Há precisamente 3 anos, neste dia 4 de Fevereiro, eu fumei o último cigarro da minha vida. O primeiro eu havia fumado quando tinha 9 anos de idade. Foram 56 anos agarrado a esse vício terrível.
Claro que sofri todos os efeitos colaterias --- os bons e os maus. Engordei bastante, mas passei a sentir-me muito melhor.
Posso garantir a todos os renitentes fumantes que o abandono do cigarro só depende de ter opinião e personalidade. Eu intercalei algumas coisas no lugar do cigarro, principalmentea castanha do Pará; nada de doces.
Fumantes, abandonem aquela ideia que o cigarro é um grande companheiro nos momentos de solidão. Eu passei por tudo isso e concluí que tal não é mais que uma ilusão. Força!
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segunda-feira, fevereiro 04, 2013
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
Primeiro cigarro
Corria o ano de 1954 e eu tinha 9 anos. Estava estudando no Ensino Primário na Escola do Caldeiro na cidade natal de Estremoz.
Com alguns colegas de escola e outros amigos de rua, sempre bricávamos pelos mais diversos cantos da minha bela cidade. Jogávamos "pateira", brincávamos ao "rei coxinho", pedurávamo-nos na trazeira dos carros de mulas ou nas camionetas, fazíamos alpinismo nas muralhas do Castelo, caçávamos grilos no campo, tomávamos banho na Ribeira de Têra e nos tanques das Quintas, etc., etc., etc..
Havia um rol muito grande de brincadeiras e eu assinalei só algumas. Eram coisas saudáveis, se bem que nem sempre éticas, como aquela de roubar fruta nas Hortas e Quintas. Mesmo assim isso tolerava-se, independentemente de um ou outro tiro de sal nas nádegas que ardia para caramba...
É claro que nesse amontoado de brincadeiras sempre havia alguma mais "cabeluda" como a tentação de espreitar pela fisga de alguma janela alheia e, principalmente, a que é hoje a principal razão da minha crónica --- o primeiro cigarro.
No ano que assinalei acima e guardado na lembrança até hoje, eu estava com um grupo de putos da minha idade lá na chamada Estrada do Espadanal. É uma estrada que saía das Portas dos Currais e fazia ligação com a estrada que ía para a Glória ao se transpôr a EN4. Hoje está tudo urbanizado por ali e a estrada nacional tem outro nome, etc. e tal.
A minha memória de homem de 65 anos está muito boa quando direccionada àqueles tempos, o que não acontece em relação a factos ocorridos recentemente. Lembro-me, portanto, que um dos mais velhos naquele grupo havia conseguido um maço de cigarros da então recente marca "Sporting" e fez questão que cada um de nós experimentasse. Não me lembro da reacção de cada um dos meus amigos, mas lembro-se que tentei engolir (tragar) o fumo e apanhei aquela inescapável bebedeira do tabaco. Senti-me muito mal e isso gravou a cena na memória.
É interessante a comparação daquela cena com as muitas que hoje vemos por aí e que dizem respeito ao começo do vício nas drogas pesadas. O tabaco também é uma droga e também vicía e, por isso, veio a segunda e as sequenciais tentativas de aprender a tragar o fumo. Resumindo, comecei ali a minha vida de fumante, a qual só veio a ter fim no dia 4 de Fevereiro do ano passado.
Assinala-se hoje o primeiro aniversário do meu divórcio com o cigarro. Jamais usei qualquer outro tipo de droga e penso que jamais usaria. Até entendo que o cigarro foi um grande companheiro em certos momentos difíceis da vida, algo difícil de explicar. Parei porque o corpo enviou-me um sinal de alerta e eu percebi.
Sinto-me feliz por ter parado de fumar e mais feliz ainda por saber que nenhum dos meus descendentes tem esse hábito ou vício. E por descendentes eu refiro-me a filhos e netos. Netos!? --- Sim, netos também! Pô! eu tinha 9 anos quando comecei e olho para um dos meus netos (11 anos) e penso que jamais admitiria vê-lo com um cigarro nos queixos.
Aos fumantes que acidentalmente venham a ler esta crónica, sugiro-lhes que parem de fumar, de estalo, como eu parei. Garanto-lhes que a força de vontade é mais forte que o vício.
domingo, agosto 08, 2010
Extremos
Um dia, do qual muito bem me lembro, incitado por alguns dos mais velhos dos meus amigos, fumei o meu primeiro cigarro, ou tentei fumá-lo, pois a primeira vez é sempre dramática e a tentativa acaba naquela típica bebedeira tabagista. A marca do cigarro, sem filtro, era Sporting.
