domingo, janeiro 24, 2010

Fases da vida

Já tive muitos cães durante toda a minha vida. Em certa época cheguei a criar e manter o “Canil  Carcavelos”,   dedicando-me  à criação da raça Dálmata.
Jamais tive um Dálmata que não me obedecesse, independentemente do seu imperdível estilo moleque. Mas o que eu tenho hoje, já com 6 anos de idade, não entra na linha de jeito algum e, por isso, jamais passeará comigo sem a respectiva trela. E isso enquanto eu tiver forças para aguentar a sua incrível impetuosidade e tracção muscular. Azar dele que poderia passear muitas mais vezes por muito mais tempo, e meu também…
O último passeio que dei com o meu Díli foi há dois dias atrás. Saímos de casa, andámos 20 metros e virámos a esquina. Ele puxando como uma locomotiva e eu segurando na trela. Forças iguais mantendo o equilíbrio.
Repentinamente senti dor de cabeça, visão embaçada, enxerguei estrelas em plena luz do dia, tive dificuldade de foco. Ao mesmo tempo senti perder as forças. Fiquei desesperado por não enxergar correctamente e preocupado para não cair no chão e deixar o cachorro escapar.
Com uma das mãos amparei-me na parede e fui-me virando devagar tentando tomar o rumo de volta a casa. Por sorte a visão voltou à normalidade e lá fui caminhando. Díli não gostou muito do passeio ser tão curto… Corri a medir a pressão e lá estava ela nos 17 x 9; voltei a medir e deu 13 x 8. Resolvi não medir mais…
Contam-se pelos dedos as minhas idas aos médicos, mas admito que nesta altura do campeonato terei que ser mais assíduo, se bem que de acordo com a disponibilidade do Serviço Único de Saúde porque há muitos anos cancelei o meu Plano particular.
Os anos ensinaram-nos muitas coisas e, de certo modo, sabemos o que se está passando connosco. Também aprendemos a consultar a literatura a respeito de muitos males e, sem querer dar uma de médico, absorvemos alguma coisa. E nos meandros da Internet li:
* Visão dupla: Pode apontar presença de tumor intracraniano, acidentes vasculares centrais, traumas e hiperglicemia.
* Cegueira momentânea: Indica tumor intracraniano, má circulação no cérebro ou arritmia cardíaca.
* Visão borrada: Pode sinalizar diabetes, sangramento ocular, inflamação, hipertensão arterial.
* No caso da hipertensão, os pontinhos brilhantes na visão são resultado de alterações circulatórias que causam espasmos dos vasos sangüíneos na retina. A pressão aumenta, os vasos se estreitam para controlar o fluxo de sangue e, com isso, alteram a circulação. "Aí, feliz de quem vê essas luzinhas, pois são um alerta de que a pressão está altíssima e de que é preciso ir ao médico com urgência".
Tudo me enquadra no quarto ítem. Essa urgência médica é coisa de uns dois meses… Mas já comecei a fazer o auto-tratamento e a primeira medida drástica foi parar de fumar. Já decorreram 48 horas e sobre isto escreverei depois.

sábado, janeiro 23, 2010

VIII Jogos Florais de Avis

 

REGULAMENTO
1 - Os VIII Jogos Florais de Avis são uma iniciativa da AMIGOS DO CONCELHO DE AVIZ - ASSOCIAÇÃO CULTURAL, a que podem concorrer todos os cidadãos portugueses abrangidos pelo que se dispõe no presente regulamento.
2 - Só são admitidos a concurso trabalhos inéditos, redigidos em Português e nas seguintes modalidades:
*
*       *
POESIA
A - QUADRA POPULAR – Tema
“O FUTURO


Em redondilha maior, de rima ABAB, uma quadra em cada folha.
B - POESIA OBRIGADA A MOTE

Mote

QUEM SÓ VIVE DO PASSADO
E SE VÊ TÃO INSEGURO,
DÁ PRESENTE ENVENENADO
AOS QUE OLHAM O FUTURO
(Aníbal da Silva Fernandes/Avis)

Nota: não descurando outras formas de glosar o mote, daremos especial atenção ao tratamento em décimas.

