Mostrar mensagens com a etiqueta Viracopos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Viracopos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, outubro 19, 2011

A última barreira

Com esta postagem de hoje dou início a uma série de crónicas de viagem. A ideia era ter começado quando da minha chegada a Lisboa, mas uma série de deficuldades afastou-me do aceso a um computador. Tudo se remedeia, porém.
Após o grande trauma que lá muito atrás relatei e que se relacionou com o meu estado de saúde, ficaram algumas sequelas que aos poucos tento eliminar. Uma delas é a síndrome do pânico que com grande esforço tento vencer sem o uso de medicamentos receitados. Imaginar-me dentro de um avião e ver o fechar das portas, era algo que me incutía uma certa espectativa quanto a reacções que viesse a ter. E tudo isso apesar de dezenas de viagens aéreas no meu currículo. Afinal, até medo de elevador eu tivera e já eliminara...
A minha situação em Campinas estava deveras insuportável. Era muita pressão e, por isso, todo o esforço que eu fazia para vencer o pânico do medo, acabava por ser em vão, chegando mesmo a carregar a mente com muitas outras preocupações e stress. Eu precisava muito destas férias e teria que vencer todos os obstáculos.
Naquele terça-feira ainda trabalhei como todas as manhãs faço; e foi um bom dia de negócios. À noite lá estava no aeroporto de Viracopos onde ràpidamente fiz o chek-in.
Por ali andei passeando nas instalações que observei não serem adequadas para um aeroporto daquele porte e fiquei com a certeza que não estarão à altura da Copa do Mundo de 2014...
Na hora marcada começou o embarque. O pássaro é enorme e foi a primeira vez que entrei num desse porte --- Air Bus 340. Já senti que aproveitaram ao máximo o espaço para capitalização e comecei a duvidar que eu conseguisse passar o meu barrigão naquele corredor estreitíssimo que fica entre a parede da fuselagem e a área  serviço das comissárias de bordo. Mas consegui passar... O ruim foi começar a pensar que aquela passagem era realmente muito estreita... Mas esse pensamento eu fui evitando ao concentrar-me nas comissárias. Pô! A TAP continúa a ter pessoal com uma média de idade muito alta. Altíssima!
Esta viagem demorou 9 horas. As anteriores demoravam 10. Decorreu tudo às mil maravilhas e, por isso, acho que ultrapassei a última barreira.

segunda-feira, março 07, 2011

Traumas e fobias

Pessoa muito próxima e que eu muito prezo, mas cujo nome ou algo mais que a possa identificar eu me reservo o direito de não publicar. Estabeleceu-se nessa pessoa e em mim um mesmo tipo de situação, se bem que por problemas diferentes mas concorrentes. E o facto de estar aqui abordando esse tema não é nada que caracterize uma notícia ou exponha uma cena insólita.

Há exactamente 4 meses atrás, essa pessoa sofreu um derrame numa das vistas que há já algum tempo tinha sido operada de cataratas. Como não tinha operado a outra e que agora já estava com a catarata em último estágio, ficou cego. Imaginem uma pessoa que teve visão normal durante mais de 70 anos e que, de repente, deixa de enxergar o que quer que seja. É um dependente em todos os sentidos, infelizmente. E muito de negativo vai tomando conta de sua mente --- traumas e fobias.

Durante todo esse tempo várias tentativas de uma cirurgia à vista com catarata fôram descartadas na última hora. Ou por certas insuficiências ou por temores vários por parte dos médicos. Porém, um dia apareceu o médico que afastou todos esses fantasmas e resolveu operar com modernos métodos de "laser" e em 5 minutos tudo estava normal. Na mesma hora o paciente saíu do hospital caminhando e enxergando.

Tudo muito bem; tudo muito bom. Mas nada fica como dantes ou, pelo menos, demorará muito tempo a ficar. Isso eu posso afirmar, pois tenho problemas semelhantes e por isso mesmo estou escrevendo a respeito. Instaurou-se na pessoa uma cadeia de traumas e fobias e isso não só porque a sua saúde não é das melhores, pois indivíduos saudáveis, como é o meu caso actualmente, também passam por isso.

