quarta-feira, junho 06, 2018
quarta-feira, outubro 28, 2015
Tempos de Guerra
Dia das Sortes
Com outros mancebos da terra
Foi o primeiro passaporte
Assinado para ir à guerra
I
Por altura do São João
Vesti o meu fato novo
Era um creme casca de ovo
Para levar à inspecção.
Foi um dia de emoção
Para todos os consortes
Eu era dos menos fortes
Para o serviço militar
Tive vontade de chorar
No dia que fui às sortes
II
Éramos sete joviais
Esse ano, na minha aldeia
Por volta das dez e meia
Juntámos a outros mais.
Despidos como animais
Em dia que vão prá ferra
Se hoje, a memória não erra
Quando fui inspeccionado
Fui promovido a soldado
Com outros mancebos da terra
III
Apto e com guia passada
Para o serviço militar
A marca para o comprovar
Era uma fita encarnada.
Numa carroça alugada
E um asno, a buscar a morte
Foi esse o nosso transporte
Naquele dia de festa
Como o passado o atesta
Foi o primeiro passaporte
IV
Ao toque da concertina
Fez-se um baile até às tantas
Correu álcool nas gargantas
Houve muita adrenalina.
Essa praxe masculina
Andava muito na berra
A minha história encerra
Depois de perdas e danos
Fiz um contrato três anos
Assinado para ir á guerra
quinta-feira, junho 21, 2007
POETAS ALENTEJANOS (Décimas)
segunda-feira, maio 14, 2007
POESIA ALENTEJANA - Décimas -
Salazar para o burguês
foi um homem de valor
deu ao povo português
miséria, fome e terror
I
Carrasco sem coração
tantos lares arruinaste
tantos homens que mataste
tantos que tens na prisão
meteste na escravidão
todo o povo português
todos os crimes que fez
não esquecem à humanidade
tu só deste liberdade
Salazar para o burguês
II
Tua vida terminou
fascista sem coração
deste tanta aflição
a quem não te prejudicou
todo o mundo te considerou
como o maior ditador
foste tu o fundador
da ditadura fascista
só para o grande capitalista
foste um homem de valor
III
Falavas na lei de Deus
lei que nunca cumpriste
todos sabem que não seguiste
nenhum mandamento dos seus
seguiste a lei dos Judeus
matando quem tanto bem fez
tu prendeste tanta vez
homens de bom coração
quarenta anos de escravidão
deste ao povo português
IV
Já basta de opressão
velho povo português
tanto mal a todos fez
esse homem sem coração
meteu-nos na escravidão
e olhávanos com rancor
nunca ao pobre deu valor
bastantes centenas prendeu
tudo isto ele nos deu
miséria, fome e terror
(Inácio Melrinho - Poeta Popular Alentejano)

