sexta-feira, maio 22, 2009

Dia da Cachaça

Ontem comemorou-se o "Dia Nacional da Cachaça" e eu esqueci-me de o referir neste meu espaço. Talvez porque eu tenha tomado umas caipirinhas ao entardecer, como aperitivo antes das cervejinhas geladas que vieram depois...
Nunca é tarde para fazer a minha homenagem a esse nectar dos Deuses e isso eu faço-o agora. Que jamais falte uma cachacinha ou uma bagaceirinha, pois eu alterno a degustação de uma e outra; coisa das duas nacionalidades na veia...
Não sou pinguço, não! Bebo a minha cachaça com moderação e nunca de um trago só; gosto de ir sentindo o sabor, do mesmo modo como o acariciar do corpo de uma bela mulher...
Um viva para elas; as cachaças e as mulheres!

quarta-feira, maio 20, 2009

Churrasco Gaúcho

Atual

Eça de Queiroz
OS POLÍTICOS E AS FRALDAS DEVEM SER TROCADOS FREQUENTEMENTE E PELA MESMA RAZÃO

Solidariedade: Não!

Da mesma maneira que eu fiz neste espaço, muitos outros também o fizeram, pois a todos revolta o porquê das grandes catástrofes a que assistimos ùltimamente no Norte, Sul e Nordeste do Brasil. Ninguém aponta como vilão o aquecimento solar ou a revolta da Natureza. Os grandes culpados são aqueles a quem um dia o Presidente denominou de "picaretas" e isso e o porquê todos nós sabemos.
Alguns deles mandam-nos lixar. Outros, como o que colocou resposta no Painel do Leitor (Folha de S. Paulo) a críticas recebidas, sacodem o capote com a mesma ladainha de sempre.
Só isto e o histórico do que sempre acontece quando todos somos chamados a ser solidários --- e que somos --- desperta-nos um sentimento de raiva e a decisão de nunca mais ajudar. Eu não ajudo mais! Eles têm obrigação de gerir os seus Estados ou Municípios com ética e responsabilidade. Aqueles que neles votaram ou venham a votar deverão começar a perceber o que está certo e errado e não ficar aguardando esmolas eternamente.
Do Norte passo para o Sul para meter o cacête num tal de Ismael Ratzkob (nome estranho...), que se apropriou de doações de todos nós solidários com o povo sofrido de Santa Catarina e as vendia quando foi preso. Justifica-se ele do seguinte modo:
-- "É sobra de donativos e as Prefeituras não têm onde colocar. Vão fazer um buraco grande, colocar tudo dentro e depois tapar com terra. Vendo porque me foi doado e eu faço com o material o que quiser. Não paguei um centavo por esses produtos. Eu tive custos para ir lá buscar e vendo barato. Quanto aos alimentos, é tudo sobra; são produtos que estão vencendo ou já vencidos e vou doá-los para os meus funcionários ou pegar para mim."
A minha liberdade de expressão não é tão livre assim e, por isso mesmo, se até as insinuações cabíveis são auto censuradas, muito mais o é aquilo que realmente penso como solução para estes crimes hediondos.
Calem-se os apelos próximos ou distantes e que valores mais altos se levantem!...

