Mostrar mensagens com a etiqueta Médicos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Médicos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, setembro 15, 2010

Renovação da Vida



Confesso ser ignorante no campo da botânica, bem como noutros campos do conhecimento. Aceito como normal. Planto uma árvore, tento cuidar dela da melhor forma e que nem sempre é (…), enfim. Trato do meu jardim e por vezes procuro alguma informação entre os amigos ou nos livros e internet.
Já aqui escrevi muito sobre o assunto, desde o ano de 2000 em que o plantei definitivamente na calçada de casa. Demorou alguns anos para dar a primeira florada e sei que a actual é a quarta.
Neste ano de 2010 aconteceram coisas estranhas com o meu Ipê Amarelo (gosto de o citar assim com letra maiúscula) e, curiosamente, comigo também. Parece ter havido uma relação mágica entre nós que a Natureza se encarregou de administrar. Uma dessas coisas que aconteceu com ele foi a primeira floração na época certa, pois que nos anos anteriores o El Ninho e La Ninha bagunçaram tudo.
Já aqui escrevi, também, sobre recentes acontecimentos relacionados com a minha saúde. E sobre isto há algum tempo mantenho a dúvida se devo ou não entrar em contacto, conversando ou escrevendo, com aquele que foi o meu primeiro cardiologista; o primeiro da minha vida que, como o primeiro amor, jamais esquecerei… Essas coisas do coração são muito estranhas, profundas e às vezes até indecifráveis ou enganadoras.
Optei por escrever sobre o assunto, dirigindo-me ao médico, na forma de uma crónica e com a certeza que ele vai ter oportunidade de lê-la. Outros médicos, bons e maus, acabarão por encontrar esta prosa nos cafundéus da internet e eu considero isso muito positivo. Só que me reservo citar nomes de quem quer que seja mas garantindo a veracidade dos factos.
Aquelas anormalidades no meu sono e as constantes faltas de ar que me acordavam durante a noite, tudo associado à minha condição de hipertenso, levaram-me a pesquisar na internet com base nos sintomas. Cheguei à conclusão que estaria sofrendo de “Dispneia Paroxística Noturna” --- Nome pomposo…
O primeiro médico, clínico geral, que me atendeu nos serviços de urgência do Hospital, mandou fazer ali mesmo alguns exames clínicos de sangue e urina e tirar raio X do tórax e do coração. Observou tudo minuciosamente e em relação às radiografias achou que estava tudo bem com o coração e com os pulmões. A mesma avaliação do meu médico do Posto de Saúde que visito a cada 6 meses. Não obstante, reconhecedor da precariedade dos serviços públicos de saúde, o SUS, orientou-me a que eu procurasse um cardiologista particular.
Foi o que eu fiz. Indicaram-me uma clínica barata que oferecia serviços de várias especialidades médicas, inclusivamente cardiologia. Reparei ser grande o movimento e indaguei-me sobre se não haveria pacientes cujos casos fôssem análogos ao meu…
Normalmente as primeiras palavras que o médico dirige ao paciente são perguntas sobre o que este está sentindo. E aqui eu acho que cometi o crasso erro de ter citado a tal de “Dispneia Paroxística Noturna” acrescentando  mais alguns detalhes e mostrando os exames e radiografias que comigo levara.
O cardiologista confirmou que eu estava com aquela doença --- quem sabe se eu estaria com outra se outra eu tivera citado (?) ---. Fôram-me dadas todas as explicações sobre o tamanho grande do coração e as dificuldades do mesmo no bombeamento do sangue para os pulmões, etc., etc., etc..
A receita foi um conjunto de 4 comprimidos de consumo continuado e, por sinal, bem caros… E como surgiu uma dúvida a respeito de um deles, consegui na internet achar um endereço de e-mail do médico, coloquei-lhe a dúvida e ele respondeu-me. Óptimo! Sabia, a partir dali, que teria facilidade de comunicação num caso de necessidade.
Essa medicação começou a exercer uma série de sintomas desagradáveis  e alterações no organismo, ao ponto de eu acreditar que a minha vida estaria por um fio. A cabeça começou a absorver tudo isso e cheguei ao ponto de começar a entristecer-me quando pensava que talvez não brincasse mais com os meus netos e que estava prestes a deixar de usufruir coisas boas da vida e até mesmo a morrer em curto espaço de tempo. Comecei a ficar muito deprimido e reconhecendo que isso não é doença de rico (…) ao acontecer comigo também.
