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sexta-feira, novembro 15, 2013

Diferenças linguísticas

Depois de um longo período em que nada escrevi neste espaço, hoje quebro esse interregno. Acreditem que até me sinto meio sem jeito ao teclar e tenho a certeza que meio trémulo estaria se uma caneta usasse...
Abordarei hoje algo que presenciei e muito me consternou quando de recente viagem a bordo de um avião dos TAP na rota Campinas (Brasil) a Lisboa.
Prambulando pelas instalações do Aeroporto de Viracopos, aguardando a hora do embarque, sentia-me muito feliz e ansioso. Estava voltando à minha terra e iria estar junto da outra "metade" da família mais uma vez.
Embarquei finalmente. Aquele airbus imponente dava-me uma certa sensação de orgulho. Sim! Nós, portugueses, sentimos orgulho por ter-mos uma Companhia aérea de reconhecida alta classe tanto na qualidade da frota como na prestação de serviços. Mas... será isso mesmo?
Procurei a minha poltrona e a mesma se situava do lado esquerdo da aeronave, no corredor. Nos primeiros tempos de passageiro sempre escolhia o lado da janela pela curiosidade da vista lá em baixo. Actualmente prefiro o lugar do corredor por ter a facilidade de me levantar sempre que quiser e não incomodar ninguém. Dou, assim, uma aliviada nas pernas e evito o inchaço nos tornozelos. Coisa de ancião...
Era uma fila de duas poltronas e, assim, só uma pessoa do meu lado. A minha companheira de viagem era uma moça de aparentemente 30 anos de idade. Cumprimentei-a e ela me respondeu com um sorriso. Pedi licença e sentei-me.
Cumpridas todas as formalidades, pré e pós decolagem, começou o vai-vem do comissariado de bordo, pois logo se iniciava o serviço de restauração. Chegava a hora de eu saborear um bom vinho tinto alentejano, independentemente da qualidade da comida. A Companhia é mundialmente reconhecida pela oferta dos melhores vinhos do planeta...
Desta vez notei uma faixa etária média dos comissários e comissárias, com excepção da "purser" que aparentava ser sexagenária. No frigir dos ovos, concluí que todos tinham agregada experiência e deduzi, claro, que internacional, principalmente em se tratando de Brasil - Portugal com as respectivas particularidades.
Chegando o momento de serem servidas as bandejas, a mim e minha companheira de vôo, esta interpelou o comissário (sujeito de cabelo grisalho mas que não teria mais que 45 anos) usando o termo "moço". Assim como "seu moço", expressão corriqueira na linguagem brasileira. Pasmem! E eu pasmado fiquei com a rejeição impertinente por parte do comissário.
Não me contive e entrei no meio da confusão tentando pôr panos quentes, mesmo que a minha companheira não tivesse entendido o que se passava. Tentei explicar ao comissário que o termo "moço", naquele contexto, não tinha o mesmo significado que normalmente tem em Portugal e sim que se tratava de tratamento respeitoso de uma pessoa mais nova para com uma mais velha no Brasil. Mas fui ignorado e o serviço continuou. Continuou normalmente até que a moça voltou a interpelar o comissário, mas desta vez tratando-o por "tu". Aí o Mundo caíu!... Ele esbravejou usando as palavras: "olhe lá! por acaso andámos à escola juntos?". Mais uma vez me pareceu que ela não entendeu nada e o "ofendido" seguiu para as outras poltronas...
Ocorre-me perguntar se o pessoal de bordo não recebe instruções sobre a existência de algumas diferenças no linguajar dos dois países, ou se até mesmo não adquiriu esses conhecimentos no contacto permanente com a diversidade dos passageiros!?
Acho que todos deveríam saber, ou de tal ter conhecimento, que o pronome "tu" se usa muito na linguagem do sul do Brasil e em alguns lugares do norte como, por exemplo, o Pará, mas com conotação diferente do usado em Portugal. Aqui os termos "moço" e "tu" são específicos e sujeitos a regras.
No Brasil os meus filhos e netos me tratam por "tu"; em Portugal por "senhor" em substituição ao meu contemporâneo "vossemecê". Uns e outros eu entendo perfeitamente e, claro, não poderei exigir singularidade.
Sugiro que a Administração dos Transportes Aéreos Portugueses (TAP Air Portugal) se debruce sobre a questão.