Eu jamais tive problemas no que diz respeito a viajar de avião. Perdi o conto de quantas vezes cruzei o Atlântico nas minhas idas para a Europa e vice-versa. Porém, estou marcando viagem para finais de Julho afim de visitar a minha família e amigos em Portugal e tem horas em que fico com receio e resolvo desistir. Não por medo do avião pròpriamente, mas porque não me posso imaginar preso dentro dele. Acontece isso com o elevador depois que passei por todos aqueles problemas de diagnóstico médico errado. Hoje tenho comigo uma espécie de claustrofobia com coisas simplórias. E por tudo isso entendo perfeitamente o que acontece com a pessoa que comecei por referir nesta minha crónica.


Há dias que a esposa marcou e comprou passsagem para Florianópolis para os dois. Uma das habituais visitas à filha, genro e netinha. Tinha momentos em que ele afirmava não querer ir, pois "não se sentia bem dentro de um avião com tudo fechado e com todas aquelas pessoas olhando para ele". Algumas vezes ouvi alguns membros da família tentar acalmá-lo e que não tinha nada com que se preocupar, etc., etc.. Eu não contrariava ninguém, mas entendia perfeitamente tudo o que ele sentia e tentava não me manifestar a respeito.

Hoje, finalmente, chegou o dia da viagem. Ainda de madrugada enviei um sms para a esposa desejando-lhes boa viagem.

Saí para passear com o meu cão e no regresso a casa, já na minha rua, vejo um taxi descendo devagarinho e parar numa das casas. Ainda pensei ser o meu neto que tem muito essa mania de ir e vir da casa dele de taxi como se magnata fosse... Porém, ao abrir da porta, vejo que o meu amigo saíu do carro, mas sem a esposa. Caraco! O que aconteceu? --- Abandonou a aerovave e veio para casa da sogra sózinho!...

Fui inteirar-me sobre tudo o que aconteceu. Soube que a Companhia aérea já tinha ligado avisando da chegada dele. Mas, o porquê de tudo isso? --- Embarcaram os dois no avião, sentaram-se nas respectivas poltronas. Fecharam-se as portas, retirou-se a escada de acesso. Ouviu-se a voz do comandante dando as boas vindas e mandando que todos apertassem os cintos porque íam decolar. E, no mesmo instante, o grito: Parem! Quero saír! --- Todos os demais passageiros olhando estupefactos e sem saber o que estava acontecendo tiveram a oportunidade de escutar: "estão a olhar o quê? vão todos tomar no c..., vão todos para o c....; me tirem desta merda!".

O avião abortou a decolagem, colocaram a escada, abriu-se a porta e o passageiro desceu ignorando os apelos da chorosa esposa. Nada adiantou. Também exigiu que ela seguisse a viagem e que só ele ficaria. A Companhia, a partir desse momento, não o deixou só um só instante. Conseguiu o telefone de contacto e ordenou ao motorista do taxi que deixasse o passageiro naquele endereço que indicara e em nenhum outro. E assim foi. No caos aéreo e dos aeroportos brasileiros, mais uma contribuição...

Uma coisa eu já decidi para quando da minha viagem: voltarei a tomar os meus comprimidos de Rivotril uns dias antes. Se estivesse por aqui algum daqueles navios de cruzeiro que regressam à Europa depois das navegações de cabotagem na América do Sul, iria num deles. Todavia, pensando bem, não deixaria de estar dentro de algo cercado de água por todos os lados e esse é o meu problema também.

Esta semana retomarei os meus exercícios físicos na Academia de Ginástica. Em 4 meses acredito que oxiganarei o meu cérebro e os meus músculos, perderei alguma daquela gordura localizada e, com quase toda a certeza, algumas daquelas belas mulheres que estarão comigo no mesmo avião não deixarão até, quem sabe, de dar uma piscada de olho...