Não dava mais para aguentar os efeitos directos e os colaterais daquele conjunto de medicamentos. Fìsicamente eu estava um trapo; psicològicamente um louco. Fobias me invadiram e agora é que eu não dormia nem os pouquinhos de anteriormente. Tentei um contacto por e-mail com o médico, mas desta vez ele não abriu a caixa postal ou não se interessou. Esperei os dias faltantes para o retorno agendado.
Disse-me que não abria a caixa de e-mail há algum tempo, mas que me responderia mesmo eu tendo estado ali (…). Perguntei sobre o que me estava deixando naquele estado; se o coração ou os medicamentos. E a resposta foi peremptória: o coração! E que teria que tomar os medicamentos pelo resto da vida. E foi aqui que o meu mundo caíu definitivamente. À minha sugestão de opção por outros tipos de exame, limitou-se a passar um pedido de ecocardiograma, mas que não havia necessidade de pressa no mesmo.
Nem foi necessária a orientação de que eu não poderia fazer qualquer tipo de esforço, pois sentia uma deficiência total na força de braços e pernas, além de tonturas, ânsias e outras coisas mais. Quase não podia trabalhar e limitava-me a dar orientações no meu serviço.
Um dia todos esses sintomas se multiplicaram à enésima potência e tiveram que me transportar para as emergências do hospital. Atendimento de urgência com estabilização da pressão e exames clínicos e radiológicos. E quando tudo pronto, o clínico geral para onde me encaminharam escutou a minha história, avaliou os exames que estavam bons e confirmou que o coração estava enorme, apontando-me o local da expansão do mesmo. Traçou um quadro tão negro que a minha pressão caíu a 7 x 4 e precisei de socorro emergencial para não bater com as dez
Liberado e já em casa, comecei a pensar numa segunda opinião, de outro cardiologista. Porém, continuei tomando os medicamentos com receio que a sua suspensão pudesse vir a ser trágica.
Dois dias depois lá estava eu no consultório daquele que vim a saber, mais tarde, ser um dos maiores do Brasil. Fui aconselhado por um familiar que dele é paciente há alguns anos.
Pacientemente ouviu tudo o que eu tinha a dizer, perguntou outras tantas coisas e ainda ficou com o relatório diário que eu escrevera desde o início da novela. Às tantas, ordenou que me deitasse na maca, mas antes disse-me que o meu coração era normal e que aquele lugar onde me tinham apontado a expansão do órgão não tinha nada a ver. Eu nem queria acreditar no que estava ouvindo e cheguei às lágrimas de comoção. Toda aquela medicação assassina foi suspensa de imediato e uma bateria de exames foi marcada, dos mais simples aos mais sofisticados. Com tudo pronto retornei e tomo hoje dois comprimidos básicos: um para controlar a pressão e o outro para dormir, pois há muitos danos a serem reparados. A receita foi um programa de exercícios físicos indicados ao meu caso e numa academia especializada com os seguintes objectivos: --- perda de massa gorda abdominal; controle da ansiedade e da pressão; controle metabólico. Depois de aprendê-los correctamente, poderei fazê-los onde quiser.
Há perguntas que não querem calar: é possível um médico, seja de que especialidade fôr, não saber interpretar uma radiografia do tórax, ao ponto de confundir a localização e tamanho do coração? Poder-se-á afirmar que há conluios entre médicos e laboratórios? --- Não me vou embrulhar nessa selva.
Parece haver aqui uma grande confusão, mas não é verdade. Eu comecei a escrever sobre o meu Ipê e passei para assunto da minha saúde. Mas tem tudo a ver uma coisa com a outra.
O Ipê deu a sua florada e nesse mesmo dia choveu, coisa que não acontecia há alguns longos meses. Por isso, foi uma florada meio murcha e tímida que durou 3 dias apenas. Fiquei triste e preocupado com isso. Caíram todas as flores e eu preparei-me para a poda, pois é necessário cortar uns galhos. Porém, notei que a árvore estava brotando novas flores e desta vez em muito maior número. Nunca vi acontecer uma coisa dessas e nem mesmo sei se é um fenómeno ou qual a justificativa.
Só sei que ambos nascemos de novo. É aqui que está a relação do meu Ipê comigo. Cada um de nós tem duas vidas… Os dois andámos pisando a linha da fronteira e voltámos para a vida com o coração renovado e só grande porque cheio de alegria e de amor. Nas árvores isso é expresso pelo aroma e pela côr das flores. Nos homens pelo relacionamento carinhoso e sem rancores, mas indicando o dedo na direção a seguir…

