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sábado, agosto 12, 2017

Raposo Tavares

O Brasil fez-se enorme com este herói/vilão dos confins do Alentejo
António Raposo Tavares nasceu numa pequena aldeia de Mértola em 1598 e daqui partiu com 20 anos rumo ao Brasil para realizar a primeira expedição de reconhecimento geográfico entre o Atlântico e a cordilheira andina, o trópico de Capricórnio e o Equador. Percorreu 12.000 quilómetros.
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O Brasil nasceu modesto comparativamente com o território que hoje ocupa. A parte que cabia a Portugal, fruto da divisão imposta pelo Tratado de Tordesilhas, não passava de uma faixa de terra ao longo do litoral atlântico com 2,8 milhões de quilómetros quadrados de superfície. Mal o acordo entre os monarcas ibéricos foi selado, a pressão castelhana procurou anular a presença portuguesa na América do Sul. A resposta foi dada por aventureiros, que se embrenharam mata adentro para estender as fronteiras o mais longe possível da costa. Nesta imensa empreitada destacou-se um português nascido numa pequena aldeia do Alentejo profundo e que ajudou a criar o quinto maior país do mundo. 
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Esses grupos de exploradores, conhecidos por bandeirantes, saíam, entre os séculos XVI e XVIII, do planalto de Piratininga, onde hoje emerge a cidade de S. Paulo, e rumavam ao desconhecido, por sua conta e risco, para materializar o alargamento dos limites territoriais do maior país da América do Sul . Hoje, a nação brasileira cobre uma superfície com 8,5 milhões de quilómetros quadrados. 
António Raposo Tavares, que nasceu em 1598 em S. Miguel do Pinheiro, uma pequena aldeia do concelho de Mértola, junto à fronteira com o Algarve, “foi o maior de todos os bandeirantes”, assinala o historiador português Jaime Cortesão na sua obra “Raposo Tavares e a formação territorial do Brasil”, editada em 1958.
Entre a luz e a sombra
Nascido no seio de uma família suspeita de seguir a estrela de David, “o mais temível dos bandeirantes” era judeu cristão-novo e tivera problemas com a Inquisição, pormenor que explicará a sua permanente oposição à autoridade eclesiástica, como veio a revelar o percurso da sua vida.
Órfão, ainda criança, de mãe cristã-nova, viveu até aos 18 anos com a madrasta, também ela várias vezes presa pela Inquisição sob a acusação de "judaísmo". Anita Novinsky, professora na Universidade de S. Paulo, consultou na Torre do Tombo documentos que diz comprovarem a ascendência judaica de boa parte dos bandeirantes, entre eles Raposo Tavares.
O pai, Fernão Vieira Tavares, partidário de D. António Prior do Crato, administrava os dinheiros da Santa Sé gerados em Portugal até que foi acusado de ter “desfalcado o papado, pelo que acabou por perder todos os seus bens”, descreve o historiador António Borges Coelho. As contingências de uma vida atribulada forçaram-no a uma carreira no Brasil, para onde parte em 1618, a convite do conde de Monsanto donatário da capitania de S. Vicente. O filho, que já completara os 20 anos, acompanha-o.
A faceta rebelde de Raposo Tavares só viria a revelar-se após a morte do pai em 1622. Nessa altura residia num pequeno lugarejo no planalto de Piratininga, onde hoje se localiza a cidade de São Paulo, fundada pelos jesuítas em 1554. Foi ali que nasceu todo o seu entusiasmo e aptidão pelo principal modo de vida paulista: formar expedições para escravizar índios que viviam nos territórios na posse de Castela.
