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segunda-feira, agosto 10, 2009

Cigarros e bitucas

Por ser fumante há 55 anos, pois dei a primeira tragada aos 9 anos de idade, poderia estar aqui reclamando contra a nova lei anti-fumo em lugares fechados, em todo o Estado de São Paulo. Mas não. Não tenho esse direito e, além disso, os fumantes são minoria. Porém, já vou adiantando que essa lei é hipócrita.
Zero horas do pretérito dia 7 a lei estadual entrou em vigor e, creiam, um batalhão de fiscais da área da saúde e saneamento saíu do seu ninho para visitar bares e casas noturnas e aplicar a multa se fosse o caso.
Notamos que, enquanto se desenvolve todo esse zêlo, milhares de pacientes movimentam-se como baratas tontas nos corredores de hospitais e postos de saúde em busca de informações e orientação por causa de sintomas do que poderá ser gripe, e nada conseguem. Ora, temos aqui um direccionamento equivocado.
No quarto dia de vigor da nova lei, eis que se amontoam centenas de reclamações, principalmente por parte da vizinhança de bares e outros estabelecimentos, com respeito aos milhares de bitucas (em Portugal chamamos de beatas, mas não aquelas...) que os fumantes jogam nas calçadas.
Começou mais uma confusão e um problema! Vozes já se levantam denunciando que isso vai entupir os boeiros, que as mais de 4 mil substâncias químicas do cigarro e acumuladas nas bitucas, vão poluir os córregos, rios e o lençal freático. Será que antes da lei não era assim também?
A Prefeitura vem sugerir aos proprietários desses estabelecimentos que coloquem cinzeiros na parte externa. Deve saber, com toda a certeza, que eles não vão satisfazer essa exigência e nenhuma lei os obrigará. Será, então, a vez da própria edilidade abrir uma licitação ou até mesmo dispensá-la e partir de uma vez para a compra desses cinzeiros publicos. Alguém vai ganhar dinheiro em cima disso...
Meus senhores, já que estamos abordando um problema de drogas (o tabaco é uma) e de saúde pública, combata-se o mal na origem: proíba-se a venda de cigarros e, assim, abra-se mão dos impostos que o tabaco remete aos cofres públicos. Claro que não sou ingénuo ao ponto de acreditar que isso será uma realidade aqui e noutros países. Porém, deixem-se de hipocrisias.