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terça-feira, junho 26, 2012

Cães dóceis e ferozes...

Os Dálmatas, por natureza, não são cães agressivos. Antes pelo contrário, são dóceis mas fora do seu domínio.
Após muita insistência do então amigo e colega de trabalho Luciano Roppa, da Guabí, em 1975 comprei dele um filhote de Dálmata na cidade de Orlândia e, junto com uma cadela Pastor Alemão, veio para Campinas quando para esta cidade me transferi.
Comecei a criar a raça e logo abri um Canil devidamente registado nos Órgãos oficiais específicos. Nascia o "Canil Carcavelos", em homenagem à última cidade onde residi em Portugal.
Muita experiência adquiri nesta empreitada da criação de cachorros e posterior venda dos mesmos. Na relação entre homem e animal também. Porém, há sempre algo mais a aprender...
Depois que foi desfeito o meu primeiro casamento, o Canil ficou na casa da ex-mulher. Passava por lá muitas vezes. Uma dessas vezes a Rena, matriarca da família de Dálmatas, estava com filhotes recém nascidos. Era um Domingo e fui visitar os cachorros. A exemplo de outras vezes, levei a minha filhinha (segundo casamento) que tinha um ano de idade. A minha primeira preocupação foi levar a cadela Pastor Alemão para o quintal e prendê-la, por segurança. Deixei a filhinha sentada, quietinha a aguardar-me.
Quando voltei não vi a menina e repentinamente me deu um estalo: ela foi matar a sua curiosidade dentro da casinha onde estava a Rena com a sua prole. Estava toda ensanguentada e de tal modo, que nem dava para perceber a gravidade dos ferimentos. Foi só tomá-la num braço e conduzir o carro com uma só mão até ao hospital mais próximo. O pior não aconteceu, felizmente. Tem ainda hoje uma marca no rosto, mas disfarçada na sua beleza.
Depois disso e até hoje, jamais tive problemas com os meus cães. Depois de três gerações de Dálmatas tive uma cadela Labrador e por último outro Dálmata, o Díli, que comigo está actualmente.
Este cão é diferente de todos os que já tive ou conheci da raça. Ele é, simplesmente, indomável. Tem uma força descomunal e por isso judia muito de mim quando o levo a passear, preso com trela no peitoral. Já lhe coloquei "enforcador" mas desisti porque senão se enforcaria mesmo... Já me derrubou algumas vezes, mas nunca se soltou de mim... Parece não gostar de crianças e, porque eu já percebi isso, tenho o maior dos cuidados quando os meus netos vêm na minha casa. Aliás, tenho o mesmo cuidado em relação a qualquer pessoa que não seja da casa.
Hoje ele pediu-me para o levar a passear. Sim! Ele pede-me isso numa coreografia peculiar e que dispensa a fala que, claro, não tem...
Já tinha anoitecido e fomos os dois fazer, mais uma vez, um dos tradicionais trajectos. Tomei todos os habituais cuidados, como o de ir para a outra calçada quando alguém vem na minha direção, principalmente quando acompanhado de cachorro ou de criança. E, dentro desse esquema, tudo estava dando certo até que mais uma vez o Díli foi evacuar as fezes no canteiro de uma árvore. Ele só faz isso nos canteiros ou em calçadas destruídas ou mal cuidadas...
Como tenha percebido que uma pessoa subia pela calçada em sentido contrário ao meu, com uma criança no colo, tomei o cuidado de ficar bem perto e virado para o focinho do cão. Mas não adiantou! Ele me surprendeu e pulou na criança! Consegui de imediato puxá-lo com um esticão e, ao mesmo tempo que escutava toda a fúria daquele pai no desespero de ver se algo de pior teria acontecido, pedi milhões de desculpas e tentava justificar-me com a garantia de que ele jamais assim tinha agido.
Depois que o homem se acalmou mais, convidei-o a ir na minha casa que era perto. Não aceitou. Pedi-lhe, então, o seu nome e morada e ele acedeu. Vim para casa e contei o acontecido à minha mulher.
Larguei o cão e, com a mulher, fômos ao encontro daquele homem. Lá estava ele na portaria do Condomínio, comentando o sucedido com a esposa e outros condóminos e enxugando lágrimas que ainda lhe corriam dos olhos.
Soube que a criança tem 9 meses sòmente e o meu coração disparou mais uma vez quase me levando às lágrimas também.
O diálogo foi amistoso e ouve compreensão mútua dos acertos e dos erros. Prometi a mim mesmo que lavarei o Díli a passear só em lugares ermos, numa hora mais tardia, a partir de amanhã.
Admirei muito a educação e o fino trato daquele Pai, Isaías de seu nome. Como tenho ideia de o ver mais vezes, a ele e seu filhinho ali na saída da escolinha, quem sabe se não nos tornaremos Amigos!?

