei que outros também já abandonaram o barco...

quarta-feira, abril 11, 2007

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Comunicado sobre as eleições presidenciais em Timor-Leste
Ministério dos Negócios Estrangeiros
Gabinete de Informação e Imprensa
Comunicado do Governo sobre as eleições presidenciais em Timor-Leste
O Governo português felicita o povo e as autoridades timorenses pela demonstração de normalidade democrática com que se processaram as eleições presidenciais desta Segunda-Feira.
Portugal renova, também, a saudação à Comissão Nacional de Eleições de Timor-Leste, bem como às missões internacionais de observação eleitoral pelo rigor que emprestaram à execução de todo o processo eleitoral.
O empenho do povo timorense neste processo revela uma vontade clara de compromisso com o progresso do seu País, bem como um apelo à regularidade institucional e ao respeito pelos resultados que venham a ser apurados nestas eleições.
Portugal junta-se à comunidade de parceiros internacionais da República Democrática de Timor-Leste na expectativa da estabilidade de que os timorenses são credores.
Governo da República Portuguesa www.portugal.gov.pt
(Compilação pelo bloguista)

sábado, abril 07, 2007

AS RAIZES DA VIOLÊNCIA EM TIMOR LESTE

NO TIMOR LESTE A VIOLÊNCIA TEM RAÍZES COMPLEXAS
Por Sébastien Blanc DILI, 6 abr (AFP)
A violência que desestabiliza há um ano o Timor Leste tem raízes étnicas, históricas e políticas complexas resumidas abaixo.
-- Oposição étnica leste/oeste: uma forte tensão ressurgiu entre os "Loromunu", etnia que habita o centro e o oeste, e os "Lorosae", que vivem no leste. Eles falam dialetos diferentes de uma língua comum: o tétum. Os Loromonu se consideram vítimas de discriminação por parte dos Lorosae. Os Lorosae afirmam estar mais envolvidos que os Loromonu na luta independentista.
-- Desmantelamento das forças de segurança: O exército se dividiu no ano passado. Um terço dos efetivos (os "peticionários"), se considerando vítimas de discriminação, desertaram e se voltaram contra as forças armadas. O governo apelou para as forças estrangeiras, principalmente enviadas pela Austrália, a potência vizinha. O chefe da polícia militar, o comandante Alfredo Reinado, se rebelou e passou a liderar um grupo de resistência."Acho que eles não querem capturá-lo porque não querem novos confrontos armados", declarou à AFP Damien Kingsbury, um especialista em Timor Leste.
-- Revolução "ceifada" da juventude: vários jovens timorenses, que participaram da luta de resistência contra a ocupação indonésia (1975-1999), que têm o indonésio como principal idioma, lutaram pela independência e consideram uma injustiça a instauração de um governo dirigido por uma elite lusófona vinda do exterior, que eles não entendem.O grupo do ex-primeiro-ministro, Mari Alkatiri, foi acusado de ter se apropriado do partido que simbolizou a luta independentista, a Frente Revolucionária por um Timor Leste Independente (Fretilin). O movimento de Alkatiri passou a ser chamado "Fretilin-Maputo" em razão de suas ligações com Moçambique, onde viveu durante a ocupação indonésia.
-- Terror semeado por grupos autônomos: gangues de jovens e grupos de artes marciais rivais, aproveitam o clima de instabilidade para se enfrentarem, pilhar, incendiar e aterrorizar. A justiça timorense não dispõe de instrumentos jurídicos apropriados para lutar contra estes delinqüentes.O retorno à calma é a primeira das aspirações dos timorenses. "A insegurança põe em risco todos os outros aspectos da vida coletiva e individual", comentou para a AFP Andrea Bartoli, do Centro Internacional de Resolução de Conflitos (Universidade de Columbia, Nova York).
-- Deslocados: de 70.000 a 100.000 pessoas vivem amontoados em campos de refugiados, após terem fugido de suas terras em 2006. Enquanto estes deslocados não reconstruírem seus povoados, a situação não poderá se normalizar.
-- Pobreza e desemprego: Os timorenses continuam a se afundar em um estado de pobreza crônica, um quinto dos habitantes do Timor vive com menos de um dólar por dia. O Timor Leste é o país menos desenvolvido da Ásia, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
-- Retirada das Nações Unidas: a retirada da ONU (e de suas forças de segurança), de 2002 a 2005, foi considerada prematura quando o país mergulhou no caos em 2006. "É praticamente impossível que um país atinja a maturidade em um período tão curto", considerou Hideaki Asahi, chefe japonês dos observadores para a eleição presidencial.
-- Traumas ligados à ocupação indonésia: Quase um terço dos habitantes do Timor Leste foi dizimado sob a ocupação indonésia (1975-1999) e Jacarta ainda consegue escapar das acusações de "crimes contra a humanidade". As seqüelas psicológicas deixadas por estes anos negros, agravadas pela impunidade dos agressores, explicam os comportamentos de hoje.
seb/dmAFP 071405 APR 07[Non-text portions of this message have been removed]
Retirei esta parte da matéria publicada para o meu blog, com o intuito de dar a conhecer o fulcro dos problemas a alguns dos que por aqui passam e que estão mais ávidos de informações, por pouco saberem de mais concreto sobre a situação ali decorrente.
O meu comentário resume-se a dizer que as coisas chegaram a um ponto tal que exige um esforço hercúleo para uma normalização, um ponto zero a partir do qual tudo deve ser planeado criteriosamente e colocado em prática gradativamente. O povo de Timor é inteligente o suficiente para participar da criação de uma nova infra-extrutura e galgar os degraus que o levarão ao patamar da normalidade. Aqui se projectará o alcance de outros horizontes.

