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domingo, setembro 14, 2008

Algemas

As imagens a que nos habituámos e que mostravam granfinos e famosos "intocáveis" algemados, quando das mega operações da Polícia Federal, eram para mim e, acredito que para a quase totalidade do povo brasileiro, um deleite; uma lavagem da alma; a crença de que todos somos iguais perante a Lei; que, finalmente, o país estava entrando nos trilhos.
Todavia, esse sorriso que se abria até às orelhas foi murchado através de uma súmula do Supremo Tribunal Federal, que limita essa prática de algemar os suspeitos (em muitos não cabe mais suspeição alguma) pois que, coitados, se sentiram humilhados e não podem ser comparados com aqueles que roubam um pãozinho para atenuar a fome dos seus filhos e até mesmo com aqueles outros que, igualmente, seriam inocentes enquanto a Justiça os não condenasse, mas que não têm acesso a recursos numa primeira instância e, muito menos, ao degrau superior pulando os intermediários...
Há já algum tempo que pensei em escrever algo sobre este assunto mas, como é um tema de risco, protelei a tarefa. Contudo, estou pegando uma carona (boleia, na minha terra) em notícia fresquinha sobre a decisão da Polícia ter recorrido à psicologia para defender o direito ao uso de algemas. Um parecer das psicólogas Miriam Regina Braga e Mariana Neffa Araújo Lage, da Academia Nacional de Polícia, adverte sobre "a impossível missão imposta ao policial" de avaliar em que situação elas devem ou não ser usadas.
Mas isso mesmo eu já dissera a muitos dos meus amigos durante as rodinhas de prosa e cerveja, apesar de Administração de Empresas ser a "minha praia" e desse curso ter na parede da minha biblioteca o respectivo "canudo" desdobrado e emuldurado. É de pergaminho e a opção não foi por vaidade, mas antes para valorizar aquilo que considero uma grande e suada conquista...
Afinal, não precisa ser psicólogo para chegar a essa conclusão e tão pouco recorrer a citações de outros estudos, como fizéram as mocinhas doutoras, concluindo que "uma padronização de procedimento é a opção mais adequada, tornando o ato de algemar em todas as situações a mais segura para todos envolvidos".
O parecer foi pedido pelo Setor de Ensino Operacional da Academia Nacional de Polícia do Departamento de Polícia Federal. Contestações choveram e acredito que mais venham a alagar o espaço.
Baixando um pouco o nível, tenho vontade de dizer: Porra! Quem não deve não teme! Assumamos, todos, que somos iguais e até mesmo inocentes (até prova em contrário). Que nos coloquem algemas, mas nos respeitem a moral e a integridade física. E que todos tenhamos a mesma facilidade e atendimento uniforme nos pedidos de habeas corpus. Para mim, as algemas só constituirão um problema se, entretanto, me der alguma comixão nas costas e eu não me possa coçar até que me esfregue nalguma parede...

quinta-feira, julho 10, 2008

Dia da Pizza

Cada dia do ano é dia de alguma coisa, nacional ou internacionalmente. Em âmbito estadual, aqui em São Paulo, desde 1985 se comemora o "Dia da Pizza" a 10 de Julho.
Na verdade, eu não sou muito de comemorar estes dias e na maior parte deles nem me dou ao trabalho de saber o que se comemora. Não obstante, pelas coincidências que se nos deparam, acabamos por prestar alguma atenção.
Sou uma daquelas pessoas a quem se costuma chamar de "bom de garfo", do mesmo modo a que a alguns chamamos "bom de cama"... Bom de garfo porque me dá grande prazer a gastronomia de todos os quadrantes, se bem que, apreciando um número quase infinito de pratos, não sou grande adepto de pizza.
Nas madrugadas, quase todas vividas intensamente, costumo deslocar-me a alguns daqueles bares que ficam abertos durante 24 horas, pois eles sempre servem uma sopinha para rebater os malefícios dos muitos mililitros que tomamos durante as noitadas...
Hoje, na hora em que nascia a madrugada, foi servida a todos os brasileiros uma monumental pizza e eu não fui mais atrás da tradicional sopinha. Não que eu tivesse comido algum pedaço, mas porque só de a ver o meu estômago já se revoltou.
Depois do grande espectáculo que nos foi dado ver na televisão e da leitura de farto noticiário sobre a prisão de alguns "tubarões", criminosos de colarinho branco, o que aconteceu? --- metade foi colocada em liberdade; terminou, mais uma vez, tudo em "pizza". Os demais certamente serão soltos nas próximas horas, tudo dependendo do árduo trabalho dos seus advogados...
Soltos, os que fôram, mercê de uma ordem de soltura emitida pelo Supremo Tribunal Federal, baseada numa daquelas brechas que a Lei sempre tem para os mais poderosos. E o termo "soltura" tão usado hoje em toda a imprensa, trouxe-me à lembrança um outro significado que o mesmo tem lá na minha terra: diarreia.