quinta-feira, julho 06, 2017

Biodiversidade

A fórmula certa para recuperar solos pobres foi criada por portugueses

Vinte variedades de plantas dão nova vida a solos. As Pastagens Semeadas Biodiversas sugam mais dióxido de carbono do ar, enriquecem a terra e alimentam o gado. Projecto ganhou prémio europeu ambiental.
Os agricultores precisam de ver para crer, diz-nos Tiago Domingos. O professor de engenharia ambiental do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, e director da empresa de serviços ambientais Terraprima conseguiu que mil agricultores lhe dessem ouvidos. Hoje, em Portugal, há muitos terrenos onde as pastagens biodiversas crescem. A maioria está nos montados alentejanos, fortalecendo os sobreiros e prestando um serviço ambiental a todos.Estas pastagens capturam uma quantidade anormal de dióxido de carbono, evitando a acumulação de parte do gás que mais contribui para o efeito de estufa, responsável pelo aquecimento global. Essa foi uma das razões para o projecto da Terraprima Pastagens Semeadas Biodiversas ganhar o concurso da Comissão Europeia "Um Mundo Que me Agrada", entre os 269 projectos concorrentes.Sempre que Tiago Domingos fala sobre este projecto, o nome de David Crespo surge imediatamente. No púlpito do Teatro Real Dinamarquês, em Copenhaga, quando na quinta-feira à noite lhe foi atribuído o prémio, voltou a contar a história do engenheiro agrónomo que, na década de 1960, começou a pensar nas pastagens biodiversas.David Crespo é hoje director do programa de investigação e desenvolvimento da Fertiprado, a empresa que fundou em 1990. Em 1966 trabalhava na Estação Nacional de Melhoramento de Plantas. Inspirado pelas pastagens que os australianos semeavam, onde utilizavam duas ou três variedades de plantas, o engenheiro começou a pensar como poderia resgatar os solos pobres portugueses."Em Portugal temos imensos solos diferentes. No mesmo hectare, cada pedaço de terra muda", explica Tiago Domingos. Os topos dos montes são mais secos e têm menos solo, a terra debaixo das copas das árvores é mais húmida. A geologia, fundamental na natureza dos solos, é variada no território português.David Crespo pensou numa solução holística. O engenheiro agrícola desenvolveu uma fórmula de 20 variedades diferentes de plantas que, quando semeadas, respondem localmente. Algumas tornam-se mais dominantes consoante as condições da terra onde crescem.O cientista escolheu espécies de leguminosas e de gramíneas. As primeiras, como o trevo-subterrâneo, têm uma relação simbiótica com bactérias que se desenvolvem em nódulos nas raízes. Estas bactérias captam azoto do ar, metabolizam e disponibilizam o azoto à planta. Desta forma, este nutriente entra no ecossistema sem ser necessário usar adubos, é depois absorvido pelas gramíneas, que se tornam uma parte importante do pasto dos animais.Esta mistura tem uma série de benefícios. Como as espécies são anuais, resistem ao clima mediterrânico, produzem sementes e criam no solo um banco de sementes que pode manter a pastagem por décadas. As raízes das plantas, que também morrem anualmente, alimentam o solo com nutrientes.Passados uns anos, estes solos triplicam a matéria orgânica. As pastagens alimentam mais cabeças de gado e captam mais dióxido de carbono. Também se verificou que os sobreiros que crescem nestas pastagens são mais saudáveis, e o solo é mais húmido, resistindo à seca.Estes benefícios foram bem quantificados na última década pela equipa de Tiago Domingos. Foi assim que se descobriu que as pastagens biodiversas captam cinco toneladas de dióxido de carbono por ano por hectare.A partir de 2008, a Terraprima obteve financiamento do Fundo Português de Carbono (FPM) para três projectos que envolveram mil agricultores. Estes tinham de comprar sementes para a pastagem, de aceitar cuidar delas segundo as regras da Terraprima e recebiam o apoio dos seus técnicos. Desta maneira, podiam ganhar entre 150 e 130 euros por hectare, pelo dióxido de carbono que as suas pastagens captam. É uma ajuda que seduz os agricultores, mas o trabalho só compensa a longo prazo, com todos os outros benefícios.Os projectos do FPM já terminaram, mas Tiago Domingos espera envolver empresas para assim compensarem as suas emissões e a indústria alimentar para que os alimentos produzidos nestas pastagens tenham uma marca distintiva. O prémio europeu "pode ajudar a expandir este sistema dentro de Portugal e em muitos países".

