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quarta-feira, setembro 26, 2012
sexta-feira, junho 18, 2010
Saramago
Esse foi um dos momentos mais marcantes da vida de José Saramago e, consequentemente, na de todos os portugueses. Arrisco a afirmação, na de todos os cidadãos lusófonos. Foi o da entrega do Prémio Nobel da Literatura.
Não por falta de espaço ou de palavras, pouco mais aqui escreverei sobre um dos meus escritores favoritos. Além de escritor admirava-o como pessoa, pois comungava de muitas das suas ideias e ideais. Limito-me a registar aqui o meu profundo sentimento de pesar.
segunda-feira, abril 14, 2008
RECEITA DE CODORNIZES (ALENTEJO)
Tempos houve em que os literatos se faziam honras de cozinheiros. Dos melhores. Tão excelentes nas lides das letras como nas da gamela. O bom do Fialho de Almeida, se louvava o país das uvas, tinha também artes de culinária que ainda hoje deslumbram tanto como o esplendor da prosa. Disso tive prova em Alvito, em casa de amigos, onde arribei para janta.
Reservaram-me um pitéu: codornizes à Fialho de Almeida. Banzaram-me! Eu digo-vos. Ficaram as avezitas a marinar de um dia para o outro, em marinada heróica: em vinho, alecrim e rosmaninho, azeitona descaroçada. Mas antes de banharem nesta calda, os bichos tiveram trato. Bem esfregadas de alho, sal e pimenta e um tudo muito nada de canela (sem abuso, apenas para lhe dar o cheiro).
Chegado o momento de ir à frigideira de barro, as codornizes foram retiradas da marinada, enxugadas num pano, que deveriam seguir secas à vida. Que essa era a regra antes do assalto final: na frigideira, aqueceram um palmo de azeite, a que lhe acrescentaram uma colher de banha e aí aloiraram alho, para mitigarem a gorduranca com uma colher de sopa de vinho do porto. E foi neste requinte que as codornizes fritaram!
Retiradas para a travessa as codornizes, aproveitaram os despojos da fritada para cozerem a marinada na frigideira: o molho com o qual as codornizes foram regadas. Divino! O senhor Fialho de Almeida tinha arte. Se duvidam, ensaiem. Em verdade vos digo que não sei o que mais adorar: se a truculência azorragante de “Os Gatos”, se a excelência do manjar. E fiquei grato a esses amigos de Alvito.
In "Jardim de urtigas"
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