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quinta-feira, outubro 29, 2009

Avenida das Amoreiras


Com este título, acredito que a maioria dos internautas que se direcionem a esta postagem sejam de Lisboa, pois lá existe uma avenida com o mesmo nome e são muito poucos os de Campinas, aqui no Brasil, que conto no painel de visitantes…
Mas é em Campinas que se situa a avenida a que me refiro hoje. E, infelizmente, foi uma situação trágica que me trouxe a escrever sobre ela  como postagem do meu blog.
Estou descendo, a pé, a minha rua que desemboca na referida avenida, a mais longa e uma das mais movimentadas de Campinas. Ouvi o som de sirene e observei tratar-se de uma ambulância que estacionava no corredor central, exclusivo de ônibus.
A curiosidade impeliu-me a tentar saber o que ali se passava e acabei por descortinar, no meio da multidão, um jovem estendido no chão e muito ensanguentado. Acabara de ser atropelado por um dos ônibus.
No Brasil morrem violentamente centenas de jovens todos os dias, por um motivo ou outro. Ficamos tão habituados a essas cenas que passam na TV ou descritas nos jornais, que isso acaba por não nos impressionar mais; pelo menos não com grande impacto. É triste, mas é a realidade.
Porém, a luta que observei aquele moço ainda travar com a morte, na sua respiração ofegante mas com o corpo inerte, impressionou-me muito. Muito mesmo! E revoltou-me, também.
É o terceiro aluno da Escola J. M. Matosinho que sofre atropelamento naquele mesmo ponto e local, num curto espaço de tempo. Além, claro, de dezenas de outras pessoas que constantemente engrossam o rol de vítimas dessa fatídica avenida.
A minha atenção converge mais para esses jovens alunos. Em princípio, eles deveríam ser mais esclarecidos e, portanto, conhecendo os perigos e o histórico, sempre deveríam atravessar na faixa de pedestres e jamais pular por cima das barreiras laterais. É aquela espécie de loucura e maneira de querer se afirmar perante os demais. É um problema de berço e de escola e isso tem que ser mudado.
Não vou deixar fóra disso as autoridades. Aquele corredor central, exclusivo para ônibus, entre quatro faixas de rodagem laterais (duas de cada lado), embrião de um futuro leito de trolleybus, foi a coisa mais absurda jamais construída nesta cidade, e não mais que uma peça eleitoreira. Já lá vão muitos anos.
Surpreende-me que esta população não proteste e continue votando e elegendo sempre os mesmos ou outros com as mesmas ideias ou falta delas. É que, até hoje, parece não haver alguém que se aperceba do que acontece ali e tome providências.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Chicletes

Muita coisa existe e que vai na contramão do razoável. Por ser um vício, assim continúa. Refiro-me específicamente ao caso do jogador de futebol Aloísio, atleta do Vasco da Gama. Após choque com um adversário, desmaiou. E, porque estava mascando chiclete, este obstruiu-lhe a passagem de ar ao engasgá-lo.
Curioso o conselho do seu técnico ao sugerir-lhe que mascasse chiclete no decorrer da partida, para compensar as dificuldades que o ar seco da região lhe traziam. Afinal, todos sabemos ou deveríamos saber que o uso de chicletes, balas, aneis e colares podem ocasionar acidentes gravíssimos.
Nunca fui adepto de pastilhas elásticas e até prefiro usar este termo ao invés de chiclete, pois este último é um aportuguesamento de marca famosa dos mesmo. Até uma mulher bonita e gostosa perde, para mim, todo o seu encanto ao mascar e fazer aquelas bolas estaladiças e nojentas.
Porque existem essas porcarias e há propagandas para as mesmas, que tal atrelar às mesmas um aviso sobre os perigos e malefícios, do mesmo modo que se faz com os cigarros!? A divulgação maciça deste acidente com Aloísio a ilustrar ums série de avisos, principalmente às crianças, seria de boa política e cidadania.

sábado, maio 23, 2009

Rodeios

Os meus afazeres profissionais obrigam-me a levantar cedo todos os dias; normalmente às 5 horas saio de casa. Como de cidade grande se trata, Campinas já tem um bom movimento nas ruas antes do nascer do Sol. Porém, aos Sábados, não sendo tão intenso o movimento em relação aos demais dias da semana, tomo cuidados redobrados.

As noitadas de Sexta são intensas e a juventude da região metropolitana da cidade vive isso sobremaneira. São eventos vários em diversos pontos e a agitação é total. Não existe e nunca existiu crise para essa turma.

Cada um de nós, os mais velhos, já passou por essa fase, se bem que com comportamentos diferenciados. Não que fôssemos melhores que os jovens de hoje, mas havia tentações às quais resistíamos com firmeza e, muito por isso, não aconteciam catástrofes como as de hoje.

No trajecto que percorro nas manhãs de Sábado é raríssimo não encontrar carros despedaçados devido a batidas em postes que não saíram do caminho (...) e, muitas vezes com vítimas fatais. Nesta época do ano, então, a coisa é mais feia ainda, pois acontecem os tão badalados Rodeios e a região é pródiga na realização dos mesmos.

Sempre fui contra os Rodeios. Não só e principalmente por não aprovar esse relacionamento do homem com o animal, mas também por identificar um comportamento inaceitável dos fãs dos mesmos. Estes são agressivos quando embriagados e, travestidos de peões, vaqueiros ou fazendeiros que não são, passam uma imagem de prepotência e arrogância.

Antes de sair de casa, na madrugada de hoje quando eram 4 horas, ouvi no rádio a notícia de se terem verificado algumas mortes e a existência de muitos feridos no Rodeio de Jaguariúna, cidade a 30 km de Campinas. Foi uma notícia vaga ainda sem grande desdobramento e isso aguçou-me a curiosidade.

Como o meu local de trabalho aos Sábados fica exactamente no começo da estrada que liga Campinas a Jaguariúna, muitos desses jovens que de lá regressam acabam por passar na feira livre para comerem um pastel na banca do japonês. De todos a quantos perguntei o que de anormal se passara no Rodeio, nenhum me soube responder concretamente. Só se referiram a ter ouvido chamarem os bombeiros através dos altifalantes e nada mais.

Muito estranho ou nem tanto. Embriagados e sabe-se lá com o quê mais na cabeça, além do chapéu de cowboy, não se aperceberam do grande tumulto gerado por brigas e discussões, do corre-corre, do empurra-empurra e do pisoteamento de muitas pessoas com a morte de quatro jovens.

Por decisão da Justiça, foi cancelado o restante da programação que previa para amanhã à noite a apresentação do cantor Roberto Carlos.

Achei que foi acertada essa decisão. Mas também pergunto o que deu no Rei para se apresentar numa arena que não é a dele e perante um público que não se coaduna com as canções do seu surrado repertório!?