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terça-feira, julho 03, 2012

Água vem e água vai

Nesta época de Rio+20 e de tantos outros debates sobre sustentabilidade, meio ambiente, ecologia, aquecimento global, etc., etc., há coisas que nos deixam de orelha em pé, obrigam-nos a um debruçar  com maior detalhe sobre as questões e, até, acabam por mudar a nossa opinião.
Ùltimamente tive oportunidade de ler e ouvir na grande Imprensa, artigos interessantíssimos que desdizem o que há anos nos enfiam pela goela abaixo. O caso, por exemplo, do aumento de volume dos oceanos que, afinal, é cíclico e nada tem a ver com o aquecimento do planeta.
Toquei no assunto da água e era este mesmo que eu me propuz a abordar hoje, mas sobre outro prisma.
Na minha rua tem uma vizinha obcecada por limpeza. Depois que ela varre toda a calçada que compõe o trecho em frente à sua casa e o dos vizinhos de cima e de baixo (pena que ela não se preocupe também com a minha que fica logo a seguir...), pega a mangueira e lava minuciosamente todo aquele mesmo espaço. Acho que deve andar por volta de uma hora o tempo em que aquela torneira de 3/4 de polegada fica aberta. Não farei as contas agora porque estou digitando de improviso e tal requereria o uso de fórmulas matemáticas enferrujadas na minha cabeça... Mas é certamente muita água e a conta no final de cada mês deve ser astronómica. Não sou que pago, claro.
Sempre critiquei aquele desperdício e muitas vezes me vinha a lembrança de que muitos povos sofrem com a falta de tão valioso bem da Natureza.
Um destes dias o meu neto mais novo (foto) insistiu muito em que queria que eu o trouxesse na minha casa para molhar as plantas. É assim que ele define o tempo, para si maravilhoso, com frio ou calor, em que brinca com a mangueira molhando tudo o que tem pela frente. Adora!
Como eu tivesse filmado a cena, aproveitei e enviei o vídeo para a família em Portugal. De um dos meus filhos de lá eu recebi elogios sobre a qualidade técnica do filme e, porque ele não perde uma boa oportunidade de me cotucar, fê-lo sob o guarda-chuva do ecològicamente correcto (incorrecto no caso). Quando li, fiz aqui um gesto com o dedo médio, mas ele não viu...
Então, comecei a pensar: a água que abastece a cidade de Campinas é oriunda principalmente de dois rios que banham a sua periferia. Ela é tratada nas Estações específicas e encanada para chegar aos lares da população. E pergunto: se nós não aproveitássemos essa água, para onde ela iria correndo no leito dos rios?
A conclusão a que chego é que, através dos rios ou pelas galerias pluviais (caso da água "desperdiçada" pela minha vizinha), o destino é o Oceano. E, como dizia Lavoisier, na Natureza nada se cria e nada se perde; tudo se transforma. E, como digo eu, na Natureza a água só muda de lugar...
Já comecei a nadar contra a maré e estou abraçando a corrente contrária.

sexta-feira, abril 13, 2012

Crime Ambiental


Recebei o seguinte pedido urgente de ajuda, relativo ao arranque de oliveiras monumentais no concelho de Reguengos de Monsaraz. Um crime contra o nosso património que urge travar de imediato. Leiam e ajudem-nos a divulgar esta informação. 


Exmos. Senhores

Assunto: Arranque de Oliveiras Centenárias no Olival da Pêga


A ADIM, Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz, usando do seu dever estatutário de estar atenta às questões patrimoniais da freguesia de Monsaraz, teve conhecimento de que estão a ser arrancadas “Oliveiras Centenárias da Zona do Olival da Pega”, uma zona sensível do ponto de vista patrimonial, alargado, que abarca o megalitismo e a paisagem que lhe serve de contexto. Eventualmente com o objectivo de as fazer sair do País, uma vez que, como se pode ver pela imagem anexa, se tratam de exemplares bastante invulgares pela sua dimensão e antiguidade.


Como sabemos, o megalitismo no Concelho de Reguengos apresenta-se como de grande importância patrimonial sendo que o seu contexto paisagístico de envolvente não pode de modo algum ser descontextualizado.