*
*       *
PROSA

CONTO subordinado ao tema: “ O FUTURO
(Máximo de 3 páginas, escritas em tamanho 12, a espaço e meio de entrelinhamento).
*
*       *
3 - De cada trabalho serão enviados três exemplares, dactilografados (à máquina ou em computador) em papel formato A4, de um só lado com caracteres de tamanho 12, sendo que apenas no conto o espaço entre linhas deverá ser de espaço e meio. Os trabalhos não poderão ser adornados com moldura ou qualquer outro adorno.
4 - Todos os trabalhos terão que ser subscritos por um pseudónimo, devendo os respectivos autores, enviar anexo a cada trabalho, um envelope fechado com o pseudónimo dactilografado no rosto, e dentro, o nome, morada e número de telefone do Autor.
5 - Cada concorrente poderá apresentar dois trabalhos por modalidade, com excepção da QUADRA onde poderão ser apresentados três trabalhos a concurso, pelo que cada um será subscrito com pseudónimo diferente. Serão desclassificados os trabalhos que não sejam inéditos, isto é, que já tenham sido apresentados noutros concursos.
6 - O prazo de remessa dos originais (data de carimbo dos correios) termina em 09 de ABRIL de 2010 e deverão ser enviados, para:
VIII Jogos Florais de AVIS
Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural
Praça Serpa Pinto, 11

7480 - 122 AVIS
7 - O não cumprimento do estipulado no presente regulamento, anula a apreciação dos trabalhos pelo júri, de cujas decisões não cabe recurso.
8 - As classificações serão tornadas públicas em 3 de Maio de 20I0, sendo todos os concorrentes avisados por escrito.
9 - Haverá três prémios por modalidade, bem como as menções honrosas que o júri entender por bem conceder. Poderá, no entanto, deliberar a não atribuição de qualquer prémio, numa ou mais modalidades, se considerar que a qualidade dos trabalhos apresentados não é consentânea com a projecção que se pretende para esta iniciativa.
10 - A entrega de prémios aos galardoados terá lugar no dia 22 de Maio de 2010, em Avis, no Auditório Municipal Ary dos Santos, pelas 14H30’.
11 - Estes Jogos Florais ficam interditos aos elementos do Júri e demais pessoas envolvidas na organização dos mesmos.
12 - Ao Júri cabe a resolução de qualquer ocorrência que não seja abrangida pelo presente regulamento.
Nota: regulamento aprovado em reunião de Direcção da ACA-AC em 22 de Dezembro de 2009.
Com o apoio de:
Câmara Municipal de Avis
Junta de Freguesia de Avis

sexta-feira, janeiro 22, 2010

O rôto e o esfarrapado

 

Em reunião do Conselho de Ministros de 20 de Janeiro, o Governo de Timor Leste decidiu entre outros itens:
3. Doação à Republica do Haiti.
Em consequência do violento terramoto que atingiu a República do Haiti, e
que provocou grande devastação em todo o país, o Conselho de Ministros, em
acto de solidariedade e fraternidade (princípios fundamentais consignados na
Constituição de Timor-Leste) decidiu aprovar apoio financeiro, a fim de
ajudar a minimizar os efeitos nefastos provocados pelo desastre natural.
O Primeiro Ministro de Timor-Leste enviou, atempadamente, ao seu homólogo do
Haiti as suas mais profundas condolências e expressão de solidariedade para
com o povo e Estado da República do Haiti.
Enquanto isso:
Dili - Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão recebeu elogios da ONU por causa da sua liderança no IV Governo Constitucional, que contribuiu para o sucesso das reformas, nos sectores da segurança e da defesa em Timor-Leste.
“Paz e tranquilidade em Timor-Leste não caíram do céu, mas são pensamentos e as ideias de toda a gente, que tem o mesmo compromisso que leva avante o processo da reforma com sucesso”, afirmou a representante do Secretario Geral das Nações Unidas em Timor-Leste, Ameera Haq, recentemente no Palácio do Governo, depois de se encontrar com o Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão.
Então, eu como sempre, com o meu espírito crítico e língua afiada pergunto: Será que uma coisa tem algo a ver com a outra?!…
Afinal, quem tem que ajudar são os que ao longo dos anos contribuíram para toda essa desgraça, há muito presente, e que agora veio mais à tona por força da Natureza.
Neste caso não se sabe quem é que mais precisa; se o rôto ou o esfarrapado.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Injustiças