Naquele ano tinham sido lançadas no mercado português 3 marcas homenageando clubes --- “Benfica”, “Sporting” e “Porto”. Coloquei aqui pela ordem decrescente com relação a campeão na época…
Como o “Sporting” não tinha filtro, era por isso o mais barato e, consequentemente, o obtido pelo grupo de gaiatos. Eu tinha 9 anos e a maioria andava por aí. Uns dois ou três teríam mais 2 ou 3 anos e, claro, os incentivadores…
Fumei várias marcas como “Definitivos”, “Avis”, “Paris”, “Português Suave”, “Vic”, “Gouloise” e “SG”, este último com filtro. O “Gouloise” era de rebentar os queixos, fortíssimo e francês. O “Paris” também era forte entre os portugueses. Eu preferi, não sei porquê e durante muito tempo, os tabacos fortes. No Brasil comecei com o “Continental” sem filtro, passei para o com filtro e terminei com o “Hollywood” com filtro.
O cigarro é ruim! Sim, ele faz mais mal do que bem ou talvez mesmo ele só faça mal. Mas, quantos e quantos momentos de agitação, de contemplação, meditação, desilusão, decepção e noutras situações ele foi o grande companheiro!? --- Mas minha mãe sempre me alertava para os malefícios. Até mesmo já depois de velho, quando pelo telefone com ela converso. Na semana passada, pelo seu aniversário, comuniquei-lhe que, finalmente, tinha tomado essa difícil decisão de parar de fumar e consegui.
Decidi que jamais colocaria um cigarro nos lábios naquele dia que passeava com o meu cachorro e me comecei a sentir mal. Notei que a pressão baixara e quase desmaiei; vi bolinhas de sabão zuando na minha frente… Isso me abriu os olhos para ir no médico e foi constatado o problema de agravamento da hipertensão. Agravamento, porque nestas andanças nos serviços de saúde do Estado, o cidadão que não tem posses para pagar um plano de saúde particular, sempre se dá mal… Também não é hora de abordar temas da política e, assim, passo à frente.
Muito tempo passado até que consultei com um cardiologista. A primeira vez na vida que procurei um especialista em algo. O diagnóstico não foi bom, pois eu tinha I.C.C. --- Insuficiência Cardíaca Congestiva, traduzido como coração dilatado e incapaz de bombear normalmente. E se eu já tinha dificuldades de dormir, isso para mim passou a ser um tormento, tanto pela reação aos medicamentos que passei a tomar, como ao estado psicológico que se estabeleceu. Fôram dias terríveis agrupando uma série de questões a apresentar no dia do retorno, ante-ontem.
Finalmente retornei. Fui avaliado e tive todas as perguntas respondidas. Até a que fiz sobre quanto tempo eu iria tomar aquele grupo de 4 comprimidos, cuja resposta, bombástica, foi que “para a vida inteira!”. Saí arrasado daquele consultório e pensando numa segunda opinião com outro profissional. Acho que todos pensam assim.
Passei mais uma noite em branco e me senti mal durante todo o dia de ontem. Resolvi que me levassem nas urgências do principal hospital da cidade. Os primeiros cuidados fôram prestados, novos exames fôram feitos. Depois fui parar no gabinête de um clínico de plantão que tudo avaliou.
Este médico, calmamente e com muita firmeza me explicou todo o quadro e, entre outras coisas referiu que 56 anos de cigarro detonaram o meu coração e ele só está batendo por causa dos comprimidos que eu estou tomando e isso porque ainda procurei um cardiologista a tempo. Resumiu que eu estou no bico do corvo e devo-me cuidar enquanto der.
A partir desse momento comecei a sentir-me mal, muito mal. O médico percebeu, mediu a pressão e aquela de 16 x 8 da entrada, estava agora em 7 x 4. Fui para as emergência e conseguiram que eu não apagasse definitivamente.
É assim. Numa crónica diferente que não sei por quem e por quantos será lida, abordei o que se passou entre dois extremos e a todos os fumantes sugiro que parem de fumar enquanto é tempo.
segunda-feira, maio 31, 2010
Tabaco
Hoje comemora-se em todo o Mundo o denominado "Dia Mundial Sem Tabaco".
Estou ciente que a maioria dos fumantes não faz nada do sugerido para registar esta data, que seria passá-la sem fumar. A par disso, muitos há também que nem da mesma têm conhecimento...
