Mostrar mensagens com a etiqueta Gaúchos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gaúchos. Mostrar todas as mensagens

domingo, maio 20, 2012

Pelotas

Quando cheguei ao Brasil nos idos de 1972, fui morar com os meus sogros na cidade de Rio Grande até que organizasse a minha vida.
Tomei conhecimento da história de alguns portugueses da região e conheci alguns pessoalmente, estes das relações do meu sogro que também era português.
Pelotas, a mais ou menos 50 km de Rio Grande, era ponto de passagem para Porto Alegre. Cidade interessante e de grande pêso na economia riograndense, graças às charqueadas e doceria, foi criada por portugueses. O nome do município, teve origem nas embarcações de varas de corticeira forradas de couro. 
Conheci Pelotas por lá ter passado muitas vezes e ficaram na minha memória algumas cenas. Uma delas era o grande número de gaúchos vestidos a rigor nos seus trages tradicionais que embarcavam e desembarcavam na Rodoviária local. Achava aquilo muito interessante e até me reportava ao meu Alentejo onde, gradativamente, os trajes típicos foram ficando esquecidos. Tenho a opinião de que jamais devemos perder esses traços de cultura.
Voltando a Pelotas, sempre achei que aquela seria uma das cidades do futuro no Brasil. Passaram-se 22 anos desde a última vez que por lá passei. Agora lá voltei, neste pretérito Carnaval e fiquei com a impressão que a cidade ficou parada no tempo.
Na verdade, não saí da Rodoviária desta última vez, mas acredito que ela espelhe o que se passa no resto da cidade.
De Campinas a Porto Alegre fiz uma óptima viagem de avião. Do Aeroporto Salgado Filho já directamente embarquei no Metro de superfície que me deixou na Rodoviária. Aqui, a lista de horários de ônibus que eu copiara na Internet não coincidia com a realidade e, assim, tive que esperar 3 horas para pegar um que me levaria a Pelotas e ali outro para o Rio Grande.
Cheguei a Pelotas às 3 horas da madrugada sob um calor de 30 graus. Já imaginaram essa temperatura a uma hora daquelas? Fiquei grudado no guichê das passagens aguardando o funcionário para colher informações e comprar a passagem para a linha que mais me conviesse. Fiquei ali uns 10 minutos até que o dito cujo aparecesse. Ele estava entretido a ver os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro na tv... Que grande corno!
Foi difícil sacar dele uma opinião e das opções que me informou, meio contrariado, optei pelo ônibus das 6 horas para Rio Grande, pois sabia que na Junção apanharia outro para a Praia do Cassino que era o meu destino final.
Tudo resolvido, de mochila nas costas preambulei por ali, pois nessas horas e do jeito que eu vi a situação, jamais me deixaria vencer pelo sono num daqueles bancos de cimento horríveis. Em relação à Rodoviária que eu conhecera muitos anos atrás, nada mudou por ali e deveria ter mudado. Sei que a mesma foi construída sobre um antigo pântano e, por isso, milhões de mosquitos habitam o local. Foi difícil encontrar um banheiro aberto, pois tinha um masculino num extremo e um feminino no outro. Tudo sem placa de informação. Local imundo!
Lá para as tantas, de saco cheio, encostei-me sentado num dos bancos comunitários onde deveríam estar mais umas 8 ou 10 pessoas. Ouvi, atrás de mim e quase na minha orelha: "Boa noite! Sou artista de rua...." Antes que terminasse a apresentação já escutou de mim: "Cara! Não me chateia. Não tenho nada, estou na pior. Estamos os dois na merda..." O indivíduo sumiu que nem um raio e todos ficaram olhando para mim estupefactos. E porque logo eu fui o escolhido?
Ali não vi um segurança. Naquela Rodoviária só vi sujeira, degradação. Não se modernizou em 40 anos e isso fica muito mal para uma cidade como Pelotas. Quem sabe se na minha próxima viagem vou achar tudo mudado!?


Imagens Google

segunda-feira, agosto 17, 2009

sábado, setembro 20, 2008

Meu Rio Grande

Naquele dia 26 de Fevereiro de 1972 emigrava para o Brasil com destino ao Rio Grande do Sul. Pisei em terras de Santa Cruz, pela primeira vez, no Rio de Janeiro. Como demorava algumas horas para a baldeação num outro avião, por ali fiquei andando de um lado para o outro, até com acesso à parte externa do aeroporto.
Talvez devido ao cansaço das muitas horas de vôo, a preocupação com a mulher e os filhos pequenos e a ansiedade de chegar ao destino final, esse meu primeiro contacto com o Brasil não foi marcado por muita alegria e satisfação; sentia-me verdadeiramente deslocado.
Finalmente, ao desembarcar em Porto Alegre, tudo mudou. O próprio clima já influíu numa melhor adaptação. No trajecto para a cidade de Rio Grande, de ônibus, contemplava a paisagem gaúcha que de algum modo espelhava a planície do meu Alentejo que eu deixara para trás.
Finalmente estabelecido, o contacto com as pessoas e o entrosamento imediato transmitiram-me uma tal segurança que mais parecia estar na minha terra. Como são grandes as semelhanças no jeito do povo aguerrido, no culto das tradições.
Em tempos mais remotos houvera muita influência dos primeiros colonos que eram alentejanos como eu, e a maioria da região de Moura. Até mesmo os açorianos que ali se estabeleceram eram descendentes dos alentejanos que povoaram os Açores. Assim, não poderia ser diferente a minha tão rápida adaptação.
Apesar de sòmente três anos eu ter vivido nos pampas gaúchos, considero-me como nascido naquela terra maravilhosa e lá deixei uma semente... Voltei algumas vezes, mas actualmente são grandes as saudades. Nesta semana em que os gaúchos comemoram a sua maior data, não poderia ser omisso e contribuí, de alguma forma, com duas postagens aqui no blog. Estou sempre presente de alma e coração.