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sábado, junho 08, 2013

Convite ao Erro

Aos meus leitores eu pergunto se sabem o que representa a fotografia acima.
Os brasileiros sabem, pois creio que tenha isto em todo o país. Pelo menos tem na cidade de Campinas, aqui no Estado de São Paulo, uma das regiões mais violentas do Brasil, quiçá de toda a América latina.
Mais que uma sinalização de trânsito, é um aviso ao cidadão que dirige o seu carro, sobre situação de perigo eminente. Acontece que se o motorista parar o seu carro obedecendo ao sinal vermelho do semáforo, existe grande probabilidade de ser assaltado e até assassinado. Assim, depois das 19 horas, mesmo que o sinal esteja vermelho, o motorista pode passar sem parar, só tendo que tomar muita atenção às demais viaturas.
Em princípio o condutor não será multado pelos agentes de trânsito da Prefeitura que tem a seu cargo a gestão do trânsito. Não obstante, porque tal "sinalização" não consta do Código Nacional de Trânsito, um policial poderá autuar o cidadão...
Em todas as situações, a corda sempre estoura na parte mais fraca.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Assalto

Eram quase seis e meia da tarde e a lotérica fecha a essa hora. Saí de casa apressado para dar tempo de fazer a costumeira fezinha na “Lotofácil”.
Ao aproximar-me da loja, seguíam três jovens à minha frente. Dois entraram e o terceiro ficou encostado a um dos ombrais da porta olhando para os lados. Isso despertou-me a atenção e o sexto sentido. Mas logo este também entrou.
Observei o seu jeito, a maneira de vestir, e o percing no lábio inferior. Bem vestidos os três, de cor branca e nada de anormal a não ser o facto de serem três jovens apostando na loteria àquela hora, pois normalmente encostam ali seres mais velhos. Foi a segunda desconfiança.
Entrei na fila, normalmente, apesar de me ser facilitado o atendimento preferencial por causa da minha idade de ancião… E ainda bem que não usei desse benefício.
O jóvem da frenta dirigiu-se ao guichê e, empunhando um revólver, anunciou o assalto. Eu jamais passara por uma situação dessas e, como os demais, fiquei inerte e só observando. Ainda ouvi o cara gritar que iria disparar a arma caso a funcionária não lhe entregassa o dinheiro do caixa.
Naquele momento pensei que os três fariam a limpeza dos clientes, também. O reduzido montante que eu tinha não era o suficiente para me preocupar, mas estava nervoso perante a dúvida em relação ao que mais poderia acontecer.
Despertou-me a atenção o facto de o assaltante apontar a arma para baixo, para aquela bandeja por onde passamos o jogo e o dinheiro e não para a frente em direção da atendente. Mas mais tarde vim a saber que, sendo os vidros blindados, aquele era o único local por onde entraria a bala e, ricocheteando no aço, atingiria a moça.
Alguém no interior se apercebeu do que estava acontecendo e disparou o alarme sonoro. Isso fez com que os três abortassem o assalto e fugissem em disparada. Não atiraram a esmo como vingança, mas poderiam tê-lo feito e, assim, eu poderia não estar mais aqui escrevendo sobre o acontecido.
Foi a minha primeira vez numa situação destas, mas a minha opinião a respeito não se alterou; ela já existe há muito e muito tempo. Os traficantes, por exemplo, não me incomodam, pois jamais usei ou usarei drogas. Mas, um indivíduo que usa uma arma para roubar ou intimidar inocentes desprotegidos, deveria ser julgado sumàriamente e fuzilado. A lei tem que ser modificada.