As actas da câmara de S. Paulo, em 1627, já denunciavam o jovem nascido no Alentejo “como amotinador do povo”, acusado de “matar e escravizar índios, espalhando sangue e desolação”.
Alberto Luiz Schneider, professor na Universidade de S. Paulo que integrou uma delegação de académicos brasileiros na visita que efectuaram a Beja e Mértola em 2012, para homenagear o bandeirante, descreveu ao PÚBLICO os contornos da polémica que sempre marcaram a vida de Raposo Tavares. “Talvez os portugueses não saibam como o tema veio a revelar-se um dos mais espinhosos na história do Brasil”, começa por dizer o docente. E explica: De um lado, está “o assassino responsável por massacres e a escravidão de milhares de índios na sequência da mais despudorada e desumana barbárie”. Do outro, sucedem-se as descrições do herói que desbravou o sertão brasileiro no meio de sofrimentos indescritíveis, “revelam uma personalidade marcada pela bipolaridade, entre a lenda negra e a lenda dourada, entre a luz e a sombra, sempre numa óptica radical.”
Um mundo dividido ao meio
A esta faceta entre o herói e o vilão sobrepõe-se a outra componente no ideário de Raposo Tavares que se generalizou nos meios académicos brasileiros há várias décadas: o fenómeno bandeirante. É, fundamentalmente, de natureza territorial e consequência directa da célebre linha imaginária, negociada entre os reis católicos de Castela e Aragão e D. João II de Portugal.
A 7 de Junho de 1494 foi assinado o Tratado de Tordesilhas que dividiu o mundo em dois hemisférios, por um meridiano traçado a uma distância de 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, deixando a Castela tudo que ficasse no Ocidente e a Portugal o que se situasse a Oriente. Estava criado o catalisador que anos mais tarde acabaria por determinar as motivações dos bandeirantes.
A localização nos mapas da linha imaginária que dividia os hemisférios “era um exercício de projecção conceptual que não levava em conta nem os aspectos físicos geográficos, nem a ocupação ameríndia do território”, observou Jaime Cortesão. Para além das dificuldades técnicas na definição do território português e espanhol, a divisão do continente “amputava a vasta unidade geográfica e humana” entre os rios Amazonas e da Prata, e “não oferecia base suficiente e viável à formação de um Estado”, analisa o historiador português.
“Revela uma personalidade marcada pela bipolaridade, entre a lenda negra e a lenda dourada, entre a luz e a sombra, sempre numa óptica radical.”
Alberto Luiz Schneider, Universidade de S. Paulo
Com efeito, os espanhóis procuravam situar o meridiano de Tordesilhas de forma a reduzir o mais possível o hemisfério da soberania portuguesa, numa tentativa para afastar a sua presença da América do Sul.
Jorge Pimentel Cintra, da Universidade de S. Paulo, outro dos docentes que se deslocou ao Alentejo, realçou um dos argumentos a que a “sageza dos portugueses” mais recorria para cercear os ímpetos da ocupação espanhola: “Onde está a linha que não a vejo?”
Associada à questão territorial, ainda se impunha a questão económica porque não havia quaisquer riquezas minerais no planalto de Piratininga. A pequena povoação de São Paulo vivia de uma agricultura quase de subsistência e do fornecimento de escravos índios capturados, chamados “negros da terra”, para trabalhar nos engenhos do açúcar e nas plantações de cana, no nordeste brasileiro.
Caça aos índios e jesuítas
A rapidíssima expansão da produção desta cultura pressionou a procura de mão-de-obra e impulsionou o tráfico negreiro, sobretudo depois da ocupação holandesa durante a primeira metade do século XVII. Faltavam braços para a