Não vou aqui escrever sobre proibições aos fumantes e facilidades das vendas e mais o que quer que seja a respeito, pois muita tinta já correu sobre tudo isso. Prefiro dar aqui um testemunho do meu caso pessoal, pois penso ser assim a melhor maneira de me enquadrar na comemoração da data.
Comecei a fumar aos 9 anos de idade. Ainda me lembro desse primeiro dia, do local e da marca desse primeiro cigarro que coloquei na bôca. Só não me lembro dos companheiros da minha idade que embarcaram nessa aventura e daqueles um pouco mais velhos que nos forçaram a tal. Mas era assim que funcionava, com os mais velhos a incentivar os menores alertando-os ser coisa de homem.
Tendo deixado de fumar há quase 4 meses por uma decisão repentina, contabilizei 56 anos como fumante. Sempre fumei uma carteira de cigarros (20) por dia mas, nos últimos dois anos passei a fumar três por causa do tempo dedicado à leitura e ao computador; acendia um no outro...
Claro que tentei muitas vezes parar de fumar sem conseguir. Sei que isso acontece com muita gente. Porém, indubitàvelmente o fulcro dessa alavancagem decisiva está no psico e uma luz de alerta será a potência que irá vencer a resistência.
Nesse contexto figurado das máquinas simples que propuz na exemplificação, simples foi também o meu motivo da tomada de decisão: um mau estar súbito que vim a associar a outros factores como o cansaço constante, hipertensão e perda óssea bocal. Nesse momento pensei e decidi que jamais colocaria um cigarro na boca.
Sei que só a decisão não dá consistência ao acto e, assim, deitei mão de um artifício que viesse a suprir a falta do tabaco e amainasse todos os efeitos da síndrome da abstinência. Comia 3 castanhas do Pará a cada acometida. Agora, explicar o que a castanha do Pará tem a ver com isso, já é algo que foge da minha competência. Sei que comi castanha até quase enjoar e tenho plena consciência que me ajudou. Você, fumante, poderá tentar também...quarta-feira, março 03, 2010
Dois pra lá, dois pra cá…
Cheguei na data de aniversário e este ano coincidiu ter caducado a validade das minhas cartas de condução (portuguesa e brasileira). Sei que poderei dirigir por mais um mês além da data, mas está na hora de resolver essa renovação.
Saí da minha banca e fui em direção ao barzinho da esquina, coisa que faço todas as quartas, ou outros barzinhos que não ficam necessàriamente nas esquinas nos demais dias da semana. É uma verdadeira paixão, independentemente de ser a Meire a atendente do balcão…
Lá ía no meu caminhar e, a exemplo de outras vezes, sentia que a minha visão estava um pouco ofuscada, mas sem ver estrelinhas ou bolinhas. É quando penso que terei problemas quando fizer o exame médico de visão para a revalidação da carta e isso preocupa-me. Afinal, sou motorista profissional apto para todas as categorias e sinto plena capacidade no exercer da função.
Cheguei no bar, dei o meu bom dia à Meire e encostei-me ao balcão olhando o quanto a Natureza fez por aquele corpo magistral. Mas repentinamente senti que o balcão abanava e pensei que, não sendo tremor de terra, algo estava solto.
Alertei a Meire sobre o balcão. Ela veio perto de mim, mexeu, olhou para mim e disse: “Oh português! você, por acaso, não está sentindo tonturas?” --- Certifiquei-me que era isso mesmo. São oscilações na pressão originadas pela síndro-me de abstinência em relação ao cigarro. O organismo sente falta da nicotina e se manifesta. Creio que seja isso. Se não fôr, lá está o meu pedacinho de terra no Cemitério de Estremoz a aguardar ca minha volta definitiva…
quinta-feira, agosto 13, 2009
Fumantes e não fumantes
Acabei de vir do barzinho que fica numa quadra aqui pertinho de casa. Sempre que vou na lotérica fazer a minha fezinha, acabo por me enroscar ali mesmo, pois nada mais me enrosca...
O dito barzinho até que é aconchegante, apesar das suas curtas dimensões. Porém, como sou fumante inveterado, puxei uma mesa e uma cadeira para a calçada e ali fui manuseando a garrafa da minha loira gelada. Tem veados de fiscais por todo o lado e, assim, nunca se sabe.
Não tardou muito tempo e o bar ficou vazio. Todos me imitaram, fumantes e não fumantes, e a calçada acabou por ficar super animada, enquanto o interior ficou às moscas. Não sei, não; acredito que em muitos outros lugares vai acontecer a mesma coisa.
