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sábado, junho 15, 2013

Brocha



Poeta vende testículos para viajar.
Este é o título de matéria publicada em alguns jornais mundiais e na Internet. Claro que, pelo inusitado da decisão,  é despertada a atenção de todos nós. Pô! O indivíduo desfazer-se de parte do órgão que a maioria dos homens acha ser a mais importante, é coisa séria...
Poeta, ele é. Colombiano a sua nacionalidade. O nome é Raffael Medina Brochero.
Diz necessitar de dinheiro para poder viajar para a Europa onde pretende divulgar o seu último livro "Poesia pela Paz". Quinze mil euros é o preço dos testículos que resolveu colocar à venda.
Sendo o indivíduo poeta, essa acção não se encaixa bem no seu perfil, a não ser que de poesia nada transpire pelos seus poros. Nada tenho contra os colombianos, até porque a maioria do povo da Colômbia é gente boa e sacrificada. Existe por lá uma parte podre que mexe com coisa errada e aí é possível que o personagem tenha andado a cheirar muita cocaína. Com "Brochero" no nome, temos aí o detalhe mais justificável para tudo isso. Fazendo jus ao nome, aqui no Brasil é "brocha", que em Portugal significa "farinheira", no sentido mais chulo das expressões... Então, ele não precisa da ferramenta...
Quando se lê que Brochero pretende divulgar o seu último livro, depreende-se que já tenha publicado mais algum ou alguns anteriormente. E olhem que ele também alega que a sua obra não é bem recebida na América do Sul. Até a aliança de casamento já vendeu para obter verba para a divulgação noutros países.
Acho que ele também é muito ruim de escrita.
Nada irá atiçar a minha curiosidade sobre o que escreveu e, por isso nada das publicações dele comprarei. Quanto ao resto, muito menos, apesar de ciente estar quanto às delícias dos petiscos feitos com testículos de boi, cavalo e carneiro...




quarta-feira, dezembro 05, 2007

CARACOIS E OUTROS PETISCOS

“Então, quando é que o meu amigo vem a Portugal, para eu lhe oferecer um petisco?” Assim começava e pràticamente a essa pergunta se limitava a mensagem que recebera na Internet. E não só porque a pergunta me abriu um horizonte largo das muitas coisas que tenho vontade de petiscar quando for à terrinha, como evidenciou aquilo em que muito tenho pensado ùltimamente e constituiu a base da minha resposta: petisco de caracóis.

Dias atrás liguei para alguns dos amigos na minha terra, algo que não fazia com muita assiduidade mas que agora se torna mais constante, mercê da oportunidade de aproveitar um daqueles serviços de comunicação na Internet que barateia, quase a custo zero, as ligações de longa distância... E, a um deles eu disse que a primeira coisa que faria quando voltasse a Évora seria visitar a Tasca dos Caracóis do nosso amigo Galego. Porém, qual balde de água fria despejado sobre a cabeça, ouvi que a tasca não existe mais a exemplo de outros estabelecimentos do mesmo tipo, mercê de disposição legal de um Órgão oficial coordenador. Tudo isso está proibido respeitando normas da União Européia.

“Puta que pariu!” eu tenho vontade de gritar. Essas pequenas coisas tradicionais e características dos povos faziam a diferença entre os pares e aguçavam a curiosidade de uns em relação aos outros. Nivelar tudo em nome do progresso e na sustentação do pilar do “saneamento” é, na verdade, um desafino nessa afinação por diferentes diapasões...

Por uma questão de formação e actualização de conhecimentos resolvi pesquisar algo a respeito dessas imposições e confesso que fiquei abismado. Por exemplo, saborear uma “bica” na chávena de porcelana ou beber um “tintol” na púcara de barro não mais será permitido; terá que ser em copo descartável de plástico... E isto quando este Mundo altamente poluído deveria ter como uma das principais metas a atingir, exactamente a extinção da produção de plásticos...

Participar numa caçada ou pescaria e, antes, avisar o Chico lá de Mourão que deveria preparar um almoço especial com aquelas carnes de porco defumadas na chaminé; programar mais uma daquelas tradicionais voltas pela raia e saborear um presunto de pata negra na Espanha, provar um tinto ou branco directamente do tonel numa taberna de Barrancos, arrematando com um queijinho de Serpa; viajar pela “Rota dos Vinhos” num passeio de fim de semana e provar os novos e as água-pé nas tascas de Estremoz, Borba, Reguengos e Vidigueira; num lugar qualquer do Alentejo, sentar num mocho de tronco de azinheira numa tasca castiça e petiscar azeitonas retalhadas e curtidas no pote de barro, queijo de leite de ovelha, farinheira assada, chouriço e morcela. Agora é tudo coisa do passado e a minha terra não tem mais cores e sabores, pois foi mutilada.