quinta-feira, março 08, 2007

O ÚLTIMO VÔO SOBRE TIMOR

Tomei emprestado o título do livro para esta minha crónica de hoje...Até 1975 poucos haviam por esse mundo fóra que tivessem ouvido falar de Timor, enquanto Província Ultramarina portuguesa (colónia). Até mesmo a generalidade dos portugueses pouco daquelas terras conheciam, a não ser o "b, a, ba" das cartilhas de geografia do ensino primário que referiam o nome de duas ou três cidades, de uma ou duas montanhas e um resumo da organização política.
Depois da Revolução dos Cravos, em Portugal e mais exactamente com a invasão daquele território por parte da Indonésia, o mundo começou a ouvir falar de Timor. Principalmente quando dos acontecimentos bárbaros que antecederam a sua independência como país. Porém, daquele período em que os portugueses deixaram Timor, muito pouco é conhecido da realidade; factos, nomes, enfim. Por isso, quando relatos surgem, de pessoas que vivenciaram os acontecimentos, é de suma importância que os mesmos sejam divulgados. É o que estou pretendendo fazer, ao aconselhar a leitura de um livro interessantíssimo, "O Último Vôo Sobre Timor", da autoria de Abílio Ferreira, o qual poderá ser acessado em www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=405253
Com autorização do autor, inclúo aqui alguns trechos:
“Como todos os dias, dirigi-me naquele sábado, oito de Agosto de 1975, ao aeroporto para fazer as carreiras que, de véspera, me tinham sido determinadas. O avião já se encontrava pronto e, juntamente com os passageiros, dirigi-me para ele. Estava a fazer os procedimentos para por os motores em marcha quando um funcionário do aeroporto se dirigiu a mim e disse para ir atender uma chamada telefónica urgente.” ...“ Fiz-lhe notar a minha condição de militar, embora ao serviço de uma organização civil, e ainda o facto de os passageiros já se encontrarem a bordo, pelo que faria a carreira que estava prestes a iniciar e depois resolveria. Que não, os aviões não deveriam descolar, eram ordens do Governador.” ...“Entretanto, o enviado de Portugal continuava retido em Bali e não chegaria ao Kupang. A Indonésia continuava a fazer o seu jogo sujo.” ...“Na noite de 19 para 20, o que todos temíamos aconteceu. Dá-se a sublevação da CCS, Quartel General e Destacamento de Material. Estava iniciada a guerra civil. No Quartel General, na cerimónia do hastear da bandeira, o alferes Lobato, do recrutamento local, dobra a Bandeira Nacional cuidadosamente, entrega-a ao oficial português mais antigo ...” ...“E o dia 26 chegou. Não sei se a decisão de mudar para a ilha de Ataúro já existia, ou se nasceu com o amanhecer desse dia, que seria o último passado em Timor.” “...Nas ruas, dezenas de refugiados timorenses passavam, arrastando penosamente o seu desgosto. Um velho maubere, com a sua típica lipa em volta da cinta, olhou-nos demoradamente talvez irmanado no mesmo desgosto. Possivelmente pensando, porque se teria deixado matar o heróico régulo D. Aleixo para defender a bandeira verde-rubra que agora lhe fugia. A tarde caía. Nos olhos do maubere o sol punha-se a oriente.” ...“Quando cheguei ao aeroporto olhei com saudade o velho Dove. Estava guardado por apenas um soldado e estava calçado com um monte de pedra em todas as rodas! A porta da cabina estava fechada à chave. Eu tinha-a deixado aberta e a chave dentro do avião.” ...“O regresso ao Ataúro era como um sonho! A ilha já de si maravilhosa, parecia-me ainda mais bela! Liberdade passava a ser agora para mim, uma palavra com significado.” ...“A declaração unilateral da independência de Timor por parte da Fretilin, surpreendeu-nos a todos completamente!Como poderiam ser tão ingénuos?! Acreditariam, por acaso, nas promessas de auxílio de outros “países socialistas” que estavam a milhares de quilómetros de distância?” ...“Para mim, apenas existiam dois réus naquele crime hediondo! A situação política em que Portugal se encontrava – ninguém mandava em ninguém! – e a Indonésia. A primeira porque permitiu a desagregação dos timorenses com a “invenção” dos partidos políticos. A segunda porque, aproveitando a primeira, fizeram o seu jogo. – autêntica partida de xadrez com cheque mate à vista – Jogo em que a UDT/MAC ingenuamente colaborou. Pelo caminho ficaram muitos peões, cavalos e até reis.” ...“O meu espírito estava longe daqueles corais e conchas. Aquela concentração de navios de guerra preocupava-me. Aquelas “barcaças” ali, não podiam ter outro significado: a invasão!- Os indonésios estão a bombardear Dili!Ah! Então era isso! Os meus pressentimentos tinham sido certos. O destino de Timor estava traçado.” ...“Preparei as poucas coisas que tinha no Ataúro e meti tudo numa mala. Faltavam as conchas! Não ia deixá-las ficar. Eram o resultado de muitas horas passadas naquelas maravilhosas águas do Ataúro. Tinha algumas a limpar em casa de um pescador. Fui buscá-las.- Ainda não estão todas prontas – disse o maubere.- Não faz mal. Vão como estão. Eu limpo-as depois.” ...“Eram exactamente três horas e cinco minutos daquela tarde de sete de Dezembro, quando iniciei a descolagem. Era a minha última viagem.O último vôo sobre o mar de Timor!O Ataúro foi ficando para trás. Lá à frente Dili, chamas e fumo!Tentei contar os barcos de guerra. Sete, suponho A distância era bastante para poder afirmar com segurança.Um pouco acima de mim, há uma camada de nuvens como que a cobrir toda a “miséria” que aos poucos vou deixando para trás. Vou pensando na hipótese de ser realmente abatido. Entro nelas e passo para cima. Emergindo lá ao longe, à direita, o Ramelau, a montanha mais alta de Timor, ergue-se imponente. Não posso deixar de sentir uma ponta de emoção. Os meus olhos humedeceram. Lá em baixo, um pouco de mim próprio.Procurei concentrar-me mais nas tarefas de bordo. Liguei o rádio e falei para Darwin. Olhei para baixo e pude ver entre as nuvens a vila de Viqueque, na costa Sul.Estava no rumo certo. Agora à minha frente era o mar, o mar de Timor, sobre o qual fazia o meu último vôo.”

