segunda-feira, maio 31, 2021
Anta
Uma anta, ou dolmen, é um grupo de rochas de grande dimensão constituído por uma laje assente sobre três ou mais pedras dispostas na posição vertical, formando uma câmara. Cada uma destas pedras pode pesar algumas toneladas. Formam um monumento tumular coletivo, sendo datados da pré-história, desde o fim do V milénio a.C. até ao I milénio a.C..A da foto está na Herdade do Barrocal, na minha querida Évora (Alentejo; Portugal).
domingo, maio 30, 2021
segunda-feira, maio 24, 2021
sexta-feira, maio 21, 2021
sexta-feira, maio 14, 2021
terça-feira, abril 27, 2021
domingo, abril 25, 2021
Revolução dos Cravos
A MULHER que fez do cravo o símbolo do 25 de abril de 1974
quarta-feira, abril 21, 2021
terça-feira, abril 20, 2021
Nova Portugalidade
Quando acordará o Brasil?
segunda-feira, abril 19, 2021
sábado, abril 17, 2021
quinta-feira, abril 08, 2021
quarta-feira, abril 07, 2021
segunda-feira, abril 05, 2021
quinta-feira, abril 01, 2021
Esteva
Esteva, a majestosa flor de cinco pétalas brancas
Todo o bom alentejano conhece o cheiro mediterrânico da esteva e a sua
majestosa flor de cinco pétalas brancas, adornadas por uma unha
castanho-avermelhada no seu interior. O que alguns talvez não saibam, é
que esta planta pertence a uma família botânica designada
CISTACEAE e que o seu nome singular e universal, é Cistus ladanifer L.. Pois é, à
esteva chamam-lhe muitos nomes: xara, roselha-branca,
cinco-chagas-de-cristo, estepa negra, jara de las cinco llagas ou txaraska se formos até espanha, e terá
tantos outros, conforme quem os disser e onde.
Os nomes comuns são pouco fiáveis Aqui verificamos
que os nomes comuns, podem ser pouco fiáveis, já que variam conforme a
geografia e o interlocutor. O mesmo acontece com todas as espécies de
plantas vasculares (as que têm canais vasculares por onde circula a seiva), de
modo que “chamar as coisas” (espécies ou taxa) pelo seu nome
(científico) é sempre o mais certeiro. Os nomes científicos apresentam
sempre em primeiro lugar o nome do género, neste caso Cistus, que possivelmente
deriva do grego kíste “cesto” ou do
latim cista “cesta, caixa”, devido à semelhança dos seus
frutos com estes objetos.
ESTEVA: O ÓLEO AROMÁTICO Segue-se o epíteto específico, que dá o nome à espécie propriamente dita (já que um género pode comportar um elevado número de espécies diferentes). Para a xara, é ladanifer. A origem deste epíteto, deve-se ao ládano ou lábdano, a resina aromática e peganhenta que a planta segrega e que lhe dá o seu aroma tão caraterístico. Este óleo aromático (como a maioria dos óleos essenciais, ou seja, produzidos pelas chamadas plantas
aromáticas), serve para a esteva se proteger da perda de água e da dissecação, já que o clima Mediterrânico, de estios quentes e secos, onde a espécie ocorre naturalmente (Península Ibérica e Sul de França) é propício a tais fenómenos.
Esteva:
uma planta aguerrida e solitária, muito resistente a perturbações ambientais
O óleo, figura
ainda no conjunto de estratégias adaptativas e de desenvolvimento da planta,
pois a xara, perdão, o Cistus ladanifer, é uma planta
aguerrida e de poucas conversas, muito resistente a perturbações ambientais,
como os fogos, desbastes rasos e até contaminações do solo com metais pesados,
sendo, pois, não raras vezes, a primeira a aparecer e mesmo a única a existir,
durante muitos anos em determinado local. Sobrevive em ambientes inóspitos e
prospera na adversidade, talvez porque se adaptou a viver e florir, onde muitas
outras plantas, mais sensíveis aos rigores climáticos e exigentes nos seus
requisitos ecológicos, simplesmente não vingam para ver a luz do dia!
A esteva, uma valente solitária: não aprecia a companhia de outras espécies
Como é colonizadora de novos espaços, incluindo solos pobres e pouco
evoluídos que não são apropriados à agricultura, e por norma, não aprecia muito
a companhia de outras plantas, sendo poucas as exceções, usa ainda os seus
fluidos como substâncias alelopáticas (que inibem o crescimento de outras
espécies, na sua proximidade). Não é por isso de espantar, que no Alentejo existam
tantos estevais, alguns mais altos que um homem alto (ou dois baixos) e tão
cerrados como um matagal! Aqui não há novidade, a expressão “ir fazer qualquer coisa atrás das estevas” é ou
não é tipicamente alentejana?!
O
género e o epíteto
O género e o epíteto específico são normalmente escritos em itálico,
remetendo à sua classificação primordial em latim. E é de seguida que
aparece o classificador, ou seja, a identificação da pessoa que primeiramente
identificou e descreveu uma determinada espécie. Neste caso, o L. é um
diminutivo de Carolus Linnaeus (para nós, o Lineu), considerado o “pai” da
nomenclatura binomial ou binária, no século XVIII. Uma espécie, pode
ainda dividir-se em diferentes subespécies.
O Cistus ladanifer L. subsp. ladanifer, que é presença
comum em matos secos e de zonas quentes, no sob coberto de sobreirais e
azinhais (ou de montados) e em pinhais, e que, como antes dito, prefere solos
pobres e ácidos (derivados de xistos, granitos, arenitos ou calcários
descarbonatados).
Só para lançar mais
umas achas à fogueira, também existem Cistus ladanifer L. subsp. ladanifer com flores
totalmente brancas, sendo esta a forma albiflorus (Dunal) Dans..
