sábado, fevereiro 23, 2008

ORO-PRO-NÓBIS

Voltei pra Minas Gerais. Viagem louca e urgente. Quando retornava, na segunda de manhã, comprei um maço de orapornobis já com segundas intenções; faria um franguinho ou uma costelinha de porco do jeito mineiro. Pode se dizer também orapronobis o nome dessa planta encontrada em Minas Gerais ou oro-pro-nobis. Normalmente os galhos da planta viram uma moita.
As coisas se encandeiam quando se trata de mineiros. Cambada de "comi-queto" esse povo das alterosas que fica na moita quando o assunto tende a comprometê-lo. Na roça também, quando mineiro quer desaguar é atrás de uma moita que dá o serviço. Também os mineiros se amoitam quando quer dar "uns pega" na namorada ou no namorado (porque hoje em dia as meninas são tão ou mais assanhadas) pra não serem notados e do "pega" tem nascido muitos mineirinhos temporões. Fala-se que o mineiro vive na moita para dar o bote nos outros e teve até um que vendeu um lote na lua para um carioca na avenida principal.
Estava falando da moita de orapornobis, cujos galhos fincados na terra são espinhentos, mas as folhas são macias de uma textura igual a couve. Escrevi que comprei mas o correto é que consegui com uma dessas conversinhas mole de beira de estrada que a gente vai aprendendo. Encostei a barriga num desses fogões de tijolo cimentado, taipa e chapa quente de uns três metros por três metros de largura, com comida de todo tipo e lasquei o comentário certeiro: Não tem frango com orapornobis? Lógico que já sabia que não tinha. Daí pra segunda pergunta foi um pulo: Cês num tem a planta? Tinham e logo me arranjaram um maço devidamente embrulhado e na sacola. Na hora de pagar a conta do almoço não quiseram cobrar; era brinde da casa. Díficil foi mantê-la verdinha durante o restante do dia e a noite toda até chegar em casa. Imaginem que era segunda e o jantar foi terça de noite. Deu tudo certo. Vim jogando água mineral nela o tempo todo e depois em casa coloquei num desses vasos de cerâmica que parece que revigora as plantinhas.
Mas interessante é que depois do almoço, adiante de Diamantina, terra do presidente JK e dos caminhos do ouro e de diamantes, tinha numa dessas banquinhas de beira de estrada umas mulheres vendendo pequí, fruta do conde e marolo. Não tive dúvida de mandar parar e encostar o carro para dar uma geral. Valeu a pena. Imagine se ia perder de comprar pequí prum arroz tipo goiano (mas feito em todo Brasil) já que tinha conseguido a planta do frango no restaurante. Dei um virada no tempo nessa hora porque quando pequeno (uns oito anos) colhíamos no campo o tal de araticum que chamávamos de urticum ou urticum cagão e outros sitiantes falavam que era marolo, planta que é praga em alguns lugares por ser resistente a seca e ser de cerrado. Mas o cheiro é encantador e o sabor diferente de outras frutas. Acho que é o cheiro de minha infância que senti naquela hora. Lembrei-me do lugar onde colhíamos os marolos numa larga formação de pedra misturada com terra onde não adiantava plantar nada. Só as plantas nativas cresciam insistentemente igual nossas vidas secas naquelas regiões onde o sol um dia nos empurrou expulsando para outras estradas e caminhos.
Mas tinha também umas goiabinhas do campo com cheiro delicioso e sabor doce-azedinho que brotava naquelas terras entre pedregulhos. Cresciam também pés de marmelo cujas frutas nunca mais vi e pitanga que acompanhávamos as frutinhas pequenininhas e verdes, depois amarelas e finalmente vermelho-sol que derretiam na boca quando chegávamos antes dos pássaros.
É bom diferenciar a fruta do conde que veio de Portugal por volta de uns 375 anos trazida pelo Conde de Miranda e plantada na Bahia com o araticum ou marolo que é do nosso cerrado. Acho a pinha ou fruta do conde mais palatável se observar só características de leveza e sabor, mas o marolo é grosseiro, azedo e rústico como nosso povo do mato e de minha origem. No cheiro do marolo e no seu azedume busco meu avô, meus tios e toda aquela gente de chapéu de palha com rostos queimados e enrugados em terra e sol. E mais importante no olhar áspero de meu pai quando ralhava conosco. Nem precisava falar nada. Ali estavam incrustados todos esses cheiros azedados dos nossos dias e aprendizado de moleques de roça.
Mas vieram os pequís e os ramos de orapornobis e fizemos um tremendo jantar. Convoquei meus grandes amigos da hora e da vez e tudo saiu direitinho. Sabia que a Rosa manjava do arroz com pequí por que ela também é sertaneja de bons costado e com conhecimento de causa. Sabe tudo essa grande irmã que me socorre sempre nos apuros da vida. Passou e passa pelas fieiras do conhecimento da vida ralando o corpo e a alma nunha sofreguidão e alegria contagiante. Nos entendemos de muitos séculos porque a vida quis que enveredássemos atalhos semelhantes e próximos. Trocamos figurinhas colando muitas vezes nos mesmos cadernos. A Rosa é catingueira lá da Bahia com couro curtido de sol e muito suor. (Tua bênção minha irmã-comadre Rosa).
Ficou para a Carminha fazer as honras dos convites espalhando a notícia das iguarias de Minas e do jantar anunciado. Importante sempre é que só pessoal da Diretoria (como chamamos) entra nessas listas. Como nossa empresa é grande a gente divide por setores e departamentos. É para ninguém ficar com ciumes por não estar num ou noutro evento. Todos vão tendo vez.
Mas a Carmen coordenou tudo direitinho e de sobra fez o frango ficar delicioso com sua mão de mestra que só não vi fazer cair chuva ainda. Rápida e certeira. No decorrer do dia a Rosa enviou uma receita com fotos e tudo que estava coerente com nossos planejamentos gastronómicos. Deu tudo certo. Quem veio viu e se esbaldou. Quem não veio perdeu uma chance apenas porque inventaremos outros encontros pra jogar mais conversa fora e tomar umas e outras. Que teve inclusive umas pinguinhas que o Eduardo e o Serginho mataram, fóra as caipirinhas da Rosa que já estão ficando famosas.
São assim as coisas. Simples. Frango com arroz.
Orai por nóis!... --- Orapornobis --- Amem .
Autor e colaborador: Marcílio de Freitas

