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segunda-feira, março 04, 2013

O galo cantou!

Esta coisa das loterias no Brasil, uma exclusividade (monopólio) do banco governamental, a Caixa Económica Federal, é um verdadeiro roubo e o apostador é o menor beneficiado. Além disso, bloqueiam a possibilidade de abertura de Casinos ou mesmo de pequenas casas de apostas ou jogos mais populares que seríam uma opção democrática do povo.
Um dos grandes absurdos é o que se pode ver neste caso das ilustrações.O bilhete inteiro de loteria da Caixa Económica Federal custou 20 reais. No sorteio deu 39049 no 4º com um prémio de 32.800 reais. Como eu só acertei a unidade de milhar e não a dezena que compõe o número sorteado, ganhei sómente 130 reais; se tivesse dado no primeiro prémio, este bilhete daria 200 reais.
Se eu tivesse jogado esses mesmos 20 reais num milhar do "Jogo do Bicho", só no número 9049, ganharia 60 mil reais. Como eu só joguei habilitando-me ao primeiro prémio, nada ganhei no milhar  que saíu no 4º.. Porém, como joguei valendo a centena do primeiro ao quinto prémio e essa centena saíu no 4º prémio, terei direito a 500 reais. Se tivesse jogado o milhar valendo do 1º ao 5º, da maneira da ilustração, ainda assim ganharia 2 mil...
Está tudo errado e é por essas e outras que se continúa jogando no Bicho, um jogo eternamente proibido. Só sei que o Galo cantou mais uma vez...

sábado, outubro 10, 2009

Os Pássaros

Ao escrever este título, de imediato lembrei-me do antigo filme de 1963, de Alfred Hitchcock, protagonizado por Rod Taylor, Jessica Tandy, Suzane Pleshette e “Tippi” Hedren. Tinha eu 18 anos, gostava desse tipo de filmes e, talvez por isso, guardei todos os detalhes. Porém, como o que resolvi escrever hoje, nada mais tem em comum com o filme, além do título, só essa lembrança basta. Os pássaros são outros; mais bonitos e coloridos e de gorgeios muito mais agradáveis e sedutores.
Moro numa casa singela, que não é de minha propriedade, que tem um grande quintal atrás e um pequeno jardim na frente. Cuido dela como se fôsse minha e, assim, às plantas que aqui existiam agreguei outras mais. Adoro jardins, árvores, pássaros, a Natureza como um todo. Até o lagarto que por aqui aparece já percebeu que eu sou da paz… Doi-me o coração quando penso que tudo poderá ser derrubado no dia que alguém compre este pedaço e eu tenha que sair daqui.
Aliás, todos os dias em Campinas assisto a um desmatamento urbano que cresce na contramão de uma política ambiental que todos parecem defender e que é tónica nos grandes debates mundiais. Já tenho escutado desculpas como a de que a árvore arrancada fazia muita sombra na casa…
De há uns tempos para cá tenho notado que os habitantes e os visitantes deste meu cantinho têm aumentado em número e espécie. Como para essas coisas eu dedico atenção, até porque acabo por afastar pensamentos ruins e preocupações variadas, ontem fiz um exercício de memória e concluí uma contagem de 16 espécies diferentes. Poderão ser até mais. Isso me dá muita alegria, se bem que também me preocupa essa migração do campo para a cidade. Passo a nomeá-las com um pequeno comentário sobre a sua permanência.
A Corruira Corruira é o que se está evidenciando mais, pelo facto de ser actualmente o meu despertador matinal. O galo eu não oiço há muito tempo e deduzo que quase ninguém mais crie galinhas na cidade grande; a sua função foi tomada por este pássaro de patas delicadas que tem um canto estridente audível nas madrugadas e anoitecer.
O Pica-pau de cabeça vermelhaPica-pau é visitante esporádico e costuma vir bicar o Ipê amarelo Ipê 3 catando bichinhos. Deixa-me deslumbrado, até porque o conhecia mais nos filmes de desenhos animados… É lindo e bem vindo também.
O Sabiá Sabiápula de galho em galho na PitangueiraPiotangueira 2 e enconta com o seu trinado majestoso. Se Vivaldi tivesse vivido no Brasil, certamente teria escrito outras notas na alusão aos pássaros  na partitura da Primavera da sua obra “As 4 estações”. O que já é maravilhoso seria fantástico.
O SebinhoSebinho é o mais irrequieto e arisco de todos. Briga com o Beija-FlôrBeija-florna disputa do bebedouro que coloquei na ParreiraNinho na parreira e onde a RolinhaRolinha fez o seu ninho; um vai bicar as acerolasAcerolase as pitangas, enquanto o outro se ocupa com as flores da ResedaReseda e Larangeira-2250, laranjeira e outras plantas.
O Sanhaço Sanhaçotambém pipoca por todas as árvores e principalmente na mangueiraManga e uva quando esta tem mangas maduras. Costumo ajudar colocando banana e mamão em cima do muro para ele e demais passarada…
O PardalPardalé um dos residentes e o mais constante na área. Muitos o definem como praga introduzida no Brasil pelos portugueses. Sempre encontro ninhos deles no fôrro do telhado. Ele, as rolinhasRolinha, os PombosPombo e a Pomba-RôlaPomba rola costumam dividir a ração que coloco para o meu cachorroDíli - 2914que não se importa com o bolso do dono…
Nas sinfonias diárias que curto aqui no meu cantinho há miscelãneas e arranjos diversos com todos os intérpretes relacionados e mais o Canário da TerraCanário da terra, o PintassilgoPintassilgo e o Bem-Te-ViBem-te-vi. Estes últimos parecem cantar mais e comer menos…
O Chupim Chupimtambém cisca por aqui; pega algumas minhocas na terra. A barulhenta MaritacaMaritacaé da turma dos metais na orquestra e aparece sempre no final da tarde. Acho que é ela que chama a atenção do CarcaráCarcaráque tem ninho num dos prédios altos da cercania e costuma dar por aqui os seus vôos de reconhecimento. Nesses momentos todos se escondem e impera o silêncio…
Escrevi bastante, talvez tenha sido um pouco prolixo, mas tive o prazer de falar sobre os meus amigos de todos os dias, que me fazem bem ao espírito, que me alegram o coração e com os quais, de muitas formas, tento me comunicar como que a agradecer-lhes por conviverem comigo.