Decorre actualmente o processo de classificação das Antas do Olival da Pega e recentemente o Município de Reguengos até candidatou este contexto paisagístico a “Maravilha da Natureza”, razão pela qual entendemos que acresce às entidades com responsabilidade a urgência em tentar evitar mais uma perda patrimonial que deixará mais pobre o património local.


Assim, solicitamos a todos os que tenham possibilidades de intervir, com os meios ao seu alcance, no sentido que se movimentem e impeçam este lamentável processo de perda patrimonial relevante.



Com os melhores cumprimentos



Pela Direcção da ADIM,

Jorge Cruz

(presidente da Direcção)

Penhas da Saúde (Covilhã) - Parque Natural da Serra da Estrela

quarta-feira, julho 02, 2008

Ecologia

Empresa da Póvoa de Varzim fabrica painéis únicos no mundo. Funcionam em todas as condições atmosféricas e concedem à Energie uma quota de 60% do mercado nacional.
Ser tão intensamente requisitado por meios tão distintos como a muito conceituada revista norteamericana de economia, finanças e negócios Forbes, ou a TV Globo, a quarta maior emissora do mundo, vista diariamente por 80 milhões de pessoas, não lhe muda a forma de estar. Luís Rocha, presidente da Energie, recebe os jornalistas de sorriso aberto. Esta é a única empresa no mundo que fabrica painéis solares termodinâmicos que funcionam nos dias de chuva e, até, à noite.
Fundada em 1986, a empresa é detentora exclusiva da patente e fabricante dos sistemas solares termodinâmicos. Uma patente que lhe vale já hoje uma quota de 60% do mercado nacional português e a entrada nos mercados europeus a uma velocidade de algum modo surpreendente, que não estava nas estratégias da empresa. O resultado é que, a exemplo dos media, também no âmbito das encomendas as solicitações são mais que muitas.
A diferença dos painéis termodinâmicos face aos tradicionais reside no facto de a água que circula nos painéis tradicionais ter sido substituída por um líquido ecológico frigorigéneo (é designado por Klea ou pelo nome científico de R134a e corresponde ao mesmo usado nos frigoríficos ou aparelhos de ar condicionado), que assegura o processo baseado no princípio do físico francês Nicolas Carnot, que descobriu a termodinâmica em 1840. É assim que os painéis solares termodinâmicos captam o calor do Sol, da chuva e do vento, 24 horas por dia. Os painéis tradicionais dependiam da existência de luz e sol, o que no Inverno é limitado."A grande vantagem ambiental da utilização dos nossos painéis está na emissão de dióxido de carbono. Eles não produzem efeitos nocivos para a natureza. Um sistema de 300 litros de águas quentes sanitárias para uma família reduz a emissão de CO2 em 2,6 toneladas ao ano face às outras energias", sublinha Luís Rocha. E lembra que há, ainda, as vantagens acrescidas da redução do consumo energético global e a consequente diminuição da factura energética do agregado. "A sociedade tem de evoluir para a utilização racional da energia. A energia mais renovável é a que não consumimos e as pessoas têm de se mentalizar disso", refere.
Há muitas formas de poupança, reconhece o empresário. E, por isso, a própria indústria "está a responder paulatinamente a essa necessidade de redução dos consumos", apostando na melhoria das perfomances dos equipamentos. "O futuro passa por aí", sustenta.
Para uma família de seis elementos, é possível obter um sistema Energie por dois mil euros, diz Luís Rocha. "Pode ir um pouco acima, aos três mil, 3500 euros, se utilizarmos termoacumuladores de aço inoxidável, com durabilidades que podem ir aos 20 ou 30 anos", acrescenta. Espanha, França, Irlanda, Grã-Bretanha e Bélgica são os mercados onde os painéis Energie já são vendidos. A exportação arrancou há apenas dois anos mas representa já 40% da facturação.
O Empreendimento Ponte da Pedra, em São Mamede de Infesta, Matosinhos, foi distinguido com o prémio de Eficiência Energética 2007, atribuído pela Direcção-Geral de Energia e dos Transportes da Comissão Europeia, graças aos 132 painéis Energie. Tornou-se o primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal. Mas os sistemas da empresa estão já em funcionamento em complexos hoteleiros, shoppings, restaurantes, escolas, etc. O mais emblemático foram os 70 painéis colocados no Convento das Carmelitas, em Fátima.