ARGUEIRO NOS OLHOS DE TIMOR

«Os australianos devem partir de Timor» declararam responsáveis timorenses do Campo de Deslocados do Aeroporto, situado às portas de Díli, que conta com mais de 4600 habitantes. A GNR portuguesa é a única força que respeita os timorenses, afirmam os mesmos responáveis.
A tensão entre os Deslocados timorenses do Campo do Aeroporto e as forças australianas aumentou em 2007 quando um blindado do exército australiano da «Stabilisation Force» em Timor Leste entrou no Campo, em 23 de Março de 2007, depois de ter destruído a barreira de limite do recinto, abrindo fogo contra os deslocados provocando a morte de dois residentes e ferindo gravemente um terceiro. A 31 de Outubro, do mesmo ano, um novo incidente é denunciado pelos Deslocados que afirmam que os militares australianos abriram fogo, sem razão aparente, ferindo gravemente um residente.
Os dois incidentes provocaram um mal-estar entre os Deslocados e as forças australianas presentes em Timor Leste, composta por 1200 militares, dos quais 200 da Nova Zelândia, e 70 polícias.
Gestos obscenos e sinais com a mão de ameaça de «cortarem cabeças» são constantes das forças australianas quando patrulham os campos, confirmaram os Refugiados. Durante a noite alguns blindados australianos circundam os campos, enquanto helicópteros das mesmas forças sobrevoam continuamente a capital Díli.
«Se os australianos tentarem entrar aqui vamos os receber com pedras» disse um jovem timorense do mesmo campo. «Os únicos militares que são bem vindos são os da GNR de Portugal» afirma o chefe do campo que considera os portugueses como os únicos que respeitam os timorenses. «Quando temos problemas só queremos a GNR» prossegue o mesmo responsável perante sinais de concordância de vários jovens.
Condensado do Jornal Digital (http://jornaldigital.com/

As acusações são gravíssimas. Todavia, para mim isso não me causa muita estranheza e sempre tenho publicado aqui o que penso sobre a Austrália com relação a Timor. O ventos que de lá sopram não são bons e, pelo passado não muito logínquo, durante a Segunda Grande Guerra, deveria existir reconhecimento e gratidão, pois os timorenses ofereceram grande resistência à invasão japonesa e aquele país beneficiou-se disso. Os grandes interesses económicos sobrepõem-se à moralidade. As forças da ONU ali estacionadas se constituídas com uma maioria arregimentada nos países dos PALOP, principalmente Portugal e Brasil, dariam um rumo muito diferente à consolidação de Timor.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

O MAJOR

Sempre que volto a Lisboa fico encantado. Nessa bela cidade morei, trabalhei e estudei. Aqueles eu considero os melhores anos da minha vida, independentemente da escala de valores que possamos usar para cada uma das fases da mesma. Tudo aquilo que vivemos na adolescência parece que se enraiza mais na nossa memória. Somos mais curiosos, mais livres, aventureiros e até desprendidos de grandes problemas, se bem que eles existiram. Voltei a radicar-me na cidade depois que voltei da comissão militar em Timor; outra fase da minha vida.
A última vez que estive em Lisboa foi em 2001. Como sempre faço, percorri as suas ruas, sózinho, numa peregrinação de saudade. Passei em cada um dos lugares que para mim fôram marcantes e não me importei com as mudanças que notei, pois elas não me dizem nada. Desterro, Intendente, Mouraria, Castelo; Av. de Roma, Alvalade, Lumiar, Ameixoeira; Cais do Sodré, Chiado, Bairro Alto. Em todos esses lugares eu passei mais uma vez, comtemplativo.
No Poço do Borratém ainda encontrei aquela tasca com grupos de jogadores de "sueca". Bebi um copo e observei-os por alguns momentos na sua agilidade com o baralho. São outros seguindo o ritual daqueles do meu tempo e que certamente já se fôram... Na rua dos Fanqueiros lá estava o prédio onde fôra o meu primeiro emprego -- Flores & Ferreira. Passei na rua dos Douradores e, mais uma vez, lá saboreei aquela "dobradinha" gostosa no Galego. Saí dali com ar feliz em direção à Ginginha.
No novo trajecto da minha caminhada notei que dois engraxadores conversavam, olhando para mim, e dando risadas entre eles. Escutei um dizendo: "é o Valentim Loureiro, pá..." Estava claro que a gozação era comigo, pois que a minha barba branca e porte físico emprestavam indiscutível semelhança... Voltei e, de dedo em riste disse-lhes: "podem chamar-me de filho da puta, cabrão e outros nomes mais, mesmo eu não sendo nada disso. Porém, jamais de chamem de Valentim Loureiro ou de Major, pois eu fico muito ofendido e poderei partir para a porrada". Eles ficaram boqueabertos, sem reacção, e eu segui o meu caminho.
Esse tal de Major -- Valentim Loureiro -- é uma das figuras mais sinistras. É prepotente, arrogante, mal educado e dono de outros adjectivos a serem aprovados pela Justiça, pois enfrenta vários processos nos Tribunais portugueses, a maioria deles relacionados com o futebol. Esta semana voltou a ser notícia nos jornais.

