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domingo, fevereiro 09, 2025

Lã de Ovinos



Eis os edredons de lã. Um projeto 
inovador de economia circular

A ideia começou a ganhar forma durante uma conversa de Luís Rebola, economista, com um pastor, na estrada entre Sousel e Estremoz. Contava o guardador de rebanhos que se via forçado a queimar a lã, cujo valor nem sequer chega para pagar a tosquia dos animais.

 “Comecei a pensar como seria possível uma matéria-prima tão valiosa, como a lã, usada há milénios, ser considerada um desperdício”, conta Luís Rebola, nascido no Porto, mas com raízes familiares em Sousel.

Formado em economia, com um percurso profissional que passou por Lisboa e pelo Brasil, Luís Rebola fixou-se em Sousel há dois anos, apostou na consultoria de empresas e em projetos de desenvolvimento pessoal, até que o seu caminho se cruzou com o do tal pastor e desse encontro surgiu uma reflexão e dessa reflexão nasceu um projeto empresarial. Antes começou a fazer perguntas. Constatou que o caso não era isolado, pelo contrário, todos os pequenos produtores de ovinos se debatiam com o problema da lã, queimada por uns, enterrada po outros, ou até por vezes colocada em sacos pretos, escondidos no meio do lixo urbano.

Encontrou também sinais de esperança, casos concretos de utilização desta lã enquanto matéria-prima. Por exemplo, em Urubici, município de 11 mil habitantes no estado de Santa Catarina, no Brasil, onde a 26 de junho de 1996 foram registados uns impressionantes 17,8 graus Celsius negativos, o que faz desta a terra “mais fria” do país. E onde, vejam-se os caminhos do acaso, a mulher do edil criou uma associação para dar trabalho a mulheres com problemas de inserção profissional, dedicando-se ao fabrico de edredons com lã de ovelha. 

“Comecei a falar com essas mulheres e a pensar no que poderia ser um processo de fabrico menos artesanal que o delas. Desenvolvi o projeto e fui apresentá-lo à Pasto Alentejano, um dos maiores produtores de carne de borrego do país, cuja sede é em Sousel”, lembra Luís Rebola.

“Disseram-me que se tratava de um problema enorme e que queriam fazer parte da solução para o resolver”, acrescenta o economista, que acabou contratado pela empresa como consultor externo. Estava iniciado o processo que haveria de conduzir ao nascimento da marca Lãmb, cujo primeiro produto é um edredom de lã orgânica 100% pura.“Para noites de sono aconchegantes, sem contar carneirinhos”, garante a empresa. 

Existindo lã em abundância, havia no então outros problemas por resolver. “Uma das questões era saber como é que se poderia lavar a lã, tendo em conta que muitas empresas deste sector já fecharam.

"Chegámos a uma empresa na Guarda que o faz de forma ecológica e isso é muito importante, pois trata-se de um projeto desenhado com preocupações de sustentabilidade”, conta o promotor, economista com trabalho em grandes multinacionais e na área do marketing, mas cujo conhecimento específico sobre o mercado da lã era, à época, pouco mais que nulo.

Já lavada e em tufos, a lã sai da Guarda em direção à Trofa, onde é feito o agulhamento, ou seja, a transformação dos tufos de lã num manto uniforme, com a altura e a densidade desejada. Sucede que essa empresa dedica-se, sobretudo, ao agulhamento de sintéticos, apenas trabalhando a lã de dois em dois meses, dado tratar-se de um mercado residual. O próximo processo de agulhamento de lã seria em novembro, pelo que era necessário acelerar o processo.

“Foi o tempo de montar tudo”, conta Luís Rebola, que por esta altura já tinha falado com o presidente da Câmara de Sousel, ManuelValério, no sentido de obter algum apoio para o projeto. “Foi o presidente quem, primeiro, me encaminhou para a Pasto Alentejano e, depois, manifestou a intenção de comprar os primeiros 100 edredons para oferecer, antes do Natal, aos lares da terceira idade”.

Com uma data-limite para executar o projeto, ainda foi necessário fazer o acolchoamento, o que sucedeu em Guimarães, tratar dos acabamentos finais e etiquetar.

O resultado final é um edredon de lã pura, de borrego, lavada num processo ecológico, com uma capa de algodão puro e com todas as características da lã, usada pelos seres humanos desde há cerca de seis mil anos. Por características entenda-se um isolamento térmico ao nível dos produtos mais caros do segmento, como as penas, com a vantagem de se tratar de uma matéria-prima que resulta da economia circular, cuja obtenção não origina quaisquer maus-tratos animais.