indústria açucareira e a alternativa residia na intensificação da caça ao índio, transformando S. Paulo na base mais activa dos bandeirantes.
Foto
É neste contexto que Raposo Tavares parte na sua primeira bandeira com uma centena de paulistas e 2000 índios, comandada por Manuel Preto. Decorria o ano de 1629. Esta incursão foi preparada para destruir os grandes aldeamentos criados pelos jesuítas para concentrar e catequizar os índios. Estavam localizados na região do Guairá, a sul de S. Paulo, no actual estado do Paraná.
A expedição iniciou o processo de expulsão dos jesuítas espanhóis e, consequentemente, a ampliação das fronteiras do Brasil, assegurando a posse dos territórios dos actuais estados do Paraná, de Santa Catarina e de Mato Grosso do Sul. Seguem-se as razias comandadas por Raposo Tavares nos aldeamentos de índios a sul do Mato Grosso e no norte do Rio Grande do Sul.
Jorge Pimentel Cintra consultou uma carta escrita por um jesuíta contemporâneo do “grande bandeirante” em que este sentencia: “Temos de vos expulsar (os jesuítas) de uma terra que é nossa e não dos de Castela”. Raposo deixava claro ao que vinha: assegurar a presença portuguesa face à ameaça da supremacia castelhana.
Entre 1629 e 1632, as forças por si comandadas invadiram e destruíram todos os aldeamentos de índios, no Guaíra, aumentando o território do Brasil entre o sul de S. Paulo e o Rio da Prata.
“Era mesmo a questão territorial” que dominava a vontade de Raposo Tavares mas “foi tanta a destruição das feitorias jesuítas que até a gente vai sentindo uma dor no coração”, confidenciou o académico brasileiro. 
Raposo Tavares vai percorrendo os sertões do interior amazónico “assegurando a presença portuguesa face à ameaça castelhana”, descreve Jaime Cortesão que associa a escalada das bandeiras à “insurreição latente” iniciada em 1634 no Alentejo e no Algarve. Os revoltosos que se insurgiam contra o domínio filipino eram “brutalmente esmagados” pelo exército espanhol que invadiu Portugal em 1638. É neste contexto revolucionário que as expedições do bandeirante se situam.
“Era mesmo a questão territorial” que dominava a vontade de Raposo Tavares mas “foi tanta a destruição das feitorias jesuítas que até a gente vai sentindo uma dor no coração”, confidenciou o académico brasileiro.
A mando de D. João IV
O historiador português realça “um paralelismo profundo e evidente entre as causas e efeitos do que se passa na Península Ibérica e nas duas Américas, lusa e castelhana, entre 1630 e 1640”, ano da restauração de Portugal, que veio dar novo rumo às actividades de Raposo Tavares. As suas incursões no sertão brasileiro culminariam com a última e maior expedição da sua vida: a chamada bandeira de limites.
Em 1647, um ano antes do arranque da grande operação que iria definir grande parte do actual território brasileiro, Raposo Tavares “terá estado em Portugal” e D. João IV tê-lo-á "encarregado de uma missão em grande parte secreta", presume Jaime Cortesão. A expedição tinha como objectivo descobrir metais preciosos mas a outra motivação para a jornada, mantida em segredo, passava pelo estabelecimento dos limites territoriais do Brasil para oeste da linha de Tordesilhas.
Cortesão conta que o padre António Vieira, contemporâneo e confidente dos bandeirantes, descreve ao padre provincial do Brasil pormenores da bandeira de Raposo Tavares: “No ano 1648 partiram os moradores de S. Paulo ao sertão, em demanda de uma nação de índios, chamados os serranos, com intento de, ou por força ou por vontade, os arrancarem das suas terras e os trazerem às de S. Paulo e aí se servirem deles como costumam.” Mais adiante, o padre jesuíta descreve a constituição dos expedicionários: “Constava todo o arraial de 200 portugueses e mais de mil índios de armas, dividido em duas tropas. A primeira governava o mestre de campo António Raposo Tavares e a segunda o capitão António Pereira.”
A bandeira internou-se de tal modo no interior amazónico que se encontrou com os castelhanos no Peru. Mas antes de lá chegar cortaram planaltos, que os obrigaram dezenas de vezes a puxar os batelões e as cargas que transportavam à corda ou à vara por terra. “Atravessaram pantanais mortíferos, rasgaram picadas na selva, onde o índio, a onça e a cobra espreitavam. A lama transformou-se em abismo e afoga os homens”. Os mosquitos formavam nuvens. Depois do pantanal, surge a savana “sem fruto ou água para molhar a goela ressequida”. A fome era extrema. Encontravam nas “raízes e nos frutos agrestes das árvores o maior regalo dos enfermos. Os que restam tremem de febre, devorados pela doença”, descreve o padre António Vieira.
“Atravessaram pantanais mortíferos, rasgaram picadas na selva, onde o índio, a onça e a cobra espreitavam. A lama transformou-se em abismo e afoga os homens”. Os mosquitos formavam nuvens. Depois do pantanal, surge a savana “sem fruto ou água para molhar a goela ressequida”. A fome era extrema. Encontravam nas “raízes e nos frutos agrestes das árvores o maior regalo dos enfermos. Os que restam tremem de febre, devorados pela doença”
Padre António Vieira
Começa a escalada dos Andes, uma das mais altas cordilheiras da Terra. A neve e o vento gélido tolhem para sempre o corpo dos que ficaram feridos. Deixam pelo caminho e em farrapos a pouca vestimenta que ainda traziam no corpo. O mais indomável e feroz dos índios, o chiriguano, não lhes dá tréguas.