domingo, fevereiro 25, 2007

PLANTE UMA ÁRVORE

A cidade de Campinas, onde actualmente resido, é uma das mais arborizadas do Brasil. Esta afirmação e a respectiva constatação seria um grande orgulho para os seus habitantes, não fôsse o facto lamentável de se verificar que aqui ocorre diàriamente um grande desmatamento. É isso! Desmatamento parece ser a grande moda neste país. Olhamos para a Amazónia e vemos as grandes barbaridades que ali se praticam e sentimos que nada podemos fazer para estancá-las. Olhamos para esta cidade e notamos, em escala infinitamente menor, mas dentro das respectivas proporções um mal tamanho tal e qual. O morador de certa rua acha que a árvore existente defronte à sua casa solta muitas folhas no chão; ele não pega a vassoura para varrer essas folhas ou, sentindo que está sendo maçante esse trabalho de todos os dias em determinada época do ano, pega a serra elétrica, o machado e a picarêta. Um outro faz o mesmo se achar que já se saturou de ver aquela árvore todos os dias... Um outro abriu um ponto de venda de sorvetes e colocou aquela placa de propaganda, mas que aquele Ipê roxo lindíssimo obstruía a visão e ele usou dos mesmod métodos. E assim se contam mil motivos e outras tantas acções drásticas. Temos que fazer alguma coisa para mudar esta situação. Pela minha parte, plantei há sete anos atrás um Ipê amarelo, a única árvore do meu lado da ruae que deu as primeiras flores o ano passado. E estou escrevendo estas linhas com a esperança que sejam lidas por alguns visitantes da minha página e passem o recado para a frente... São duas pequenas acções, mas também podem, juntamente com outras, ser parte do nascimento de um grande movimento nacional ou até mesmo mundial.

Estima-se que a população de nosso planeta seja de mais de 6 bilhões de habitantes. Se cada cidadão capaz, plantar uma árvore que o represente e mais outra para compensar a que uma criança ou incapaz deixará de plantar, serão no mínimo 6 bilhões de árvores. Ao longo da minha vida já plantei muitas e pretendo continuar plantando.

Procure as instituições que doam mudas e plante também a sua árvore. Denuncie os desmatamentos. Impeça algum conhecido seu de destruir uma árvore. Se não houver jeito e tiver que retirar uma, plante mais três em seu lugar ou próximo dele. Jamais arranque árvores de matas ciliares (ao longo de rios, ao redor de lagos, riachos, etc) ou próximas de mananciais .Ajude a arrumar o nosso Planeta.

Episódio histórico concernente:

Em 1857, devido a grave seca que se abateu sobre o Rio de Janeiro, a mando de D.PEDRO II, desapropriaram-se fazendas ocupadas pelas plantações de café .Sob a incumbência do Major Archer, primeiro administrador da Floresta, foram plantadas, entre 1861 e 1874, cem mil árvores com a ajuda de seis africanos - Constantino, Eleuthério, Leopoldo, Manoel, Matheus, Maria -- e alguns outros assistentes. Conseguiram recuperar os mananciais do Rio de Janeiro num processo que transformou o local na maior floresta urbana do mundo e acabaram com a seca. Os gestos do imperador Pedro II na preservação das águas e das matas no século XIX, ainda não foram igualados, mesmo que a necessidade de plantio de florestas tivesse crescido agudamente no século XX. Ele resume, como um ícone, a atuação de todos os brasileiros na defesa das águas, das florestas e do meio ambiente entre os séculos XVI e XIX. Se certos historiadores tentam apagar da memória esse gesto que deu certo, não têm como esconder a mata tropical do Corcovado, sobre a qual brilha o Cristo Redentor. A floresta da Tijuca, onde o país orgulhosamente levou em visita todos os chefes de Estado que participavam da Rio-92, continua sendo um caso único.

RENOVE O OXIGÊNIO-PLANTETA!!!

sábado, fevereiro 24, 2007

NOTÍCIAS DE TIMOR

Missão: Reforço do Subagrupamento Bravo Mais 60 militares da GNR estão a caminho de Timor O aumento da presença de militares da GNR em Timor, actualmente de 143 homens, foi admitido ontem pelo Ministério da Administração Interna. Para o titular da pasta, António Costa, há a possibilidade de destacar mais dois pelotões (60 militares), mas é necessário regular uma série de questões com a ONU.“Primeiro é necessário que as Nações Unidas assinem com Portugal o acordo de integração das nossas forças na missão das Nações Unidas, que tem estado a decorrer sem acordo. Depois é preciso que as condições materiais necessárias possam ser garantidas para que a missão se concretize”, disse António Costa.Um ponto sensível é a questão dos custos, dado que cabe à ONU pagar 60 por cento das despesas da participação da GNR nesta missão internacional, o que não está a ser cumprido. O ministro da Administração Interna afirmou que o actual contingente irá cumprir a missão até Junho, mas sublinhou que para o reforçar é fundamental que a ONU “também complete todos os arranjos administrativos”. A missão de Portugal em Timor implica “aumento de pessoal, reforço de equipamento e maior despesa”, sustentou. Ora, sem o acordo da ONU, têm sido Portugal e o Estado de Timor-Leste a pagar a factura. “É necessário que as Nações Unidas concretizem rapidamente a sua parte do acordo”, porque “Portugal e Timor têm cumprido”, afirmou António Costa. “Uma coisa é estarmos disponíveis, outra é haver acordo para o envio dessas forças”, concluiu. TIROTEIO EM DÍLI FAZ UM MORTOUm timorense foi morto e dois outros ficaram gravemente feridos num incidente, ontem de manhã, com as Forças de Estabilização Internacional (ISF), no aeroporto de Díli. Numa curta declaração feita à imprensa junto ao local do acontecimento, um porta-voz das ISF declarou que o incidente ocorreu quando um soldado das ISF “respondeu disparando” a um ataque. “As ISF darão cooperação total à polícia das Nações Unidas durante as investigações do incidente”, refere a declaração. O tiroteio aconteceu horas depois de o Conselho de Segurança ter aprovado o reforço e prolongamento por um ano da Missão Internacional de Paz e de Ramos-Horta anunciar que vai candidatar-se à presidência da República, contando com o apoio do actual chefe de Estado, Xanana Gusmão. O actual primeiro-ministro diz que só tomou a decisão depois de lhe ter sido manifestado apoio de diferentes sectores da sociedade timorense. In "Correio da Manhã" ed. 24-02-2007

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

MANHÃ, TRISTE MANHÃ...

