sexta-feira, maio 19, 2017

Relações

Depois de certa idade, ainda infante, deixou de conversar com o pai e, quando interpelado a respeito, não havia resposta. A mãe jamais o chamou à atenção por isso. Tornou-se, assim, uma situação estranha debaixo daquele mesmo teto.
O pai acostumou-se, mas veladamente seguia todos os passos do filho e interessava-se por tudo o que acontecia na sua vida. Feliz umas vezes e preocupado outras.
A mãe era, na realidade, a sua confidente e praticamente a única pessoa da sua família. Fazia de tudo para lhe agradar e lhe facilitar a vida. Mas jamais vi uma manifestação de carinho para com ela ou com quem quer que seja. A mãe desconversava sempre que eu a chamava a atenção por causa de certas atitudes dele.
Jamais viveu longe de casa até que, agora, surgiu uma nova oportunidade de emprego da Federação para a qual havia concorrido. Foi para Salvador, na Bahia.
Gostaria muito de com ele ter conversado a respeito da nova situação, pois a minha experiência nesse ponto é abismal. Fiquei independente da família aos 14 anos na grande Lisboa. Não me foi dada essa oportunidade, mas é enorme a minha grande torcida pelo seu bem estar e sucesso.
Chegou a hora da saída de casa e a tomada do taxi que o levaria ao aeroporto. Antes, a mãe lhe preparara a mala e os itens indispensáveis. Tudo certinho. Reservadamente, de longe, eu assistia a tudo o que se passava e gravei na memória cada momento.
Depois que ele partiu, fiquei pensando em muitas das situações pelas quais passei e fiz uma analogia. Lembrei-me que cheguei a ficar longe (muito longe) de minha mãe, treze anos consecutivos. Uma eternidade sem lhe dar ou dela receber um beijo.
Um beijo. Ah! o quanto representa e a sensação que é um beijo trocado entre uma mãe e um filho. Só quem passa por isso sabe avaliar.

Perguntei à mãe dele se recebera um beijo de despedida. Com uma expressão de tristeza no olhar, disse-me que não...

terça-feira, maio 16, 2017

Mértola

Músicas, artes, cheiros e sabores de raízes árabes e lusas voltam a "invadir" Mértola, entre quinta-feira e domingo, durante o nono Festival Islâmico, para a vila alentejana reviver a herança árabe dos séculos XI e XII.
O festival bienal, promovido pela Câmara de Mértola, no distrito de Beja, recupera as ligações com o Norte de África e as vivências da vila naqueles séculos, quando se chamava "Martulah" e era capital de um reino islâmico e um importante porto comercial nas rotas do Mediterrâneo.
Um dos principais atractivos do festival, o mercado de rua marroquino, o "souk", espalhado pelas ruas estreitas e íngremes do labiríntico centro histórico de Mértola, que vão estar cobertas de tecidos, a lembrar as medinas de Marrocos, abre na quinta-feira às 10h00.
No "souk", artesãos e comerciantes de vários países mediterrânicos, como Marrocos, Egipto, Argélia, Espanha e Portugal, vão "misturar-se" para mostrar as suas artes ou vender mil e um produtos, como roupas, calçado, peças de cerâmica, especiarias, candeeiros, tapetes, bijutaria, chás, frutos secos e bolos.
A "banda sonora" do festival, numa mistura de sons de raízes árabes e lusas, inclui concertos dos músicos portugueses Sebastião Antunes e Bruno Batista, na quinta-feira, às 23:00, e dos grupos Aqui Há Baile, na sexta-feira, e Omiri, no sábado, às 01h30, na Praça Luís de Camões.
Já o Cais do Guadiana será palco dos concertos de Pedro Mestre com o Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento e do grupo Les Filles Illighadad (Níger), na sexta-feira, do Hamid Ajbar Sufi Ensemble (Marrocos e Espanha) e do grupo Kel Assouf (Nigéria), no sábado, a partir das 22h30.
No domingo, a partir das 18h00, o Largo Vasco da Gama irá receber o espectáculo de encerramento do 9.º Festival Islâmico, que inclui actuações de quatro grupos corais alentejanos e dois de Marrocos.
Sessões de contos e lendas árabes, exposições, conferências, apresentações de danças, animações de rua, oficinas de cante alentejano, de danças do Alentejo, de adufe, de brincar à arquitectura e de literatura e música, um "workshop" de técnicas de lapidação, observações da lua e de Júpiter e exibições de filmes são outras das ofertas do festival.
O certame inclui também um Encontro de Urban Sketchers, através do qual a Câmara de Mértola convida apaixonados pelo desenho a visitarem e a "retratarem" em papel as ambiências do festival.
 LUSA 
16 de Maio de 2017, 19:01



terça-feira, abril 11, 2017

A notícia

'Ficámos a saber de tudo pelo sistema sonoro do estádio': Cléber Xavier, adjunto da seleção brasileira, viajou para a Alemanha para acompanhar Jemerson e Fabinho, do Mónaco, e contou a O JOGO o ambiente que se viveu no estádio ao saber-se da explosão junto do autocarro do Dortmund

quinta-feira, abril 06, 2017

Carnes de Estremoz

O presunto "Varanegra Gourmet" e os Torresmos de Rissol de Estremoz foram premiados com medalhas de Ouro no 7º Concurso Nacional de Enchidos, Ensacados e Presuntos Tradicionais Portugueses.
Esta iniciativa, que o CNEMA promove em conjunto com a Qualifica, realizadas em prova cega, têm como objectivo estimular a produção de qualidade, dar a conhecer os melhores produtos nas diferentes regiões do país, incentivar o seu consumo, promover o encontro de produtores, empresas, técnicos e apreciadores.
Os dois premiados são produto da Salsicharia Estremocence, uma empresa familiar com mais de 35 anos de história, que é hoje uma referência no setor agroalimentar nacional e internacional.

Michelle Bachelet em Évora