sexta-feira, julho 23, 2010

Filhos da Puta

Muitas vezes quando inicío uma crónica já tenho um título para a mesma, pois nasce naturalmente. Outras vezes, como é o caso desta, fico na dúvida e, assim, vou escrevendo e aguardar até ao final por uma luz que dissipe essa escuridão. Tudo isto porque o assunto é escabroso e me deixa revoltado, o que origina uma lista de títulos raivosos…
Cada um sabe onde lhe doi e tem que dançar conforme a música. Juntei duas metáforas com o mesmo sentido na mesma frase para explicar que durante muitos anos, mais de 15, paguei um Plano Privado de Saúde e jamais usufruí do mesmo. Felizmente que assim foi, pois significou isso que nunca fiquei doente (?). Desisti desse Plano por achar que estava muito caro e pelo resultado de uma matemática que coloquei no bico do lápis.
Além dos 15 anos referidos, fiquei mais 5 sem qualquer tipo de Plano e sem ter tido necessidade de ir ao médico. Porém, a idade descobre coisas que até então estavam cobertas e, devido a alguns sintomas estranhos, procurei inscrever-me no Sistema de Saúde Pública. Foi difícil e, confesso, tive que “meter uma cunha” através de uma enfermeira que eu conhecia só de vê-la passar e que soube trabalhar no Sistema…
Por uma série de factores, descuidos e burrices, virei obeso e, consequentemente, hipertenso. E, se não me tocasse a tempo, talvez não estivesse aqui escrevendo hoje.
Mas  a saúde pública é uma merda, aquém e além mar… As consultas não são marcadas consoante as nossas necessidades e tem-se que deitar mão das emergências, verídicas ou fantasiadas.
Além da complicação de um médico receitar determinado medicamento nas emergências, vem o outro que cuida de mim periòdicamente e manda suspender aquele e me receita outro. E nunca qualquer um deles me encaminhou para um especialista.
Pensando ter a pressão sob controle porque as medições o demonstravam, jamais imaginei ter outros problemas correlatos. Mas o corpo avisou-me que sim, que havia outros problemas. Fui nas emergências do hospital público, fiquei lá o dia inteiro e fiz uma bateria de exames. O médico avaliou-os todos e eu estava perfeito. Olhou para as duas radiografias (torax e coração) e disse que estava tudo como novo. Mas que seria bom procurar um cardiologista. Como o meu médico já anteriormente tinha analisado uma outra radiografia (não decorrera muito tempo), dizendo que o coração e o pulmão estavam perfeitos, comecei a ficar preocupado…
Pensei: “faz um sacrifício e procura um médico particular!” E foi o que fiz hoje. Levei aquela última radiografia e quando ele a examinou logo exclamou: “O seu coração está muito mal! Está muito inchado. Por aquilo que me descreveu como sintomas, sei perfeitamente o que o senhor tem” --- Retruquei se deveria ter procurado um cardiologista há mais tempo e a resposta foi positiva e enfática.
Não poderei fazer muito esforço. Tenho que rever o meu trabalho diário e abster-me de levantar aqueles grandes pesos; nem o cachorro devo levar a passear por causa da minha resistência à sua força brutal. Toda a medicação anterior foi suspensa e uma nova (caríssima) passou a vigorar hoje mesmo.
Cheguei no final e lá colocarei o título que não gostaria, mas que se encaixa perfeitamente.

