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terça-feira, julho 14, 2015

Enciclopédia Indígena



Riqueza inestimável: indígenas brasileiros criam sua 1ª enciclopédia medicinal


Muitas tribos indígenas estão em processo de extinção e, consequentemente, muitas das tradições destes povos transmitidas de geração em geração estão a perder-se.

A saúde dos povos amazônicos sempre dependeu da sabedoria dos mais velhos. Transmitida ao longo dos séculos, o conhecimento de plantas e técnicas de tratamento medicinais que foram acumulados são um produto de seus laços espirituais e físicos profundas com o mundo natural.
O povo Matsés, uma tribo da Amazônia brasileira e peruana, criou a Enciclopédia de Medicina Tradicional , um volume de 500 páginas onde cinco xamãs (sacerdotes tradicionais do xamanismo com a capacidade de curar) transmitem o seu conhecimento medicinal. Os Matsés vivem em um dos ecossistemas de maior biodiversidade do mundo e dominam o conhecimento de suas propriedades curativas.
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A enciclopédia foi elaborada em parceria com o grupo de conservação Acaté e poderá vir a servir de modelo para as outras culturas indígenas protegerem e não perderem os seus conhecimentos ancestrais.
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Escrita exclusivamente na língua dos Matsés, é uma verdadeira enciclopédia xamânica, totalmente escrita e editada por xamãs indígenas. O texto “marca a primeira vez que xamãs de uma tribo da Amazônia criaram uma transcrição total e completa de seu conhecimento medicinal, escrito em sua própria língua e com suas palavras” disse Christopher Herndon, presidente e co-fundador da Acaté, em uma entrevista para o Mongabay.
É difícil exagerar o quão rapidamente esse conhecimento pode ser perdido após uma tribo fazer contato com o mundo exterior. Uma vez extinto, esse conhecimento, juntamente com a auto-suficiência da tribo, nunca pode ser totalmente recuperado“, explica um artigo publicado no portal da organização Acaté.
Jovens xamãs e a nova enciclopédia (Imagem: infoamazonia)

Cada capítulo da Enciclopédia de Medicina Tradicional foi escrito por um xamã mais velho de renome escolhido pela comunidade. Cada pessoa idosa trabalhou em conjunto com um Matsés mais jovem, que transcreveu o conhecimento e fotografou cada planta. Os capítulos são classificados pelo nome da doença e incluem a explicação do seu processo de identificação, a sua causa, o nome das plantas a utilizar e a receita para a preparação do medicamento, entre outras opções terapêuticas.
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Mas com a catalogação dos conhecimentos dos xamãs quase na sua íntegra, surge um outro problema: como evitar que o material seja alvo de biopirataria?
A enciclopédia será impressa para o Matsés, sob a sua direção, e o conteúdo não será publicado ou divulgado fora de suas comunidades. Além disso, nomes científicos e características facilmente identificáveis foram deixados de fora, para dificultar o acesso de forasteiros aos conhecimentos tradicionais, evitando que o material seja copiado e utilizado para fins comerciais, servindo apenas de manual para formação de jovens xamãs.
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In Conexão Lusófona -  http://www.conexaolusofona.org

