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segunda-feira, julho 30, 2012

Grandes Parideiras

Estava navegando pelas páginas da Internet e, no Facebook, encontrei uma notícia sobre uma cadela vira-latas que teria dado uma ninhada de 15 filhotes, quando o normal para este tipo de cachorra são ninhadas de no máximo 8 a 10. (http://bit.ly/MuLuID).
Então eu pensei que o Mundo iria ficar estupefacto com o acontecimento e, mentalmente, dar os parabéns a tão sacrificada mãe. Uma parideira e tanto que merece todo o carinho e todas as manifestações de congratulações. Mas, e a Rena? Eu explico a minha interrogação.
Rena era o nome da minha primeira cachorra da raça Dálmata (1973-1986). Quando da sua primeira maternidade de 7 filhotes, fiz os respectivos registos junto ao Kenel Club do Brasil e registei, também, junto ao Ministério da Agricultura, o Canil Carcavelos que acabara de fundar.
Após algumas outras prenhices e maternidades, sempre com uma média de 7 filhotes (normal da raça), eis que num cruzamento com um macho da mesma raça (sem pedigree) ela deu à luz, também, 15 filhotes. E destes não morreu um único, pois eu tinha o trabalho de os selecionar em grupos de 5 durante as mamadas matinais e as vespertinas. Garantia, assim, o essencial da sua alimentação.
Só não foi notícia porque havia escassez de meios populares de informação em relação aos de hoje. E, também, porque não os consegui resgistar em virtude do pai ser "vira-latas.
Então, façamos aqui uma homenagem póstuma à Rena.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Díli, o Cão

Muitos de vocês á ouviram falar do meu cão por um ou outro motivo, mas sem muita importância. É um Dálmata muito bonito, de pintas pretas e muito bem distribuídas. Perfeitamente dentro dos requisitos que lhe conferem aprovação na raça quanto ao visual. No que respeita a postura, aí já a porca torce o rabo, pois é impossível adestrá-lo ao ponto de obedecer e caminhar civilizadamente junto com o dono. Atrevo-me a afirmar estas coisas porque montei um canil em 1976 --- Canil Carcavelos --- e por muitos anos só criei essa raça. Tenho muita experiência em Dálmatas.
Às vezes, achando que essa experiência me dá todo o conhecimento, chego à conclusão que na vida jamais chegamos a essa perfeição no que quer que seja.
Díli, assim se chama o meu cão, é senhor absoluto do quintal de minha casa. Antigamente não tanto, pois dividia o espaço com os falecidos Madona, Takinho e Marafisa; uma cadela e casal de gatos. Convivência perfeita e respeito mútuo.
Na situação actual eu estava crente que conhecia os porquês de todas as manifestações do Díli, principalmente quando os gatos vadios o aporrinham do telhado do rancho.
O vizinho do lado já me havia confidenciado que estava numa boa com uma viúva que conhecera e que talvez esta viesse a ocupar o lugar vazio de sua última companheira que o abandonara. Coisas do coração e da tesão… Esse dia chegou, pois vi grande movimentação de mudança e, também, o aumento da vizinhança, pois a nova companheira do meu vizinho trouxe na trouxa os filhos grandes…
E notei que o Díli estava desesperado de um lado para o outro do quintal e com várias ameaças de pular o muro para o lado do vizinho. Cheguei a encontrá-lo escarranchado de peito e patas dianteiras, tendo corrido até lá para o retirar e acalmar. Senti haver uma certa preocupação do lado de lá e conversei com o vizinho garantindo-he que tudo não era mais que o facto de ter pessoas novas e que não passaria daquele dia.
Ontem, porém, tive a oportunidade de verificar que o novo pessoal da casa trouxe consigo um gato. Não deu para ver se um gato ou uma gata. Sei só que é um belo animal. Foi aí que compreendi todo o comportamento atípico do Díli. E se realmente é gata, as coisas complicar-se-ão porque ele é capaz de querer quebrar o cabaço nela e destroncá-la depois…

quarta-feira, outubro 14, 2009

Três pontos pra mim…


Este mês é a segunda vez que tal acontece. Antes, isso não acontecia havia muito tempo.
Chegávamos em casa, eu e Dona Onça. Enquanto eu manobrava a perúa para apontá-la verticalmente em direção ao portão, pois a minha rua fica muito complicada por causa de carros mal estacionados, ela foi abri-lo. E mais uma vez não se apercebeu que o cachorro estava na parte da frente da casa e não no quintal.
O bicho é muito safado; de entre os inúmeros cães que já tive, a maioria Dálmatas, este é o único que jamais consegui adestrar. Está na cara que, percebendo que o portão estava entreaberto, saíu em disparada.
Não ligou para os chamados e assobios; a rua para ele é o máximo e, solto assim, é muito mais gostoso de que quando o levo a passear amarrado na trela. Desceu a rua como um raio e eu fui com a perúa atrás dele.
Num segundo cruzamento de ruas já quase foi atropelado e aí eu fiquei nervoso a tal ponto que deixei o veículo no meio da via e corri atrás dele. Ía em direção à avenida, uma das maiores e mais movimentadas da cidade. Apesar de estar correndo, eu suava frio, gelado. Se alcançá-se a avenida, era morte certa.
Não sei porquê e como, ele resolveu inverter o sentido e driblou-me. Voltou para a rua de cima e eu fui atrás. Como tem muita cachorrada por ali e ele sabe, pois sempre por ali passeamos os dois, parava entre uma casa e outra para provocar os seus semelhantes. Eu chegava perto e ele acelerava nòvamente.
De repente, resolveu marcar o território na base de um tronco de árvore. E, por sorte, ao invés de uma mijada, começou  uma cagada. Aí eu não pensei duas vezes e, como se estivesse mergulhando na piscina, atirei-me e peguei-lhe a cauda. Não me mordeu porque não é bôbo…
O bichano é pesado, mas icei-o para dentro da perúa e assim voltámos para casa. Só agora vi que estou meio esfolado e com as costelas doloridas, mas ganhei o jôgo…

