sexta-feira, julho 29, 2022

Aeroporto de Beja (VI)

Aeroporto de Beja (V)

Hi Fly displayed an A340 during the 70th anniversary of Portuguese Air Force, in Beja. Commander Carlos Mirpuri, assisted by Captains Peter Holemans and Antonios Efthymiou on the A340, and Lieutenant Coronel Duarte Freitas and Major Paulo Silva on the F16’s, presented the public with a stelar performance of precision and beauty, graciously flying their airplanes to corners of the flight envelope rarely seen, in particular for an airliner of the size of the 4 engine Airbus Jet… Ver mais A Hi Fly exibiu um A340 durante o 70o aniversário da Força Aérea Portuguesa, em Beja. O comandante Carlos Mirpuri, assistido pelos capitães Peter Holemans e Antonios Efthymiou na A340, e o tenente Coronel Duarte Freitas e o major Paulo Silva no F16, presenteou ao público uma atuação estelar de precisão e beleza, gracio geralmente pilotando seus aviões para os cantos do envelope de voo raramente visto, em particular para um avião comercial do tamanho do Airbus Jetliner de 4 motores. Toda a exibição foi planejada, praticada e aprovada sob a supervisão das autoridades civis e militares, seguindo protocolos de gestão de risco rigorosos. Força Aérea Portuguesa

 

quinta-feira, julho 28, 2022

Aeroporto de Beja (IV)



 Querer construir 2 aeroportos numa reserva natural Protegida, não é para todos...

"- Hoje demorei 2.30h para chegar a casa no centro de Londres vindo do aeroporto de Stansted. Se viesse de Luton demorava o mesmo. Nem vou falar de Southend.
- O presidente da Conf. De Turismo de Portugal diz que perdemos um milhão de turistas por ano devido a problemas de capacidade no aeroporto da Portela.
- Beja tem um aeroporto a funcionar a 1.45h de Lisboa. Sem investimento adicional.
- Isto não é privilegiar o interior. É privilegiar o bom senso e o país."
- O Aeroporto de Beja é um ativo fundamental para Portugal. Já provou que tem todas as condições para funcionar e pode dar um contributo muito importante para a economia nacional. Não terá que ser construído, nem apetrechado, nem proceder a qualquer expropriação de terrenos porque isso já está tudo resolvido neste momento.

Aeroporto de Beja (III)

 

Área industrial já marca aeroporto de Beja, que ainda aguarda "voos mais altos"

por Lusa
DR

mo o de manutenção, que já era de aeronaves em linha e, agora, também é feito em hangar pela Mesa", a qual, além disso, pretende investir "num centro logístico", realça o representante dos empresários.

A componente industrial "tem vindo a consolidar-se" e tem suscitado "muita procura, portanto, quando o aeroporto passar do estado da `infância` para o da `adolescência`, com certeza que o `cluster` aeronáutico industrial passará por Beja", argumenta.

Contactada pela Lusa, a ANA -- Aeroportos de Portugal, responsável pelo aeroporto de Beja, também destaca a área industrial e alude ao novo hangar de manutenção da Mesa.

"É um bom exemplo do resultado da estratégia de desenvolvimento seguida e o reconhecimento das potencialidades" do aeroporto "na vertente industrial, gerando postos de trabalho na região", salienta a empresa.

A ANA afirma que "dirigiu o posicionamento da infraestrutura para a captação de outras atividades aeronáuticas, com elevada relevância no setor, como as atividades de natureza industrial, nomeadamente a manutenção de aeronaves, e também o estacionamento de média-longa duração".

"Durante estes 10 anos, o aeroporto de Beja tem realizado atividade diversa, principalmente nas áreas do estacionamento de média-longa duração e da manutenção de aeronaves", dedicando-se também ao segmento de aviação privada, aos voos `charter` e a voos de carga.