Naquele Fevereiro de 1972 cheguei ao Brasil com "armas e bagagens" e assentei base na cidade de Rio Grande, no estado do Rio Grande do Sul. A esposa era gaúcha, natural daquela cidade e ali vivía a sua família originária. No clã fômos acolhidos, o que, prèviamente, já havia sido planeado. Ao contrário de muitos imigrantes, talvez a maioria, já desfrutei de segurança e tranquilidade para começar a projectar a minha nova vida. Sem querer substimar nada e ninguém, tenho o conhecimento suficiente para afirmar que fui parar no lugar certo. Comecei a entrosar-me com a alma gaúcha e hoje, mesmo tendo vivido mais tempo, acumulado, noutros lugares do Brasil, sinto-me gaúcho também. Amante do rádio que sempre fui e sou até hoje, comecei a ter por minha companheira a "Rádio Guaíba", a mais ouvida nos pampas. Ainda hoje a oiço aqui em S. Paulo, pois é uma emissora de grande potência. Mesmo havendo outras de grande penetração, acredito que a "Guaíba" seja património maior das gentes do sul. Rádio séria com grandes profissionais e programação esmerada. Diferentemente do que acontece todos os dias, ontem não ouvi rádio. Foi o dia do meu aniversário e aproveitei-o de modo diferente. À noite apoderou-se de mim um sono profundo e restaurador. Porém, ao acordar bem cêdo, como todos os dias acontece, fui lá na frente da casa buscar o jornal que o "motoqueiro" lança com invejável pontaria todas as madrugadas e que origina grande alvoroço nas hostes caninas, o primeiro sinal para o meu despertar. Em determinado passo da leitura deparei-me com esta notícia numa página interior: "Igreja Universal compra TV e rádios Guaíba em Porto Alegre". Fiquei estupefacto! Triste também. Revoltado, talvez. O negócio foi fechado durante o Carnaval, na terça-feira e confirmado pela directoria da TV Guaíba. Também houve surpresa no sector da radiodifusão. Não me alongarei em mais comentários sobre o acontecimento. Simplesmente direi que este é para mim um dia muito triste e para a alma gaúcha também.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

NAQUELE TEMPO...

“Ordinariamente, todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?” (Eça de Queiroz, 1867 em “O distrito de Évora”)

terça-feira, fevereiro 20, 2007

PORTUGAL VALE A PENA!

Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade de recém-nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia.
Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende para mais de meia centena de mercados. E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual você pode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.
Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários prémios internacionais. E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, onde se fazem operações que não é possível fazer na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema financeiro e tem as melhores agências bancárias da Europa (três bancos nos cinco primeiros).
Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção de energia através das ondas do mar. E que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa por via informática.
Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que desenvolveram sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos a pequenas e médias empresas.
Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA ou para outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas. Ou que vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado mundial. Ou que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou que produz um vinho que "bateu" em duas provas vários dos melhores vinhos espanhóis. E que conta já com um núcleo de várias empresas a trabalhar para a Agência Espacial Europeia. Ou que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamentos de cartões pré-pagos para telemóveis. E que está a construir ou já construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um pouco por todo o mundo. O leitor, possivelmente, não reconhece neste País aquele em que vive - Portugal.Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses. Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera Software, Critical Software, Out Systems, WeDo, Brisa, Bial, Grupo Amorim, Quinta do Monte d'Oiro, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Space Services. E, obviamente, Portugal Telecom Inovação. Mas também dos grupos Pestana, Vila Galé, Porto Bay, BES Turismo e Amorim Turismo. E depois há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, trabalhando com técnicos portugueses, que há anos e anos obtêm grande sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal, McDonalds (que desenvolveu em Portugal um sistema em tempo real que permite saber quantas refeições e de que tipo são vendidas em cada estabelecimento da cadeia norte-americana). É este o País em que também vivemos.É este o País de sucesso que convive com o País estatisticamente sempre na cauda da Europa, sempre com péssimos índices na educação, e com problemas na saúde, no ambiente, etc. Mas nós só falamos do País que está mal. Daquele que não acompanhou o progresso. Do que se atrasou em relação à média europeia.Está na altura de olharmos para o que de muito bom temos feito. De nos orgulharmos disso. De mostrarmos ao mundo os nossos sucessos - e não invariavelmente o que não corre bem, acompanhado por uma fotografia de uma velhinha vestida de preto, puxando pela arreata um burro que, por sua vez, puxa uma carroça cheia de palha. E ao mostrarmos ao mundo os nossos sucessos, não só futebolísticos, colocamo-nos também na situação de levar muitos outros portugueses a tentarem replicar o que de bom se tem feito. Porque, na verdade, se os maus exemplos são imitados, porque não hão-de os bons ser também seguidos?