sexta-feira, abril 04, 2008

REGIONALISMO

ASSALTANTE BAIANO
Ô meu rei... ( pausa ) Isso é um assalto.... ( longa pausa )
Levanta os braços, mas não se avexe não.. ( outra pausa )
Se num quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado...
Vai passando a grana, bem devagarinho ( pausa pra pausa )
Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado.
Não esquenta, meu irmãozinho, ( pausa )
Vou deixar teus documentos na encruzilhada.
ASSALTANTE MINEIRO
Ô sô, prestenção issé um assarto, uai. Levantus braço e fica ketin quié mió procê.
Esse trem na minha mão tá chein de bala... Mió passá logo os trocados que eu num tô bão hoje.
Vai andando, uai ! Tá esperando o quê, sô?!
ASSALTANTE CARIOCA
Aí, perdeu, mermão
Seguiiiinnte, bicho Tu te fu. Isso é um assalto.
Passa a grana e levanta os braços rapá.
Não fica de caô que eu te passo o cerol...
Vai andando e se olhar pra trás vira presunto.
ASSALTANTE PAULISTA
Pô, meu ... Isso é um assalto, meu Alevanta os braços, meu .
Passa a grana logo, meu
Mais rápido, meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pra comprar o ingresso do jogo do Corintian, meu...
Pô, se manda, meu.
ASSALTANTE GAÚCHO
O gurí, ficas atento Báh, isso é um assalto
Levanta os braços e te aquieta, tchê !
Não tentes nada e cuidado que esse facão corta uma barbaridade, tchê.
Passa as pilas prá cá ! E te manda a la cria, senão o quarenta e quatro fala.
ASSALTANTE DE BRASíLIA
Querido povo brasileiro, estou aqui no horário nobre da TV para dizer que no final do mês, aumentaremos as seguintes tarifas: Energia, Água, Esgoto, Gás, Passagem de ônibus, Imposto de renda, Lincenciamento de veículos, Seguro Obrigatório, Gasolina, Álcool, IPTU, IPVA, IPI, ICMS, PIS, COFINS...

domingo, novembro 04, 2007

VIOLÊNCIA URBANA

Sou do tempo em que se vivia com uma certa tranquilidade em qualquer lugar do Brasil, tendo em conta que a mesma era proporcional ao tamanho das cidades. Passava o ano de 1972.
O primeiro lugar onde vivi foi Rio Grande no extremo sul do país. Cidade portuária com grande movimentação de navios e agitadíssima movimentação nas cercanias de bares e boates que circundavam as docas. Mais tarde mudei-me para a capital do Estado, Porto Alegre, esta com um grande porto fluvial e, como todas as grandes cidades, cosmopolita e movimentada. Pulando entre mais alguns lugares, fixei-me definitivamente em Campinas no Estado de S. Paulo.
Não vou referenciar que um dos lugares seja mais violento que outro fóra da já referida proporcionalidade. Quero, sim, dar uma ideia das mudanças que se fôram notando nessa violência. Assim, dentro da tranquilidade que comecei por referir, convivia-se com o batedor de carteiras, com os trombadinhas e outros tipos de agressão.
Paulatinamente, a população começou a ficar menos tranquila mercê dos assaltos à mão armada, com a subtração de bens, humilhações e algumas agressões físicas. O acto de alguém nos apontar uma arma já nos inibia, se bem que houvesses algumas reacções esporádicas. Essas reacções começaram a ser evitadas a qualquer custo, pois sempre tinham um final dramático; o bandido apertaria o gatilho indubitàvelmente.
De alguma forma, todos nos íamos prevenindo para evitar, o quanto possível, essas situações desagradáveis e perigosas. Com o crescente descrédito nas autoridades de segurança pública, começámos a aprender e adoptar procedimentos de salvaguarda da vida. Os bens materias passaram a ter uma certa desvalorização em contraste com a crescente valorização do bem maior.
Hoje a situação está mudando radicalmente e aqui nesta cidade nota-se isso todos os dias. Os bandidos querem-nos tirar, além dos bens materiais, a nossa própria vida. Parece que fazem questão disso. O porquê, ninguém sabe ou entende.
Como na foto que uso para ilustrar esta minha crónica na postagem, é assim que quotidianamente ocorrem casos em Campinas e noutras cidades. Dois bandidos tiveram conhecimento que determinada pessoa fez um saque de dinheiro num Banco. Alguém no interior do estabelecimento os avisou através do telefone móvel. O motorista da moto pára na frente do carro da vítima num semáforo vermelho e o companheiro anuncía o assalto de arma em punho. A vítima entrega-lhe a caixa de papelão onde guardara o dinheiro, sem qualquer reacção e, em seguida, leva um tiro na cabeça.
Agora entrámos num bêco sem saída. Em diversas situações ocorrem abordagens com final idêntico e não é só quando saímos de um Banco. Assim, qualquer réstia de tranquilidade se dissipou. O velho grito não vale mais nada: "Oh da guarda!!!".