ATT673289
Porque é que quando as nossas mulheres ficam grávidas, todas as suas amigas vão esfregar a barriga dela e dizem "Parabéns!"; mas nenhuma nos esfrega o pau e diz: "Bom trabalho!"?

Frases

O horário político é o único momento em que os ladrões ficam em cadeia nacional

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Encontros

Há alguns dias escrevi aqui uma crónica na qual referi um local da Suiça e o envolvimento indireto que tive com o mesmo. Num certo ponto, o seu conteúdo tem algo a ver com o que me inspirou a escrever hoje. Desconfio que não tenho muitos interessados na maioria dos assuntos que aqui escrevo; melhor, tenho a certeza disso, pois a tecnologia facilita-nos essa verificação na contagem dos visitantes do blog e nas matérias pròpriamente ditas, estas através dos tags. Há, portanto, temas sem o mínimo interesse. Mesmo assim, continúo escrevendo sobre qualquer coisa que a tal dê azo. Afinal, é uma maneira de botar para fóra coisas que normalmente faríam parte duma conversa real e que, à falta dessas oportunidades reais, colocam-se aqui na virtualidade. Ao menos me abro para o mundo. Já comentei algumas vezes que, entre as pessoas da minha faixa etária, contam-se pelos dedos as que dedicam algum do seu tempo a estas modernidades cibernéticas. Mas eu sou uma dessas excepções e chego até a ter uma certa paixão por este tipo de comunicação através da internet. Os jovens estão lá no Orkut, Facebook, msn, Twitter. Eu também! Naturalmente com interesses antagónicos, uma postura diferente; mas estou integrado. Jamais dei por perdido o tempo que a tudo isto tenho dedicado. Afinal, relaciono-me com mais de duas centenas de pessoas. Com umas mais com outras menos, numa amizade virtual. Excluindo-se os membros da família, existe nesse todo um pequeno grupo mais próximo e entrosado e que se estende a no máximo umas dez pessoas. Ainda nesta dezena se filtram algumas e o número cai para a metade quando consideramos os "super amigos". Com estes últimos a relação é tão interessante e activa, que até parece nos conhecermos realmente há muitos anos. Não posso deixar de confessar que neste último grupo existe a realidade de grandes perigos também. Porém, aí eu consigo contornar a situação retirando alguma peça do tabuleiro e substituindo-a por outra. Geralmente os meus contactos femininos nas redes sociais de relacionamento estão na minha faixa etária. Apresentam no seu perfil como de relacionamento aberto, viúvas ou separadas. Isso para mim tanto faz como tanto fez, pois os meus interesses jamais incidiram nesse campo. Porém, tem vezes que, a meio de uma conversa com vídeo, a pessoa diz ter que desligar... Nem no momento e nem mais tarde eu pergunto o que aconteceu, pois jamais responderei às futuras e constantes chamadas... Outras só teclam e jamais abrem a webcam, ou usam o microfone; lógico que estão na ártea de risco... Dois casos mais sérios já aconteceram. Numa vez recebi recado de marido de amiga ordenando que eu parasse de dar em cima da mulher dele e ameaçando-me. Na outra vez, um outro marido mandou que enfiasse o conteúdo de um e-mail no cú da minha mãe... Já imaginaram como são tortuosos alguns caminhos da internet!? Mas a vida é assim mesmo e quem anda na chuva é para se molhar. Nestas andanças da internet acontecem coisas desagradáveis, é certo. Mas também existem surpresas agradabilíssimas. Nunca aqui falei de Maria Alice, mas ela é especial e suprema! Temos amigos virtuais em comum e chega a haver uma interação em alguns casos. Um desses amigos em comum é o meu neto e só para mim ele é amigo real; os demais são virtuais. Tive conhecimento que Maria Alice passaria pelo aeroporto da minha cidade e ali permaneceria algum tempo aguardando embarque para Porto Alegre. Pensei, em segredo, conhecê-la pessoalmente e arquitetei um plano. Sabendo que é casada, imaginei o desconforto de me encontrar com ela num local por onde transitam milhares de pessoas de toda a região. Sempre passa alguém que nos conhece e não percebemos. Resolvi levar junto comigo o meu neto, mas ocultando dele, também, a surpresa. Quando os dois chegámos ao aeroporto e entrámos no saguão, disse-lhe: "vai olhando disfarçadamente e vê se reconheces alguém por aí". Não decorreram 5 minutos e demos de frente com Maria Alice que, de imediato, nos reconheceu. Foi uma grande satisfação para nós três. Tomámos uma bebida num bar, trocámos ideias e divertimo-nos bastante. Despedimo-nos depois e cada um seguiu o seu destino. A missão foi cumprida e os nossos futuros papos na internet serão mais realistas e entre amigos reais. E, alguém que tenha presenciado aquele encontro, decerto deduziu serem 3 amigos e nada mais que isso. A realidade! Porém, por mais corriqueiro que tenha parecido esse encontro a outrém, para nós sempre será uma bela recordação.