sábado, fevereiro 17, 2007

GUERRA JUNQUEIRO

Os tempos hoje são muito corridos e o nosso modo de vida a eles adaptado. Muitos dos momentos que dedicávamos à leitura de um livro são divididos, hoje, pela navegação na Internet, por uma maior concentração nos problemas do dia-a-dia, enfim. Porém, há momentos ainda em dou alguma atenção à minha biblioteca e teve um deles. Sentei-me lá e fiquei olhando todos aqueles meus amigos, os livros, recordando algumas coisas que um e outro título me sugeria e que em tempos já li. Alguns jamais cheguei a ler, mas fiz a promessa que esse dia específico virá... Nessa panorâmica lá estavam algumas obras de um grande escritor português e, lembrando-me de algumas passagens de uma delas, folheei-a. Transcrevo, a seguir, um trecho: "Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.] Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro [.] Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. [.] A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos [.] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, [.] vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar." Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896. Alguns dos visitantes desta minha humilde página são portugueses e outros brasileiros. Não sei se outros haverá de outros países e só o saberei mercê de algum comentário a ser postado. Quero chegar ao ponto que cada um já interpretou, do encaixe perfeito dessa crítica denuncista à época de antanho e à actualidade; a Portugal e ao Brasil. Cento e onze anos são passados!!! Guerra Junqueiro Nasceu em Freixo de Espada à Cinta (Trás os Montes), em 1850. Faleceu em Lisboa, em 1923. Frequentou a Faculdade de Teologia (1866-1668). Formou-se em Direito (1868-73). Bibliografia: 1. Mysticae Nuptiae - 1966 2. Vozes sem Eco - 1867 3. Baptismo de Amor - 1868 4. A Morte de D. João - 1874 5. Musa em Férias - 1879 6. A Velhice do Padre Eterno - 1885 7. Finis Patriae - 1890 8. Pátria - 1896 9. Oração ao Pão - 1902 10. Oração à Luz - 1904 11. Poesias Dispersas - 1920

FÓRMULA 1

O jornal italiano "Corriere della Sera" publica uma enquete: qual o melhor piloto de fórmula 1 de todos os tempos? Vá no site e vote. Será que vai dar Senna?... http://www.corriere.it/appsSondaggi/pages/corriere/d_96.jsp

BENEFÍCIOS DA BÔRRA DE CAFÉ

CAFÉ. A NOVA ARMA CONTRA O MOSQUITO DA DENGUE! Esta seria, sem dúvida, uma manchete que despertaria a atenção e o interesse de todos quantos a lêssem ou ouvissem em qualquer um dos meios de comunicação. Mas, porque razão não existe essa divulgação, uma vez que está constatada a sua veracidade? Simples: As prefeituras arrecadam todos os anos uma polpuda verba extra orçamentária, por parte do Governo Federal, por conta do temível mosquitinho!!! Assim, cabe a este blogueiro e a tantas outras pessoas fazer essa divulgação com as ferramentas que temos à mão, na expectativa de preenchermos um universo imenso que venha a ter conhecimento de algo importantíssimo para a saúde pública. Finalmente, no bôca-a-bôca o conhecimento se popularizará. É importante lembrar: Verão e dengue andam juntos! TRANSCRIÇÃO: Uma cientista paulista, a bióloga Alessandra Laranja, do Instituto de Biociências da UNESP (campus de São José do Rio Preto),durante a pesquisa da sua dissertação de mestrado, descobriu que a borra de café produz um efeito que bloqueia a postura e o desenvolvimento dos ovos do Aedes aegypti. O processo é extremamente simples: o mosquito pode ser combatido colocando-se borra de café nos pratinhos de coleta de água dos vasos, no prato dos xaxins, dentro das folhas das bromélias. A borra de café, que é produzida todos os dias em praticamente todas as casas tem custo zero. O único trabalho é o de colocá-la nas plantas, inclusivamente sendo jogada sobre o solo do jardim e quintal. Os especialistas em saúde pública, entre eles médicos sanitaristas, estão saudando a descoberta de Alessandra, uma vez que, além da ameaça da Dengue 3, possível de acontecer devido às fortes enxurradas de final de ano, surge outra ameaça,proveniente do exterior: a da Dengue tipo 4. Conforme explica a bióloga, 500 microgramas de cafeína da borra de café por mililitro de água bloqueia o desenvolvimento da larva no segundo de seus quatro estágios e reduz o tempo de vida dos mosquitos adultos. Em seu estudo ela demonstrou que a cafeína da borra de café altera as enzimas esterases, responsáveis por processos fisiológicos fundamentais como o metabolismo hormonal e da reprodução, podendo ser essa a causa dos efeitos verificados sobre a larva e o inseto adulto. A solução com cafeína pode ser feita com duas colheres de sopa de borra de café para cada meio copo de água, o que facilita o uso pela população de baixa renda e pode ser aplicada em pratos que ficam sob vasos com plantas, dentro de bromélias e sobre a terra dos vasos, jardins e hortas. O mosquito se desenvolve até mesmo na película fina de água que às vezes se forma sobre a terra endurecida dos jardins e hortas; também na água dos ralos e de outros recipientes com água parada (pneus,garrafas, latas, caixas d'água etc.). "A borra não precisa ser diluída em água para ser usada", diz a bióloga. Pode ser colocada diretamente nos recipientes, já que a água que escorre depois de regar as plantas vai diluí-la. Ou seja: ela recomenda que a borra de café passe a ser usada, também, como um adubo ecologicamente correto. Atualmente, o método mais usado no combate ao Aedes aegypti é a aspersão dos inseticidas organofosforados, altamente tóxicos para homens, animais e plantas. Que tal colaborarmos, repassando a msg e aplicando a borra de café??? Luciana Rocha Antunes Bióloga - especialista em Gestão Ambiental Mestranda em Agroecologia e Desenv. Rural UFSCar e Embrapa Meio Ambiente Tel: +55 19 81567751 lurantunes@yahoo. com.br

