Mostrar mensagens com a etiqueta Salazar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Salazar. Mostrar todas as mensagens

sábado, julho 21, 2012

Viva o Bacalhau!

Muito já se escreveu na Imprensa e nas páginas sociais da internet sobre José Hermano Saraiva, falecido ontem na cidade de Setúbal em Portugal. Pouco ou mesmo nadinha de nada tenho a acrescentar, pois não era figura de minha admiração.
Residia em Setúbal, não sei porquê, pois melhor se sentiria em Santa Comba Dão. Ali sim, estaria junto a seu amado Salazar.
Jamais me interessei pelas suas dissertações sobre a História de Portugal. Reconheço, porém, que era conhecido pela maioria dos portugueses nesse campo no enorme espaço que a televisão lhe oferecia.
Nos anos em que foi Ministro da Educação, eu estava em Timor. Lá, o contacto com o Mundo era muito restrito e notícias sobre as grandes manifestações estudantis em Coimbra de 1968 jamais lá chegaram...
Marcelo Caetano tinha, algumas vezes, lampejos de lucidez e, num desses foi coerente em substituir José Hermano por Veiga Beirão no Ministério. Só não deveria ter-lhe arrumado o tacho de embaixador no Brasil.
Na minha penúltima estadia em Portugal, fui almoçar com o meu filho Gustavo num restaurante em Belém, parede-meias com a célebre pastelaria que confecciona os famosos e tradicionais pasteis de nata. Coincidiu que José Hermano Saraiva se veio a sentar a uma mesa em frente da nossa e, como é mania de muitas celebridades, ficou olhando a ver se alguém lhe dirigia alguma vénia ou cumprimento...
Disfarçadamente, comentei com o meu filho sobre a pessoa, mas ele não tinha ideia, pois quando vivera em Portugal era ainda muito pequeno.
Como Alentejano que sou e com muito orgulho, ràpidamente apaguei essa passagem e me interessei em pleno pelo bacalhau que nos começara a ser servido.
Que o bacalhau seja eterno enquanto dure!...

terça-feira, maio 12, 2009

Alentejanices em 1934

Ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Agricultura
Exposição
Porque julgãmos digna de registo a nossa exposição, Senhor Ministro, erguêmos até vós, humildemente, uma toada uníssona e plangente em que evitámos o menór deslise e em que dãmos razão da nossa crise.
Senhor! Em vão, esta província inteira, desmoita, lavra, atalha a sementeira, suando até á fralda da camisa.
Falta a matéria orgãnica precisa na terra, que é delgada e sempre fraca. _ A matéria em questão, chama-se cáca.
Precisamos de merda, senhor Soisa! E nunca precisámos de outra coisa.
Se os membros desse ilustre Ministério querem tomar o nosso caso a sério, se é nobre o sentimento que os anima, mandem-nos cagar toda a gente em cima dos maninhos torrões de cada herdade. E mijem-nos, também , por caridade!
O senhor Oliveira Salazar quando tiver vontade de cagar venha até nós!...
Solícito, calado, busque um terreno que estiver lavrado e,... como Presidente do Conselho, queira espremêr-se até ficar vermelho!
A Nação confiou-lhe os seus destinos?... Então, comprima, aperte os intestinos; se lhe escapar um traque, não se importe,... quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte? Quantos porão as suas esperanças num traque do Ministro das Finanças?... E quem vivêr aflicto, sem recursos, já não ditingue os traques dos discursos.
Não precisa falar! Tenha a certeza que a nossa maior fonte de riqueza, desde as grandes herdades às courelas, provém da merda que juntármos nelas.
Precisamos de merda, senhor Soisa!
E nunca precisámos de outra coisa.
...Adubos de potassa?... Cal?!... Azote!?!... Tragam-nos merda pura do bispote! E todos os penicos portuguêses durante, pelo menos, uns seis mêses, sobre o montado, sobre a terra campa, continuamente nos despejem trampa!
Terras alentejanas, terras núas, desespêro de arados e charrúas, quem as compra ou arrenda ou quem as herda, sente a paixão nostálgica da merda...
Precisamos de merda, senhor Soisa! E nunca precisámos de outra coisa.
........................................................................................................................................................................
Ah!... Merda grossa e fina! Merda bôa das inúteis retretes de Lisbôa!... Como é triste saber que todos vós andais cagando sem pensar em nós!
Se querem fomentar a agricultura, mandem vir muita gente com soltura. Nós daremos o trigo em larga escala, pois até nos faz conta a merda rala.
Venham todas as merdas, à vontade, não faremos questão da qualidade. Fórmas normais ou fórmas exquisitas! E, desde o cagalhão às caganitas, desde a pequena pôia à grande bósta, de tudo o que vier, a gente gosta.
Precisamos de merda, senhor Soisa! E nunca precisámos de outra coisa.
Évora, 13 de Fevereiro de 1934
Pela Junta Corporativa dos Sindicatos Reunidos do Norte, Centro e Sul do Alentejo
O Presidente
Dom Tancredo (o Lavrador)

segunda-feira, maio 14, 2007

POESIA ALENTEJANA - Décimas -

MOTE

Salazar para o burguês

foi um homem de valor

deu ao povo português

miséria, fome e terror

I

Carrasco sem coração

tantos lares arruinaste

tantos homens que mataste

tantos que tens na prisão

meteste na escravidão

todo o povo português

todos os crimes que fez

não esquecem à humanidade

tu só deste liberdade

Salazar para o burguês

II

Tua vida terminou

fascista sem coração

deste tanta aflição

a quem não te prejudicou

todo o mundo te considerou

como o maior ditador

foste tu o fundador

da ditadura fascista

só para o grande capitalista

foste um homem de valor

III

Falavas na lei de Deus

lei que nunca cumpriste

todos sabem que não seguiste

nenhum mandamento dos seus

seguiste a lei dos Judeus

matando quem tanto bem fez

tu prendeste tanta vez

homens de bom coração

quarenta anos de escravidão

deste ao povo português

IV

Já basta de opressão

velho povo português

tanto mal a todos fez

esse homem sem coração

meteu-nos na escravidão

e olhávanos com rancor

nunca ao pobre deu valor

bastantes centenas prendeu

tudo isto ele nos deu

miséria, fome e terror

(Inácio Melrinho - Poeta Popular Alentejano)