“A tosquia não maltrata os animais”, refere ainda Luís Rebola, assinalando outra característica interessante desta matéria-prima: “Absorve até 30% do seu peso em humidade”. Dito de outra forma: “A lã tem capacidade para absorver a transpiração e é por isso que ajuda as pessoas a dormirem melhor”.

SOLUÇÃO SUSTENTÁVEL

Responsável pela comunicação na Pasto Alentejano, Tiago Serralheiro confirma que a lã “não tem preço para o produtor, nem sequer chega para cobrir os custos com a tosquia”, pelo que o projeto agora inaugurado permite “tirar proveito do bem-estar animal, ou seja, da tosquia, para promover a economia circular”.

Segundo refere, a empresa “desenvolveu uma solução empresarial para um problema transversal ao sector”. Os primeiros 500 edredons estão feitos. A ideia, refere, “é aumentar a produção”, com o foco especial na hotelaria. A exportação será o passo seguinte, de olhos postos nos mercados do norte da Europa.

In Brados do Alentejo

segunda-feira, abril 10, 2023

Rua Direita

Estremoz, uma das cidades mais bonitas do Alentejo. Nela eu nasci, na Rua Gonçalo Velho, na mesma casa onde nasceu o navegador, esquina com esta Rua Direita. Este logradouro vai de uma à outra ponta do Bairro de Santiago. Ao fundo o Castelo com a sua Torre de Menage, em cuja fortificação está a Porta de Santarém, onde desemboca (ou começa) a Rua Direita. É muita história, muita beleza e incontáveis recordações da minha infância.
 

segunda-feira, março 22, 2021

Évora e o futuro

 Não abundam cidades médias que reúnam tantas condições básicas para garantir o sucesso, como Évora: acessibilidades, água, energia, informação, conhecimento, densidade cultural, saúde e bem-estar. Por que não dá?


Jorge Araújo -- (A CONTRA-CORRENTE (10): Évora em défice de ambição.

As auto-estradas foram muito criticadas, mas, para Évora, o acesso rodoviário rápido e seguro foi uma bênção. A proximidade a Lisboa e a Badajoz, para a qual contribuíram, a partir de 1999, os 158 km da A6, abriu novos horizontes de relacionamento, quebrou a relativa interioridade de que os mais velhos ainda se lembrarão.
Em breve, a nova linha ferroviária que integra o Corredor Internacional do Sul, cuja construção segue sem percalços, dará a Évora uma nova centralidade entre o litoral e Espanha, concretamente, entre os portos de Sines e de Setúbal, e o porto seco de Badajoz. Mas também a linha de alta-velocidade entre Évora e Lisboa, em construção, irá aproximar Évora da Capital, e futuramente, da Europa.
A barragem do Alqueva, também muito criticada, anulou, desde 2002, aquele que parecia ser um atavismo do Alentejo e de Évora: a seca. Hoje, qual novos ricos, o Alentejo parece acreditar na inesgotabilidade da reserva do Alqueva, usando a água sem discernimento. Mas ela existe e resiste, nunca faltou e assegura o bem-estar das populações, impensável há alguns anos atrás.
A ligação por cabo submarino entre a América do Sul e a Europa, não sendo inédita, é a primeira que se opera em fibra ótica. Com amarração em Fortaleza (Brasil) e em Sines, a nova ligação (10.119 km) já inaugurada, gera uma imensa acessibilidade e fluidez de tráfego de informação (72 terabits por segundo).
Do ponto de vista energético, o Alentejo, devido à sua exposição solar, produz mais de metade de toda a energia elétrica fotovoltaica do País. A esta há que adicionar a produção elétrica da Central Hidroelétrica de Alqueva. Futuramente, a transformação da Central Energética de Sines para a produção de hidrogénio, colocará o Alentejo no cerne da alternância energética ao País.
Évora tem Universidade. Uma Universidade histórica, que não se refugiou à sombra das bulas papais, mas que se guindou por ela própria aos mais elevados patamares do reconhecimento em múltiplos domínios do saber. A Universidade de Évora lidera hoje dois grandes Laboratórios Associados, o CHANGE que agrupa 316 investigadores de 4 universidades e o IN2PAST que engloba 331 investigadores de 5 universidades. “Aqui ao leme”, a Universidade de Évora é mais do que o Colégio do Espírito Santo; é uma imensa rede de investigação científica e desenvolvimento tecnológico, de formação superior inicial e avançada; é um potente motor do desenvolvimento económico, cultural e social...assim a Região o reconheça e o aproveite.
Évora, Património da Humanidade, como tal classificado pela UNESCO, exibe uma estratificação cultural legada pelos diversos povos que habitaram a região. Em cada pedra da mais humilde rua, em cada azulejo, em cada talha ou cada telha, se poderá vislumbrar a profundidade do passado que se esfuma na noite dos tempos neolíticos.
O futuro Hospital Central do Alentejo, cujo concurso público para construção está em curso, e cuja entrada em funcionamento se prevê para 2023, será o penúltimo dos grandes equipamentos reconhecidamente indispensáveis para o desenvolvimento da Cidade e da sua Região.
O que faltará a Évora para quebrar o “enguiço”?
Apenas uma palavra responderá a essa questão que muitos se colocam: ambição!
Évora tem feito prova de querer ser uma grande cidade alentejana. Mas não chega! É preciso visar mais longe, importa nutrir a ambição de ser uma excelente cidade europeia de média dimensão, onde seja bom viver porque segura, culta e saudável; e que seja apetecível para a instalação de empresas industriais e agrícolas, tecnologicamente modernas, ambientalmente respeitadoras, e produtivas.
Senhores autarcas, saudemos o cante, como nosso património identitário, mas não como diapasão para o ritmo de progresso que queremos. É tempo de equacionarem outro modelo de desenvolvimento, elegendo objetivos ambiciosos de médio e longo prazo, definindo metas intercalares precisas e exigentes, enfatizando as vantagens competitivas que Évora e o Alentejo oferecem, atuando com criatividade e garra na criação de condições cativantes para a fixação de empresas e captação de financiamentos. Se falharem, os vossos correligionários talvez vos perdoem, mas Évora, não!