ZEITGEIST

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

DEVAGAR, COMPANHEIROS!

Durante todo o período em que Raúl Castro assumiu interinamente o poder, certamente algumas questões sobre mudanças fôram colocadas sobre a mesa e Fidel acompanhou esses debates. Não tenham dúvidas sobre isso. Fidel Castro jamais baixaria a guarda ou relaxaria a sua firmeza. Não iria auto-flagelar o seu orgulho e desbotar em dois ou três anos as cores com que pintou uma bandeira. Porém, isso não significa que não tenha chegado à conclusão de que devem ser implementadas algumas mudanças e notória abertura. Tudo isso acontecerá muito em breve e de modo gradativo, dando a ideia que Fidel nada tem a ver com isso... Tudo isso começará com reformas económicas prementes e, consequentemente, reformas políticas na rabeira da procissão.
Os Estados Unidos serão fulcro importantíssimo para alanvancar mudanças e acho que, independentemente de quem seja o vencedor das próximas eleições, a potência do Norte facilitará as coisas e a diáspora cubana não protestará porque vai compreender que há um processo de abertura que, mesmo tímido e sem a desenvoltura sonhada, será um primeiro passo.
É importante alertar alguns que já aventam aos quatro cantos que tudo mudou de ontem para hoje como se El Comandante tivese morrido. Calma! Devagar com o andor porque o santo é de barro...

LEMBRANDO MAIAKOVSKI

Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

LEMBRANDO MAIAKO

Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

PARTIDO SOCIALISTA

Finalmente, no PS, há quem esteja a acordar da letargia.
Ana Benavente Professora universitária, militante do PS

1. Não sou certamente a única socialista descontente com os tempos que vivemos e com o actual governo. Não pertenço a qualquer estrutura nacional e, na secção em que estou inscrita, não reconheço competência à sua presidência para aí debater, discutir, reflectir, apresentar propostas. Seria um mero ritual. Em política não há divórcios. Há afastamentos. Não me revejo neste partido calado e reverente que não tem, segundo os jornais, uma única pergunta a fazer ao secretário-geral na última comissão política. Uma parte dos seus actuais dirigentes são tão socialistas como qualquer neoliberal; outra parte outrora ocupada com o debate político e com a acção, ficou esmagada por mais de um milhão de votos nas últimas presidenciais e, sem saber que fazer com tal abundância, continuou na sua individualidade privilegiada. Outra parte, enfim, recebendo mais ou menos migalhas do poder, sente que ganhou uma maioria absoluta e considera, portanto, que só tem que ouvir os cidadãos (perdão, os eleitores ou os consumidores, como queiram) no final do mandato. Umas raríssimas vozes (raras, mesmo) vão ocasionando críticas ocasionais.
2. Para resolver o défice das contas públicas teria sido necessário adoptar as políticas económicas e sociais e a atitude governativa fechada e arrogante que temos vivido? Teria sido necessário pôr os professores de joelhos num pelourinho? Impor um estatuto baseado apenas nos últimos sete anos de carreira? Foi o que aconteceu com os "titulares" e "não titulares", uma nova casta que ainda não tinha sido inventada até hoje. E premiar "o melhor" professor ou professora? Não é verdade que "ninguém é professor sozinho" e que são necessárias equipas de docentes coesas e competentes, com metas claras, com estratégias bem definidas para alcançar o sucesso (a saber, a aprendizagem efectiva dos alunos)? Teria sido necessário aumentar as diferenças entre ricos e pobres? Criar mais desemprego? Enviar a GNR contra grevistas no seu direito constitucional? Penalizar as pequenas reformas com impostos? Criar tanto desacerto na justiça? Confirmar aqueles velhos mitos de que "quem paga é sempre o mais pequeno"? Continuar a ser preciso "apanhar" uma consulta e, não, "marcar" uma consulta? Ouvir o senhor ministro das Finanças (os exemplos são tantos que é difícil escolher um, de um homem reservado, aliás) afirmar que "nós não entramos nesses jogos", sendo os tais "jogos" as negociações salariais e de condições de trabalho entre Governo e sindicatos. Um "jogo"? Pensava eu que era um mecanismo de regulação que fazia parte dos regimes democráticos.
3. Na sua presidência europeia (são seis meses, não se esqueça), o senhor primeiro-ministro mostra-se eufórico e diz que somos um país feliz. Será? Será que vivemos a Europa como um assunto para especialistas europeus ou como uma questão que nos diz respeito a todos? Que sabemos nós desta presidência? Que se fazem muitas reuniões, conferências e declarações, cujos vagos conteúdos escapam ao comum dos mortais. O que é afinal o Tratado de Lisboa? Como se estrutura o poder na Europa? Quais os centros de decisão? Que novas cidadanias? Porque nos continuamos a afastar dos recém-chegados e dos antigos membros da Europa? Porque ocupamos sempre (nas estatísticas de salários, de poder de compra, na qualidade das prestações dos serviços públicos, no pessimismo quanto ao futuro, etc., etc.) os piores lugares? Porque temos tantos milhares de portugueses a viver no limiar da pobreza? Que bom seria se o senhor primeiro-ministro pudesse explicar, com palavras simples, a importância do Tratado de Lisboa para o bem-estar individual e colectivo dos cidadãos portugueses, económica, social e civicamente.
4. Quando os debates da Assembleia da República são traduzidos em termos futebolísticos, fico muito preocupada. A propósito do Orçamento do Estado para 2008, ouviu-se: "Quem ganha? Quem perde? que espectáculo!". "No primeiro debate perdi", dizia o actual líder do grupo parlamentar do PSD "mas no segundo ganhei" (mais ou menos assim). "Devolvam os bilhetes...", acrescentava outro líder, este de esquerda. E o país, onde fica? Que informação asseguram os deputados aos seus eleitores? De todos os partidos, aliás. Obrigada à TV Parlamento; só é pena ser tão maçadora. Órgão cujo presidente é eleito na Assembleia, o Conselho Nacional de Educação festeja 20 anos de existência. Criado como um órgão de participação crítica quanto às políticas educativas, os seus pareceres têm-se tornado cada vez mais raros. Para mim, que trabalho em educação, parece-me cada vez mais o palácio da bela adormecida (a bela é a participação democrática, claro). E que dizer do orçamento para a cultura, que se torna ainda menos relevante? É assim que se investe "nas pessoas" ou o PS já não considera que "as pessoas estão primeiro"?
5. Sinto-me num país tristonho e cabisbaixo, com o PS a substituir as políticas eventuais do PSD (que não sabe, por isso, para que lado se virar). Quanto mais circo, menos pão. Diante dos espectáculos oficiais bem orquestrados que a TV mostra, dos anúncios de um bem-estar sem fim que um dia virá (quanto sebastianismo!), apetece-me muitas vezes dizer: "Aqui há palhaços". E os palhaços somos nós. As únicas críticas sistemáticas às agressões quotidianas à liberdade de expressão são as do Gato Fedorento. Já agora, ficava tão bem a um governo do PS acabar com os abusos da EDP, empresa pública, que manda o "homem do alicate" cortar a luz se o cidadão se atrasa uns dias no seu pagamento, consumidor regular e cumpridor... Quando há avarias, nós cortamos-lhes o quê? Somos cidadãos castigados! O país cansa!Os partidos são necessários à democracia mas temos que ser mais exigentes. Movimentos cívicos...procuram-se (já há alguns, são precisos mais). As anedotas e brincadeiras com o "olhe que agora é perigoso criticar o primeiro-ministro" não me fazem rir. Pela liberdade muitos deram a vida. Pela liberdade muitos demos o nosso trabalho, a nossa vontade, o nosso entusiasmo. Com certeza somos muitos os que não gostamos de brincar com coisas tão sérias, sobretudo com um governo do Partido Socialista!