domingo, janeiro 24, 2010

Fases da vida

Já tive muitos cães durante toda a minha vida. Em certa época cheguei a criar e manter o “Canil  Carcavelos”,   dedicando-me  à criação da raça Dálmata.
Jamais tive um Dálmata que não me obedecesse, independentemente do seu imperdível estilo moleque. Mas o que eu tenho hoje, já com 6 anos de idade, não entra na linha de jeito algum e, por isso, jamais passeará comigo sem a respectiva trela. E isso enquanto eu tiver forças para aguentar a sua incrível impetuosidade e tracção muscular. Azar dele que poderia passear muitas mais vezes por muito mais tempo, e meu também…
O último passeio que dei com o meu Díli foi há dois dias atrás. Saímos de casa, andámos 20 metros e virámos a esquina. Ele puxando como uma locomotiva e eu segurando na trela. Forças iguais mantendo o equilíbrio.
Repentinamente senti dor de cabeça, visão embaçada, enxerguei estrelas em plena luz do dia, tive dificuldade de foco. Ao mesmo tempo senti perder as forças. Fiquei desesperado por não enxergar correctamente e preocupado para não cair no chão e deixar o cachorro escapar.
Com uma das mãos amparei-me na parede e fui-me virando devagar tentando tomar o rumo de volta a casa. Por sorte a visão voltou à normalidade e lá fui caminhando. Díli não gostou muito do passeio ser tão curto… Corri a medir a pressão e lá estava ela nos 17 x 9; voltei a medir e deu 13 x 8. Resolvi não medir mais…
Contam-se pelos dedos as minhas idas aos médicos, mas admito que nesta altura do campeonato terei que ser mais assíduo, se bem que de acordo com a disponibilidade do Serviço Único de Saúde porque há muitos anos cancelei o meu Plano particular.
Os anos ensinaram-nos muitas coisas e, de certo modo, sabemos o que se está passando connosco. Também aprendemos a consultar a literatura a respeito de muitos males e, sem querer dar uma de médico, absorvemos alguma coisa. E nos meandros da Internet li:
* Visão dupla: Pode apontar presença de tumor intracraniano, acidentes vasculares centrais, traumas e hiperglicemia.
* Cegueira momentânea: Indica tumor intracraniano, má circulação no cérebro ou arritmia cardíaca.
* Visão borrada: Pode sinalizar diabetes, sangramento ocular, inflamação, hipertensão arterial.
* No caso da hipertensão, os pontinhos brilhantes na visão são resultado de alterações circulatórias que causam espasmos dos vasos sangüíneos na retina. A pressão aumenta, os vasos se estreitam para controlar o fluxo de sangue e, com isso, alteram a circulação. "Aí, feliz de quem vê essas luzinhas, pois são um alerta de que a pressão está altíssima e de que é preciso ir ao médico com urgência".
Tudo me enquadra no quarto ítem. Essa urgência médica é coisa de uns dois meses… Mas já comecei a fazer o auto-tratamento e a primeira medida drástica foi parar de fumar. Já decorreram 48 horas e sobre isto escreverei depois.