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domingo, maio 12, 2013

Burocracia e Despreparo

Outras vazes houve em que usei este meu espaço para denunciar problemas inadmissíveis que o serviço público nos apresenta. Tenho plena convicção que os meus gritos aqui gravados não chegam aos ouvidos certos ou talvez cheguem, mas são ouvidos moucos. O universo de leitores do meu blog até que tem um bom tamanho, mas a maioria dos leitores não são do Brasil. Não obstante, continuarei denunciando sempre que tal se justifique.

Caixa Económica Federal (Brasil) --- De posse de uma Procuração de plenos poderes e até especificando os Organismos e serviços, redigida em Cartório com todos os termos da praxe, a mesma não foi aceite numa das agências da Instituição (Amoreiras - Campinas) e o foi numa outra (Glicério - Campinas). Fica a impressão que os funcionários concursados não tiveram o mesmo treinamento e estudaram por cartilhas diferentes. Este caso absorveu muito tempo, dinheiro e causou muita irritação. Foi alvo de reclamação perante o SAC e Ouvidoria em Brasília, mas lá eles não mexem um dedinho para nada. E assim temos um dos maiores bancos do Brasil (estatal) que é, ao mesmo tempo, um dos piores em atendimento. E gasta muitos milhões em propaganda e patrocínios estranhos, além do escabroso escândalo de apoio ao falido Banco Panamericano...

Instituto Nacional do Seguro Social - INSS --- A mesma Procuração referida acima, foi feita para também representar a mesma pessoa junto a esta Instituição. É Maio e neste mês teria que ser apresentada a Prova de Vida. 
Não foi aceite no Banco respectivo por não estar cadastrada na Previdência. Entendi o detalhe burocrático e dirigi-me à agência do centro do INSS. A Procuração não foi aceite e em relação à mesma foram apontados inúmeros "erros" e "falácias"... Detalhes que nós, mais ou menos bem esclarecidos e que para tanto estudámos, refutamos de imediato. Mas nessas horas não adianta argumentar ou reclamar, pois o caldo pode entornar de vez...
A Prova de Vida era um documento emitido num Consulado brasileiro em Portugal e, espedido lá em Março (registado ou registrado), chegou ao Brasil em Maio. Demorou 2 meses. A funcionária já foi adiantando que jamais poderia aceitar aquele documento por causa das datas...
Nenhum dos meus argumentos adiantou e nada me foi sugerido como orientação para solução do impasse. Pelo andar da carruagem, a pessoa por mim representada teria que estar aqui presente...
A título de descarrêgo e irònicamente, fui alertado que o benefício não havia sido concedido naquela agência e que eu deveria dirigir-me à que tratara de tudo isso. Fica na mesma cidade, mas bem longe.
Tendo de imediato me dirigido a esta outra agência, na esperança de lá chegar antes do horário de almoço (não atendem o público de tarde), fui atendido.
Coloquei sobre a mesa a Procuração, a Prova de Vida e o meu documento de identidade. Só pedi que fosse cadastrada a Procuração no sistema e registrada a prova. Não durou mais que dez minutos e tudo ficou acertado.
Mais uma vez eu pergunto, como podem ser usados dois pesos e duas medidas se as normas são únicas e comuns?...

Polícia Federal do Brasil --- Na minha última saída do Brasil, no aeroporto de Viracopos em Campinas, ao passar pelo agente da P. F. , o mesmo não entendeu o porquê de eu portar um
Passaporte português e uma Carteira de Identidade brasileira. E eu não estava acreditando na estranhesa dele...
Ciente de todos os detalhes, como não poderia deixar de ser, pois tenho o Certificado de Direitos e Deveres, expliquei-lhe que essa é uma prorrogativa dos portugueses no Brasil e dos brasileiros em Portugal, ao abrigo do Acordo Internacional assinado em 1972. Ciente de que esse pessoal não gosta muito de brincadeiras (...), ainda lhe contei que participei duas vezes de concurso para ingresso na Polícia Federal; e que eu poderia me candidatar a todos os cargos públicos e políticos, menos o de Presidente da República. Em Portugal a recíproca é verdadeira em relação aos brasileiros.
Admirei-me, também, por ter sido entendido e liberado...
Não é meu propósito meter a foice em seara alheia, mas acho que os agentes mais novos da P. F. não estão sendo bem instruídos em certos pontos.

Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - EBCT
e
Correios de Portugal - CTT --- Sinceramente, não sei qual das duas empresas é melhor ou pior. Sei que as duas são uma droga e prestam muito maus serviços. Tenho provas do que afirmo e apresentá-
las-ei se necessário.
Sobre problemas graves com os correios do Brasil eu já aqui postei uma matéria. Agora, não sei onde  foi feita a borrada, mas vou começar a investigar na estação de postagem em Évora (Portugal) de uma carta registada, possuindo documento importantíssimo. A carta foi expedida em 18 de Março de 2013 e chegou em Campinas (Brasil) em 9 de Maio. Além de tudo isso, ainda vinha aberta e sem carimbo de censura...
Este último caso dá direito a uma acção de danos e a qual providenciarei. Também decidi que jamais usarei o serviço dos Correios e procurarei outras empresas do ramo, do mesmo modo que os Consulados americanos fazem com os passaportes visados e que causou a maior polémica (eles sabem o que fazem...). Pagar por pagar, escolherei uma empresa que não é comandada por políticos tachistas e incompetentes...