terça-feira, maio 19, 2009

Adegas de Estremoz

Nem sempre é possível postar aqui uma matéria no dia certo ou sem muito atrazo. Infelizmente dependo de um serviço de acesso à Internet que é campeão de reclamações no Brasil e muitos são os dias em que fica tudo fóra do ar. Ainda aqui abordarei esse assunto especìficamente e juntar-me-ei a outras vozes que já começam a contestar a concessão dos serviços à Telefonica pelo desastrado governo anterior do senhor Fernando Henrique Cardoso.
Esqueçamos esse e outros nomes que acabam por ser mesquinhos. Colocarei uma nota referente a um grande estremocense que, infelizmente, nos deixou no passado dia 11 deste mês.
Para todos, sómente Isaías! Quem, além dos seus conterrâneos, conheceu a "Adega do Isaías" em Estremoz? --- Milhares de pessoas! Nacional e internacionalmente, pois a sua arte gastronómica foi reconhecida e premiada.
Eu, em especial, pouco me poderei alongar em detalhes sobre o Isaías pois que, na verdade, conheci mais o seu pai e a mesma taberna com o nome de "Adega do Zé da Glória".
Das vezes que voltei a Estremoz durante os 37 anos de imigração no Brasil, algumas eu almocei naquele local quando para tal havia lugar disponível. E, exactamente como está na foto que aqui publico, quase sempre eu o encontrava sentado naquele lugar da rua, talvez para que uma vaga mais ficasse à disposição...
Certifiquei-me do quão era frequentado por ex militares do Regimento de Cavalaria 3 e suas respectivas famílias em visita de saudade à cidade e, claro, ao local onde muitas vezes petiscaram e deram de beber à dor... É possível, até, que muitos deles venham a saber deste último acontecimento através da minha postagem ou por outros que, como eu, escrevem nestes recantos cibernéticos.
Como citei acima e apesar da minha tenra idade, tenho mais viva na memória a taberna quando gerida pelo pai de Isaías. Vivi até aos 11 anos em Estremoz e fui depois para Évora. Nesses anos da minha infância, muitas vezes acompanhava o meu pai num triângulo de tascas --- "Zé da Glória", "Júlio Zé Gato" e "Pilhó Pato". As duas primeiras bem perto uma da outra e a última perto da antiga cadeia no Castelo. Hoje a permanência de crianças nesses locais não é bem vista, se bem que naquela época também só poderia acontecer na companhia dos pais. Porém, quieto ficava num canto e me deslumbrava com os torneios de malha e chito disputados pelos adultos e com e exuberância daquelas talhas cheias de vinho que íam enchendo as jarras que os serviam. São lembranças.

69 Porco

Alteração necessária

Um índio vai ao Cartório e solicita mudança de nome.
O escrevente pergunta:
- Qual o seu nome?
Responde o índio:
- Grande Nuvem Azul Que Leva Mensagem ao Mundo!
Pergunta o escrivente:
- E como se quer chamar?
Resposta do índio:
- E-Mail

Sem explicação

"90 people get the Swine Flu and everybody wants to wear a mask. A million people have AIDS and no one wants to wear a condom."

Portugal -- 2° Lugar em Transplantes

Suponho que sempre foi assim: maior o número de notícias ruins e menor o de boas. Mas, quando nos defrontamos com uma boa e do calibre desta, que coloca Portugal em segundo lugar numa tabela mundial no número de transplantes, isso deleta um montão das ruins da nossa mente ou, pelo menos, as coloca num patamar terciário. Melhor que tudo, afaga-nos o ego e eleva-nos o orgulho.

Uma média de quase 27 doadores por milhão de habitantes. Um número crescente de inscrições como possíveis doadores. Um espírito de solidariedade também crescente ou, melhor, o renascimento desse espírito que sempre existiu entre nós.

È também agradável verificar que se começa a alastrar o número de Centros de Transplante, bem como o número de Coordenadores Hospitalares de Doação.

Quando os governos fazem a sua parte com transparência e consciência, indubitàvelmente o Povo exerce a sua cidadania com prazer.

sexta-feira, maio 15, 2009

Que se lixem

A propaganda no meu espaço, neste caso, é gratuita... É uma ajuda para quem quiser adquirir algo para lixar a bunda deles.

Sangue no asfalto

O assunto é o acidente numa avenida da cidade de Curitiba em que um carro (190 km/h) voou e se projetou por cima de outro, este ocupado por dois rapazes, um dos quais acabava de sair do emprego num shopping. Os dois morreram. O carro “voador” era dirigido por um deputado, de 26 anos, filhinho de papai --- o prefeito de Guarapuava.

Por causa da extensão dos ferimentos, o deputado foi transferido para um dos melhores hospitais de São Paulo (nós pagaremos a conta) e o caso ficará longe da mídia local. Fizeram exame de dosagem alcoólica nos dois mortos e não no deputado...

Depois desta introdução para relembrar os factos a alguns ou dá-los a conhecer a outros, transcreverei em seguida alguns parágrafos de e-mail tornado público pelo pai de um dos rapazes “assassinados”.