domingo, janeiro 03, 2010

Águas do Douro

Em Portugal:
O mar trouxe ontem um pé humano e cerca de quinhentos quilos de polvos mortos para o areal da costa de Vila Nova de Gaia. Enquanto as entidades ambientais apuram as causas da morte dos moluscos, que ao que tudo indica terá sido um fenómeno natural, a Polícia Judiciária analisa o ADN do pé encontrado dentro de uma bota.
Situação um tanto ou quanto macabra mas, em cima dessas situações podemos algumas vezes fazer um comentário jocoso. Principalmente quando se trata de situação tripeira sempre na mira de um olho alentejano e vice versa… Assim, arrisco o palpite que um forte cheiro de chulé é uma arma química em potencial…

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Catástrofes


“Vamos enterrar os mortos e cuidar dos vivos!” --- Mais ou menos (…) fôram essas as palavras de frase proferida pelo Marquês de Pombal após a detruição da baixa de Lisboa quando do terramoto e maremoto de 1755. Hoje, conhecedores da palavra “tsunami”, muitos a colocam em substituição a “maremoto”.
Hoje coloquei no Twitter a seguinte mensagem: “Temos que dedicar mais atenção e tempo às causas e combatê-las quando possível, ao invés de nos plantarmos chorando os efeitos e desgraças.”. É quase a mesma sentença do Marquês, mas num só aspecto, pois as causas de uma tragédia são bem diferentes das outras. Aquela foi natural e as actuais têm a mão do bicho homem a cutucar a Natureza.
Os interesses são distintos, mas a burrice é a mesma. Uns constroem resorts e hoteis nas encostas das montanhas beirando o mar, em princípio com a ideia de dar prazer aos futuros clientes, mas visando principalmente o lucro. Jamais se agarram a estudos ambientais e até chegam a ludibriar as leis em concluio com os que deveriam zelar pela sua aplicação.
Outros, sem casa, sem isto e aquilo (…) constroem os seus barracos nas várzeas dos rios, nas margens dos córregos e nas encostas dos morros, tudo sem qualquer estudo ou preocupação.
Nos lugares virgens é raríssimo acontecerem movimentações de terras, desmoronamentos e as enchentes nada mais são do que o espreguiçar dos rios além dos seus leitos.
Nos lugares onde o homem mexe, essas alterações passam a ser frequentes. Os rios são mais caudalosos porque há mais impermeabilização nas localidades e, assim, detonam tudo no seu caminho e ao redor dos seus leitos. As construções populares nunca têm análise técnica e os locais são sempre invadidos. As mais ricas até podem ter essas análises nas suas fundações, mas desprezam a circunvalação.
Está mais do que na hora das autoridades se debruçarem sobre estas questões, mas sempre com o espírito correto da isenção. É de extrema importância que cada prefeitura tenha um gabinete de engenharia geotécnica ou que recorra a serviços de profissionais dessa área. De nada adianta virem com decretações de estado de calamidade e outros que tal, pois até aqui visam os votos de eleição próxima e só.