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

URSO DE OURO

Surpresa! Sim, constituíu uma grande surpresa a conquista do troféu "Urso de Ouro" pelo cinema brasileiro com o filme "Tropa de Elite". Talvez mais por parte dos estrangeiros, pois que os brasileiros mantiveram a fé até ao fim. Tive a oportunidade de assistir esse filme e gostei. Dou os meus parabéns a todos os que trabalharam nessa produção.
Esse filme, de algum modo, mexeu muito com os brasileiros e não é em vão que constitui um recorde de bilheteria. Até mesmo as vendas do vídeo atingiram nível muito alto e tudo continúa de vento em pôpa.
Quando digo que mexeu muito, refiro-me exactamente à realidade do dia a dia que o filme mostra. Existe um desejo enorme que essa ficção se torne realidade e, pelo andar da carruagem, parece já começarem a ser atingidos alguns desses objectivos. A própria Polícia Militar, no Rio de Janeiro, começou a sentir uma certa pressão, pois o filme retrata a corrupção existente no seu seio por parte de alguns grupos.
A violência e, consequentemente a insegurança e revolta, são parte de um todo que atingem grandes proporções no Brasil. O cidadão comum está de mãos amarradas e nada pode fazer. Nem deve. Chega-se ao ponto, como já outrora aconteceu com força notória, de o cidadão aprovar as grandes chacinas praticadas por elementos das polícias ao arrepio da lei. Como antigamente os esquadrões da morte.
O filme mostra-nos o procedimento de uma outra parte da polícia; aquela que vai procurar e extirpar o tumor como uma medida radical, sem ordens judiciais que aqui representam os medicamentos que não curam o mal. O inimigo, a princípio, é o mesmo. As razões e a força motora interior de uma "tropa de elite" diferem de um "esquadrão da morte" e por isso mesmo tem os aplausos da "plateia".

VIVA KOSOVO!

17 de Fevereiro será, a partir de agora, uma data importantíssima para os kosovares, pois foi decretada a independência de Kosovo. Em qualquer país do mundo que outrora tenha sido agregado, comquistado e colonizado, a data da sua libertação será sempre, de entre outras, a mais importante para o seu povo e, portanto, sempre comemorada a cada ano que passe. Sou a favor desta independência e de outras que por aí virão... Sou a favor da liberdade de todos os povos que têm uma identidade própria e que almejam separar-se daqueles com os quais não se identificam.
Os kosovares de etnia albanesa foram sempre perseguidos e massacrados. Mais tarde ou mais cedo, este momento tanto esperado surgiria. Todos sabemos que as coisas não serão fáceis daqui para a frente e temo que muito sangue possa correr. A Carta das Nações Unidas, no seu artigo primeiro, nº 2, reconhece o direito de todos os povos à autodeterminação. Todavia é de lamentar que algumas nações se oponham a essa e outras independências e pior, que algumas fiquem em cima do muro para só mais tarde decidirem para que lado vão pular
...
Outros povos estão na fila para um dia proclamarem, também, a sua independência. Não me vou referir a todos, pois muitos existem sufocados e espezinhados por esse mundo fora. Frisarei, como exemplos, a Catalunha, País Basco, Galiza, Chipre.