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

MAIORIDADE PENAL

A criminalidade no Brasil atingíu índices astronómicos e um dos grandes problemas a serem debatidos é o da maioridade penal. Veja, abaixo, quadro da ONU com a idade mínima para que uma pessoa possa responder criminalmente por seus actos em alguns países: México ............. 6 a 12* Bangladesh ......... 7 Índia .............. 7 Mianmar ............ 7 Nigéria ............ 7 Paquistão .......... 7 África do Sul ...... 7 Sudão .............. 7 Tanzânia ........... 7 Estados Unidos ..... 7** Indonésia .......... 8 Quénia ............. 8 Escócia ............ 8 Etiópia ............ 9 Irã ................ 9*** Filipinas .......... 9 Nepal .............. 10 Inglaterra ......... 10 País de Gales ...... 10 Ucrânia ............ 10 Turquia ............ 11 Coreia do Norte .... 12 Marrocos ........... 12 Uganda ............. 12 Argélia ............ 13 França ............. 13 Polónia ............ 13 Uzbequistão ........ 13 China .............. 14 Alemanha ........... 14 Itália ............. 14 Japão .............. 14 Rússia ............. 14 Vietnã ............. 14 Egito .............. 15 Argentina .......... 16 Brasil ............. 18**** Colômbia ........... 18 Perú ............... 18 * Varia de acordo com os Estados; na maioria deles é 11 ou 12 anos. ** Idade determinada por Estado; o mínimo costuma ser 7 anos. *** 9 para meninas e 15 para meninos. **** A partir de 12 anos, o infractor pode sofrer medidas sócioeducativas. Não conheço dados de outros países, inclusivamente o meu, mas tal não se faz necessário para o assunto em questão. Nesta tabela temos uma mescla daquilo a que costumamos chamar de países desenvolvidos, emergentes e sub-desenvolvidos e uma abrangência de várias correntes religiosase culturas. Na minha opinião, defrontamo-nos aqui com alguns absurdos como a descriminação entre meninos e meninas no Irã e, claro, algumas faixas etárias muito baixas. Nem tento ao mar, nem tanto à terra... Pessoalmente, comecei a trabalhar e a auto sustentar-me com 14 anos de idade numa cidade grande -- Lisboa --, longe da família.Tenho plena noção de que isso não é normal e se verificou mais por causas económicas. Porém, nessa idade já era uma cabeça pensante e crente dos seus direitos e obrigações. Sou, portanto, da opinião que a idade para maioridade penal, no Brasil e em qualquer outro país, deverá ser 15 anos. Clicando no link, os meus leitores brasileiros que comunguem da mesma opinião,e de outras de teor idêntico para outros casos e problemas da justiça, poderão participar de uma petição a ser enviada às autoridades federais do Brasil. http://www.petitiononline.com/07022007/petition.html

sábado, fevereiro 03, 2007

ROMANCE GRAMATICAL

"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador... Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando...ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar...ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular: ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente... Era o verbo auxiliar do edifício ! Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente ! Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva." Esta é uma redacção feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) que obteve vitória em um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

DR. HAMILTON NAKI

Hamilton Naki, um sul-africano negro, de 78 anos, morreu no final de maio. A notícia não rendeu manchetes, mas a história dele é uma das mais extraordinárias do século 20. "The Economist" contou-a em seu obituário desta semana. Naki era um grande cirurgião. Foi ele quem retirou do corpo da doadora o coração transplantado para o peito de Louis Washkanky, em dezembro de 1967, na cidade do Cabo, na África do Sul, na primeira operação de transplante cardíaco humano bem-sucedida. É um trabalho delicadíssimo. O coração doado tem de ser retirado e preservado com o máximo cuidado. Naki era talvez o segundo homem mais importante na equipe que fez o primeiro transplante cardíaco da história. Mas não podia aparecer porque era negro no país do apartheid. O cirurgião-chefe do grupo, o branco Christian Barnard, tornou-se uma celebridade instantânea. Mas Hamilton Naki não podia nem sair nas fotografias da equipe. Quando apareceu numa, por descuido, o hospital informou que era um faxineiro. Naki usava jaleco e máscara, mas jamais estudara medicina ou cirurgia. Tinha largado a escola aos 14 anos. Era jardineiro na Escola de Medicina da Cidade do Cabo. Mas aprendia depressa e era curioso. Tornou-se o faz-tudo na clínica cirúrgica da escola, onde os médicos brancos treinavam as técnicas de transplante em cães e porcos. Começou limpando os chiqueiros. Aprendeu cirurgia assistindo experiências com animais. Tornou-se um cirurgião excepcional, a tal ponto que Barnard requisitou-o para sua equipe. Era uma quebra das leis sul-africanas. Naki, negro, não podia operar pacientes nem tocar no sangue de brancos. Mas o hospital abriu uma excepção para ele. Virou um cirurgião, mas clandestino. Era o melhor, dava aulas aos estudantes brancos, mas ganhava salário de técnico de laboratório, o máximo que o hospital podia pagar a um negro. Vivia num barraco sem luz elétrica nem água corrente, num gueto da periferia. Depois que o apartheid acabou, ganhou uma condecoração e um diploma de médico honorário. Ele nunca reclamou das injustiças que sofreu durante toda a vida. Este assunto foi matéria de quase todos os grandes jornais norte-americanos. Não se tem notícia de sua divulgação na imprensa brasileira. A versão em português foi extraída da página de hoje da Aliança Cooperativista Nacional - Unimed. A foto de rosto foi obtida na página da Internet do “The Washington Post”, dos Estados Unidos, e a outra na do “The Age”, da Austrália.