Sentinelas

A rua onde moro tem só duas quadras e só uma delas com casas de habitação; a outra comporta as laterais de um depósito de botijões de gás, um sacolão e um lanchão. Na verdade, deveria chamar-se de travessa e não rua; é perpendicular a duas ruas movimentadas e a uma das maiores avenidas da cidade.
É um lugar muito tranquilo e a quase totalidade dos vizinhos é proprietário das suas casas, vivendo nelas há muitos anos. Mesmo assim, ainda não há um total entrosamento entre todos. Ou porque alguns são os filhos de antigos vizinhos e não seguiram a convivência deles, adaptando-se mais aos tempos modernos de cada um por si, ou porque são mais recentes no espaço e limitam a sua confiança a um universo restrito.
Na verdade, esta é o tipo de rua em que o entrosamento poderia ser total e em que medidas de segurança poderiam ser adoptadas com a interveniência de todos. Mas ainda não é.
Ontem, como em todas as vésperas de ano novo, a movimentação foi grande e mais porque muitos amigos de alguns vizinhos aqui se concentraram para tomar umas latinhas de cerveja e soltar fogos de artifício, muito antes da meia noite; durante toda a tarde até.
Lá pelas dez horas da noite, a rua estava sossegada. Todos estavam comendo e bebendo nas suas casas, num ante pasto da ceia da virada. Saí até ao portão de casa e notei que o grande portão eletrónico da residência da frente estava totalmente aberto. Dos três ou quatro carros que lá costumam estar, estava só um. Nenhuma luz acesa e nenhum sinal de vida.
Fiquei pensando, repensando e concluí que a situação não era normal. Tentei contactar o vizinho do lado daquela casa, mas ele não estava. Fiz uma vistoria geral e nada mais encontrei de anormal. Fiquei por ali mais algum tempo e aproveitei para tentar descontrair o meu cão que muito sofre com estes bombardeamentos dos fogos de artifício.
Daí a pouco o vizinho que eu procurara chegou. Regressava da missa com a sua mulher e parou preocupadíssimo defronte daquele portão escancarado. Trocámos ideias a respeito e soube, então, que os donos da casa viajaram e deixaram com  ele o controle remoto do portão com o pedido de dar uma olhada no local.
Barra pesada! Assumir uma responsabilidade dessas e pensar que num pequeno espaço de tempo de ausência algo de errado acontecera. Claro que ninguém se pode sentir culpado por algo que tenha acontecido mas, até provar que focinho de porco não é tomada de luz, é difícil.
Chegámos à conclusão que as ondas sonoras dos rojões e bombas tiveram o mesmo efeito do control remoto que aciona a abertura e fechamento do portão.
Pouco antes da meia noite, o vizinho encarregado de vigiar saíu porque tinha marcada presença em casa de familiares noutro lugar da cidade. Veio até mim e pediu-me que eu ficasse com o controle remoto e, a partir daí, assumisse o seu lugar…
Assim foi a minha passagem de ano. Um olho no gato e outro no prato. Acabei até por ir dormir mais tarde e duas vezes acordei na madrugada para dar uma vista de olhos nos arredores. Hoje, às 11 horas da manhã, houve a rendição da guarda…