Ao mesmo tempo, a ANA sublinha que "mantém o aeroporto de Beja preparado para receber o transporte de passageiros" e que está a trabalhar "ativamente para o desenvolvimento" desta vertente.

"A ANA Aeroportos de Portugal reafirma o seu empenho no desenvolvimento do aeroporto de Beja", que "é, decididamente, um fator adicional de competitividade e deve ser encarado como uma oportunidade de desenvolvimento", frisa.

Filipe Pombeiro diz à Lusa que, no futuro, acredita que a carga também pode ser "bastante importante" no aeroporto, "à medida que a região ganhar mais capacidade exportadora", podendo apostar nos produtos do Alqueva, "altamente transacionáveis".

A valência que lhe parece estar "mais atrasada", e que a região tem vindo a reivindicar há anos e da qual não abdica, é a ligada ao transporte de passageiros.

"Houve umas incursões no início", nos primeiros anos, com voos entre Beja e Londres ou entre Beja e a Alemanha, que acabaram por não vingar, mas "em 2018 houve outras experiências que me pareceram positivas, com voos `charter` para as ilhas Baleares (Espanha), no verão", recorda.

E é "essa aposta que o aeroporto terá que ir fazendo", no seu entender: "Poderá não se justificar haver voos regulares o ano inteiro, mas no verão a região pode perfeitamente ter voos regulares".

Crítico das expectativas iniciais criadas em torno do aeroporto, "sobrevalorizadas" pelo então Governo de José Sócrates, o presidente da AEBAL considera que, partindo dessa premissa, "o balanço fica aquém dessas mesmas expectativas". Mas, olhando para a realidade, "é um balanço positivo" e o aeroporto "não será um equívoco e fará o seu caminho - com tempo".

Após um investimento de 33 milhões de euros, o aeroporto, fruto do aproveitamento civil da Base Aérea n.º 11, começou a operar em 13 de abril de 2011, quando se realizou o voo inaugural.

Aeroporto de Beja (II)

 

“Aeroporto de Beja apto a receber no imediato 1 milhão e 500 mil passageiros por ano”

Zé LG, 01.10.19

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De acordo com a Plataforma Alentejo, “da troca de opiniões (com e a Administração do Aeroporto de Beja/ANA Aeroportos de Portugal) resultou claro que o Aeroporto de Beja está apto a receber no imediato 1 milhão e 500 mil passageiros por ano, que reúne condições excepcionais para o tráfego aéreo e tem todas as condições para a sua ampliação de acordo com eventuais necessidades futuras cabendo aos decisores políticos a clarificação do que se pretende realmente do Aeroporto de Beja e sobre a utilização militar da BA11”.

Claudino Matos, do secretariado da Plataforma Alentejo, afirma que a principal conclusão é que as acessibilidades rodoviárias e ferroviárias são fundamentais para o desenvolvimento do aeroporto de Beja.

Aeroporto de Beja (I)


A maior parte dos portugueses crê que o Baixo Alentejo e Beja ficam no fim do mundo. Atrás do sol posto. No cu de Judas. Como preferirem. Para essas mesmas pessoas Beja ambicionar ser a alternativa de suporte ao aeroporto da capital não passa de uma fantasia ridícula, enxovalhada à boca cheia (em tom jocoso e até desrespeitador) por grande parte dos media nacionais, como ainda agora acabei de ouvir na TV. Para quem, por ignorância ou omissão deliberada da comunicação social, não sabe eu partilho: a BA11 de Beja é, em termos de área ocupada, a maior da Europa e uma das maiores do mundo. Quando os alemães a construíram na década de 60 sabiam o que estavam a fazer. E é por isso que a pista é uma das 240 do planeta onde o "aviãozinho" A380 pode aterrar (fora todos os outros, naturalmente). E não me invoquem o argumento da distância geográfica. Beja fica a 1h30 de Lisboa e a 1h30 do Algarve, totalmente disponível para apoiar os dois grandes pólos turísticos do sul do país. Ao contrário do argumento do comentador de TV aterrei em dezenas de aeroportos no mundo inteiro ( por isso tenho termo de comparação) e em vários desses aeroportos secundários levei entre hora e meia, a duas ou mais horas a chegar à capital. Porque os voos para esses aeroportos são mais baratos e há muito público nesse segmento. Porque apreciar a paisagem do país através do vidro de um comboio também enriquece a experiência do viajante. Porque de um universo gigante de passageiros, alguns (mesmo que poucos) terão a sorte de escolher pernoitar nas redondezas e descobrir um país sem filtros, sem rooftops, sem tuk tuks, feito de pão, queijo, vinho, vida barata e poucos atropelos. E seguramente passarão a mensagem. A ridicularização da opção aeroporto de Beja existe apenas para encobrir a falta de interesse em investir nas acessibilidades (que maçada, esses milhões já estão destinados aos bolsos dos que engordarão com a construção do novo aeroporto noutro sítio qualquer). Há mercado e passageiros para o aeroporto de Beja prestar muitos e bons serviços. Infelizmente só não há vontade.