sábado, janeiro 27, 2007

ARQUIVO DO MINISTÉRIO DO ULTRAMAR

Gulbenkian vai recuperar arquivo do Ministério do Ultramar O extinto Arquivo do Ministério do Ultramar vai ser reconstituído no âmbito de um projecto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, hoje iniciado através de um protocolo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). O protocolo foi assinado no Palácio das Necessidades, em Lisboa, pelo presidente da Fundação, Emílio Rui Vilar, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e pelo coordenador científico do projecto, o historiador José Mattoso. Na cerimónia, o presidente da Fundação revelou que o projecto para tornar estes documentos acessíveis ao público surgiu depois do professor José Mattos o ter alertado para a necessidade «indispensável e urgente» de tratar o espólio, disperso por vários ministérios desde a extinção do Ministério do Ultramar, em 1974. «A Gulbenkian tem já uma tradição de recuperação deste património, portanto ficámos conscientes da importância histórica da preservação da memória e da divulgação destes arquivos», salientou Rui Vilar. O protocolo assinala o arranque do Projecto de Reconstituição Virtual do extinto Arquivo do Ministério do Ultramar, estando previstas colaborações institucionais com outros ministérios que detenham partes desse vasto espólio. Esta primeira fase abrange os arquivos existentes no Instituto de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) e do Instituto Histórico Diplomático, ambos sob a tutela do MNE, e será financiada com 100 mil euros pela Gulbenkian. Segundo o professor José Mattoso, trata-se de «uma monstruosa tarefa até agora considerada sem solução» e terá a participação de uma equipa organizada pela empresa BSAFE, composta por oito arquivistas e especialistas de diversas áreas. «Os arquivos dispersos remontam ao início do século XX e encontram-se em grande desorganização. Em Portugal não se procedeu a uma integração destes arquivos de uma forma regular e esta documentação tornou-se inacessível», lamentou o historiador. José Mattoso referiu ainda que «há um interesse crescente dos países europeus com ligações a África e dos próprios países africanos, sobretudo as ex-colónias portuguesas, em conhecer e estudar o seu passado». «Esta é uma tarefa da responsabilidade do Estado, mas devido ao constrangimento financeiro da administração pública não é actualmente uma prioridade, justificando-se a intervenção das entidades privadas», considerou, comentando que este protocolo com a Gulbenkian «formaliza um acordo exemplar». O ministro Luís Amado elogiou a iniciativa da Fundação, «que teve a generosidade de desenvolver este grande projecto». «Temos uma história muito rica que é preciso cuidar e a Gulbenkian tem feito um trabalho brilhante neste domínio, na tentativa de preservação dessa memória», sublinhou. Os responsáveis pelo projecto vão partir de um primeiro diagnóstico já realizado pela Gulbenkian, mas desconhecem quanto tempo irá demorar a recolha e o tratamento da documentação, cuja dimensão real se desconhece, finda a qual será disponibilizada online. José Mattoso disse à Lusa que os arquivos «vão manter-se património do Estado e será a administração pública que irá decidir quais dos documentos tratados poderão ser consultados pelo público». «Não é possível quantificá-los. Sabemos que são muitos quilómetros de arquivos diversos que foram sendo acumulados e cujo estado real está também por avaliar», comentou. Entre os milhares de documentos contam-se comunicações, cartas e outros documentos oficiais da antiga polícia política (PIDE), registos sobre os movimentos independentistas das ex-colónias portuguesas, obras públicas e levantamentos sobre os recursos territoriais. Diário Digital / Lusa 25-01-2007 13:10:00

domingo, janeiro 21, 2007

PARAÍSO CHAMADO TIMOR

Navegando por algumas rotas deste mar imenso chamado Internet, hoje deparei-me com mais uma das muitas notícias tristes que ùltimamente nos chegam com relativa frequência e alusivas a Timor. Transcrevo-a: "Assalto na Areia Branca" "Ontem por volta das três da tarde, duas mulheres estrangeiras foram assaltadas na praia da Areia Branca, quando seguiam a pé pela estrada. Dois carros encurralaram- nas e os marginais ameaçaram-nas com facas. Roubaram-lhes as mochilas." . # posted by Malai Azul : 08:08 Eu sei que tudo muda nesta vida e principalmente quando quase 40 anos são passados. Mas, porque as coisas mudam para o lado ruim com um pêso maior do que o do lado bom? Afinal, o que terá que ser feito para que essa Terra maravilhosa volte a ter a tranquilidade de outrora, se bem que com os naturais ajustes a tempos mais modernos? Sempre sonhei e acreditei que Timor poderia um dia ser uma grande potência turística, amparada pela exploração de outras riquezas que também tem. Mas, está difícil. Porém, ainda tenho esperança em que se possa mudar a mentalidade de pessoas que criam inúmeros entraves no caminho do progresso e do bem estar. Quero voltar a Timor e sentir um ambiente de paz como nos idos de 1968 a 1970. Naqueles tempos, durante a semana ía várias vezes à praia da Areia Branca. No caminho desfrutávamos vistas como esta dos "beiros" dos pescadores na areia aguardando para saír ou chegando da faina. A "Areia Branca" era uma praia tranquila, como muitas outras nas cercanias de Díli, mas tinha alguns melhoramentos para nos proporcionar um melhor bem estar. Timor dáva-nos essa tranquilidade em qualquer lugar. No meu caso, usufruindo de um previlégio que poucos tiveram, levava junto a esposa e a filhinha timorense. Outras vezes ía decidido a fazer uma das coisas que mais gostava: mergulhar! E como era deslumbrante toda aquela vida submarina!!! Um banco maravilhoso de corais! Guardo, até hoje, uma colecção de conchas apanhadas por mim.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

PROFESSORES PARA TIMOR

Brasil inicia seleção de 13 professores para o Timor Leste O Ministério da Educação do Brasil informou ter iniciado um processo de seleção de 13 professores para lecionar no Timor Leste, na sequência de um acordo de cooperação entre os dois países. Os profissionais escolhidos vão auxiliar o trabalho de formação em língua portuguesa de professores de escolas primárias do Timor Leste, segundo informou o Ministério em comunicado. A seleção dos profissionais será pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão ligado ao Ministério da Educação, através da avaliação de currículos e da realização de entrevistas. O início das atividades dos profissionais selecionados deverá ocorrer na primeira quinzena de fevereiro, no Timor Leste, com duração de 12 meses. Os selecionados vão receber uma bolsa mensal entre US$ 1 mil e US$ 2 mi! l (de R$ 2,1 mil a R$ 4,2 mil), além de seguro saúde, subsídio de instalação e viagens para o Timor Leste. Desde 2005, quando foi iniciado o programa de cooperação entre o Brasil e o Timor Leste, cerca de 50 profissionais brasileiros já trabalharam na formação de professores em escolas primárias timorenses. Antiga colônia portuguesa, Timor Leste foi anexado pela Indonésia, que impôs o idioma bahasa e proibiu a utilização da língua portuguesa. "Depois da Independência, o português voltou a ser a língua oficial, ao lado do tétum, mas ainda é pouco utilizado pela população. Um dos objetivos do acordo de cooperação com o Brasil é reverter esse quadro", diz o comunicado.