terça-feira, dezembro 29, 2009

Mata e esfola…

O cidadão britânico, um tal de Akmal Shaikh, foi hoje executado na China. Cumpria pena por contrabando e tráfico de drogas.
Dizia-se inocente da mesma maneira que a maioria dos condenados e vários governos e organizações pediram clemência.
Logo esse governo britânico a chiar tanto, quando mata sem dó nem piedade inocentes reais como o do brasileiro Jean Charles. Hipocrisia!
Envieem a sua armada para lá como fizeram nas Malvinas e verão o que é bom para a tosse…
Existem leis e posturas de alguns países que, independentemente das suas orientações religiosas e culturais são condenáveis por todo o mundo civilizado. Mas este tipo de lei que condena à morte traficantes e políticos corruptos só tem que ser respeitada e, digo até, copiada. Isso melhoraria muito a situação em países que nós tão bem conhecemos.
Muitos figurões certamente sentem um certo mal estar  quando tomam conhecimento de notícias como esta. Não é verdade?

Conterrâneos ilustres

500x500Na quarta edição do “Prémio de Artes Casino da Póvoa” foi distinguido o artista plástico Armando Alves, com um prémio no valor de € 30.000,00.
O prémio, além da aquisição de uma obra do artista premiado, envolveu a publicação de uma Monografia.
Armando Alves recebeu o prémio no passado dia 18 de Dezembro, numa cerimónia que teve lugar no Casino da Póvoa.
A obra adquirida a Armando Alves, que passa a integrar a colecção de arte do Casino da Póvoa, é uma escultura, sem titulo.
Pintor alentejano, Armando Alves nasceu em 1935, em Estremoz. Após tirar o Curso de Preparação às Belas-Artes da Escola António Arroio (Lisboa), seguiu-se o Curso de Pintura da Escola de Belas-Artes do Porto, que concluiu com a máxima classificação. Foi docente desta escola entre 1962 e 1973.

Salavaux

Este, como muitos seguidos dias chuvosos, propôs-me nada mais além que uma navegação a esmo pela internet. Não de propósito, lendo uma matéria publicada num jornal de Genebra (Suiça), referente a métodos de racionalização de produção de leite, vi que a mesma era assinada por alguém nada estranha para mim. Josette Hurni, da cidade de Salavaux, no cantão de Vaud.
Não me lembro se alguma vez na minha juventude consultei uma qualquer enciclopédia das melhores para procurar essa cidade e região. Devo ter consultado e nada achado… Hoje a internet abre-nos todos esses caminhos com facilidade e assim encontrei três fotos referentes, sendo uma delas a que ilustra esta crónica.
Josette foi uma das dezenas de correspondentes epistolares que tive naqueles anos dourados. Dourados, talvez nem tanto numa visão geral, mas certamente noutra mais pontual. Era uma das mais assíduas no escrever e assim, aliando-se o detalhe a outros aspectos positivos, foi também participante de um grupo mais íntimo e escolhido.
Confesso que eu não escrevia mais para Josette porque sempre tinha que o fazer em francês e o que aprendia naquela época na escola, o mesmo que sei hoje, não era assim tão fluente e ocupava muito tempo para escrever uma carta. Algumas vezes, até mesmo, recorri a uma professora da língua para traduzir os meus rascunhos, mas as minhas possibilidades económicas restringiam-me esse luxo, além do entrave da minha timidez ao expor detalhes íntimos…
Acho que já aqui uma vez escrevi algo a respeito de mania que não abandono e que nem sempre é pertinente. O caso de me lembrar de pessoas que de algum modo fizeram parte da minha vida de antanho e, porque guardo os endereços, resolvo enviar um cartão de Natal ou coisa do género. Nem sempre essa atitude é bem interpretada e, como no caso de Josette, recebi uma vez resposta dizendo que era casada, que tinha a sua família, etc. e tal, dando-me a entender que não era para escrever mais…
Sou uma pessoa respeitadora e jamais escreveria alguma coisa fora das linhas. Não considero que eu esteja errado, mas comecei a admitir que nem todas as pessoas pensam como eu e tornei-me mais cauteloso.
Nada se passou entre eu e Josette além de uma amizade bonita. Porém, admito que até algo mais poderia ter-se passado se a minha escolha tivesse recaído nela ao invés da brasileira que fazia parte daquele grupo restrito e que veio a ser a minha primeira esposa.
Olhando para as fotos de Salavaux e pelo que conheci pessoalmente de Genebra quando lá estive na década passada, até que eu poderia ter-me movimentado no sentido de, clandestinamente, ter saído de Portugal, fugindo à guerra e viver lá hoje tranquilamente.
Mas, será que “tranquilamente” é o termo certo? Pensando melhor, talvez estivesse hoje cuidando da ordenha de vacas, absorto nos negócios lácteos, rodeado de belas paisagens. Porém, a consciência  estaria pesada quando pensasse nos jovens do meu tempo.