1 – Ontem a equipe da TV Paranaense esteve em minha casa, gravamos uma matéria que revelava bem a nossa indignação. Mas, infelizmente, cortaram e colocaram no ar apenas o que não poderia repercutir; nada comparado ao que dissemos

2 – Estamos todos assistindo ao Poder Público sendo colocado à disposição do deputado para anular todas as evidências da sua culpa nesse hediondo crime que ceifou a vida do nosso filho e do seu amigo

3 – No posto de gasolina, onde pràticamente tudo começou, o frentista disse que o deputado aparentava estar totalmente embriagado ou drogado (no hospital, os enfermeiros que cuidaram dele comentaram que foi encontrada cocaína no seu sangue).

4 – Enquanto as famílias choravam a morte dos seus entes queridos no velório, os advogados do deputado já trabalhavam àrduamente...

5 – Tudo está sendo escondido pelas autoridades, médicos e imprensa.

6 – O velocímetro registrava 190 km/h no momento do impacto mortal. Porém, o delegado responsável pelo caso desmente esse detalhe afirmando que a marcação é zero e convida todos a certificarem-se disso indo olhar o carro...

7 – Que Poder é esse, que destroi a esperança de uma família que, no mínimo, só pode exigir que justiça seja feita?

8 – Pelo visto, aqui no Paraná e a exemplo do que acontece por todo o Brasil o poder político é maior que a Lei. Lembremo-nos do acidente com o sobrinho do governador, onde o próprio o foi soltar, mesmo completamente embriagado

9 – Meu irmão foi afastado de seu programa da TV Educativa porque estava “incomodando”...

10 – Na CBN os jornalistas estão indignados devido ao cerceamento de informações.

quinta-feira, maio 14, 2009

Imagens de Campinas

Claro que não é só em Campinas; essa é uma imagem que se vê em qualquer lugar. Nada contra e nem a favor. Porém, o meu time de coração é outro...

Liberdade de expressão

Uma das coisas boas da democracia é a liberdade de expressão. Assim, ouvimos e lemos opiniões com as quais concordamos ou não. Não obstante, certas pessoas deveríam pensar duas vezes antes de se pronunciarem sobre certos assuntos e isso não acontece. Infelizmente, estas duas últimas semanas foram pródigas em aberrações...

quarta-feira, maio 13, 2009

Feijoada à brasileira

Hora da vingança

Vaticano informa

Informa-se as crentes que, estar na cama nuas, enroladas com alguém e gritar “Oh meu Deus! Oh meu Deus!”, não será considerado como oração.

Ronaldo

terça-feira, maio 12, 2009

Alentejanices em 1934

Ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Agricultura
Exposição
Porque julgãmos digna de registo a nossa exposição, Senhor Ministro, erguêmos até vós, humildemente, uma toada uníssona e plangente em que evitámos o menór deslise e em que dãmos razão da nossa crise.
Senhor! Em vão, esta província inteira, desmoita, lavra, atalha a sementeira, suando até á fralda da camisa.
Falta a matéria orgãnica precisa na terra, que é delgada e sempre fraca. _ A matéria em questão, chama-se cáca.
Precisamos de merda, senhor Soisa! E nunca precisámos de outra coisa.
Se os membros desse ilustre Ministério querem tomar o nosso caso a sério, se é nobre o sentimento que os anima, mandem-nos cagar toda a gente em cima dos maninhos torrões de cada herdade. E mijem-nos, também , por caridade!
O senhor Oliveira Salazar quando tiver vontade de cagar venha até nós!...
Solícito, calado, busque um terreno que estiver lavrado e,... como Presidente do Conselho, queira espremêr-se até ficar vermelho!
A Nação confiou-lhe os seus destinos?... Então, comprima, aperte os intestinos; se lhe escapar um traque, não se importe,... quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte? Quantos porão as suas esperanças num traque do Ministro das Finanças?... E quem vivêr aflicto, sem recursos, já não ditingue os traques dos discursos.
Não precisa falar! Tenha a certeza que a nossa maior fonte de riqueza, desde as grandes herdades às courelas, provém da merda que juntármos nelas.
Precisamos de merda, senhor Soisa!
E nunca precisámos de outra coisa.
...Adubos de potassa?... Cal?!... Azote!?!... Tragam-nos merda pura do bispote! E todos os penicos portuguêses durante, pelo menos, uns seis mêses, sobre o montado, sobre a terra campa, continuamente nos despejem trampa!
Terras alentejanas, terras núas, desespêro de arados e charrúas, quem as compra ou arrenda ou quem as herda, sente a paixão nostálgica da merda...
Precisamos de merda, senhor Soisa! E nunca precisámos de outra coisa.
........................................................................................................................................................................
Ah!... Merda grossa e fina! Merda bôa das inúteis retretes de Lisbôa!... Como é triste saber que todos vós andais cagando sem pensar em nós!
Se querem fomentar a agricultura, mandem vir muita gente com soltura. Nós daremos o trigo em larga escala, pois até nos faz conta a merda rala.
Venham todas as merdas, à vontade, não faremos questão da qualidade. Fórmas normais ou fórmas exquisitas! E, desde o cagalhão às caganitas, desde a pequena pôia à grande bósta, de tudo o que vier, a gente gosta.
Precisamos de merda, senhor Soisa! E nunca precisámos de outra coisa.
Évora, 13 de Fevereiro de 1934
Pela Junta Corporativa dos Sindicatos Reunidos do Norte, Centro e Sul do Alentejo
O Presidente
Dom Tancredo (o Lavrador)