terça-feira, junho 07, 2022

COVID - Casos


Covid-19: o paciente número 3711 do Dr Cadegiani

Todo mundo sabe que, para a ciência, caso anedótico não comprova eficácia de nada. Mas não é sobre eficácia de fármacos contra a COVID-19 que estou discutindo aqui.

 

Filipe Rafaeli




"Meu pai testou positivo para COVID pela segunda vez. Da primeira ele quase morreu. Você tem o contato do melhor médico para isso, Dr Flavio Cadegiani?". Essa foi a mensagem que recebi no domingo, 29 de maio, à noite, enquanto eu estava ouvindo uma roda de samba em um café na rua de cima de casa.

Quem me mandou a mensagem foi uma pessoa que me contatou pelo Twitter logo depois que escrevi o artigo "O dia que entendi o bom alemão", publicado no Jornal France Soir, de Paris, em fevereiro deste ano. Foi um de meus textos sobre a pandemia que mais viralizou. Ele passou a me seguir nas redes sociais depois da leitura.

O modo que essa pessoa – que chamarei "Jota" para preservar a sua identidade – me contatou, foi inusitado. Ele, logo na primeira mensagem, me oferecia dinheiro. "Somos empresários e gostaríamos muito de contribuir, caso queira produzir esse filme. Sim, seu texto é o roteiro perfeito de um filme histórico", afirmou.

Ele se apresentou, disse que ele e sua esposa lutam contra os pseudo consensos da pandemia. Agradeci por ter gostado do texto e respondi que um documentário sobre aquele artigo era, sim, possível de ser feito. "Me ajudou muito a entender o que se passa hoje", afirmou.

Na sequência ele fez um comentário que explica bastante do momento atual sobre qualquer conversa abordando a pandemia. "Brigamos por vezes dentro da nossa própria família". Curioso, procurei seu nome no Google para saber se a proposta poderia ser algo para ser levado com seriedade. É um empresário de sucesso. Já passaram mais de três meses da oferta e o assunto ficou para trás, adormecido. Às vezes, ao assistir alguns documentários, me pego pensando no assunto, em modos de contar a história, apenas.

Mas não mantive contato estreito, até receber mensagem dele, solicitando o telefone do Cadegiani, para que atendesse seu pai. "Consigo. Se não for ele, será alguém muito bom, igual em atendimento", respondi. Não é a primeira vez que ajudo a aproximar pessoas que procuram tratamento da COVID com médicos que fazem tratamento precoce. Mas o pedido dele era absolutamente claro: queria que seu pai fosse atendido pelo Dr Cadegiani. "Não é problema de custo", afirmou.

Jota contou a história de seu pai, motivo de sua preocupação. Na primeira vez que ele teve COVID, no ano passado, teve os pulmões muito comprometidos, ficou internado por um longo período e quase foi a óbito. "Eu fiquei 30 dias com ele dentro do hospital. Foi muita luta. Depois que complica é muito difícil", lamentou.