Talvez seja na Espanha o próximo caldeirão a levantar fervura. É um país grande e com enorme desenvolvimento econômico. Um dos mais aprazíveis do mundo. É um país bonito, riquíssimo em monumentos históricos, clima temperado. Um verdadeiro paraíso para todos os que o visitam como eu já fiz muitas vezes, até porque nasci e me criei bem perto da fronteira. A Espanha tem grandes empresas que investem no exterior e isso é notório aqui no Brasil.
A partir de 1978, com a nova Constituição, as partes de um todo passaram a denominar-se “Regiões Autônomas”. Em relação ao longo período da ditadura franquista, essas regiões são como aquelas crianças que se lambuzam com guloseimas que há muito não saboreavam. A idéia do separatismo está incandescente. Para bascos, catalães e outros, a prosperidade da Espanha nos dias de hoje não lhes diz nada. Para eles isso é o que menor importância tem.
A Catalunha, por exemplo, nunca teve nada a ver com a Espanha... No século XI, unida com Aragão, dominou as Ilhas Baleares, a coroa da Sicília, a Sardenha e o reino de Nápoles. Em 1469, com o casamento de Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, foi então absorvida. É um país colonizado! E não adianta Don Juan Carlos mandar que eu e outros se calem...
Outros povos, além dos que citei aqui, tem a sua história e situações idênticas certamente. Abordei o caso da Catalunha como um exemplo entre tantos outros e mais porque é notícia constante de há muitos anos a esta parte. Com o caso de Kosovo, agora, os ventos começarão a soprar muito fortemente em várias latitudes. É só esperar para ver!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

PAZ ATRAVÉS DA FIRMEZA E JUSTIÇA

Em declarações à Lusa em Bruxelas, a eurodeputada socialista, Ana Gomes, manifestou a sua "emoção e perturbação" pelos ataques José Ramos-Horta e Xanana Gusmão e também "algum alívio por Reinado estar morto".
Segundo a antiga diplomata, o major rebelde, que terá liderado o ataque contra a casa do Presidente timorense era "um criminoso e um indivíduo desequilibrado", um "Rambo" idolatrado pelos "gangs" de jovens desempregados.
Ana Gomes não percebe, por isso, as atitudes "demasiado apaziguadoras" adoptadas pelas autoridades timorenses - Ramos-Horta chegou recentemente a encetar conversações com o líder rebelde - e também pelas forças australianas e da própria ONU. Esta atitude "não poderia dar bons frutos, como demonstram os dramáticos episódios de hoje", lamentou, lembrando o papel central assumido pelo antigo comandante militar, que se rebelou contra as chefias militares na crise que atingiu Díli na Primavera de 2006."Este dramático episódio mostra que não é possível lidar com criminosos de forma frouxa e espero que sirva de lição.
A tentação de ser demasiado apaziguador é prejudicial, mina a gestão da justiça e as bases do direito fundamental", comentou Ana Gomes, que espera a partir de agora "mais firmeza das autoridades de Timor e de quem lá está a apoiá-las". A antiga embaixadora de Portugal em Jacarta considera que é necessário continuar a seguir atentamente outros revoltosos e os "gangs" que apoiavam Reinado, mas manifestou-se convicta de que estes desmobilizarão sem a sua liderança, tanto mais que este foi morto quando atentava contra a vida do Presidente de Timor.
Newsletter "Público"

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

ACORDA TIMOR!

Os últimos acontecimentos em Timor não são de todo uma grande surpresa, pois algo estava na forja há muito tempo. A surpresa foi a magnitude das ações. Esta é uma opinião minha e formada a partir de detalhes conhecidos através da imprensa internacional nas notícias de última hora e que associei ao que de estranho se passou durante muito tempo com relação ao major Reinaldo. Afinal, foragido da Justiça e conhecido o seu paradeiro por muita gente importante, porque razão nunca se colocou côbro a essa situação esdrúxula? Será porque os australianos lhe davam cobertura?--- Mas, se assim é, a gravidade da situação é muito maior, pois deduz-se haver conivência no que se passou agora. Muita coisa terá que ser descortinada e os timorenses teem direito de saber o que acontece no seu País.

INTERROGAÇÃO

No meu entender, os últimos acontecimentos em Timor estavam de certo modo previstos. Não com essa magnitude, mas algo de grave estava na forja.
O paradeiro do major Reinaldo, fugitivo da Justiça, era conhecido por alguns, principalmente australianos...

GOLO DE PLACA

Duas copas do mundo consecutivas falando português? Legal!, dirão os brasileiros. Bestial!, dirão os portugueses. A de 2014 organizada pelo Brasil e a de 2018 por Portugal. Eu estaria presente nos dois eventos, acreditando que possa viver até lá...
Em crónica anterior referi-me à copa no Brasil e expressei todas as minhas dúvidas quanto à realização da mesma. Ainda hoje não acredito nisso e não é porque seja pessimista ou esteja torcendo contra. Decidido que será aqui disputada, não vi até agora qualquer movimentação concreta, principalmente no que diz respeito à construção de novos estádios e sete anos não é muito tempo para tanta inércia e tranquilidade. É notório que muitos outros problemas surgirão.
Portugal é um dos candidatos à realização do evento de 2018 e sobre isso ainda não me tinha pronunciado. Com relação aos estádios, existem alguns novos e de última geração; outros ainda teriam que ser construídos. Porém, os mesmos problemas que pipocam no Brasil também pipocam em Portugal e a única diferença é que teve alguém de peso que já se pronunciou a respeito --- o Presidente da República!
É notório que existem nos dois países coisas muito mais importantes para serem abordadas e muitos problemas para serem resolvidos. As prioridades são outras sem quaisquer sombras de dúvida. Os dois povos são apaixonados pelo futebol, é certo, mas colocarão essa paixão em segundo plano se perceberem que algo estará sendo feito que vise o seu bem estar e lhes proporcione uma vida digna.