Borboletas

segunda-feira, maio 11, 2009

Este é o Cara

O cara tem a sua base eleitoral no Rio Grande do Sul. Assim, em nenhuma das muitas vezes que foi eleito teve o meu voto. De qualquer modo jamais teria, pois nas últimas eleições eu não tenho tido em quem votar. No mexe e remexe não encontro ninguém íntegro e até me indago se serei eu que não cisca direito...
Eureka! Agora eu descobri que existe, pelo menos, uma maneira de botar farofa no ventilador desse cara que disse "estar-se lixando para o povo". Veio a público que a grande financiadora das suas campanhas eleitorais são as indústrias do tabaco do sul do país. Assim, como eu já estava pensando em deixar de fumar, não só por causa da minha saúde, mas também pelas últimas medidas adotadas pelo governo estadual no combate ao fumo, acelerarei essa decisão.
Esse cara até poderá continuar usando o meu dinheiro através de outros impostos que me são cobrados. Todavia, onde eu posso cortar cortarei. Que se lixe o cara...

A Gripe e os Porcos

Desta vez opto pelo mais fácil: a transcrição de dois artigos que circulam pela Internet, com os devidos créditos, ao invés de escrever com as minhas próprias palavras um resumo do que tenho lido em diversos órgãos de informação. E, como no caso das patentes de medicamentos para combate a grandes epidemias, que se quebram, independentemente do esperneio dos grandes Laboratórios, distribua-se o máximo de informação a que todos temos direito.
____________________________________________
A gripe dos porcos e a mentira dos homens
O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods.
La Glória é uma das mais pobres povoações do país.O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso.
Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente. Os moradores de La Glória alguns deles trabalhadores da Carroll não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem.
A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou.
Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano.
Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata. O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão.
A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala no nível da exploração familiar tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.
Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.
As Granjas Carroll como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada ação social. Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam como ocorre, no Brasil, com a Daslu argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.
O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll com a cumplicidade da OMS.
Mauro Santayana