"A cada semana o quadro pulmonar dele ia piorando, depois evoluiu para um quadro de embolia pulmonar. Chegou a ter mais de 90% do pulmão comprometido. Foi um pesadelo", explicou. "Ele não conseguia ficar de pé sozinho, não conseguia tomar banho, não conseguia fazer suas necessidades fisiológicas, porque não tinha força", complementou. "Nosso mundo parou por um mês".

Já o Dr Cadegiani, o médico que Jota procurava para tratar a COVID de seu pai, é um velho conhecido da mídia nacional. "Acusado de crime contra a humanidade na CPI receitou dose inédita de proxalutamida a paciente com covid-19", dizia a manchete do El País Brasil, em outubro de 2021.

"Flávio Cadegiani é o médico responsável por estudo com a mesma droga que pode ter levado à morte de 200 pessoas. Caso ocorreu em Brasília, na clínica particular do endocrinologista, onde ele fez tratamento com um remédio em fase de testes sem respaldo ético e científico necessário", explica a notícia.

No portal da Globo, o maior grupo de comunicação do país, as manchetes foram outras. "Covid: Testes com proxalutamida no AM poderiam ser uma das mais graves violações da América Latina, dizem pesquisadores da Unesco". Depois a Unesco voltou atrás, mas isso virou apenas nota de pé de página.

Cadegiani, desde o início da pandemia, fez diversos estudos com diversas drogas no combate à doença. Pesquisou hidroxicloroquina, nitazonixanida, ivermectina e proxalutamida. Tudo, segundo a mídia brasileira, "sem eficácia comprovada", apesar dos estudos concluírem positivamente. 

O site do Instituto Questão de Ciência, que visa promover o debate científico nacional, afirmou que o estudo com a proxalutamida, que concluiu em uma redução de mortes de 78% em pacientes hospitalizados, na verdade, não é confiável. "Os resultados, infelizmente, não passam de uma expressão de erros sistemáticos e da falta de experiência dos pesquisadores envolvidos", explica a matéria. Eles citam, inclusive, uma crítica ao estudo feita na revista Science, que resumiu o resultado da proxalutamida como "bom demais para ser verdade".

Entretanto, entidades que analisaram os dados brutos do estudo com a proxalutamida dão bom reconhecimento. Na Universidade de McMaster, do Canadá, o berço da Medicina Baseada em Evidências, o estudo foi avaliado com uma das notas mais altas entre todos os estudos de medicamentos da COVID. Eles atestaram a alta qualidade do trabalho.

O mesmo ocorreu com a análise do site COVID-NMA, vinculado a Cochrane, da França, que busca analisar evidências científicas de tratamentos. Por lá concluíram existir pouco viés, o que comprova a solidez do trabalho. A análise dessas duas entidades pode ser bem profunda porque Cadegiani disponibilizou, por confiar e acreditar no seu trabalho, todos os conjuntos de dados brutos na íntegra para que a comunidade científica mundial pudesse analisar.

De qualquer forma, esses reconhecimentos da qualidade não se tornaram manchetes na grande mídia, mesmo quando um grupo independente, nos EUA, reproduziu, também com resultados positivos, a eficácia da proxalutamida, seguindo a teoria original proposta por Cadegiani para combater a pandemia. Apenas as pessoas que começaram a seguir Cadegiani nas redes sociais sabem dessas notícias.

Enquanto eu contatava Cadegiani para saber se ele poderia atender mais um paciente, Jota me explicou mais detalhes sobre a situação: "A minha irmã é biomédica e ela fica sempre insegura, influenciada por esse pessoal que é contra o tratamento precoce".