Desceram em jangadas os rios Guaporé, Mamoré e Madeira para entrar no Amazonas, navegaram durante 11 meses sem saber onde se encontravam, até chegarem à foz na cidade de Belém no Pará. Depararam-se com os “estarrecidos soldados” do posto militar ali instalado, perplexos com o aspecto dos exploradores. Só então estes conhecem a sua localização.
Depois de terem atravessado o Mato Grosso, a Bolívia, o Peru e a Amazónia, percorrendo mais de 12.000 quilómetros, os sobreviventes da épica travessia pela floresta amazónica retornaram a São Paulo “esquálidos, famintos, esfarrapados, o cabelo e a barba hirsuta, mais parecendo fantasmas ou bichos que seres humanos.” Raposo Tavares chegou “tão desfigurado à sua casa, que nem parentes nem amigos o reconheceram”, reporta Jaime Cortesão. 
Nos três anos e alguns meses que durou a odisseia, apenas 59 brancos e alguns índios concluíram o titânico périplo.
Debilitado por sucessivas lutas e caminhadas no sertão, o mais famoso bandeirante faleceu em 1656, poucos anos depois de concluída a célebre bandeira dos limites, “virtualmente abandonado, talvez até pobre” refere o historiador português.
Missão falhada
“O grande descobridor do Amazonas” que Vitorino Nemésio comparou a Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Fernão de Magalhães, “o homem ocidental que empreendeu e executou uma das maiores explorações de todos os tempos”, era totalmente desconhecido até ao início do século XX, tanto em Portugal como no Brasil.
ENRIC VIVES-RUBIO
A identidade de Raposo Tavares só foi descoberta em 1905 quando o então presidente da República do Brasil, Washington Luiz, decidiu ordenar a elaboração da biografia do bandeirante nascido no Alentejo.
Jaime Cortesão associa o “estranho silêncio” ao malogro da expedição do ponto de vista dos objectivos que mais interessavam a D. João IV: o descobrimento de minas de prata. A difícil situação financeira, económica e social com que se debatia o reino em guerra com Espanha após a restauração da independência em 1640 fez alimentar no monarca “ a esperança do descobrimento de outro Potosi” (mina de prata que os castelhanos tinham descoberto no Perú).
E aponta ainda a influência “dos filhos de Inácio Loyola com a conivência dos dirigentes da nação portuguesa que consideraram Raposo Tavares inimigo da Companhia de Jesus” para justificar o seu esquecimento. Na luta que sustentou com os jesuítas portugueses e castelhanos, encarnou e defendeu o princípio da supremacia da jurisdição civil sobre a eclesiástica, recusando-se a subalternizar a soberania nacional a qualquer hierarquia religiosa. 
Seja como for, António Raposo Tavares é hoje considerado um dos grandes construtores do Brasil e inúmeros escritores, sociólogos, historiadores e professores deste país continuam a escrutinar a vida e a acção do bandeirante nascido no Alentejo. Hoje, no maior país da América do Sul são inúmeras as praças, estradas, museus, escolas e outras instituições públicas e militares a que foi dado o seu nome. O sistema de ensino destaca-o nos manuais escolares e os académicos continuam a discutir a “lenda dourada e a lenda negra” que envolve a sua personalidade.
Ignorado no Alentejo
A historiografia brasileira sempre atribuiu a violência dos paulistas à cobiça por metais e pelos índios para escravizar. Sem excluir esses interesses, Anita Novinsky, que pesquisou durante anos na Torre do Tombo, descortinou nos documentos consultados uma “forte razão ideológica” nas motivações dos bandeirantes. A esmagadora maioria deles tinham membros da família nos cárceres inquisitoriais. O Tribunal do Santo Ofício da Inquisição que funcionou em Lima, hoje capital do Perú, “condenou 80 pessoas, 64 por judaísmo, entre 1635 e 1639, no auge do bandeirismo”, revela a investigadora. 
A memória do bandeirante falecido em São Paulo, em 1658, só viria a ser resgatada, no Alentejo, em 1966 por iniciativa das autoridades paulistas, que ofereceram à cidade de Beja uma obra escultórica que está exposta na única praça da região que ostenta o seu nome.
É frequente o cidadão comum olhar a figura de bronze, com cerca de três metros de altura, como sendo um monumento aos caçadores, dada a pose escolhida pelo autor brasileiro. Não se conhecem outras iniciativas que a Câmara de Beja ou de Mértola, antes ou depois do 25 de Abril, tivessem realizado para divulgar a história de Raposo Tavares. 
A omissão continua a ser mantida e o mais famoso bandeirante do Brasil é quase um desconhecido na cidade de Beja, apesar da estátua. Nem na terra onde nasceu, em S. Miguel do Pinheiro, se sabia que era dali natural até que a delegação de académicos brasileiros da Universidade de S. Paulo, convidados pelo Departamento Histórico e Artístico da Diocese de Beja e a Agência Regional de Turismo do Alentejo ali se deslocou em 2012 para descerrar na capela onde se julga que o bandeirante terá sido baptizado uma placa com a seguinte frase: “Como Vasco da Gama em relação ao Índico, ou Fernão de Magalhães ao Pacífico, Raposo Tavares mediu a sua grandeza por dois dos maiores padrões da Natureza: os Andes e o Amazonas."