TIMOR EM PERIGO!

O bispo resignatário de Díli, D. Ximenes Belo, disse esta segunda-feira à TSF que está «profundamente triste» com os últimos acontecimentos em Timor-Leste que feriram com gravidade o presidente timorense, Ramos Horta.
Para D. Ximenes é com «infelicidade» que observa que «o esforço feito nos últimos dois anos não teve qualquer efeito». O bispo apela ainda à «calma» e pede aos timorenses que respeitem o Estado de direito.
As Nações Unidas apelaram à população em Díli para restringerem os movimentos e não saírem de casa se não for estritamente necessários.
O embaixador português Ramos Pinto afirmou à SIC Notícias que a situação em Díli está «calma» e não há relatos de confrontos. Contudo, aconselhou a comunidade portuguesa - via sms - a permanecer em casa e a circular o mínimo possível.
O líder do Partido Socialista de Timor-Leste (PST), Avelino Coelho, condenou esta segunda-feira os ataques ao presidente e ao primeiro-ministro timorenses, sublinhando que qualquer ataque àquelas personalidades é um «atentado à segurança do Estado», escreve a Lusa.
Avelino Coelho, antigo membro do Conselho de Estado, afirmou estar «preocupado com a estabilidade no país», mas sublinhou acreditar que o Governo irá «tomar as medidas necessárias».
«Qualquer ataque a um presidente ou a um primeiro-ministro é um atentado à segurança do Estado. É preocupante e estou preocupado, mas acredito que o governo de Xanana Gusmão irá tomar as medidas necessárias para estabilizar o país», sublinhou o líder do PST.
Afirmando não dispor ainda de «muitos pormenores», Avelino Coelho recusou responsabilizar o governo por um «eventual desleixo» em relação ao major Alfredo Reinado, supostamente líder do grupo armado que atacou quer o presidente José Ramos-Horta quer o primeiro-ministro Xanana Gusmão.
«Pelo contrário, ao longo destes últimos meses, o governo deu sinais claros de que queria ver a situação resolvida e disse isso mesmo aos peticionários» que estiveram sempre ao lado de Reinado, sustentou o antigo candidato presidencial.
Avelino Coelho, ex-deputado, responsabilizou a «intransigência» de Reinado, que, segundo fontes oficiais e policiais, foi morto na emboscada que protagonizou, face às constantes aberturas do executivo de Díli na tentativa de resolver o problema.
Notícias: PortugalDiário
Fotos: Internet

CONTRADIÇÕES

Na minha caixa de correio, na Internet, estou recebendo este texto enviado por amigos que entraram nessa corrente. A alguns dos mais chegados respondi com uma pequena nota comentando o assunto e, como continúo recebendo, resolvi publicar no blog como uma participação da minha parte, não sem meter a colher, apesar da minha convicção sobre quanto é melindroso este tema.
Numa primeira leitura do texto conclui-se que o mesmo foi elaborado por um cidadão judeu, quiçá americano...
Não me dei ao trabalho de uma pesquisa sobre exactamente o que Eisenhower tenha ou não dito, mas sempre fico com um pé atrás quando de certos tipos de propaganda americana. Porém, isso não vem tanto ao caso. Todavia reconheço que tem sido atendido totalmente o apelo do ex-presidente no decorrer destas seis décadas.
Estranho muito a revolta manifestada por alguns perante decisões como a do Reino Unido, pois evidencia uma grande contradição ao se comparar com o que sucedeu no Carnaval do Rio de Janeiro, onde a Associação Israelita recorreu à Justiça para proibir a exibição desse tema no desfile de uma das escolas de samba. Não entendo! Essas imagens seriam vistas por muito mais de 40 milhões em todo o mundo...
Exactamente, como foi previsto há cerca de 60 anos

É uma questão de História lembrar que, quando o Supremo Comandante das Forças aliadas, General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotos, e fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos e até mesmo enterrassem os mortos.
E o motivo, ele assim explanou: ' Que se tenha o máximo de documentação - façam filmes - gravem testemunhos - porque, em algum ponto ao longo da história, algum bastardo se erguerá e dirá que isto nunca aconteceu'.
'Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam'.
(Edmund Burke)
Relembrando:
Esta semana, o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares porque 'ofendia' a população muçulmana, que afirma que o Holocausto nunca aconteceu... Este é um presságio assustador sobre o medo que está atingindo o mundo, e o quão facilmente cada país está se deixando levar.
Estamos há mais de 60 anos do término da Segunda Guerra Mundial. Este email está sendo enviado como uma corrente, em memória dos 6 milhões de judeus,20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos, e 1900 padres católicos que foram assassinados, massacrados, violentados, queimados , mortos de fome e humilhados , enquanto Alemanha e Rússia olhavam em outras direcções. Agora, mais do que nunca, com o Irão, entre outros, sustentando que o 'Holocausto é um mito', torna-se imperativo fazer com que o mundo jamais esqueça. A intenção em enviar este email, é que ele seja lido por 40 milhões de pessoas em todo o mundo.
Seja um elo desta corrente e ajude a enviar o email para o mundo todo. Não o apague. Você gastará, apenas, um minuto do seu tempo a reencaminhá-lo.