Durante a troca de mensagens, Cadegiani afirmou que poderia atender o pai de Jota. Sabendo da possível resistência dentro de casa, dei uma sugestão a Jota. "Então faça o seguinte. Em vez de ficar 30 dias no hospital, fica uma semana lá na casa do seu pai para ver se vai tomar mesmo os medicamentos". "Você tem toda razão. Já vou pegar um avião agora e vou para lá", respondeu.

E o Dr Cadegiani atendeu o pai de Jota. Logo no primeiro dia, Jota, preocupado, pensa em um reforço, possivelmente foram abordados por alguém que sabe que eles são uma família de posses. "Minha irmã que está inclinada em dar Remdesivir para ele", afirmou. 

O Remdesivir é um medicamento patenteado aprovado pela FDA - Food and Drug Administration, órgão norteamericano, e recomendado pela OMS - Organização Mundial da Saúde. É vendido nos hospitais da elite brasileira por cerca de R$ 18.000, mas mesmo aprovado, celebrado e carimbado, não teve nenhum desempenho razoável. "Faz tudo que o Cadegiani manda e não inventa moda", sugeri. Jota concordou.

Cadegiani fez o contrário das indicações da FDA e OMS. Tratou com cocktail de medicamentos genéricos, baratos e sem patentes, os mesmos que estudou profundamente e que não são recomendados por esses órgãos reguladores. No dia seguinte, o paciente já quase não tinha sintomas. Três dias depois, tranquilo, Jota já pegava um avião para voltar para sua cidade. Com rápida evolução e já sem sintomas, a saúde de seu pai não lhe causava a menor preocupação. 

De qualquer forma, todos sabemos. Um único paciente totalmente curado em três dias não diz absolutamente nada para a ciência. Não serve para comprovar eficácia de nada. Isso é conhecido como caso anedótico.

Mas, por outro lado, esse foi o paciente COVID número 3.711 do Dr Cadegiani. Entre todos eles, o total que atendeu durante toda a pandemia, Cadegiani teve apenas quatro internações, um único intubado e zero óbitos. É isso mesmo. Ninguém morreu. Esses números já dizem, no meu modo de entender,  muita coisa.

Entretanto, sobre o caso, uma conclusão já é possível de ser feita. As inúmeras manchetes contra Cadegiani tiveram, essas sim, ineficácia comprovada.

Posteriormente, Jota me informou que Cadegiani não cobrou pelo atendimento. Afirmei a Cadegiani que era uma família rica e que ele poderia, sem problemas, cobrar pelo atendimento. "Eu não cobro COVID-19", disse.

 

sexta-feira, março 11, 2022

Sul Ibérico

 

A praga do Guadiana que passou a negócio à boleia dos espanhóis

 

Eis a história do pescador alentejano que nem conhecia o lagostim e hoje tem oito trabalhadores a pescar para vender às fábricas em Espanha
 
«Quando comecei a ver que estavam a chegar pescadores espanhóis para apanharem lagostins no Guadiana, eu ainda nem sabia de que espécie se tratava. Para mim, aquilo era só uma praga», começou por contar Pedro Santos, recuando ao enchimento da albufeira de Alqueva.

Mas o tempo e a experiência ensinaram a este pescador alentejano que o lagostim-vermelho-do-louisiana traduzia, afinal, um «potencial de grande negócio». Começou há 18 anos e continua a crescer até aos dias de hoje, apenas à «boleia» dos clientes espanhóis.

Como assim? «Todos os lagostins capturados por cá são encaminhados para as fábricas da Isla Mayor (Andaluzia), que exporta para todo o mundo. E se mais apanhássemos, mais eles compravam», revelou o pescador que participou no encontro sobre as novas oportunidades dos nossos rios, que decorreu no Alandroal, inserido na Mostra Gastronómica de Peixe de água doce.
 