domingo, dezembro 27, 2009

Pais, Filhos e outros

É interessante notarmos que o badalado caso do menino, figura central da disputa de guarda entre o pai americano e os avós brasileiros, jamais mereceu na imprensa uma corrente de opiniões ou análises. Sòmente se descrevem as situações ocorridas. Afinal, quem é que tem medo de quem ou do quê?
A mim ninguém ou o que quer que seja me amedronta e a liberdade de expressão que a Lei me garante, incute-me a dar a minha opinião sobre o caso.
Independentemente dos motivos que levaram a mãe do menino a abandonar o pai e resolver ficar no Brasil, uma vez que a mesma veio a falecer depois, a Justiça brasileira jamais deveria ter expedido liminar embargando o direito imediato do progenitor. Essa foi a grande borrada e, acredito eu, baseada em nacionalismo exacerbado.
Esses cinco anos de batalha judicial só vieram a prejudicar um inocente, pois foi criado um fôsso no bom e natural relacionamento familiar. Até quando os avós maternos impediram a visita do pai ao filho, foi criado um precedente muito perigoso, pois que toda a moeda tem reverso.
A Justiça, por último, só poderia ter tomado a decisão final que tomou. Mas fê-lo muito tarde e deu isca a que se possa pensar numa motivação político-corporativa, como já se aventou por aí.
Na minha opinião, pai é pai (se apto e capaz) e acabou-se. A recíproca seria verdadeira.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Presente de Natal


Nada me admiraria que o doutor aproveitasse o habeas corpus canguru para fazer inseminação artificial na mulher do abadia. Tudo minúsculas...

Feliz Natal!











Cenas pitorescas

Uma imagem vale por mil palavras! Sempre ouvi dizer e, pelo que se vê, é lá na Amadora... Além de ser o carro da polícia a puxar um carregamento de cerveja, ainda passa no sinal vermelho... Desse jeito, as garrafas do meu amigo Transtago correm muito perigo de serem subtraídas por gatunos a agir leves e soltos. Cuidado!