terça-feira, novembro 03, 2020

Astroturismo

 


Céu Alentejo duplamente premiado nos     “Óscares do Turismo”

 

O céu alentejano voltou a ser galardoado com mais dois importantes prémios internacionais, premiando assim uma das vertentes do turismo alentejano que tem vindo a ganhar mais importante ao longo dos últimos anos, o astroturismo.

Dark Sky® Alqueva acaba de ser distinguido internacionalmente como Europe’s Responsible Tourism Award 2020 e Europe’s Leading Tourism Project 2020, nos World Travel Awards, anunciado hoje, dia 2 de Novembro de 2020.

O Dark Sky® Alqueva é assim duplamente distinguido nos “Óscares do Turismo”, depois de no ano passado, ter passado a fazer parte do destinos premiados pelos World Travel Awards com a atribuição do Europe’s Responsible Tourism Award 2019.

Recordamos que o Dark Sky® Alqueva é o primeiro destino de astroturismo português cuja criação remonta a 2007. Tendo por base o conhecimento adquirido que permitiu acreditar e apostar no astroturismo como uma importante tendência futura da procura turística, avançou-se em 2007 para o desenvolvimento de um destino sustentável em que o recurso céu noturno fosse o pilar da base de trabalho. Aliado ao desenvolvimento turístico sustentável, a nossa missão reside ainda em proteger o céu nocturno e com isso trabalhar com o objectivo de atingir valores próximo de zero, no que diz respeito à poluição luminosa.

Em 2011, o Dark Sky® Alqueva tornou-se o primeiro Starlight Tourism Destination do mundo e em 2018 o primeiro transfronteiriço. Começou com seis concelhos Portugueses, aos quais se associaram Mértola, Évora, Serpa e Redondo e hoje abrange uma área, entre Portugal e Espanha, de 9.700,00 km2 em torno do Lago Alqueva.

Desde o final do ano passado que o Dark Sky® Alqueva tem vindo a introduzir melhorias, a diversificar a oferta de actividades e a aumentar a rede de parceiros locais, os quais estarão brevemente visíveis no nosso website. Mas o conceito Dark Sky® também tem crescido a nível nacional fruto de parcerias regionais, originado assim o nascimento do Dark Sky Aldeias do Xisto em parceria com a ADXTUR, e o Dark Sky Vale do Tua em parceira com a ADRVT, formando assim a Rede Dark Sky® PORTUGAL com três destinos já certificados pela Fundação Starlight representando uma área de 12.947,38 km2 e posicionando o nosso país como aposta de um destino internacional líder no Astroturismo.

 

https://odigital.pt/

segunda-feira, outubro 26, 2020

Desconhecido Alentejo


 

El Alentejo, ese gran desconocido

De los icónicos acantilados de su litoral a la planicie infinita del sur o a las altas tierras de Portoalegre. La región del Alentejo es tan variada como fascinante. No podían, por tanto, serlo menos sus vinos. Unos vinos que dejan atrás estigmas de antaño para ofrecerse al mundo renovados en su concepto y revestidos de modernidad. Va siendo hora de descubrirlos

Escribe José Saramago en Levantado del suelo, el libro que dedicó a las tierras y a las gentes del Alentejo, que «lo que más hay en la tierra es paisaje». Por mucho que falte del resto, añade el escritor luso, «paisaje ha sobrado siempre». Y en poco sitios el paisaje determina la vida, la historia, la cultura y la economía de sus moradores como en esta región del sur de Portugal.