Jornal do Brasil --- 01/05/09

__________________________________________________________

Informação de um virologista sobre "gripe suína" " Swine Flu"
Provávelmente só porque é fim de semana é que os meus amigos, conhecendo-me como virologista, ainda não me questionaram sobre agripe "suína".
Infelizmente, o termo é errado. No caso da gripe aviária que apareceu há poucos anos, houve infecção de algumas centenas de humanos, mas sem que o vírus pudesse passar desses humanos a outros. Agora é diferente. De suína, esta gripe só tem a origem. De facto, ela é bem humana.
Na história da gripe, o aparecimento das grandes epidemias mundiais (pandemias) foi quase sempre por adaptação ao homem de vírus suínos da gripe. Por isto, as expectativas em relação ao vírus aviário H5N1 (sigla que identifica os dois principais antigénios do vírus, e que definem se temos ou não imunidade contra ele) eram a de, com alguma probabilidade, na situação do Extremo Oriente de grande concentração conjunta de aves, porcos e humanos, o vírus aviário H5N1 passar para o porco e deste para o homem, adquirindo capacidade de transmissão homem a homem.
Afinal, como tantas vezes acontece na emergência de novos vírus, a situação foi surpreendentemente diferente. O que aparece é um novo vírus humano -- insisto, humano, transmissível de homem a homem -- com origem no porco mas no outro lado do globo, no México. Também não é um H5N1 e por isto, como eu e muitos escrevemos na altura, era tolice investir em vacinas contra um vírus que ninguém sabia o que viria aser -- mas sim um H1N1, desaparecido da história da virologia há quase um século.
Foi o tipo de vírus que causou a terrível pandemia de 1918, a espanhola, que matou mais gente na Europa do que a guerra mundial que tinha terminado pouco antes. É certo que tem havido, nos últimos invernos, algumas infecções com H1N1, mas não é o tipo hoje mais vulgar e nada garante que o novo vírus seja neutralizado por vacinação com os últimos H1N1 circulantes. Hoje, os dados oficiais mexicanos revelam cerca de 1300 infectados com 81 mortes, uma taxa de letalidade já considerável. Também já há casosnos EUA. O que significa isto?
Não quero ser alarmista, mas os meus leitores têm o direito ao que de mais objectivo eu, especialista, possa dizer. Considero uma situação muito preocupante, porque estamos perante condições muito diferentes do que eram as tradicionais na emergência de novas pandemias de gripe. A sua origem não é em zonas rurais da Ásia mas sim numa área metropolitana de 20 milhões de pessoas, em estreito contacto favorecedor de transmissão por via respiratória.
Em segundo lugar, os vírus hoje viajam de avião.
Finalmente, como disse atrás, trata-se de um tipo de vírus contra o qual há dezenas de anos que não há qualquer resistência imune nem há vacinas rapidamente disponíveis.Que fazer, em Portugal? Para já, a nível individual, nada. A nível das autoridades de saúde, vigilância, controlo a nível de medicina das viagens, planeamento desde já de condições de hospitalização e isolamento de milhares de possíveis doentes (atenção, vai ser a esta escala, transformando a FIL em hospital).
O que faria agora eu, como indivíduo? Obviamente, cancelar qualquer viagem marcada para o México ou para o sul dos EUA. Informar-me junto do meu médico sobre todos os sinais de alerta, os sintomas da gripe, que muita gente confunde com os de uma vulgar constipação. Se começar a haver casos em Portugal, usar máscara, deixar de frequentar locais com muita gente, isolar em casa, como prisioneiros, os nossos pais septuagenários. E, se a religião ajuda, rezar frequentemente. Mas também ter em conta que o mesmo progresso e actual modo de vida que nos vai trazer o vírus de avião também vai permitir o diagnóstico muito precoce da doença, a produção limitada mas razoável de medicamentos e de vacinas.
P. S. - Já imagino o que vai haver por aí de pânico em relação aoconsumo de carne de porco! Mesmo que a gripe fosse suína, não era pela carne que se transmitiria. Mas, como chamei a atenção, "suína" é neste caso uma referência enganosa, tem a ver só com a origem. Quem a vai ter são os humanos, não os pobres suínos.
23.4.2009
Prof. João Vasconcelos Costa
Doutor e agregado em Medicina (Microbiologia)

quinta-feira, maio 07, 2009

Maranhão

São milhares de desabrigados no Maranhão por causa das enchentes que, afinal, se repetem ano após ano. É muita miséria, muita desgraça.
Aqui de longe, misturamos pena com revolta e pensamos sobre o quanto a família Sarney e outros que são os "grandes" do pedaço se preocupam com tudo isso na verdade. O grande culpado é sempre o "aquecimento global"...