In Público (Lisboa)

sábado, dezembro 18, 2010

Presente de Natal Alentejano

- Estouuuu... é da GNR?

- É sim, em que posso ajudá-lo?

- Queria fazer quexa do mê vizinho Maneli. Ele esconde droga dentro dos troncos da madeira pra larera.

- Tomámos nota. Muito obrigado por nos ter avisado.

No dia seguinte os guardas da GNR estavam em casa do Manel. Procuraram o sítio onde ele guardava a lenha, e usando machados abriram ao meio todos os toros que lá havia, mas não encontraram droga nenhuma. Praguejaram e foram-se embora. Logo de seguida toca o telefone.

- Oh Maneli! já aí foram os tipos da GNR?

- Já.

- E racharam-te a lenha toda?

- Sim!

- Então feliz Natal, amigo! Esse foi o mê presente deste ano!

segunda-feira, setembro 13, 2010

Maravilha Naturalíssima

"A ausência do Alentejo entre as Sete Maravilhas Naturais em nada belisca o turismo da região", referiu ao CM Ceia da Silva, presidente do Turismo do Alentejo. "Continuará a ser a única região do País com o primeiro prémio, que é o aumento anual de turistas", acrescentou Ceia da Silva, que defende que "os destinos turísticos não podem ser construídos por concursos".

Com estas frescuras dos direitos autorais que em tudo se coloca aviso a esmo, não conseguimos dar uma melhor qualidade às matérias. Mas o pequeno resumo acima, tirado do jornal Correio nda Manhã, ainda assim dá uma ideia de que os "jurados" desses concursos são, na verdade, uns aitênticos labrêgos, patêgos, manêses, pés de chaparro e com mais uma centena de predicados a assentarem-lhe como uma luva.
Demorou muio para que as mentes mais se esclarecessem e começassem a ver o Alentejo com outros olhos que não aqueles da ignorância e bairrismo estúpido. Mesmo assim, com todas as evidências de que o Alentejo é uma região única no Mundo em questão de beleza e magia, ainda temos que nos defrontar com todas essas imbecilidades.

Atão compadri!...