Neste caso, as cinco-chagas-de-cristo (que representam a f. maculatus (Dunal) Samp.),
talvez sejam melhor nomeadas por roselhas-brancas!
Exclusiva do Litoral Alentejano
Mas, existe outra subespécie em Portugal, que habita os matos costeiros
sobre arribas do litoral, mais frequente em solos arenosos que assentam em
rochas calcárias. É a subsp. sulcatus (Demoly) P.Monts.
(o que nem todos os botânicos aceitam, já que muitos a consideram como sendo uma espécie
particular, o Cistus
palhinhae Ingram). A “esteva-da-costa” (inventei agora este nome, porque me parece
adequado, e, já que uma vantagem dos nomes comuns é esta liberdade – talvez um
pouco anárquica – que se guia pela lógica e opinião de cada um), é mais
baixinha e robusta. Parece ser um pouco mais sociável e apresenta-se como um arbusto de
formas arredondadas, de folhas menos longas e flores algo menores, e, quase
sempre imaculadas, como seria de esperar de uma pura-seiva lusitana!
A
esteva uma valente solitária: existem no Alentejo diferentes espécies
É que o Cistus palhinhae (assim nomeado em homenagem ao grande botânico português, açoriano da Ilha Terceira, Ruy Telles Palhinha) é um endemismo português, significando este palavrão que a ocorrência e distribuição natural desta planta em todo o globo terrestre, é restrita a uma estreita faixa litoral em Portugal Continental, ao longo do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (tem bom gosto!).
Segredos, no Litoral Alentejano
Poucos saberão que
começa logo a aparecer aos caminhantes que se aventurem a percorrer os caminhos
junto às arribas entre Porto Côvo e a Ilha do Pessegueiro, meia escondida nos matos costeiros
dominados por Stauracanthus sp., por entre
ERICACEAE, Halimium sp., Helichrysum sp. e outros Cistus sp..
A
maioria das ameaças são humanas
Esta planta chega ao sudoeste algarvio e, a Norte, existirão algumas
populações “desgarradas” para as bandas de Peniche. Dado o seu estatuto
especial, é protegida por lei e mencionada na “Diretiva Habitats” que foi
criada especificamente para proteger espécies de animais e plantas e as suas
comunidades, dentro do espaço europeu, que, tal como esta beldade, se encontram
ameaçadas. Infelizmente, a maioria destas ameaças são de origem humana, derivadas,
por exemplo, da introdução de espécies exóticas que se tornam invasoras (como o
chorão, Carpobrotus edulis L.) roubando o habitat, espaço
e recursos, das plantas nativas.
A
esteva: floração
No Sul de Portugal,
o Cistus
ladanifer normalmente começa a florir em finais de março, sendo a floração
nas zonas do Norte onde existe (áreas de clima mediterrânico, como
Trás-os-Montes) um pouco mais tardia (abril-maio), prolongando-se até junho. Este ano, porém,
talvez devido a uma primavera antecipada, um pouco por todo o Alentejo já se
encontram desde há algumas semanas, uns salpicos do branco das vistosas flores,
e, tudo faz crer que o pico de floração da espécie, estará para breve.
Quem se compraz, para além das vistas, são as várias espécies de insetos
polinizadores, que, esfomeados se alimentam do seu néctar, e em troca, ajudam a
planta na sua reprodução.
Os usos ancestrais
da esteva uma valente solitária
· PONTO 1 Os usos ancestrais do Cistus ladanifer ladanifer,
incluem a utilização da sua lenha nos fornos de cozer o pão e outros alimentos
(já que, para além de ser muito combustível, liberta um agradável aroma) e
vários usos medicinais.
· PONTO 2 De facto, os antigos já sabiam que esta planta pode ser utilizada numa
quantidade quase infindável de tratamentos: para diminuir o catarro e como
expetorante, que o seu aroma é equilibrador de emoções, facilita a menstruação,
coagulante, antibacteriana e antiviral, combate a diarreia, auxilia na
circulação venosa, é descongestionante, desinfetante e analgésica! Mas atenção, já
que, devido às suas propriedades emenagogas (potencialmente abortivas) e
coagulantes, deverá ser usada com precaução (pois poderá originar problemas cardíacos
ou respiratórios).
· PONTO 3 Ao que parece, Alentejanos e Algarvios tradicionalmente também usam o
seu óleo essencial para eliminar o mau cheiro dos pés! E
não são poucas as aplicações cosméticas e como fixador de perfumes que se lhe
dá, na atualidade.
· PONTO 4 Em forma de despedida, uma informação que aos mais aventureiros de
palato, servirá: as pétalas da esteva são comestíveis, frescas ou desidratadas!
Não é, pois, difícil, imaginar novas possíveis aplicações gourmet para esta planta carismática, de pétala
com sabor suave e adocicado nas suas máculas (eu provei e gostei!).
· PONTO 5 Sem mais novidades e com o cheiro quente da esteva a pairar-me na
memória, convido-vos a (re)descobrir esta rústica, cuja flor parece tão frágil
quanto é bela, mas que esconde mais do que aparenta, sendo na realidade, uma
valente solitária, que em si contém e reflete na perfeição, muita da bravura e
resiliência do Homem e do Território
Alentejanos.
terça-feira, março 30, 2021
segunda-feira, março 22, 2021
Évora e o futuro
Não abundam cidades médias que reúnam tantas condições básicas para garantir o sucesso, como Évora: acessibilidades, água, energia, informação, conhecimento, densidade cultural, saúde e bem-estar. Por que não dá?
Jorge Araújo -- (A CONTRA-CORRENTE (10): Évora em défice de ambição.




