sexta-feira, outubro 12, 2012

Dia da Criança



Dia 12 de Outubro é o “Dia da Criança”. Entre outros eventos que se possam comemorar, este é o que mais se  notabiliza no Brasil  e o qual eu abordo.
As crianças sonham com este dia que talvez emparelhe com o Natal naquilo que mais as move --- os presentes!
Eu tenho todos os meus filhos criados, mas não fiquei à margem das comemorações e “obrigações” com os meus netos...
Seria um dia de muita alegria não fossem algumas más notícias relacionadas com crianças e, principalmente aquela estampada nos jornais com maior evidência: Duas crianças do grupo de índios do sudoeste do Amazonas que está sem dinheiro para retornar às suas aldeias depois das eleições de domingo morreram nesta quinta (11) após quadro de diarreia. As crianças mortas têm menos de dois anos de idade e são das etnias canamari e maiuruna. Elas adoeceram nas canoas e chegaram ao hospital da cidade em estado gravíssimo. Outras 33 crianças estão internadas em tratamento na Casa do Índio. Duas estão hospitalizadas, uma com pneumonia e outra com diarreia grave.
Para que se possa entender melhor essa notícia, teremos que abordar a raiz do problema.
Centenas de índios que receberam combustível de candidatos para viajar de barco e votar em Atalaia do Norte (1.036 km de Manaus) estão abandonados na cidade, sem recursos para voltar. Eles receberam de alguns candidatos apenas o combustível para o trajeto entre a terra indígena e a cidade.
Como os políticos foram derrotados nas urnas, sumiram da cidade, e os índios agora estão sem dinheiro para comprar o combustível da volta, segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio).  Candidatos indígenas e não índios estimularam a vinda mandando gasolina para as aldeias, depois os largaram.
Sem ter como abastecer 94 canoas, ao menos mil índios, incluindo crianças e adolescentes, estão vivendo em barcos, barracos improvisados no porto. Para abastecer as 94 embarcações, seriam necessários cerca de R$ 140 mil (54.000 euros), o que resultaria em cerca de R$ 1.500 por cada embarcação.
Os índios são da terra indígena  Vale do Javari que está localizado no extremo oeste do Amazonas, na divisa com o Peru. A etnia mais populosa do Vale do javari é a Marubo.
Há vinte dias, os indígenas se deslocaram com as famílias para a votação. As viagens duraram de oito a dez dias pelo rio Javari. A viagem de barco pelo rio Javari até a terra dos índios, na fronteira com o Peru, leva de oito a dez dias.
Aldeia Maronal, no Vale do Javari, reserva indígena brasileira com 8,5 milhões de hectares (equivalente à área de Portugal). Está localizada na fronteira com o Peru, na região mais ocidental do Estado do Amazonas. Nela vivem seis etnias conhecidas - Korubo, Mayoruna, Matis, Kulina, Kanamary e Marubo- e a maior quantidade de índios “isolados” ou “livres” (sem qualquer contacto com o homem branco) do Brasil. São no total 50 aldeias e uma população de 3.687 indígenas. O isolamento geográfico dos indígenas leva até mesmo as aldeias que já fizeram contato com a civilização a manterem as suas tradições e a receberem pouca influência da cultura do “homem branco”.

Na aldeia do Maronal vivem cerca de 300 marubos. Está num dos locais mais remotos do Brasil
Vale do Javari é a segunda maior terra indígena do Brasil, com 8,5 milhões de hectares, abrigando, além de isolados, povos com diferentes níveis de contato com a sociedade nacional. A área é um mosaico cultural e um complexo espaço de relações, trocas, tensões e sobreposições territoriais.
Entendi que hoje não iria analisar e opinar sobre este descalabro envolvendo políticos de má fé, Instituições e até mesmo as Reservas Indígenas. Ficará para outra oportunidade.

quinta-feira, maio 05, 2011

Enterrem meu coração no fundo do Mar

Gerónimo foi o último dos Apaches 1829-1909. Sinto uma certa felicidade por ele ainda ter vivido no meu século...
Na sua tribo e por todos os demais índios americanos, era conhecido por Goyahkla que, na língua apache significa "O que boceja". Veio a ser conhecido por Gerónimo e assim passou à posteridade. Foram os mexicanos que passaram a chamá-lo assim depois de um confronto onde ele derrotou diversos soldados armados com facas e armas de fogo e os botou para correr chamando por São Jerônimo.
Gerónimo foi um importante líder indígena da América do Norte, comandando os apaches chiricahua que, durante muitos anos, guerrearam contra a imposição pelos brancos de reservas tribais aos povos indígenas dos Estados Unidos da América. Gerônimo era guerreiro de Cochise e depois se opôs a ele quando dos acordos com os estadunidenses. Tornou-se o mais famoso dos chamados "índios renegados".
Durante 1858 a 1886, Gerônimo atacou tropas mexicanas e estadunidenses, e escapou de diversas capturas. No final da sua carreira guerreira, seu bando contava com apenas 38 homens, mulheres e crianças. Seu bando tinha sido uma das maiores forças de índios renegados, ou seja, aqueles que recusaram os acordos com o Governo Americano.
Em 1886 foi capturado pelas forças norte-americanas, lideradas pelo general George Crook, e foi forçado a assinar um tratado pelo qual o seu povo seria reinstalado na Florida. Passados dois dias Jerónimo fugiu e deu continuidade à luta contra os colonos. Os americanos organizaram uma busca para recapturar o fugitivo, comandada pelo general Nelson Miles, que foi eficaz, porque o prisioneiro em fuga foi preso no México em setembro do mesmo ano.
O seu povo foi instalado primeiro na Florida, depois no Alabama, e por fim em Fort Sill, Oklahoma, onde se vieram a tornar camponeses. O seu líder ter-se-á convertido ao cristianismo, e chegou a participar na tomada de posse do presidente Theodore Roosevelt, em 1905. Gerônimo agia como um líder militar, sem ser chefe da tribo.
Agora que acabei de escrever este pequeno resumo da biografia de Gerónimo, ficou uma ideia sobre o homem que deu nome à recente operação militar norte americana em terras do Pakistão. E qual a razão desse nome para a operação? Em que detalhes podemos fazer uma comparação entre Gerónimo e Bin Laden?
O índio sempre foi um bravo e protagonizou incríveis fugas; o saudita só se assemelha nas fugas. Se foi em atenção ao significado do seu nome "aquele que boceja", aqui talvez as coisas se encaixem mais, pois como Bin Laden já se encontrava naquela casa há muito tempo sem ser molestado e sem entretenimentos (...), é possível que bocejasse frequentemente... "Gerónimo" também é a palavra que os paraquedistas americanos gritam quando saltam de um avião, e os Seals saíram de um helicóptero para chegar ao complexo onde o líder da Al Qaeda estava.
Bom, isso talvez venhamos a saber um dia, como sempre acabamos por saber. Chamar "Geronimo" à operação contra Bin Laden vem na linha de chamar "Cruzada" às invasões do Afeganistão e do Iraque, como em tempos fez George W. Bush: uma gaffe monumental. Contra esta indignaram-se a seu tempo os povos árabes. Contra a nova gaffe protestam agora os índios norte-americanos, nomeadamente em carta aberta do presidente da tribo apache. Houser, actual líder apache,diz em carta que escreveu, "associar o nome de Geronimo a um terrorista internacional é coisa que apenas faz perpetuar os estereótipos sobre os Apaches". E prossegue lembrando a origem desses estereótipos: "No século XIX, Geronimo e o povo Apache Chiricahua eram descritos como selvagens. A descrição era usada como justificação para deportá-los das suas terras e aprisioná-los depois".
Esse povo, os americanos não indios, sempre foi difícil de entender. São "cagadas" atrás umas das outras e nós vamos assistindo. Até quando?
E antes que alguém me aponte falha no título desta crónica querendo dizer que no mar não se enterra nada, posso argumentar que o fundo é de terra; e lembrem-se do título do célebre livro de Dee Brown...