Então, vai aqui o meu alô para o Governador: essa lei anti-fumo foi escrita de maneira precipitada. Sente-se essa patota numa mesa e decidam que cada bar coloque uma placa verde assinalando "Livre para fumantes" e uma vermelha "Restrito a não fumantes". Depois me contem o que acontece...
segunda-feira, agosto 10, 2009
Cigarros e bitucas
Por ser fumante há 55 anos, pois dei a primeira tragada aos 9 anos de idade, poderia estar aqui reclamando contra a nova lei anti-fumo em lugares fechados, em todo o Estado de São Paulo. Mas não. Não tenho esse direito e, além disso, os fumantes são minoria. Porém, já vou adiantando que essa lei é hipócrita.
Zero horas do pretérito dia 7 a lei estadual entrou em vigor e, creiam, um batalhão de fiscais da área da saúde e saneamento saíu do seu ninho para visitar bares e casas noturnas e aplicar a multa se fosse o caso.
Notamos que, enquanto se desenvolve todo esse zêlo, milhares de pacientes movimentam-se como baratas tontas nos corredores de hospitais e postos de saúde em busca de informações e orientação por causa de sintomas do que poderá ser gripe, e nada conseguem. Ora, temos aqui um direccionamento equivocado.
No quarto dia de vigor da nova lei, eis que se amontoam centenas de reclamações, principalmente por parte da vizinhança de bares e outros estabelecimentos, com respeito aos milhares de bitucas (em Portugal chamamos de beatas, mas não aquelas...) que os fumantes jogam nas calçadas.
Começou mais uma confusão e um problema! Vozes já se levantam denunciando que isso vai entupir os boeiros, que as mais de 4 mil substâncias químicas do cigarro e acumuladas nas bitucas, vão poluir os córregos, rios e o lençal freático. Será que antes da lei não era assim também?
A Prefeitura vem sugerir aos proprietários desses estabelecimentos que coloquem cinzeiros na parte externa. Deve saber, com toda a certeza, que eles não vão satisfazer essa exigência e nenhuma lei os obrigará. Será, então, a vez da própria edilidade abrir uma licitação ou até mesmo dispensá-la e partir de uma vez para a compra desses cinzeiros publicos. Alguém vai ganhar dinheiro em cima disso...
Meus senhores, já que estamos abordando um problema de drogas (o tabaco é uma) e de saúde pública, combata-se o mal na origem: proíba-se a venda de cigarros e, assim, abra-se mão dos impostos que o tabaco remete aos cofres públicos. Claro que não sou ingénuo ao ponto de acreditar que isso será uma realidade aqui e noutros países. Porém, deixem-se de hipocrisias.
sexta-feira, abril 10, 2009
Dois Países; uma só alma
Bem que eu tento evitar recordar ou, pelo menos, citar coisas do passado. Parece que devemos viver e arreigarmo-nos ao presente e desvincularmo-nos de passado e futuro... Mas, sem querer, a memória vai lá atrás quando me confronto com certas novidades e, assim, recordo a incisiva e martelada frase quando da visita a Portugal ou ao Brasil de mandatário de um ou outro país: "duas nações e uma só alma". E não é que as coisas parecem ser mesmo assim!?
Aqui no Brasil, a grande pérola do momento é a Lei antitabagista no Estado de São Paulo; proibe-se fumar em quase todos os lugares possíveis e imaginários. Não sou contra em que se proíba o fumo em lugares públicos, principalmente em recintos fechados, mas entendo que deve prevalecer o princípio democrático, citando como exemplo os bares, em que cada comerciante proiba ou franqueie o acesso de fumantes. Proibir que o indivíduo fume no seu quarto de hotel é alcançar os píncaros da comicidade...
Navegando para o lado de lá, temos esta notícia: "O uso, em serviço, de blusas decotadas, saias muito curtas, gangas, perfumes com cheiro agressivo, roupa interior escura, saltos altos e sapatilhas, é proibido às funcionárias da Loja do Cidadão de 2ª geração de Faro, inaugurada no passado dia 3, com a presença do primeiro-ministro."
Cacetada!... Será que o autor desta barbaridade de lei a arquitetou sentado naquele mesmo banco da Avenida da Liberdade, onde um dia Jânio Quadros ( ex-presidente do Brasil) foi fotografado logo após a sua partida para o exílio, e se contaminou? Ou é paneleirice pura e simples?
Infelizmente as coisas são assim, do lado de cá e do lado de lá; tantos problemas sérios a serem abordados e solucionados e essa cambada promiscuindo-se no campo das frivolidades.
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segunda-feira, junho 23, 2008
domingo, dezembro 16, 2007
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