segunda-feira, maio 04, 2009

Açaime

Há dias em que melhor seria não sair de casa. E são muitos.
De há uns tempos a esta data eu até tenho optado por ficar em casa, naturalmente. Muitos amigos sumiram e eu também não tenho mais aquela disposição para ir até àquele bar que costumava frequentar, ou a qualquer outro ponto público de lazer ou de tertúlias. Trabalho na parte da manhã, das 5 às 13, faço a minha sésta depois do almoço como todo o bom alentejano e nas restantes horas da tarde e algumas da noite ocupo-me com alguma coisa --- internet, leitura, bricolagem, enfim.
Sei que me prejudico muito com esse estilo de vida, pois não é muito salutar e eu preciso fazer algum tipo de exercício físico e não faço. Um ou outro dia passeio com o meu cachorro e faço-o quando ele me pede.
É verdade! Os cães pedem ao dono para que os levem a passear. Nem precisam latir ou ladrar para expressarem esse desejo, pois o dono que esteja bem entrosado com o seu amigo fiel percebe isso no olhar. E não é todos os dias que eles pedem, se bem que eles gostariam e necessitam de passear sempre. Por causa dessa flexão deles nós adiamos o dever impávidos...
Hoje não foi possível adiar. Fui no quintal e peguei a trela e coleira. Foi o suficiente para que o meu Dálmata explodisse de alegria e pusesse em alvoroço todos os demais cachorros vizinhos. Sempre isso acontece.
Gosto da maioria de raças caninas, mas tenho preferência pelos Dálmatas e Labradores. Cheguei a ter um Canil devidamente registado e criei Dálmatas por alguns anos. Por isso, sou profundo conhecedor desta raça. São, até certo ponto, cães mansos. Óptimos para quem tem crianças. Adestrados, dispensam a trela e jamais será necessário usarem açaimo. Porém, sempre passeei com os meus usando a trela.
Este meu Dálmata, o Díli, é diferente de todos quantos já tive e jamais o consegui educar ao ponto de que caminhe a meu lado. Puxa por mim como se ele me estivesse levando a passear e não eu a ele... Memorizou todas as casas onde tem cachorros e começa a latir na aproximação de cada uma delas em provocação. Tem uma força descomunal à qual eu tenho que corresponder e o resultado final é o cansaço mútuo nos píncaros.
Tomo todos os cuidados para não assustar os demais transeuntes, mudando de uma calçada para a outra ou reduzindo o tamanho da trela para o deixar bem junto a mim. Mesmo assim há pessoas que ficam com medo e outras que soltam o verbo até às ofensas. Claro que, estas últimas, por pura ignorância.
Hoje na calçada percebi a aproximação de dois jóvens e entendi que um deles conversava e o outro só escutava. O falante era daquele tipo que mistura o "evangélico fanático " com o "rebelde engraçadinho". Percebi que falava sobre a Inquisição e depois que passou por mim soltou esta pérola: "... tratar bem as pessoas; não como esse aí trata o animal". Parei e virei-me para trás esperando que ele olhasse também. Sorte dele que não se virou...
Mais à frente, percebi que uma mulher vinha na mesma calçada, mas em sentido contrário e, ao aproximar-se, foi para o outro lado da rua. Lá, estancou e me disse alto e bom som: "Porque não coloca um açaime no cachorro?". Não aguentei e retruquei: "Mas quem está gritando é a senhora e não o cachorro...". Reiniciou a sua caminhada vomitando um monte de impropérios, mas eu não liguei mais.
Três quadras depois virei numa esquina e iria passar defronte a um portão gradeado, local que o Díli conhece muito bem. Lá tem uma fêmea Labrador e os dois sempre namoravam através das grades; uma amizade há muito consolidada. Porém, há dois meses que lá se encontra um macho da mesma raça junto com ela e, a partir daí, a nossa passagem deixou de ser tranquila.
Logo que virei a esquina, a dona daquele casal de Labradores estava saindo de casa e, descuidando-se, deixou escapar o macho. Este veio correndo ao nosso encontro, feroz, e atracou-se com o meu Díli. Continuei segurando-o na trela e entendi que não o deveria soltar. Sabia que assim que um deles baixasse a guarda a briga terminaria. O Dálmata abocanhou o Labrador no pescoço paralisando-o. Foi o suficiente para que cada um seguisse o seu caminho. Nenhum deles ficou ferido, aparentemente, e eu fui conversar com a dona do Labrador fazendo-a ver que eu e o meu Dálmata eramos inocentes e, se o meu estivesse com açaime ter-se-ía dado muito mal.