domingo, maio 28, 2017

Orelhas de Abade

Os doces conventuais são verdadeiros pecados gastronómicos, fartos em ovos, açúcar, frutos secos e amêndoas. As Orelhas de Abade, conhecidas no Brasilcomo Orelhas de Frade, são um destes doces de origem conventual, com nomes que lembram a igreja católica.
Estes fritos tradicionais da época natalícia integram o património da cozinha portuguesa e consistem numa massa com ovos que, depois de frita, é envolvida em mel ou calda de açúcar e polvilhada com canela. A fritura faz a massa abrir e dá-lhe o formato de orelha característico.
Ingredientes:
Para a massa
·         15 g de fermento de padeiro
·         500 g de farinha de trigo
·         60 g de manteiga
·         8 ovos
·          
Para a cobertura
·         mel ou calda de açúcar q.b.
·         canela em pó q.b.
·          
Confeção:
Amasse muito bem todos os ingredientes e deixe levedar, em local ameno, durante 2 horas.
Passado o tempo de levedura, deite a massa numa superfície lisa, polvilhada com farinha, e estenda-a com o rolo até ficar muito fina.
Corte pequenas porções de massa com cerca de 1 palmo de comprimento e meio de largura. Ponha a fritar em óleo quente e dê-lhes logo a forma de orelha, dobrando a massa com um garfo.
Depois de fritos, passe os bolinhos por mel ou calda de açúcar e polvilhe com canela.

sexta-feira, maio 26, 2017

Vinhos Especiais

O melhor vinho tinto blend do Mundo. Classificação da conceituada revista "Decanter". É produzido na cidade de Estremoz, minha terra, por Tiago Cabaço Winery.☑️

terça-feira, maio 23, 2017

Ataúro

O jornal britânico The Guardian, num estudo feito pela Conservation International, revela que as águas em torno da Ilha de Ataúro, em Timor-Leste, têm a maior biodiversidade do Mundo.  Os Investigadores, encontraram 642 espécies diferentes nos recifes de coral dessa ilha, mas alertaram que toda esta riqueza está em risco.



A descoberta incide no encontro 314 espécies diferentes — algumas delas poderão ser totalmente novas, e outras são muito raras. Sendo um recorde que constava antes na Papua Nova Guiné, que tinha uma média de 216 espécies em cada local analisado.

Embora a notícia seja boa, os investigadores consideram a existência de ameaças dado que “outros locais mostram, tristemente, as cicatrizes de um legado de pescas com explosivos, e dos surtos de estrelas do mar de coroa-de-espinhos”. Uma conservação organizada e um esforço na gestão das pescas poderá regenerar as partes danificadas dessa biodiversidade.

Existe uma solução: transformar toda a Ilha de Ataúro uma área marítima protegida, e a pesca ser apenas permitida aos habitantes locais. A Conservation International prometeu propor aos organismos competentes de Timor-Leste que a Ilha e as águas se tornem numa região protegida para salvaguardar a sua biodiversidade.



Com o apoio dos habitantes da Ilha de Ataúro e do Ministério da Agricultura e Pescas, a Conservation International irá submeter um pedido para que toda a ilha e as suas águas passem a ser áreas protegidas” – afirmou Trudiann Dale, diretora da organização naquele país lusófono.