quinta-feira, agosto 30, 2007

RATO DE CABRERA ---- RATO DO CAMPO

O RATO DA CIDADE E O RATO DO CAMPO
Um rato gordo, que morava na cidade, resolveu dar um passeio pelo campo. Ia andando, ia andando, roendo aqui, roendo ali, quando viu um ratinho magro, muito encolhido.
– Amigo, disse ele ao outro, que magreza é esta? Que vida você leva aqui! Até parece um esqueleto!
- Cada qual vive como pode, - respondeu o ratinho.
– O amigo é rico. Eu sou pobre, mas vivo contente no meu canto.
– Pois olhe para mim. Até pareço um barão! Estou gordo, forte. Tenho bom almoço, bom jantar, e merenda variada!
- É feliz, meu amigo…
- Quero provar que sou bom amigo. Deixe a vida do campo. Venha comigo para a cidade. Em pouco tempo você estará redondo como um pipote.
O ratinho fez luxo. Disse que estava feliz ali. Mas o outro tanto falou, tanto pediu que ele concordou.E lá foram andando, de braços dados, para a cidade.Por um buraco que havia na parede de uma casa, o rato gordo acompanhado do outro introduziu-se numa dispensa bem sortida.
- Aqui está o meu palácio, - disse o gordo. Veja quanta cousa boa: presunto, queijo… Trate de comer… Acasa é sua.
O pobre ratinho nunca sonhara com tanta cousa. Estava acostumado a roer raízes. Não esperou segundo convite. Entrou logo dentro de um grande queijo:- Rac… Rac… Rac…Passou para um presunto. Comeu à vontade, pensando logo em ficar morando ali.Estava já limpando o focinho com as patas, quando ouviu um barulhinho.Voltou-se. Quê viu ele? Dois olhos de fogo fitando-o de um canto! E logo:- Miau!… Miau!… Miau!…
- Deus do céu! Um gato, - disse o magro.
Foi um reboliço. O rato gordo fugiu logo para o buraco.Mas era tão gordo, que não pôde passar.O ratinho magro, tonto de susto, conseguiu fugir.E, lá de fora, despediu-se do amigo:- Adeus amigo. Muito obrigado. Vou-me embora.
-Antes quero viver magro no magro, do que gordo no estômago do gato!
E foi-se, ligeiro.
(João Lúcio; Zilah Frota --- O livro de Violeta)
Transcrevi para este meu espaço a conhecida fábula, pois o Rato do Campo é o conhecido Rato de Cabrera, cientìficamente denominado Microtus cabrerae. E é este pequeno animalzinho que está deixando os espanhois da região de Castilla y Léon apavorados e, consequentemente, os portugueses do nordeste preocupados. Nunca antes se viram por lá tantos desses roedores; são milhões. Por isso, a caça é desenfreada e usam-se todos os meios ao alcance para tentar dizimar a praga; até veneno, e isso é preocupante e não recomendado.
Esse pequeno animal sempre existiu na Península Ibérica e eu lembro-me perfeitamente quando nos meus tempos de gaiato os encontrava beirando as ribeiras, onde costumava pescar com o meu pai. Algumas vezes até para uma pequena refeição nos serviam...
A reprodução é de 5 ou 6 crias anuais por fêmea. Alimentam-se de folhas e caules de gramíneas. A sua actividade é nocturna, se bem que se encontrem também durante o dia. Os seus grandes predadores são as aves de rapina de hábitos nocturnos, principalmente as corujas. Evitam as altas temperaturas e procuram a baixa humidade.
Essa grande concentração e invasão de uma determinada região, só se pode explicar por uma convergência de fatores, tais como as grandes queimadas, alterações climáticas e, principalmente, o abate criminoso dos seus predadores. Nada acontece por acaso.