sexta-feira, maio 01, 2009

Trânsito em Portugal

Esclarecimento da Ex-DGV:

Tendo em conta as disposições aplicáveis do Código da Estrada, na redacção que lhe foi conferida pelo Decreto-Lei nº 44/2005, de 23 de Fevereiro, constantes dos artºs 13º, nº 1; 14º, nºs 1 a 3; 15º, nº 1; 16º, nº 1; 21º; 25º; 31º, nº 1, c) e 43º e as definições referidas no artº 1º do mesmo Código, na circulação em rotundas os condutores devem adoptar o seguinte comportamento:

1- O condutor que pretende tomar a primeira saída da rotunda deve:

  • Ocupar, dentro da rotunda, a via da direita, sinalizando antecipadamente quando pretende sair.

2 - Se pretender tomar qualquer das outras saídas deve:

  • Ocupar, dentro da rotunda, a via de trânsito mais adequada em função da saída que vai utilizar (2ª saída = 2ª via; 3ª saída= 3ª via);
  • Aproximar-se progressivamente da via da direita;
  • Fazer sinal para a direita depois de passar a saída imediatamente anterior à que pretende uitilizar;
  • Mudar para a via de trânsito da direita antes da saída, sinalizando antecipadamente quando for sair.

Elo perdido

Algumas vezes já tenho pensado no quanto eu sou insistente em abordar assuntos do passado e, até certo ponto, lamento isso. Tanto mais que frequentemente ouço de algum dos meus amigos que "viver do passado é estancar no presente". De uma amiga até ouvi uma explicação sobre que não se devem guardar objectos antigos, pois os mesmos deverão estar sempre em movimento; devem vender-se ou simplesmente repassá-los...
Não que, com a corda a que me agarro, eu me queira igualar a muitos dos bons cronistas, uma vez que só estou na fase do engatinhamento, mas é verdade que muito do que leio da produção deles, inúmeras vezes o fio da meada vem lá dos antanhos. Portanto, isso não significa estar constantemente obcecado com o passado e sim porque as próprias ideias se movimentam num espaço sem calendários. As ideias afloram porque algo do presente é marcante e, inevitàvelmente, comparações aparecem.
Já referi numa das minhas crónicas que o meu principal passatempo na juventude era a troca de correspondência com moças de vários países e que só vim a conhecer pessoalmente uma meia dúzia, se tanto. Frequentemente recordo tudo isso. Solicitava a publicação do meu pedido de correspondência numa revista, jornal ou rádio; semanas depois, a fio, o carteiro entregava na minha casa maços de cartas amarradas com um barbante. Afinal, muitos outros jóvens compartilhavam das minhas preferências...
Infelizmente eu não conseguia responder a todas. A maioria por falta de tembo hábil, algumas por falta de dinheiro para poder pagar um tradutor (...) e outras por seleção pura e simples. Moralmente já pedi desculpas centenas de vezes a esta maioria.
Um restrito grupo foi eleito e ainda hoje, quase meio século passado, comunico-me com algumas e com os seus maridos. Todas casaram e eu também. Porém, a não ser quatro casos que viraram namoradas, as demais sempre foram amigas especiais e mantem-se essa amizade.
Um dos motivos que colocavam um ponto final nessa relação epistolar era a falta de resposta a uma carta enviada. Isso vigorava de uma ou da outra parte. Acredito que esse comportamento tenha gerado injustiças pois que, como em qualquer acusação, deve sempre existir o direito de defesa.
Fui no meu baú de recordações e lá achei o envelope que ilustra esta minha crónica (com a respectiva carta que continuará sigilosa...). Da mesma remetente recebi uma vez uma carta, para mim redireccionada pelos Correios do Brasil, toda desbotada mas ainda perceptível. Acompanhava uma nota explicativa informando ter sido recuperada nos destroços de um avião que caíra no mar na baía da Guanabara. Conclui-se que, a não ter sido recuperada essa carta, o elo estaria perdido. Esse elo foi recuperado e recolocado no seu lugar da corrente e isso viabilizou o meu casamento com aquela gaúcha que me deu três filhos maravilhosos.