Normalmente quando escrevo uma crónica (normalmente ilustrada), preocupo-me primeiro com a escrita e só depois coloco uma ilustração. Hoje faço-o de modo diferente, contrário, pois vou escrevendo e analisando a foto que já coloquei.
Primeiro que tudo, quero dizer que essa foto foi publicada nas páginas Sociais e eu copiei-a do Facebook. Soube que duas pessoas amigas já a tinham publicado e o Facebook cassou-a, algo que costuma fazer com muita frequência, pois interpreta a coisa com um estranho moralismo e não dá azo a que as pessoas conheçam e discutam esse e outros tipos de comportamento. Assim, guardei esta foto e poderei usá-la como me aprouver. E as pessoas que costumam ver as minhas postagens e o partilhar de outras, serão convidadas a visitar este meu blogue.
Agora vamos ao motivo desta crónica que eu intitulei de "Coreografias" para não ficar a pensar muito nesse ponto.
Recentemente, o Papa Francisco exteriorizou o que se entende ser uma nova postura da Igreja Católica, ao condenar a homofobia. Quase concomitantemente, algumas Igrejas Evangélicas brasileiras adoptaram a mesma postura ao resolverem participar da 19ª Parada do Orgulho Gay, na cidade de São Paulo
Naturalmente que eu não vejo isso como uma mudança de comportamento e antes uma oportunidade de ganhar mais algum dinheiro. A comunidade gay é muito grande mundialmente, tende a crescer (...) e as igrejas viram aí um grande filão para aumentar ou repor as finanças através do pagamento do dízimo e outros proventos.
Numa das muitas interpretações dessa foto, sabendo que os evangélicos não aceitam imagens de Cristo, sabemos que a bicha que está nessa cruz é, se tiver religião, católico...
Não sei que tipo de exibição os evangélicos usaram, mas acredito que se tenham manifestado de forma visível.
Sou ateu, não tenho partido político, não aceito que gay exija tratamento diferenciado e sou contra qualquer benefício atribuído a cada uma das classes referidas... Porém, acho perigoso misturar religião com viadagem...
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segunda-feira, junho 08, 2015
segunda-feira, março 09, 2009
Literatura de cordel
A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA
I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.
II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.
III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.
IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.
V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.
VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.
VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.
VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.
IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na linguiça
É uma coisa do Cão.
X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.
Miguezim de Princesa
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