terça-feira, junho 03, 2008

REUNIÃO DE MÉDICOS

Numa cirurgia, cinco cirurgiões porto-riquenhos discutiam sobre quais os melhores pacientes numa sala de operações.
Dizia o primeiro: - Gosto de operarcontabilistas porque, quando os abres, todos os órgãos estão numerados e ordenados.
O segundo retorquiu: - Sim, mas melhor são os electricistas porque todos os órgãos estão codificados por cores. Não há qualquer risco de engano.
Ao que respondeu o terceiro: - Qual quê!!! Os melhores são os bibliotecários. Dentro deles tudo está ordenado alfabeticamente.
O quarto cirurgião opinou: -Não há como os mecânicos. Eles até já transportam uma reserva dos órgãos que são necessários substituir.
Finalmente, disse o quinto: - Deixem-me discordar de todos vocês, meus caros companheiros. Em minha opinião, os melhores pacientes para operar são os políticos. Não têm coração, não têm estômago nem tomates... Além disso pode-se-lhes trocar o cérebro com o cú que ninguém se dá conta de nada...

quinta-feira, maio 08, 2008

MEDICINA EM PORTUGAL

Em 6 dias operou tanto como 5 (!!!) médicos num ano e por metade do preço cobrado na privada.
Em seis dias, um oftalmologista espanhol realizou 234 cirurgias a doentes com cataratas no Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, num processo que está a "indignar" a Ordem dos Médicos. Os preços praticados são altamente concorrenciais, tendo sido esta a solução encontrada pelo hospital para combater a lista de espera. O paciente mais antigo já aguardava desde Janeiro de 2007, tendo ultrapassado o prazo limite de espera de uma cirurgia. No ano passado chegaram a existir 616 novas propostas cirúrgicas em espera naquela unidade de saúde.
Os sete especialistas do serviço realizaram apenas 359 operações em 2007 (cerca de 50 por médico num ano). No final do ano passado, a lista de espera era de 384, e foi entretanto reduzida a 50 com a intervenção do médico espanhol.
A passagem pelo Barreiro durante o mês de Março - onde garante regressar nos próximos dois anos, embora o hospital não confirme - foi a segunda experiência em Portugal do oftalmologista José Antonio Lillo Bravo, detentor de duas clínicas na Extremadura espanhola - em Dom Benito (Badajoz) e Mérida. Entre 2000 e 2003 já havia realizado 1500 operações no Hospital de Santa Luzia, em Elvas, indiferente às "críticas" de que diz ter sido alvo dos colegas portugueses. "Eu percebo a preocupação deles e sei porque há listas de espera tão grandes em Portugal. É que por cada operação no privado cobram cerca de dois mil euros", diz ao DN o oftalmologista espanhol, inscrito na Ordem dos Médicos portuguesa, que cobrou 900 euros por cada operação realizada no Barreiro.
As 234 cirurgias realizadas no Barreiro, por um total de 210 mil euros, foi o limite possível sem haver necessidade de abrir concurso público internacional, sendo que o médico fez deslocar a sua equipa e ainda o microscópio e o facoemulsificador. O hospital disponibilizou somente um enfermeiro para prestar apoio.