domingo, fevereiro 10, 2008

DUAS ÉPOCAS DE SÃO PAULO

No pretérito dia 25 de Janeiro, data da comemoração do 454º aniversário da cidade de São Paulo, nada escrevi a respeito. Procurei algo que melhor constituísse um presente que as palavras que porventura escrevesse.
As fotos seguintes referem-se a duas épocas de um mesmo lugar da cidade e, na minha opinião, antigamente São Paulo era uma cidade muito mais bonita. Concordam?...
Identificação das imagens, da esquerda para a direita e de cima para baixo:
1 - Praça Ramos Azevedo - 1916 e 2007
2 - Rua Boavista - 1916 e 2007
3 - Rua Santo Amaro - 1862 e 2007
4 - Rua Direita - 1862 e 2007
5 - Estação da Luz - 1917 e 2007
6 - Largo da Memória - 1935 e 2007
7 - Igreja Santa Efigénia - 1862 e 2007
8 - Igreja do Carmo e Av. Rangel Pestana - 1817 e 2007
9 - Rua Florêncio de Abreu - 1914 e 2007
10 - Rua José Bonifácio - 1914 e 2007
11 - Rua XV Novembro - 1862 e 2007

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

CARTÃO CORPORATIVO (3)

CARTÃO CORPORATIVO (2)

CARTÃO CORPORATIVO (1)

MINEIRICES...

Numa degustação de vinho em Minas Gerais:
- Hummm...
- Hummm...
- Eca!
- Eca?! Quem falou Eca?
- Fui eu, sô! O senhor num acha que esse vinho tá com um gostim estranho?
- Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas...
- Puta que pariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo?!
- Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?
- Cebesta, eu não! Sou isso não senhor! Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à minha egüinha Gertrudes depois da chuva, lá isso tá!
- Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild!
- O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro. O senhor tá gripado, é?
- Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e,então...
- E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada!
- O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no...
- Mais num vai introduzi mais é nunca! Desafasta, coisa ruim!
- Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens...
- Hã-hã... Eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta...
- O senhor poderia começar com um Beaujolais!
- Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana!
- Então, que tal um mais encorpado?
- Óia lá, ocê tá brincano com fogo...
- Ou, então, um suave fresco! - Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando de vontade de meter um tapa na sua cara desavergonhada!
- Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar!
- Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, memo! Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima com brabuleta...
- Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?
- E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu?
- Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei?
- Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão sarnento! Engulidô de rôia!
- Mole e redondo, com bouquet forte?
- Agora, ocê pulô o corguim! E é um... e é dois... e é treis! Num corre, não, fio da puta! Vorta aqui que eu te arrebento, sua bicha fedorenta!

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

DEFINIÇÕES DE "GAJA"

1. Gajas de classe baixa: São gajas que trazem para o leito a rudeza do trabalho agrícola. Comportam-se como se estivessem a malhar o milho, só que a maçaroca é o nosso nabo e elas malham com o bordedo. Se não estivesse bem presa ao corpo, estou convencido de que nos arrancavam a picha à conada. Regra geral, são gajas que não se negam a levar na bufa, pois desde tenra idade há um primo, inevitavelmente chamado Alfredo, que lhes rebenta as nalgas com o seu barrote que, de tanto enrabar ovelhas, até tem varizes no lombo.
2. Gajas de classe média: São gajas que fodem com requinte. Podem não ter o instinto animal das gajas de classe baixa, mas sabem alguns truques que aprenderam lá fora. Aliam a desinibição resultante de educação progressista a uma ânsia de saber que lhes permite manterem-se informadas sobre as mais modernas técnicas de mamar na sardanisca e de dar trancadas inovadoras, que aprendem nas revistas femininas.
3. Gajas de classe alta: São gajas que compensam alguma falta de prática e talento com o facto de terem condições financeiras para andar a embelezar as tetas, a peida e a própria pachacha. Estas gajas não tiveram primos de picha calejada a desbravar caminho. Todos os seus familiares do sexo masculino são panascas. Mas elas tentaram, pelos seus próprios meios, iniciar actividades fodengas enfiando objectos rombos no seu endinheirado pipi. Em casa destas gajas há sempre qualquer coisa que serve para esse efeito: um castiçal de prata, uma perna de uma cadeira D. João V, uma tela do Cargaleiro toda enroladinha para enfiar no cu (que é, aliás, o lugar dela). Estas gajas têm uma grande falta de nabo, dada a paneleirice do meio em que vivem. Por isso, assim que se apanham com um gajo que cheire a animal e lhes dê umas piçadas a sério, dispara-lhes o fusível e desatam a foder como se não houvesse amanhã. Nessa altura, proporcionam festa bem rija na cama.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

PORTUGAL x ITÁLIA

Mais uma vez perdemos um jogo com a Itália...
Pelo jogo apresentado, o resultado de 3 x 1 é injusto e melhor se justificaria um empate, não fôra a deficiência do goleiro (guarda redes) português, Ricardo.
E são os guarda redes que me trazem hoje a abordar o tema futebol, começando por perguntar porque motivos Scolari não faz um revezamento dos mesmos, principalmente nestes jogos amistosos? A mesma questão se coloca em relação a outros times, pois esta é uma função com pouquíssima rotatividade e em meu parecer não deveria ser assim. Tem goleiros que envelhecem sentados no banco de reservas, enquanto os jogadores de outras funções fazem um rodízio constante.
Na década de 60, quando o meu glorioso Benfica foi duas vezes consecutivas campeão europeu, os dois principais guarda redes do time eram Costa Pereira e Bastos. Disso certamente se lembram alguns dos meus leitores. Esses dois se revezavam; uma semana um era o titular e na outra semana o outro. Aliás, o Benfica chegou a apresentar uma formação nos jogos da taça dos campeões e outra totalmente diferente na disputa do campeonato nacional português. Houve até um certo mal estar de alguns dirigentes de organismos internacionais por causa disso, mas era legal...
Dei aqui o meu recado ao Felipão!