segunda-feira, agosto 17, 2009

Alentejo e Alentejanos


Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portucalidade. O rio que divide e une Portugal e que, à semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar. O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência de monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.
Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães foi o berço da nacionalidade; Évora o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve que refugiar em Évora para descobrir o caminho marítimo para a Índia. No meio das montanhas e das serras, um homem tem as vistas curtas; só no coração doAlentejo um homem pode ver ao longe.
Foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino, depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia, para D. João II saber que só o costado de um alentejano conseguiria suportar o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que para um homem comum fica muito longe, para um alentejano fica já ali... Para um alentejano não há longe, não há distâncias, porque só ele percebe, infinitamente, que a vida não é uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.
Foi por esta razão que o sucessor de D. João, D. Manuel I, decidiu entregar a chefia da armada a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar... E, quando regressou, ao ser inquirido se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: "Não, é já ali.". O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina...
Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar de onde Bartolomeu Dias tinha parado. Um dos grandes problemas de Portugal é precisamente este: muios "Bartolomeu Dias" e poucos "Vasco da Gama". Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.
D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade, mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhois e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia dúzia de alentejanos nas suas fileiras. Não se estranhe, assim, a resposta dele aos seus irmãos quando o tentaram convencer a mudar de campo argumentando da desproporção numérica: "Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os alentejanos estão do nosso lado?!".
Mas o alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para disfrutar plenamente dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve que fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que ele não: "Têm tempo e tu tens pressa.". Quem anda a correr, não chega a lugar algum. E muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é algo que os alentejanos não fazem. Até porque o Alentejo e os alentejanos fôram feitos no sétimo dia, precisamente aquele que Deus tirou para descansar.
Até nas anedotas os alentejanos revelam a sua diferença humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos; os brasileiros dos portugueses; os franceses dos argelinos... Só os alentejanos as inventam e contam sobre si próprios. E divertem-se imenso, ao mesmo tempo que servem de espelho a quem as ouve. Mas, para que uma pessoa se ria de si própria, não basta ser ridículo, pois ridículos somos todos nós; é necessário ter senso de humor e só isso é um extra disponível nos seres humanos topo de gama.
Não se confunda, no entanto, senso de humor com alarvice. O senso de humor é um dom da inteligência; a alarvice é um tique de gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem senso de humor ri-se de si próprio. Não há honra maior do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvice as diminui. Se Hitler e Staline se rissem de si próprios, nunca teriam sido as bestas que foram. E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelam um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis.
Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o final.
O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. A água é aquilo por que todo o alentejano anseia. E o pão... Mas há melhor iguaria do que o pão alentejano? --- o pão alentejano come-se com tudo e com nada; é aperitivo, refeição e sobremesa. É o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido... É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou ao fim de uma semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo, faz-nos subir ao céu!... É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente de Verão, ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção um homem poderia almejar?
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Adaptação de um texto de Carlos Barreto

quarta-feira, abril 01, 2009

Piadinha alentejana

O Maneli, alentejano de gema, adormeceu na praia sob um sol escaldante e sofreu graves queimaduras nas pernas.

Foi transportado para o hospital de Évora, com a pele completamente vermelha, cheio de bolhas, e as dores eram horríveis. Qualquer coisa que lhe tocasse na pele. era a mais completa agonia.

O médico, um alentejano de Beja, foi ver o Maneli e prescreveu que lhe fosse administrado soro, por via intravenosa, um sedativo leve e 3 comprimidos de Viagra de 8 em 8 horas.

Antonieta, a enfermeira de serviço também ela alentejana, completamente boquiaberta perguntou:

- Oh Doutori, vomecê desculpe ... mas vomecê receitou Viagra ?!

Responde o médico:

- Si senhora, recetê Viagra e muito bem.

A Antonieta volta a perguntar:

- Mas entã para que serve ao Maneli o Viagra nas condições em quele tá?

Ao que o médico respondeu:

- Entã nã se tá memo a vere ! É prós lençois ficarem afastados das quêmaduras das pernas !...

terça-feira, março 10, 2009

Alentejanos

Um casal de alentejanos:
- Manel, compra-me uma máquina de lavar a roupa! Estou farta de lavar à mão!
- Está bem, Preciosa. Amanhã mesmo vou a Lisboa e hei-de comprar a da última moda.
O Manel foi e regressou com a máquina.
- Aqui tens, Preciosa, esta é a mais moderna que existe!
Leram as instruções e puseram-na a lavar. Tudo ia bem, até que...
- Manel, o que se passa? A máquina está rebentando! Isto está girando muito depressa! (estava a centrifugar).
Como a casa era desnivelada, a máquina começou a andar até que chegou à porta da rua.
- Manel, faz qualquer coisa! Ela vai-se embora!
- Eu não te disse que era a última moda? Lavou a roupa, agora vai estendê-la, porra !...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Ó rama e ó que linda rama!