Dejándonos guiar de nuevo por Saramago, el Alentejo «es una tierra grande, si comparamos, primero corcovada, algo de agua de ribera, que la del cielo tanto puede faltar como sobrar, y hacia el sur se desmaya en tierra plana, lisa como la palma de una mano, aunque muchas de estas, por designio de la vida, tienden a cerrarse con el tiempo, hechas al mango de la azada y de la hoz o de la guadaña».

Tales condiciones, unidas a un clima en el que «hay días tan duros como su frío y otros en que no se sabe de aire para tanto calor», han propiciado que el viñedo, junto el olivo, el cereal y el alcornoque, sean los cultivos que tradicionalmente se han adueñado de estas tierras.

 En el caso del vino, evidencias arqueológicas constatan la presencia ininterrumpida de la cultura del vino y la vid en el tranquilo paisaje alentejano desde la época de los tartesos. Después llegarían los fenicios, los griegos y finalmente los romanos, definitivos impulsores de la viticultura y a quienes la región debe uno de sus símbolos, las talhas, enormes vasijas de arcilla, utilizadas tanto para la fermentación como para el almacenamiento, que pueden albergan 2.000 litros de vino. Pero centrémonos en la edad contemporánea, también llena de sobresaltos y convulsiones para el desarrollo de la cultura y el negocio vitivinícola. El Alentejo, tierra de enormes latifundios, fue en el siglo XX el principal productor de vino de Portugal. Si bien sus grandes cooperativas nunca se preocuparon en exceso de procurar la excelencia. Tras la Revolución de los Claveles (1974) muchos de esos latifundios fueron expropiados y enormes viñedos quedaron en situación de abandono. Hasta que la bonanza de los 90 provocó que exitosos empresarios lisboetas fijaran de nuevo su mirada en la industria del vino alentejano. Y con ellos llegaron también otros más jóvenes que impulsaron nuevos proyectos y bodegas que rompían con la imagen y el estigma de los vinos de la región.   Así, hoy en el Alentejo, conviven bodegas tradicionales de corte familiar con otras rotundamente innovadoras que reproducen con notable éxito y reconocimiento los nuevos modelos de viticultura y de acceso al mercado del vino.


Así lo reconoce Tiago Caravana, director de marketing de la Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA). «En estos momentos el Alentejo es una región super dinámica en la que se trabaja desde varios frentes». Subraya Tiago Caravana el hecho de que los productores estén «investigando y haciendo un extraordinario trabajo con nuevas variedades de uva». 

Una de las consecuencias de esa renovación es el muy perceptible cambio en el perfil de los vinos de la región. Los alentejos ya no son solo aquellos tintos áridos y poderosos de tremenda carga alcohólica, muchas veces por encima de los 15 grados. «Cada vez tenemos vinos más elegantes y más frescos», señala el técnico del CVRA.

Prueba de la aceptación de los actuales vinos alentejanos son los muchos reconocimientos que les están llegando. Nacionales e internacionales. En la edición del 2019 del concurso de vino de Portugal, un vino alentejano, el Grande Rojo, se llevó el premio al mejor tinto varietal. Los vinos de la región fueron además merecedores de 8 grandes medallas y 19 medallas de oro.


Pero no solo son los vinos quienes reciben reconocimientos. Desde el 2014 el Alentejo ha recibido nueve distinciones sucesivas como destino enoturístico. La última en noviembre del año pasado cuando la revista Condé Nast Traveler incluyó al Alentejo como una de las seis mejores regiones vinícolas del mundo para visitar en 2020.

Otro de los factores que ha propiciado este nuevo estatus de los vinos del Alentejo ha sido el cambio de mentalidad de muchas bodegas, que han dejado de primar la cantidad en favor de la calidad. Aún así los vinos alentejanos siguen siendo los líderes del mercado en Portugal con aproximadamente un 40% de las ventas totales.

También se sigue incrementando la superficie cultivada. Si en 1995 era de 13.500 hectáreas, en el 2005 alcanzaba ya las 21.000 y ahora supera las 25.000. Aun así, lejos de las 100.000 hectáreas de viñedo de las que se tiene registro que existían en el siglo XVIII.


