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segunda-feira, junho 27, 2011

Multidões

Um turista francês, jovem, teve a infelicidade de cair do bonde de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, e enquanto agonizava no solo, roubaram-lhe a máquina fotográfica e a carteira. Charles (seu nome) morreu após ter caído de auma altura de 18 metros por um vão entre as grades. Perdeu o equilíbrio quando tentava tirar uma fotografia em pé.
Ainda antes de ser convocada ou indiciada, a mulher e chefe de gabinete do Prefeito de Campinas e o próprio, foram beneficiados com um habeas corpus preventivo enquanto vários secretários e outros com negócios com a Prefeitura era presos ou procurados.
Os dois casos relatados acima e que nada têm a ver um com o outro traduzem, porém, uma triste realidade deste Brasil que se quer mostrar ao Mundo com uma outra cara na realização de dois dos mais importantes eventos --- a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016. Sempre tive as minhas dúvidas quanto à concretização do primeiro e já começo a tê-las, também, a respeito do segundo.
Como essa bagunça da administração pública se dá na cidade onde eu resido e onde exerço a minha cidadania com os deveres e direitos políticos, cheguei a sugerir em determinada altura da efervescência do caso, em comentário à matéria de um dos jornais da cidade, que houvesse uma grande mobilização popular de modo a que todos pudessem expressar o seu desagrado e revolta barrando,assim, as maquiavélicas e tortuosas veredas da Justiça  trilhadas por advogados expertos (e caros) contratados pelo Poder.
Não! Nada disso acontece e esta sociedade em que vivemos, além de manifesto desinteresse em levar as coisas adiante, não obstante a revolta embutida, não tem capacidade de mobilização popular. Ou será que tem e eu não entendo e estou escrevendo coisas sem nexo!?

Vejo que essa sociedade, quando integrada em facções que expressam alto índice de ignorância qual sejam os evangélicos na sua "Marcha para Jesus" e os homossexuais, lésbicas e afins na sua "Parada Gay", conseguem mobilizar milhões de pessoas. Notem que frisei o termo "pessoas" por considerar que todos, nós, eles e vós, somos seres humanos, exactamente para desestimular incriminações contra mim e clarear a minha postura de não preconceituoso. Eu só critico as acções e luto pelo meu direito de livre expressão!
No resumo da ópera e porque eu estou e quero sempre ficar muito longe dessas multidões manifestantes aqui mostradas, porque com as mesmas nada tenho a ver, irei vincular-me mais a outras de tipo totalmente antagónico e que me dão muito prazer e alegria. Como a do bloco "Bacalhau na Vara", sempre grande sucesso nos sucessivos carnavais. E reparem que bacalhau e vara tem tudo a ver...









sábado, maio 23, 2009

Rodeios

Os meus afazeres profissionais obrigam-me a levantar cedo todos os dias; normalmente às 5 horas saio de casa. Como de cidade grande se trata, Campinas já tem um bom movimento nas ruas antes do nascer do Sol. Porém, aos Sábados, não sendo tão intenso o movimento em relação aos demais dias da semana, tomo cuidados redobrados.

As noitadas de Sexta são intensas e a juventude da região metropolitana da cidade vive isso sobremaneira. São eventos vários em diversos pontos e a agitação é total. Não existe e nunca existiu crise para essa turma.

Cada um de nós, os mais velhos, já passou por essa fase, se bem que com comportamentos diferenciados. Não que fôssemos melhores que os jovens de hoje, mas havia tentações às quais resistíamos com firmeza e, muito por isso, não aconteciam catástrofes como as de hoje.

No trajecto que percorro nas manhãs de Sábado é raríssimo não encontrar carros despedaçados devido a batidas em postes que não saíram do caminho (...) e, muitas vezes com vítimas fatais. Nesta época do ano, então, a coisa é mais feia ainda, pois acontecem os tão badalados Rodeios e a região é pródiga na realização dos mesmos.

Sempre fui contra os Rodeios. Não só e principalmente por não aprovar esse relacionamento do homem com o animal, mas também por identificar um comportamento inaceitável dos fãs dos mesmos. Estes são agressivos quando embriagados e, travestidos de peões, vaqueiros ou fazendeiros que não são, passam uma imagem de prepotência e arrogância.

Antes de sair de casa, na madrugada de hoje quando eram 4 horas, ouvi no rádio a notícia de se terem verificado algumas mortes e a existência de muitos feridos no Rodeio de Jaguariúna, cidade a 30 km de Campinas. Foi uma notícia vaga ainda sem grande desdobramento e isso aguçou-me a curiosidade.

Como o meu local de trabalho aos Sábados fica exactamente no começo da estrada que liga Campinas a Jaguariúna, muitos desses jovens que de lá regressam acabam por passar na feira livre para comerem um pastel na banca do japonês. De todos a quantos perguntei o que de anormal se passara no Rodeio, nenhum me soube responder concretamente. Só se referiram a ter ouvido chamarem os bombeiros através dos altifalantes e nada mais.

Muito estranho ou nem tanto. Embriagados e sabe-se lá com o quê mais na cabeça, além do chapéu de cowboy, não se aperceberam do grande tumulto gerado por brigas e discussões, do corre-corre, do empurra-empurra e do pisoteamento de muitas pessoas com a morte de quatro jovens.

Por decisão da Justiça, foi cancelado o restante da programação que previa para amanhã à noite a apresentação do cantor Roberto Carlos.

Achei que foi acertada essa decisão. Mas também pergunto o que deu no Rei para se apresentar numa arena que não é a dele e perante um público que não se coaduna com as canções do seu surrado repertório!?