Existe muita gente que só ouviu falar ou que pouco conhece sobre os alentejanos. Na verdade, o alentejano é único (...), modéstia à parte. Aqui no meu pedaço é constante o esforço que faço para divulgar o Alentejo e dar a conhecer a alma alentejana e, envolto nesse espírito bairrista, aqui vai mais um subsídio que me foi enviado por um amigo conterrâneo:
Diz o Americano: na América temos um porta-aviões que transporta 1 000aviões.
Diz o francês: na França temos um hotel que acomoda 20 000 pessoas.
Diz o Alentejano: eu tenho uma pila onde cabem 200 passarinhos empoleirados.
Passado um bom bocado de reflexão diz o americano: Bem, eu exagerei... O porta-aviões só leva 150 aviões!
Diz o francês: eu também exagerei; o hotel só dá para 1000 Pessoas!
Diz o Alentejano: eu confesso que também exagerei um bocadinho...; o último pássaro já fica com uma patita de fora...

sábado, novembro 08, 2008

Declaração de amor alentejana

Minha querida magana...
Desda aquela vez da palha naquele monti , que aqui ficastes escarrapachada na minha alembradura. Atão na foi tão bom? Diz laa?
Condolho pra ti com esses bêços de mula, o mê coração prega purradões nas costelas; parece um trator a arrencar ecalitros naquela charneca.
Se mamares comé tamo, se machares come tacho, vamos pedir a tê pai cacete o nosso acasalamento.
Gosto de ti, pôrra!!!

terça-feira, novembro 04, 2008

Raciocínio dedutivo

O alentejano mais pobre da aldeia só tinha uma bicicleta, mas um dia aparece no Café Central com um descapotável. Admirados, perguntam os conterrâneos:

- Atão cumpadri, onde arranjou esse carrinho?

- Nem calculam! Na estrada vi uma moça, por acaso bem jeitosa, a chorar e perguntê o que é que se passa? Atão ela disse-me, veja lá, um carrinho tão novo e já avariado! Atão, abri o motor, liguê dois fios e pronto! O carro estava arranjado. Atão ela puxou-me para trás de um chaparro, despiu-se toda e disse-me para pagar o trabalho que o senhor teve, faça o que quiser! E eu fiz o que quis, meti-me no carro e abalê com ele.

Em coro, respondem os outros:

- E fez vossemecê muito bem. De certeza que a roupa também nã lhe servia...

sábado, setembro 20, 2008

Meu Rio Grande

Naquele dia 26 de Fevereiro de 1972 emigrava para o Brasil com destino ao Rio Grande do Sul. Pisei em terras de Santa Cruz, pela primeira vez, no Rio de Janeiro. Como demorava algumas horas para a baldeação num outro avião, por ali fiquei andando de um lado para o outro, até com acesso à parte externa do aeroporto.
Talvez devido ao cansaço das muitas horas de vôo, a preocupação com a mulher e os filhos pequenos e a ansiedade de chegar ao destino final, esse meu primeiro contacto com o Brasil não foi marcado por muita alegria e satisfação; sentia-me verdadeiramente deslocado.
Finalmente, ao desembarcar em Porto Alegre, tudo mudou. O próprio clima já influíu numa melhor adaptação. No trajecto para a cidade de Rio Grande, de ônibus, contemplava a paisagem gaúcha que de algum modo espelhava a planície do meu Alentejo que eu deixara para trás.
Finalmente estabelecido, o contacto com as pessoas e o entrosamento imediato transmitiram-me uma tal segurança que mais parecia estar na minha terra. Como são grandes as semelhanças no jeito do povo aguerrido, no culto das tradições.
Em tempos mais remotos houvera muita influência dos primeiros colonos que eram alentejanos como eu, e a maioria da região de Moura. Até mesmo os açorianos que ali se estabeleceram eram descendentes dos alentejanos que povoaram os Açores. Assim, não poderia ser diferente a minha tão rápida adaptação.
Apesar de sòmente três anos eu ter vivido nos pampas gaúchos, considero-me como nascido naquela terra maravilhosa e lá deixei uma semente... Voltei algumas vezes, mas actualmente são grandes as saudades. Nesta semana em que os gaúchos comemoram a sua maior data, não poderia ser omisso e contribuí, de alguma forma, com duas postagens aqui no blog. Estou sempre presente de alma e coração.