segunda-feira, maio 04, 2009

Açaime

Há dias em que melhor seria não sair de casa. E são muitos.
De há uns tempos a esta data eu até tenho optado por ficar em casa, naturalmente. Muitos amigos sumiram e eu também não tenho mais aquela disposição para ir até àquele bar que costumava frequentar, ou a qualquer outro ponto público de lazer ou de tertúlias. Trabalho na parte da manhã, das 5 às 13, faço a minha sésta depois do almoço como todo o bom alentejano e nas restantes horas da tarde e algumas da noite ocupo-me com alguma coisa --- internet, leitura, bricolagem, enfim.
Sei que me prejudico muito com esse estilo de vida, pois não é muito salutar e eu preciso fazer algum tipo de exercício físico e não faço. Um ou outro dia passeio com o meu cachorro e faço-o quando ele me pede.
É verdade! Os cães pedem ao dono para que os levem a passear. Nem precisam latir ou ladrar para expressarem esse desejo, pois o dono que esteja bem entrosado com o seu amigo fiel percebe isso no olhar. E não é todos os dias que eles pedem, se bem que eles gostariam e necessitam de passear sempre. Por causa dessa flexão deles nós adiamos o dever impávidos...
Hoje não foi possível adiar. Fui no quintal e peguei a trela e coleira. Foi o suficiente para que o meu Dálmata explodisse de alegria e pusesse em alvoroço todos os demais cachorros vizinhos. Sempre isso acontece.
Gosto da maioria de raças caninas, mas tenho preferência pelos Dálmatas e Labradores. Cheguei a ter um Canil devidamente registado e criei Dálmatas por alguns anos. Por isso, sou profundo conhecedor desta raça. São, até certo ponto, cães mansos. Óptimos para quem tem crianças. Adestrados, dispensam a trela e jamais será necessário usarem açaimo. Porém, sempre passeei com os meus usando a trela.
Este meu Dálmata, o Díli, é diferente de todos quantos já tive e jamais o consegui educar ao ponto de que caminhe a meu lado. Puxa por mim como se ele me estivesse levando a passear e não eu a ele... Memorizou todas as casas onde tem cachorros e começa a latir na aproximação de cada uma delas em provocação. Tem uma força descomunal à qual eu tenho que corresponder e o resultado final é o cansaço mútuo nos píncaros.
Tomo todos os cuidados para não assustar os demais transeuntes, mudando de uma calçada para a outra ou reduzindo o tamanho da trela para o deixar bem junto a mim. Mesmo assim há pessoas que ficam com medo e outras que soltam o verbo até às ofensas. Claro que, estas últimas, por pura ignorância.
Hoje na calçada percebi a aproximação de dois jóvens e entendi que um deles conversava e o outro só escutava. O falante era daquele tipo que mistura o "evangélico fanático " com o "rebelde engraçadinho". Percebi que falava sobre a Inquisição e depois que passou por mim soltou esta pérola: "... tratar bem as pessoas; não como esse aí trata o animal". Parei e virei-me para trás esperando que ele olhasse também. Sorte dele que não se virou...
Mais à frente, percebi que uma mulher vinha na mesma calçada, mas em sentido contrário e, ao aproximar-se, foi para o outro lado da rua. Lá, estancou e me disse alto e bom som: "Porque não coloca um açaime no cachorro?". Não aguentei e retruquei: "Mas quem está gritando é a senhora e não o cachorro...". Reiniciou a sua caminhada vomitando um monte de impropérios, mas eu não liguei mais.
Três quadras depois virei numa esquina e iria passar defronte a um portão gradeado, local que o Díli conhece muito bem. Lá tem uma fêmea Labrador e os dois sempre namoravam através das grades; uma amizade há muito consolidada. Porém, há dois meses que lá se encontra um macho da mesma raça junto com ela e, a partir daí, a nossa passagem deixou de ser tranquila.
Logo que virei a esquina, a dona daquele casal de Labradores estava saindo de casa e, descuidando-se, deixou escapar o macho. Este veio correndo ao nosso encontro, feroz, e atracou-se com o meu Díli. Continuei segurando-o na trela e entendi que não o deveria soltar. Sabia que assim que um deles baixasse a guarda a briga terminaria. O Dálmata abocanhou o Labrador no pescoço paralisando-o. Foi o suficiente para que cada um seguisse o seu caminho. Nenhum deles ficou ferido, aparentemente, e eu fui conversar com a dona do Labrador fazendo-a ver que eu e o meu Dálmata eramos inocentes e, se o meu estivesse com açaime ter-se-ía dado muito mal.