«Se vende poco vino del Alentejo en España, igual que se vende poco vino español en Portugal»

«El reto de los vinos de la región está ahora en la exportación», explica Tiago Caravana. En estos momentos, sus principales mercados exteriores son Brasil, Suiza y Estados Unidos. ¿Y España? ¿Por qué los vinos del Alentejo siguen siendo tan desconocidos en nuestro país?, le pregunto al director de marketing de la CVRA. «Como todos los países productores, España tiene una cultura vinícola muy apegada a sus propios vinos. No vendemos mucho en España como los españoles no venden mucho aquí», apunta.


 Renovación INTERIOR Y EXTERIOR

Además de renovarse en su esencia, los vinos del Alentejo también han sufrido en los últimos años una profunda renovación en el exterior. El diseño gráfico y el packaging han acabado con la tradicional estética que acompañaba a estos vinos. Incluso en su denominación. Los clásicos «Herdade de...» y «Quinta de...», están dejando paso a los Aventura o Sen Vergonha, de Susana Esteban. Los Blog o .Com, de Tiago Cavaço. O a los A touriga vai nua o Sexy Sparkling, de Fitapreta.

El círculo de la renovación se completa con la innovación arquitectónica. El Alentejo cuenta con algunas de las bodegas más asombrosas y de diseño más avanzado de toda Europa. Como Herdade do Freixo, cuyo interior recuerda al Guggenheim neoyorquino, la media luna que emerge sobre los viñedos de Tiago Cavaço o Quinta do Quetzal, que integra un centro de arte contemporáneo.

Hay algo profundamente refrescante y liberador en el paisaje del Alentejo. El espacio infinito, la inmensidad de las llanuras onduladas, el cielo azul, amplio e inmaculado, el horizonte infinito... Y la gente. Gente sosegada y orgullosa de su tierra. El paisaje discurre suavemente entre los viñedos y los campos de cereales, alcornoques y olivos, pintado a veces de un verde intenso, a veces de color pajizo, a veces de ocre. Salpicado aquí y allá por el inmaculado blanco de sus pueblos elevados sobre la línea del horizonte. «Un hombre puede andar por aquí la vida entera y no hallarse nunca, si nació perdido», concluye Saramago. Quizá perderse en el Alentejo no sea tan mal destino.

Susana Esteban (enóloga): «Del Alentejo me fascina que puedes hacer lo que te dé la gana» 

CARLOS CRESPO

La mejor enóloga de Portugal es gallega. Así le fue reconocido con el premio que lo acredita. Desde el 2009 produce vinos de factura exquisitamente personal en las tierras altas alentejanas

Nació en Tui, estudió Químicas en Santiago y cursó un máster en Enología en La Rioja. Hizo prácticas en el Douro y en el 99 se instaló allí, para trabajar, primero, en la emblemática Quinta do Couto y, después, en la pionera Quinta do Crasto. En el 2009 dio el salto al Alentejo. «Fue, no te digo empezar de cero pero casi. La mentalidad era completamente diferente», recuerda ahora. Comenzó a trabajar como consultora para cinco bodegas. «Pero enseguida quise poner en marcha mi proyecto personal. Quería hacer algo con más alma». Se pasó dos años buscando parcelas con viñas viejas, con varios tipos de variedades autóctonas y ubicadas en zonas altas, que le proporcionaran frescura. Las encontró en el 2011 en la Sierra de San Mamede, en Portalegre. Fruto de aquella parcela fue el Procura 2011, su primer vino. «Me entusiasmé y ahora tengo 12 porque no mezclo uvas de parcelas distintas. La mezcla de variedades que existe en cada una es la que le da personalidad a mis vinos. Por eso tengo tantas referencias».

 

quinta-feira, janeiro 30, 2020

Alentejo




Alentej


AlentejoMonsaraz


AlentejoÉvora – Joe Price



AlentejoMonsaraz e o Alqueva


AlentejoMarvão – José Flacho

Alentejo

Castelo de Vide

segunda-feira, outubro 14, 2019

Aeroporto de Beja

Um país pequeno, mas rico em vias de comunicação terrestres, na generalidade. Não pode desprezar um aeroporto a cerca de 150 km da capital e 100 da principal zona turística, Algarve. 
Queremos Beja a funcionar a 100%...
Alentejo também é Portugal
ugal.

domingo, julho 07, 2019

O Berço

Esta é a minha cidade natal. Estremoz (Alentejo). Mundialmente conhecida por participação importante na história de Portugal, pelos mármores, arte barrística, vinhos e celebridades como eu... Nesse cinturão de muralhas medievais eu nasci. Bem guardado, protegido, como os Reis.