sexta-feira, março 21, 2008

ALENTEJO E ALENTEJANOS

ALENTEJO --- Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que à semelhança do Homem Português, fugiu da Espanha à porcura do Mar. O Alentejo molda o caracter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.
Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade e Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve que refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo o homem consegue ver ao longe. Foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao Reino, depois de dobrar o Cabo das Tormentas sem conseguir ir até à Índia, para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar o peso de um empreendimento daquele vulto.
Aquilo que para um homem comum fica muito longe, para o alentejano fica logo ali... Para um alentejano não há longe nem distância, prque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.
Foi por esta razão que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no Mar... E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: "Não! é logo ali". O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina. Para um alentejano o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.
D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se dicide pela quantidade, mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o Rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhois e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo como argumento da desproporção numérica: "Vocês são muitos? --- o que interessa isso se os alentejanos estão do nosso lado?".
Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente do mais simples prazer da vida. Por isso se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois teve que fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa um alentejano nunca tem pressa. Eva poderia responder a Adão se este, intrigado, lhe perguntasse o que é que um alentejano tinha que ele não tinha: "tem o tempo e tu tens pressa!". Quem anda a correr não chega a lugar algum; e muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque o alentejano e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.
Atá nas anedotas os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... Só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso ao mesmo tempo que servem de espelho a quem os ouve. Mas, para que uma pessoa se ria de si própria não basta ser ridícula porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos tôpo de gama. Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem senso de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvive as diminui. Se Hitler e Staline se rissem de si próprios, nunca teriam sido as bestas que fôram. E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de sintese notáveis.
Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas, há melhor iguaría que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. É o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou ao fim de uma semana. Só quem como o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!
É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quante de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de inverno, dou graças a Deus por ser Alentejano. Que maior benção um homem poderia almejar?
Adaptação livre de um texto de Carlos Barreto na Internet.

sexta-feira, março 14, 2008

ALENTEJANOS

Três amigos alentejanos decidiram disputar entre si as suas qualidades.
Dizia o 1º alentejano:- Ê so tã preguiçoso que no outro dia, vi uns maços de notas no chão, enão os apanhê p'rá nã ter que m'agachari.
Prossegue um outro:-Isso nã é nada. A minha vizinha super-sexy tocou-me àporta, a convidar-mepara ir passar a noite à casa dela e eu recusei p'ra nã ter que atravessar arua.
E o terceiro:- Pois o mê caso foi piori. No domingo fui ao cenema e passei o filme todo achorari.
- Só isso? - Comentaram os outros.
- É que ao sentar-me, entalê os tomates e nã estive p'ra me levantari!

quarta-feira, janeiro 09, 2008

CREMADO

Um portuense, de passagem pelo Alentejo, foi surpreendido com a notícia de que um amigo seu morrera e seria enterrado naquela tarde. Chateado coma situação, a perda de um amigo do peito, procurou saber onde seria o velório e foi para lá. Ao chegar, viu que no caixão estava o morto inteiramente nu e ao lado um grande pote cheio de creme, no qual cada um dos presentes metia a mão e após apanhar um pouco, passava sobre o defunto. Surpreendido pela cena, coisa inusitada para ele, aproximou-se da esposa e perguntou: - Desculpe-me a ignorância, mas o que estão fazendo é tradição por aqui? A esposa respondeu: - Não! É inédito! Nunca fizemos. É que ele pediu para ser cremado...

sábado, junho 30, 2007

PIADA DE ALENTEJANO (3)

Três amigos alentejanos a esgrimirem as suas qualidades:
- Ê sô tã preguiçoso que n'outro dia, avi uns maços de notas no chãuin e nã osapanhêi só p'rá nã teri que m'agachari. Prossegue um outro:
- Isso nã'éi nada. A minha vizinha super-sexi tocou-mi à porta, a convidar-mipara ir passari a noiti à delã e eui arrecusei p'ra nã teri que atravessari arua.E o terceiro:
- Pois o mê caso foi piori. No domingo fui ao cinema e passei o filme todo achorari.- Só isso? - Comentaram os outros.
- É que ao sentar-mi, entalêi os tomatis e nã tivi p'ra me levantari!

sábado, junho 16, 2007

PIADA DE ALENTEJANO

Uma testemunha de Jeová senta-se junto a um alentejano no voo Beja-Funchal.
Quando o avião descola as hospedeiras começam a servir as bebidas aos passageiros. O alentejano pede um tinto de Borba. A hospedeira pergunta à testemunha de Jeová se quer beber alguma coisa. Responde a testemunha de Jeová com ar ofendido:
- Prefiro ser raptado e violado selvaticamente por uma dezena de putas da Babilónia antes que uma gota de álcool toque os meus lábios. O alentejano devolve o copo de tinto à hospedeira e diz:
- Eu também. Não sabia que se podia escolher.