quarta-feira, abril 01, 2009

Crise de nervos

Muitas vezes, em tom de brincadeira mas com ar circunspecto, costumo dizer que nos dias de hoje só se fica rico ganhando na loteria ou enveredando pelos caminhos do submundo das ilegalidades. Trabalhando honestamente, jamais! Todavia, acontecem tantas coisas estranhas que já chego a pensar que, com uma das duas hipóteses referidas sendo descartada, passa a ser um caminho só.
Costumo jogar nas loterias oficiais da Caixa Económica Federal fazendo, como se costuma dizer, uma pequena fezinha. Jamais fui um sortudo em potencial e só uma vez ganhei um terceiro prémio que me rendeu uma mixaria; mesmo assim, com meio bilhete...
Lembro-me que, dessa vez, dirigi-me à agência principal da Caixa onde havia um pequeno reservado para recebimento desses prémios. Entrei e notei que tinha algumas pessoas sentadas num banco encostado na parede e que não participavam de fila alguma. Vim a saber, mais tarde, que são indivíduos que oferecem pelos nossos bilhetes premiados uma quantia 20% maior que o valor. Estes fazem parte de um esquema de lavagem de dinheiro e encaixam-se num daqueles caminhos que citei no início... Simplesmente ignorei o detalhe e dirigi-me ao caixa. Apresentei o bilhete, assinei um documento com os meus dados pessoais para efeitos de tributação, fiquei com uma cópia e o caixa com a outra. Fim de papo. Tão simples assim...
Ontem fui conferir, na Internet, os recibos da aposta da "Lotofácil" que tinha feito no dia anterior. Teria que acertar 15 números para ficar milionário. Num dos recibos acertei 11, o que habilitava a um prémio de consolação de 2 reais; no outro, acertei 14. Estremeci! Voltei a conferir mais uma, duas, três vezes e concluí que eram realmente 14 pontos. Respirei fundo e conformei-me --- o prémio era de 1.100 reais e mais uns quebradinhos.
Hoje, depois do almoço, fui na casa lotérica para receber o meu prémio, pois é normal ali pagarem pequenas importâncias. Entreguei os dois recibos premiados à funcionária, ela fez a leitura eletrónica e me disse: - "Um dos recibos tem 2 reais e o outro não tem nada". Olhei bem nos seus olhos, lindos por sinal, e perguntei-lhe: - "Tem a certeza? é que eu conferi várias vezes e tenho a certeza que um dos recibos tem 14 pontos!". Ela insistiu e eu insisti também. Cada um com a sua versão... O gerente escutou e veio conferir. Disse-me que, sendo o valor superior a 800 reais, eu teria que receber na Caixa.
Aqui está um dos motivos porque muitos prémios não são resgatados, pois aquelas pessoas que não dispõem de internet ou que não conferem diretamente as listas, acabam por inutilizar os recibos perante uma informação errada de uma funcionária mal preparada ou nem tanto...
Dirigi-me à agência da Caixa mais próxima pensando que seria fácil resgatar o meu pequeno prémio, tanto mais com o direito a utilizar o guiché prioritário pela minha condição de ancião. Aliás, é a única situação em que não me importa de ser velho...
Não foi fácil, não! E não foi possível. Do guicé encaminharam-me para o balcão de informações para ali ser cadastrado numa espécie de fila eletrónica. Depois fui aguardar num salão que me chamassem pelo nome. Demorou quase uma hora.
A atendente pediu-me o RG, o CIC e um comprovante de endereço e nisso já resultou a minha primeira reclamação e protesto. Afinal, porque motivo somos anónimos quando fazemos o jogo e temos que abrir o livro da nossa vida para receber o prémio? --- se fôr um prémio grande, amanhã ou depois os bandidos estarão na minha casa com todas as informações e eu não poderei escapar...
Mais calmo, entreguei-lhe a documentação solicitada que, por acaso, tinha comigo. E nestes entretantos ela ficou digitando não sei o quê no computador, o que demorou mais um interminável tempo. Foi numa outra sala e voltou, dizendo: - "Senhor, tem um probleminha! A nossa fotocopiadora está com problema; terá que ir lá fora e tirar fotocópias dos documentos!".
Peguei os documentos, amassei o recibo premiado e simplesmente disse que não mais tinha interesse em receber o que quer que fôsse. Joguei o recibo no lixo; se alguém o achar, desejo-lhe boa sorte...
Já se passaram dez anos em que essa mesma agência da Caixa foi assaltada durante a noite e, dos cofres de penhores, tudo foi retirado. Eu tinha lá alguns valores. Essa peripécia resultou numa ação judicial movida por grupos de pessoas que estavam na mesma situação que eu. Ganhámos nas três instâncias e foi sentenciado pelo Supremo Tribunal Federal que a Caixa deveria nomear um perito para avaliar o montante da indemnização a ser rateada, caso não concordasse com o indicado. Já se passou um ano e nada; eles não respeitam as sentenças. Só coloquei este anterior parágrafo, que nada tem a ver com o assunto dos prémios de loterias, porque cismei que a Caixa talvez tenha um cadastro das pessoas que com ela tenham contencioso e, assim, faça-se negra a vida das mesmas. Será?