terça-feira, fevereiro 05, 2008

TRIGÉMEOS

Uma fervorosa militante colocou os nomes em seus trigêmeos de:
Lulla, Petê e Brasília.
O marido metalúrgico ligou do trabalho pra saber notícias dos filhos:
'Estão todos bem.' - disse a militante
. 'Lulla brincando com seu aviãozinho, Petê quietinho mamando, só Brasília é que está toda cagada.'

domingo, fevereiro 03, 2008

CONTRIBUIÇÕES E IMPOSTOS

Em cada 100 euros que o patrão paga pela minha força de trabalho, o Estado, e muito bem, tira-me 20 euros para o IRS e 11 euros para a Segurança Social.
O meu patrão, por cada 100 euros que paga pela minha força de trabalho, é obrigado a dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75 euros para a Segurança Social.
E por cada 100 euros de riqueza que eu produzo, o Estado, e muito bem, retira ao meu patrão outros 33 euros.
Cada vez que eu, no supermercado, gasto os 100 euros que o meu patrão pagou, o Estado, e muito bem, fica com 21 euros para si.
Em resumo:
Quando ganho 100 euros, o Estado fica quase com 55.
Quando gasto 100 euros, o Estado, no mínimo, cobra 21.
Quando lucro 100 euros, o Estado enriquece 33.
Quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.
Eu pago e acho muito bem, portanto exijo:
Um sistema de ensino que garanta cultura, civismo e futuro Emprego para os meus filhos.
Serviços de saúde exemplares.
Um hospital bem equipado a menos de 20 km da minha casa.
Estradas largas, sem buracos e bem sinalizadas em todo o país.
Auto-estradas sem portagens.
Pontes que não caiam.
Tribunais com capacidade para decidir processos em menos de um ano.
Uma máquina fiscal que cobre igualitariamente os impostos.
Eu pago, e por isso quero ter, quando lá chegar, a reforma garantida.
Jardins públicos e espaços verdes bem tratados e seguros.
Polícia eficiente e equipada.
Os monumentos do meu País bem conservados e abertos ao público, uma orquestra sinfónica.
Filmes criados no país.
E, no mínimo, que não haja um único caso de fome e miséria nesta terra.
Na pior das hipóteses, cada 300 euros em circulação no país garantem ao Estado 100 euros de receita. Portanto, senhores governantes, governem-se com o dinheirinho que lhes dou porque eu quero e tenho direito a tudo isto.
Isto vale para Portugal e Brasil, pois sou contribuinte nos dois países.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

PAI E FILHO

"Filho, querido, estás a cometer no Iraque o mesmo erro que eu cometi com a tua mãe: não retirei a tempo... "
SON, YOU ARE MAKING IN IRAQ THESAME MISTAKE I HAVE DONE IT WITH YOUR MOTHER: didn`t withraw at right time...

LETRA DA MARCHINHA DE CARNAVAL

ELES TÃO METENDO A MÃO

Rômulo Marinho e Gustavo Dourado (Amargedom)

ELES TÃO METENDO A MÃO

NO DINHEIRO DA NAÇÃO

O CONGRESSO MARAVILHA

É MALOCA DE QUADRILHAO REI DA MARACUTAIA

VIVE DE PAPO FURADO

VALEU AQUELA PUTA VAIA

NO MARACANÃ LOTADO...(Bis)

TEM MUITA GENTE SABIDA

DILAPIDANDO O ERÁRIO

METENDO A MÃO NO TESOURO

DETONANDO O MEU SALÁRIO

E ALI BABÁ NADA SABE...

ELE PENSA QUE "NÓIS" É OTÁRIO!

ALI BEBUM NADA SABE...

ELE PENSA QUE "NÓIS" É OTÁRIO!(Bis)

ELES TÃO METENDO A MÃO!

MARCHINHA DE CARNAVAL

VAMOS SAMBAR! VAMOS PULAR!

Hoje vão esquentar os tamborins a anunciar o início de mais um Carnaval.
Todos os problemas serão esquecidos nestes cinco dias; os anteriores e os futuros. E é aproveitando essas brechas que os espertalhões de plantão aprontam mais algumas das suas...
Os brasileiros vivem esta quadra festiva com grande euforia e fazem uma espécie de lavagem cerebral. É um processo contagioso, confesso... e concordo com a letra de uma marchinha antiga que diz: "Quem não gosta de Carnaval/ Bom sujeito não é/ É doente da cabeça/ Ou doente do pé...
Mas, o que tem a ver a ilustração desta postagem com o Carnaval? Perguntarão alguns. E eu respondo: Tudo a ver! Uma das medidas positivas do Governo é a ampla propaganda e fornecimento de anti-concepcionais, principalmente visando a prevenção de problemas de saúde.
A Igreja Católica, como sempre, anda na contra-mão dessa política saudável e, desta vez, accionou a Justiça para suspender a propaganda da "pílula do dia seguinte".
Como é Carnaval e seguindo a regra, não me alongarei mais comentando o assunto. Enquanto digito, o meu pé já está ensaiando uma batida de Samba.
Cartoon de Vilhena