terça-feira, maio 19, 2009

Alteração necessária

Um índio vai ao Cartório e solicita mudança de nome.
O escrevente pergunta:
- Qual o seu nome?
Responde o índio:
- Grande Nuvem Azul Que Leva Mensagem ao Mundo!
Pergunta o escrivente:
- E como se quer chamar?
Resposta do índio:
- E-Mail

quinta-feira, maio 29, 2008

ÍNDIOS ISOLADOS

Índios isolados que habitam região amazónica na fronteira do Brasil com o Perú. Fotos recentemente divulgadas e com o intuito de forçar a manutenção da total preservação.
Na primeira imagem dois deles estão pintados com urucum e outro com jenipapo. Tanto na primeira como na segunda, o grupo tenta atingir, com as flechas, o avião que os sobrevoava e fotografava.
Na terceira imagem distingue-se com maior nitidez o diferente tipo de construção das palhoças em relação às que conhecemos e às quais nos habituámos. Algumas destras tribos estão-se refugiando no Brasil por causa dos perigos que correm no Perú. Eles não imaginam o que os espera...

quinta-feira, maio 22, 2008

AMAZÓNIA SECRETA

Há algum tempo eu tento descrever aqui o actualíssimo problema da demarcação das reservas de índios brasileiros, principalmente no Estado de Roraima, e dar a minha opinião a respeito. Contudo, dada a complexidade envolvente e porque diàriamente novos lances surgem, adiei essa minha disponibilidade. Não obstante, transcrevo aqui um pequeno resumo específico.
Vítimas da sêca:
-total ................................................................................ 10 milhões
- sugeitos à fome? ....................................................................... sim
- passam sêde? ............................................................................ sim
- subnutridos? .............................................................................. sim
- ONGs estrangeiras ajudando ....................................... nenhuma
Índios da amazónia:
- total ..................................................................................... 230 mil
- sujeitos à fome? ......................................................................... não
- passam sêde? ............................................................................. não
-subnutridos? ............................................................................... não
-ONGs estrangeiras ajudando ................................................... 350
A explicação para este absurdo:

A Amazônia tem ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo, diamantes, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares. O nordeste não tem tanta riqueza e por isso não há ONGs estrangeiras lá ajudando os famintos. Enquanto isso, uma ONG estrangeira (principalmente dos EUA) está gastando milhões de dólares para salvar o mico leão dourado.
Tente entender:

Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as minas terrestres.
Agora uma pergunta:

Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito? A União Européia investe milhões de dólares na demarcação de reservas indígenas no Brasil. Por quê? Quando há tantos problemas de maior gravidade: terremotos em El Salvador e na Índia, a catástrofe em que vive a África, a seca no nordeste, a epidemia de AIDS, etc.. E eles gastam milhões para demarcar reservas indígenas que já são exageradamente grandes. Por quê?