Mostrar mensagens com a etiqueta síndrome do pânico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta síndrome do pânico. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, julho 29, 2016

Pânico

Como complemento para início de tratamento de um pequeno problema de saúde, foi-me indicada uma cintilografia óssea que, agendada há dois meses atrás, foi ontem efectuada.
Eu jamais ouvira falar de tal exame a exemplo de outros e, naturalmente, aguçou-se-me a curiosidade. Li muito a respeito, mas nem prestei atenção às imagens do equipamento, pois para mim o procedimento consistia na entrada numa câmara e lá ficar por algum tempo, talvez uns 15 minutos. Porém, todos  os dias pensava a respeito e sempre ansioso e preocupado.
Há uns anos atrás o diagnóstico errado de um cardiologista gerou em mim a síndrome do pânico e eu tenho passado todo esse tempo a tentar eliminar isso ou, pelo menos, a saber conviver com o problema. A claustrofobia é uma das principais detonadoras do pânico, pois não posso, de modo algum, pensar em ficar preso em algum lugar ou simplesmente pensar nessa possibilidade.
Entrar num elevador, sózinho, já constitui um problema que acabo por ultrapassar, mas é um problema. E as viagens de avião sempre trazem à tona pensamentos ruins quando do fechamento das portas antes da decolagem...
Chegado o dia D, ontem, fui atendido na Clínica de Medicina Nuclear. O primeiro procedimento foi a injeção do produto do contraste na veia, coisa por demais simples. Como instruído, fui passear pela redondeza para que houvesse o efeito desejado, durante 3 horas. Comi, bebi e passeei, sempre com a minha acompanhante.
Ao regressar à Clínica, fui alvo de um pequeno interrogatório trivial, relacionado com o meu estado físico e antecedentes clínicos.
Finalmente entrei na sala do "suplício", despojei-me dos objectos metálicos e deitei-me na maca de barriga para cima, tudo conforme as indicações da profissional da área.
Deitar-me de barriga para cima é algo que não posso fazer ao dormir, pois que, por causa da obesidade, fico com a sensação de falta de ar. Outra vertente a incidir na síndrome do pânico. Não obstante, enfrentei o desafio.
Totalmente imóvel, como me fora sugerido, fechei os olhos como sempre faço nas situações de radiologia e isso não me deixou ver que eu não estava a entrar numa câmara e que simplesmente estava a ser varrido pela câmera (esta com "e"...).
Passou um minuto e comecei a ficar desesperado, em pânico mesmo. Comecei a lutar contra todos os pensamentos ruins e tentar concentrar-me nos bons. Parecia que não conseguia e pensei em gritar para que parassem tudo e me tirassem dali. Foi por um triz que não melei todo o procedimento que, suponho, deve ser muito caro, mas bancado pelo Sistema Único de Saúde.
Escutei um som diferente, uma espécie de clik e isso gerou a sensação de que estava tudo a terminar. Foi, então, que abri os olhos e vi aquela placa de luz esverdeada sobre o meu rosto. Olhei mais atento, virando o olhar, e vi do lado aquela régua luminosa que indica o decurso do download nos computadores, como uma ampulheta. Faltava ainda um pouco e aí comecei outra vez a preocupar-me. Mas fui forte outra vez e tudo terminou. Estou aqui, hoje, a contar-vos a história dramática...

quarta-feira, outubro 19, 2011

A última barreira

Com esta postagem de hoje dou início a uma série de crónicas de viagem. A ideia era ter começado quando da minha chegada a Lisboa, mas uma série de deficuldades afastou-me do aceso a um computador. Tudo se remedeia, porém.
Após o grande trauma que lá muito atrás relatei e que se relacionou com o meu estado de saúde, ficaram algumas sequelas que aos poucos tento eliminar. Uma delas é a síndrome do pânico que com grande esforço tento vencer sem o uso de medicamentos receitados. Imaginar-me dentro de um avião e ver o fechar das portas, era algo que me incutía uma certa espectativa quanto a reacções que viesse a ter. E tudo isso apesar de dezenas de viagens aéreas no meu currículo. Afinal, até medo de elevador eu tivera e já eliminara...
A minha situação em Campinas estava deveras insuportável. Era muita pressão e, por isso, todo o esforço que eu fazia para vencer o pânico do medo, acabava por ser em vão, chegando mesmo a carregar a mente com muitas outras preocupações e stress. Eu precisava muito destas férias e teria que vencer todos os obstáculos.
Naquele terça-feira ainda trabalhei como todas as manhãs faço; e foi um bom dia de negócios. À noite lá estava no aeroporto de Viracopos onde ràpidamente fiz o chek-in.
Por ali andei passeando nas instalações que observei não serem adequadas para um aeroporto daquele porte e fiquei com a certeza que não estarão à altura da Copa do Mundo de 2014...
Na hora marcada começou o embarque. O pássaro é enorme e foi a primeira vez que entrei num desse porte --- Air Bus 340. Já senti que aproveitaram ao máximo o espaço para capitalização e comecei a duvidar que eu conseguisse passar o meu barrigão naquele corredor estreitíssimo que fica entre a parede da fuselagem e a área  serviço das comissárias de bordo. Mas consegui passar... O ruim foi começar a pensar que aquela passagem era realmente muito estreita... Mas esse pensamento eu fui evitando ao concentrar-me nas comissárias. Pô! A TAP continúa a ter pessoal com uma média de idade muito alta. Altíssima!
Esta viagem demorou 9 horas. As anteriores demoravam 10. Decorreu tudo às mil maravilhas e, por isso, acho que ultrapassei a última barreira.