Noites de Natal

Mais uma vez, como há alguns anos seguidos, passei a noite de Natal da mesma forma e à qual já estou integrado perfeitamente, sem nada a reclamar. É uma opção de ajuste natural.
Ao final da tarde começou a debandada geral para a casa da minha sogra, ponto de encontro de toda a família nesta noite que também marca o aniversário dela no soar das 12 badaladas.
Aqui, fiquei com uma única companhia --- o meu cachorro. Antigamente ainda dividia o espaço com os dois gatos e a cachorra, mas tudo vai mudando. Qualquer dia será só o cachorro sem mim, ou eu sem o cachorro.
Esse vazio permitiu-me o acesso ao computador, algo que não se verificava há duas semanas. Entrei na internet, li uma montanha de e-mails e mensagens, a maioria superficialmente. Ninguém estava on line, só eu. Assim, ninguém para bater um papo. Escrevi três mensagens no Twitter e desliguei.
Fui tratar da minha própria ceia. Acendi o lume da churrasqueira e assei uma tainha que antes havia recheado com uma farofa de camarão. Coisa bem simples e rápida, tanto no preparo como no saborear… Abri e tomei toda uma garrafa de vinho branco que um amigo me ofertara dias antes.
Depois disso, duas opções: assistir a algum programa de televisão ou dormir. Orientei-me por essa ordem. O cachoro estava apavorado com os rojões que a vizinhança insistia em soltar e procurou refúgio num canto da casa.
A programação da tv nestes dias festivos é sempre muito chata para o meu gosto, se bem que nos demais também pouco me prende. Não me interessou se o papa foi agredido; nada de missas de galo ou filmes bíblicos. Acabei por me fixar numa apresentação da orquestra de Andre Rieu e coros. Independentemente da essência do repertório, alusiva à quadra, a música em si acabou por me prender até ao final.
A música acaba por se transformar numa espécie de boia à qual nos agarramos e, livre de perigos, soltamos a nossa imaginação e embuimo-nos de pensamentos mil.
Nessa navegação por cima de ondas calmas desloquei-me de uns horizontes aos outros, pois que, sem bússula e sem estrelas no céu, os ventos íam-me levando. Deixa os ventos me levar, ventos levem eu…

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Decisões do Supremo

Ai de nós se dependermos do Judiciário para termos acesso  ao que a imprensa pode ou não publicar. E isso já começou a ser uma realidade a partir de hoje.
A liberdade de imprensa tem que ser plena e responsável. A decisão de hoje do Supremo, cerceando isso, é um golpe fatal na democracia.
Thomas Jefferson é autor de uma reflexão crucial para a democracia. Disse ele: “se eu tiver que escolher entre um governo sem jornais e jornais sem um governo, eu não hesitaria em escolher a última fórmula, isto é, jornais sem um governo”.
Não me alongarei mais sobre o assunto pois que, de tão revoltado que estou, certamente teria que baixar o nível para me exprimir e, ao mesmo tempo, desabafar. Estou consciente de que me deverei conter.

terça-feira, dezembro 08, 2009

Culturas

Sempre imperou a ideia de que o sul do país era mais avançado em questão de cidadania e organização. Curitiba, capital do Paraná, era sempre apresentada como cidade modelo. Enfim, com a predominância da imigração alemã, italiana, polaca e portuguesa, tínhamos nos Estados do sul uma certa maquiagem europeia que se distanciava do resto do país.
Sempre fiquei um tanto ou quanto cético quanto a esse retrato, pois que, havendo as origens portuguesas em todo o território nacional, sentia-me chutado para escanteio, principalmente quando nos acusam como sendo a origem de tudo o que está errado desde 1500…
Muito bem. Então vou tirar os portugueses desse retrato tão bajulado por alguns e até porque, sendo massivamente de origem açoriana e alentejana (aqui os alentejanos prevalecem porque são também os açorianos descendentes destes…), eles jamais protagonizariam cenas selváticas como as que assistimos no final do jogo em Curitiba e na recepção dos jogadores gremistas em Porto Alegre.
Não estou aqui fazendo uma discriminação entre povos ou entre as suas origens. Só quero dizer que no melhor pano cai a nódoa…
Neste imenso país há bons e maus em todos os lugares; cultos e analfabetos, ricos e miseráveis, também. Assim, analisemos os acontecimentos por outro prisma.
Os valores estão-se degradando exponencialmente e tudo isso é fruto do olhar para cima, da impunidade que reina nas altas esferas e no abandono e escárnio a que estão deixando o povo.
Assim, aquele extravazamento por parte dos torcedores que já está enraizado na própria cultura, como o xingar a mãe do juiz e etc., começa a ultrapassar os limites do bom senso e já se tornou perigoso. Isso acontece de norte a sul e uns não são melhores do que os outros.
Há que gritar com a mula e fazê-la chegar ao rêgo, de modo a que a relha do arado sulque a terra em linhas rectlíneas e devidamente espaçadas. Só assim a seara despontará firme e verdejante para depois ser ceifada dourada e brilhante.