Madona em Portugal

Depois de passar a última semana em Lisboa, a cantora pop Madonna aproveitou esta segunda-feira para visitar o Alentejo, e parar em Beringel onde juntamente com os filhos partilhou a roda de oleiro com António Mestre. Este ficou bastante surpreendido com a visita mas ainda mais com a habilidade de Madonna a trabalhar as peças de de barro. O entusiasmo foi tanto que a cantora e o mestre Oleiro irão em conjunto criar uma fábrica de peças para exportar para todo o mundo.

Marinha

Um ano depois do prazo inicialmente previsto, o "ferryboat" encomendado por Timor-Leste aos Estaleiros Navais do Mondego (ENM) vai ser finalmente lançado à água, na Figueira da Foz, na próxima sexta-feira, 26 de Maio, pelas 15 horas.
O "Haksolok", que significa felicidade em tétum, foi resultado de um investimento de cerca de 13,3 milhões de euros e representa um marco bastante importante na vida do construtor, pois trata-se da primeira grande embarcação saída destes estaleiros navais desde que foram concessionados à Atlanticeagle Shipbuilding, em 2012.
Esta embarcação foi construído em aço e alumínio, tendo para o efeito sido utilizado o aço do casco do Anticiclone, navio encomendado aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) que, tal como aconteceu com o "elefante branco" Atlântida, foi rejeitado em 2009 pelos Açores.
Para um investimento inútil realizado no Anticiclone, estimado em 14 milhões de euros, o Governo português acabou por aceitar vender a Timor-Leste, por pouco mais de um milhão de euros, as 720 mil toneladas de aço do casco da embarcação.
O "Haksolok" foi encomendado pela Autoridade da Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno, enclave da República Democrática de Timor-Leste em território indonésio, para melhorar as ligações entre Díli, a capital, a ilha de Ataúro e as principais localidades da costa norte do país, nomeadamente Pante Macassar, a mais povoada cidade da região. Curiosidade histórica: os navegadores portugueses desembarcaram pela primeira vez nas redondezas, na praia de Lifau, em Agosto de 1515.
O "ferryboat" construído na Figueira da Foz rem 72 metros de comprimento e capacidade para transportar 377 passageiros, 23 viaturas e até 3.500 quilos de carga.
"Responde aos requisitos internacionais mais exigentes em matéria de segurança do transporte marítimo, nos termos da convenção SOLAS ("Safety of life at sea"), e os motores com que foi dotado permitem-lhe atingir os 15 nós de velocidade (quase 28 quilómetros por hora), o que permitirá ligar Díli e o enclave de Oé-Cusse Ambeno em seis horas, reduzindo para menos de metade o tempo gasto actualmente na viagem, que varia entre as 13 e as 14 horas, em função das condições marítimas", garante fonte oficial, em documento enviado ao Negócios.
A madrinha de baptismo do "Haksolok" será a freira Guilhermina Marçal, madre superiora das Canossianas Missionárias em Timor-Leste, "reconhecida apoiante da luta pela independência do país e que há dezenas de anos desenvolve um trabalho humanitário na sua terra considerado exemplar".
Entre outros dirigentes timorenses e responsáveis institucionais portugueses, assistirá ao evento Mari Alkatiri, antigo primeiro-ministro e presidente da Autoridade da Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno e das Zonas Especiais de Economia Social de Mercado de Timor-Leste.