domingo, julho 22, 2007

AEROPORTO DE VIRACOPOS

As três imagens acima são do Google Earth e referem-se a três momentos do Aeroporto de Viracopos. Aqueles que se interessam por conhecer mais profundamente os problemas e soluções inerentes à aviação civil do Brasil, devem acessar essa página do Google Earth digitando "Aeroporto de Viracopos, Campinas, Brasil" no campo de pesquisa. Um sobrevôo pela região mostrará o quanto de espaço livre ainda existe e que daria para construir mais duas pistas de 3.500 metros, além da ampliação dos edifícios e construção de outros anexos. Estaria aqui, finalmente, o maior e mais seguro aeroporto da América do Sul. É importante salientar que, durante o período dessa ampliação, a área que está construída poderá continuar a ser usada para desafogamento dos aeroportos de Cumbica e Congonhas.
Campinas dista 80 km de São Paulo. Tem duas boas auto-estradas nessa ligação das cidades. Com a construção de um ramal ferroviário moderno, 30 minutos seríam suficientes para fazer esse percurso, o que representa menos tempo que aquele que se gasta de Cumbica ao centro de São Paulo...
"Cumbica" na língua Tupi-Guarani significa "Nuvem baixa". Quando se projectou este grande aeroporto muito se alertou para o grande e constante problema dos nevoeiros e sempre se sugeriu outro lugar, principalmente Viracopos que tem o melhor clima da região. Aqui já existia uma infra-extrutura e chegavam e saíam vôos internacionais. Mas não! Os interesses ocultos prevaleceram e Cumbica foi construído. Durante muito tempo, todos os dias os aviões eram impossibilitados de aterrar (aterrizar) ali, por causa do nevoeiro, e tinham que ser desviados para Campinas...
Há necessidade de fazer uma campanha muito forte em defesa de Viracopos! Apesar dos pesares, ainda existem renitências. Senhores, haja coerência. Dou o meu grito aqui e faço a minha parte.

quarta-feira, julho 18, 2007

TRAGÉDIA ANUNCIADA

Não encontrei outro título para a minha crónica que mais apropriado fôsse. Infelizmente!
A actual situação caótica em que se encontra a aviação civil brasileira não nasceu ontem, não vem desde o acidente com o avião da Gol, há dez meses atrás e, até mesmo, não começou quando daquele acidente com outro avião da TAM, no mesmo aeroporto de Congonhas, o qual caíu sobre os prédios circundantes. Como costumamos dizer por aqui, "o buraco é mais em baixo"...
O aeroporto de Congonhas é o mais movimentado do país e localiza-se no coração da cidade de São Paulo. Isso, por si só, já é um absurdo. Há anos atrás percebeu-se isso e resolveu-se construir um grande aeroporto internacional em área aberta, ficando aquele para as linhas da ponte aérea Rio - S. Paulo e outras domésticas.
Cometeram-se dois erros crassos! Construiram o novo em Guarulhos numa região que tem nevoeiros 300 dias por ano. Não se deu muita atenção a Congonhas que acabou por ficar saturado outra vez. E, quanto ao de Viracopos, na cidade de Campinas (78 km de S. Paulo), que já operava com vôos internacionais e numa região que tem um dos melhores climas do país, nem pensar em mexer, não obstante o grande número de vozes que se levantaram elegendo-o como a melhor e única opção viável. Sempre os interesses pessoais de uma minoria prevaleceram, em detrimento dos da sociedade como um todo.
Já faz um bom tempo que se levantou nòvamente a hipótese de Viracopos como solução para os muitos problemas que se vêem avolumando nos outros aeroportos. A coisa começou a ganhar força. Ampliaram-se algumas instalações. Porém, arrasta-se há muito tempo a aprovação de licenças ambientais e outras, surgindo a cada dia novos empecilhos. Outra vez estamos diante de interesses ocultos... Viracopos é a solução! Com a construção da segunda pista e de novas instalações que estejam de acordo com a capacidade, construa-se, também, a linha ferroviária que ligue Campinas a São Paulo.
Esse acidente de ontem não se deveu aos insolúveis (?) problemas de controle do espaço aéreo ou à confusão que reina nas entidades de gestão. Já era esperado que algo ocorresse com a liberação de uma pista mal reformada e com obras inacabadas. No dia anterior já houvera um sinal de aviso quando da derrapagem de um pequeno avião.