Espanhóis ofereceram
dinheiro e artes de pesca
 
Voltou ao recuar no tempo até aos dias em que começaram a chegar a Alqueva compradores de lagostins. «Mais e mais», sublinhou, deixando-se convencer a entrar no negócio. «Os espanhóis sabiam que Portugal também tinha que arranjar pescadores. Começaram por oferecer dinheiro e chegaram aos dois euros o quilo. Depois começaram a trazer material para nos incentivarem a pescar» relatou, admitindo que a actividade passou a ser "muito atractiva".

As contas feitas à época, que influíam o dinheiro gasto em barcos e no isco necessário para capturar lagostim, deixavam perceber que valia a pena apostar no novo negócio aproveitando aquela que, a saber, terá sido a primeira espécie invasora desde o encerramento das comportas da barragem. Mantém-se rentável até aos dias de hoje.

«Alqueva foi a rampa de lançamento para esta pesca. Neste momento já temos oito trabalhadores. Até houve outros colegas que começaram a trabalhar para os espanhóis, mas perceberam que valia a pena pescarem por conta própria», revela Pedro Santos, admitindo que o maior lago artificial da Europa já não é tão rico em lagostim, mas «as barragens da EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva) têm os maiores lagostins de Portugal todo o ano.
Talvez seja devido ao calor e à comida que encontram na massa de água».
 
A qualidade superior 
do sável cheio de ovas
 
Além do lagostim, há outras espécies que potenciaram a abertura de novas oportunidades de negócio. Que o diga o empresário João Cortez que não hesita em apresentar o sável do Guadiana como «o melhor do país», avançando que se adaptou às águas do Guadiana. 

«Passou a ser um peixe de água doce, porque tem aqui boas condições. Em cada dez exemplares, nove têm ovas, enquanto nas outras regiões é ao contrário», revelou, destacando que o peixe é analisado semanalmente «e não há igual à sua textura».

Também por isso o empresário acha «estranho» que o Alandroal seja o único concelho do Sul onde são servidos pratos de sável.  «Mandamos muito peixe para o Norte e isso até me deixa triste, porque estamos a perder algo com muito potencial e de qualidade superior, sobretudo neste altura do ano», concluiu.
 
TEXTO Roberto Dores

quarta-feira, fevereiro 16, 2022

Asta-Rose e Tomaz Alcaide

 


Cerimónia de deposição de cinzas de Asta-Rose Alcaide

O monumento em homenagem a Tomaz Alcaide será palco, dia 19 de fevereiro, pelas 15:30 horas, da cerimónia de deposição das cinzas de Asta-Rose Alcaide.
Asta-Rose Alcaide nasceu no Brasil, em 1922, local onde faleceu a 30 de novembro de 2016. A bailarina e coreógrafa foi casada com o tenor estremocense Tomaz Alcaide, que conheceu num encontro no Teatro Municipal de São Paulo quando o já reconhecido tenor era famoso. Em 1941 casaram-se e foram morar na Argentina, mas durante a segunda guerra mundial mudaram-se para Portugal, onde Asta-Rose trabalhou na Embaixada dos Estados Unidos e ambos contribuíram intensamente para o desenvolvimento cultural europeu e Asta-Rose enriqueceu o seu conhecimento na área da música clássica.
A última vez que esteve em Estremoz, a 12 de dezembro de 2011, foi para assistir à Cerimónia promovida pelo Município de Estremoz, onde foi entregue a Tomaz Alcaide o título de Cidadão Honorário e a Medalha de Ouro da Cidade e, com honras militares, foi depositada a urna com as cinzas do artista, junto ao monumento em sua homenagem, em frente à casa que o viu nascer, a 16 de fevereiro de 1901, data que inspirou o Município para mais uma cerimónia, desta vez, a deposição das cinzas da sua amada Asta-Rose, conforme desejo manifestado pela própria. 
Juntos em vida, juntos para além da morte!
Do programa consta a deposição de uma coroa de flores, um momento musical de clarinete e violino, com Mário Tiago e Margarida Espirito Santo, seguido da inauguração de uma exposição sobre Tomaz Alcaide, no Teatro Bernardim Ribeiro.