sábado, janeiro 06, 2007

GOLPE DO TELEFONE - Utilidade Pública -

Jorge Monteiro (Inspector) Área Técnica Profisional Instituto superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais Quinta do Bom Sucesso, Barro - 2670 - 354 LOURES Telf: 219844265 E-mail: jorge.monteiro@pj.pt COMO FUNCIONA O GOLPE DO TELEFONE... Ligam para a sua casa, empresa ou telemóvel, dizendo que é do Departamento Técnico da empresa telefónica local, ou da empresa que trabalha para a mesma. Perguntam se o seu telefone dispõe de marcação por 'tons'. A marcação de um telefone pode ser por impulsos (pulse), ou por tons (tone). Hoje em dia, todos os telemóveis dispõem da marcação por tons, o mesmo acontecendo com a maioria dos telefones fixos. Com o pretexto de que estão a testar o seu telefone, pedem-lhe para discar 90#. Uma vez executada esta operação, a pessoa informa que não há nenhum problema com o seu telefone, agradece a colaboração e desliga. Terminado este procedimento, você acaba de habilitar sua linha telefónica como receptora a quem lhe acabou de lhe telefonar; isto chama-se 'CLONAGEM', ou seja, uma copia fiel da sua linha telefónica. Daí em diante, todas as ligações feitas por aquela pessoa que lhe telefonou inicialmente, serão DEBITADAS NA SUA CONTA DE TELEFONE. ATENÇÃO: Isto está a ocorrer com telefones fixos e com telemóveis. Nunca digite 90 # no seu telefone. Até agora as companhias telefónicas não sabem como parar, detectar ou evitar esta fraude. Por isso, é importante que essa informação SEJA PASSADA AO MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE PESSOAS

terça-feira, janeiro 02, 2007

ÉTICA. O QUE É ISSO?

Não! Acredito que não esteja só. Não quero crer que eu seja um único exemplar de espécie em extinção. Porém, não vejo ninguém a apontar o dedo; não leio nada a respeito;não escuto um grito de revolta. Naquele ou no outro jornal impresso não se lê uma crítica ou denúncia sobre a má qualidade de um produto ou sobre uma propaganda enganosa de empresa que do mesmo seja cliente. Nas rádios é a mesma coisa e nas redes de televisão também. É o materialismo sobrepondo-se ao moralismo e de maneira arrasadora. Há tempos que determinada rede de rádio e televisão vem gritando e esperneando por causa de monopólio de uma outra com relação às transmissões de jogos de futebol, sendo que a primeira dedica grande parte do seu tempo de transmissão ao desporto ao contrário do que acontece na última. Sempre dei razão a essa reclamação, pois que me via privado de assistir a um jogo importante, simplesmente porque a emissora monopolista optava pela exibição de mais um capítulo daquela novela, que é o seu carro chefe, não abrindo mão dos direitos de transmissão do jogo para qualquer uma outra. Últimamente até que fez um acordo com uma terceira e lhe empurrou algumas migalhas. A outra esbraveava ainda mais e até entrou ou pensou em entrar com uma acção na Justiça. Há poucos dias, a que tanto reclamou, que tanto bateu, que tanto xingou, fez um acordo com a do monopólio e vai receber as migalhas daquela terceira que agora ficou isolada. Retirou ou decidiu não entrar com a acção... E, pasmem, não ventila nada sobre esse acordo mas faz uma propaganda e tanto à sua nova grelha de transmissão de jogos de futebol. Temos também aquele programa de empréstimos de capital, por parte das Financeiras e Bancos, destinado aos aposentados e que lhes será descontado em folha pela entidade pagadora dos seus benefícios. Para os que emprestam o dinheiro é um verdadeiro negócio da China, sem riscos e com garantia total. O número dessas instituições aumentou assustadoramente e em qualquer esquina vemos uma. Em contrapartida, aquele coitado que ganha 500 paus por mês e se beneficia de um empréstimo de 3 mil, chega num momento em que terá que fazer um outro para poder pagar aquele e a bola de neve vai aumentando. Chega a hora em que não tem para comer até que a sua conta esteja liquidada. A propaganda paga que os meios de comunicação fazem desse programa é impressionante. Nada contra. Tudo a favor... Ninguém explica a esses coitados que tudo não passa de uma arapuca. Não vou deixar de assistir a um ou outro programa de televisão, não deixarei de pagar a assinatura do meu jornal e não desligarei o meu rádio de cabeceira que fica ligado 24 horas, por causa de toda essa falta de ética. Afinal, tenho que estar actualizado para poder criticar e sentir o meio em que estou vivendo.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

MANUAIS DA CÂMERA DIGITAL SONY W5

Tive grandes dificuldades em tentar traduzir os manuais em inglês, principalmente pelo tamanho. Numa pesquisa na Internet também foi difícil encontrar alguma coisa grátis... mas encontrei. Por isso, proponho-me a ajudar outros utentes desta câmera que tenham as mesmas dificuldades. http://www.sonydigital-link.com/manuals/manuals.asp?l=pt&sc=DSC&searchModelName=DSC-W5 MANUAL DA CAMERA SONY W5 Até à página 106 – Espanhol Da 107 em diante – Português http://pdf.crse.com/manuals/2586553321.pdf “LEIA ISTO PRIMEIRO” Resumo das instruções de operação