sexta-feira, maio 19, 2017

Relações

Depois de certa idade, ainda infante, deixou de conversar com o pai e, quando interpelado a respeito, não havia resposta. A mãe jamais o chamou à atenção por isso. Tornou-se, assim, uma situação estranha debaixo daquele mesmo teto.
O pai acostumou-se, mas veladamente seguia todos os passos do filho e interessava-se por tudo o que acontecia na sua vida. Feliz umas vezes e preocupado outras.
A mãe era, na realidade, a sua confidente e praticamente a única pessoa da sua família. Fazia de tudo para lhe agradar e lhe facilitar a vida. Mas jamais vi uma manifestação de carinho para com ela ou com quem quer que seja. A mãe desconversava sempre que eu a chamava a atenção por causa de certas atitudes dele.
Jamais viveu longe de casa até que, agora, surgiu uma nova oportunidade de emprego da Federação para a qual havia concorrido. Foi para Salvador, na Bahia.
Gostaria muito de com ele ter conversado a respeito da nova situação, pois a minha experiência nesse ponto é abismal. Fiquei independente da família aos 14 anos na grande Lisboa. Não me foi dada essa oportunidade, mas é enorme a minha grande torcida pelo seu bem estar e sucesso.
Chegou a hora da saída de casa e a tomada do taxi que o levaria ao aeroporto. Antes, a mãe lhe preparara a mala e os itens indispensáveis. Tudo certinho. Reservadamente, de longe, eu assistia a tudo o que se passava e gravei na memória cada momento.
Depois que ele partiu, fiquei pensando em muitas das situações pelas quais passei e fiz uma analogia. Lembrei-me que cheguei a ficar longe (muito longe) de minha mãe, treze anos consecutivos. Uma eternidade sem lhe dar ou dela receber um beijo.
Um beijo. Ah! o quanto representa e a sensação que é um beijo trocado entre uma mãe e um filho. Só quem passa por isso sabe avaliar.

Perguntei à mãe dele se recebera um beijo de despedida. Com uma expressão de tristeza no olhar, disse-me que não...

terça-feira, maio 16, 2017

Mértola

Músicas, artes, cheiros e sabores de raízes árabes e lusas voltam a "invadir" Mértola, entre quinta-feira e domingo, durante o nono Festival Islâmico, para a vila alentejana reviver a herança árabe dos séculos XI e XII.
O festival bienal, promovido pela Câmara de Mértola, no distrito de Beja, recupera as ligações com o Norte de África e as vivências da vila naqueles séculos, quando se chamava "Martulah" e era capital de um reino islâmico e um importante porto comercial nas rotas do Mediterrâneo.
Um dos principais atractivos do festival, o mercado de rua marroquino, o "souk", espalhado pelas ruas estreitas e íngremes do labiríntico centro histórico de Mértola, que vão estar cobertas de tecidos, a lembrar as medinas de Marrocos, abre na quinta-feira às 10h00.
No "souk", artesãos e comerciantes de vários países mediterrânicos, como Marrocos, Egipto, Argélia, Espanha e Portugal, vão "misturar-se" para mostrar as suas artes ou vender mil e um produtos, como roupas, calçado, peças de cerâmica, especiarias, candeeiros, tapetes, bijutaria, chás, frutos secos e bolos.
A "banda sonora" do festival, numa mistura de sons de raízes árabes e lusas, inclui concertos dos músicos portugueses Sebastião Antunes e Bruno Batista, na quinta-feira, às 23:00, e dos grupos Aqui Há Baile, na sexta-feira, e Omiri, no sábado, às 01h30, na Praça Luís de Camões.
Já o Cais do Guadiana será palco dos concertos de Pedro Mestre com o Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento e do grupo Les Filles Illighadad (Níger), na sexta-feira, do Hamid Ajbar Sufi Ensemble (Marrocos e Espanha) e do grupo Kel Assouf (Nigéria), no sábado, a partir das 22h30.
No domingo, a partir das 18h00, o Largo Vasco da Gama irá receber o espectáculo de encerramento do 9.º Festival Islâmico, que inclui actuações de quatro grupos corais alentejanos e dois de Marrocos.
Sessões de contos e lendas árabes, exposições, conferências, apresentações de danças, animações de rua, oficinas de cante alentejano, de danças do Alentejo, de adufe, de brincar à arquitectura e de literatura e música, um "workshop" de técnicas de lapidação, observações da lua e de Júpiter e exibições de filmes são outras das ofertas do festival.
O certame inclui também um Encontro de Urban Sketchers, através do qual a Câmara de Mértola convida apaixonados pelo desenho a visitarem e a "retratarem" em papel as ambiências do festival.
 LUSA 
16 de Maio de 2017, 19:01