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segunda-feira, julho 25, 2016

sexta-feira, agosto 13, 2010

Skate de dedo



"Skate de dedo", esse é o nome da mais recente brincadeira dos nossos putos (moleques) e, acreditem, de muitos marmanjos também. Cito também anciãos, não na perspectiva de ficarem fazendo manobras radicais com os dedos, palma e costa da mão, pois a muitos o reumatismo e outros "ismos" para tal não os liberam, não obstante a mente compartilhar e transmitir um certo desejo. Eu, talvez um dos poucos casos, já experimentei e não me dei mal de todo; botei figura dentro dos limites e o neto gostou...

Da minha parte existe total interactividade nesta brincadeira pois que, nos dois primeiros quadros de fotos acima, a obra e arte são minhas. Nunca tinha visto uma pista/prancha dessas e imaginei-as pela descrição que o neto me ia fazendo; nem sabia que a coisa estava tão popular na internet e, quando procurei já foi depois que construira a minha terceira obra prima da qual, acreditem, existem modelos que eu diria serem cópias e que não são porque só hoje estou publicando a imagem das minhas...

A terceira imagem que representa um looping, essa sim, é uma foto recolhida da internet e de um site que vende esses artigos manufacturados. Também desconhecia haver já alguém ganhando dinheiro em cima disso... Baixei essa foto para servir de modelo à próxima prancha que terei o prazer de fazer, mas com detalhes pessoais. Desta vez, porém, com madeira nova e escolhida, com um banho caprichado de verniz. Coisa que poderá até embelezar uma sala ou outro cómodo qualquer da casa...

É interessante que eu nunca vi os pais dos meus netos fazerem essas coisas artesanais para os filhos. Mas eu fazia para eles, filhos meus e agora para os filhos deles... O meu pai era um excelente marceneiro/carpinteiro, um daqueles artistas, diria até, qual renascentista... Muitas vezes o vi restaurando peças sacras das igrejas, mesmo que ateu fôsse e confeccionando móveis que, anos depois, ele próprio não acreditava ter sido o autor. Acho que ere um desabafo de humildade... Ele fazia todos os meus brinquedos e que eu me lembre, carrinho de mão, pateira e régua, trotinete (patinnette), carros e caminhões, enfim. Até a régua (menina dos 5 olhos) com que o professor nos dava reguadas era feita por ele...

Do que conheci do meu pai e pelo que outras pessoas contemporâneas dele testemunham, parece que sou dele uma cópia fiel em certos detalhes do comportamento e com aquela veia empreendedora no campo de certas habilidades mas, lògicamente que muito aquém do grande artista e profissional.

No meu quarto de ferramentas não falta quase nada. Digo quase, porque sempre existe uma ferramenta que cobiço mas que nem sempre está ao alcance e que, possívelmente pouco seria usada. Algumas que tenho jamais fôram por mim usadas. Porém, tenho um prazer enorme quando olho para aquele quadro na parede e vejo tudo ali organizado e talvez aguardando, algumas, que eu lhes pegue e as manuseie com carinho e arte.

Mas, porque eu estou escrevendo sobre brinquedos, artesãos e ferramentas? --- Porque tudo está relacionado às postagens anteriores sobre os meus problemas de saúde. Como afirmei, daqui para a frente tentarei ser mais e muito mais activo. Irei buscar tempo até onde não houver. Dormirei muito menos, só o essencial e aproveitarei a vida em todas as suas nuances de felicidade. Passearei com o meu cachorro sempre que ele me pedir, pois ele sabe fazer isso, podarei as árvores, cuidarei do jardim. Entrarei debaixo dos carros para ajustar o cabo de embraiagem ou o que quer que seja e, se a barriga dificultar, macaco e cavalete para suspender, tanto as viaturas como outras coisas pendentes e adormecidas... Darei atenção aos netos daqui e conversarei com os portugueses quando eles quiserem. Passearei com a mulher em volta da quadra ou para algum lugar diferente iremos com mais frequência. Nunca mais gritarei com o meu neto daqui, mesmo que ele me encha muito o saco como tão bem sabe fazer; serei muito condescendente com todos esses detalhes e a minha pressão vai agradecer.

Hoje estou fazendo pistas de skate de dedo. Amanhã farei o que mais fôr inventado ou desenterrado do baú. Restaurarei centenas de tranqueiras velhas e doá-las-ei em perfeito estado para que outras crianças sejam felizes. Imaginarei que um coração que bate naquela criança de 8 ou 10 anos é exactamente igual ao meu que tem 65. Sem diferenças!












terça-feira, maio 25, 2010

Um olhar de criança

Hoje vou escrever sobre crianças. Pode parecer estranho, mas foi algo relacionado com elas a minha fonte de inspiração para esta crónica.
Quando solteiro eu não era muito chegado a elas, e não as havia na família. Um choro qualquer me irritava; eu não as atraía e também não era atraído. Mas esse meu comportamento não era porque fosse uma pessoa tosca e embrutecida e sim antes despreparada e arredia pela minha timidez e pela carência de carinho no lar.
Casei novo e logo veio o primeiro fruto desse casamento, uma linda menina loirinha e de olhos verdes/cajú. E viriam mais quatro filhos depois e alguns deles me deram 6 netos.
De repente me vi rodeado e participativo em duas gerações de crianças. Os filhos carreguei-os todos no colo, limpei-lhes a bunda e troquei-lhes as fraldas; dei-lhes carinho. Os netos já comigo não conviveram todos, mas os que conviveram usufruíram do mesmo tratamento que dispensei aos pais e talvez até com mais paciência.
Em todo esse embrulho concluía-se que eu dispensava uma atenção especial às crianças como se para tal tivesse um dom. E sempre assim foi no decorrer dos tempos até hoje. Mesmo aquelas que não me são nada me atraiem ou por mim são atraídas. Há uma simbiose perfeita.
Quando uma mamãe passa por mim com seu filhinho ou filhinha, normalmente eu mexo com esta e arranco um sorriso daquela ou das duas… Não o faço com a maldade de segundas intenções, até porque o tempo de Dom Juan já é passado ou atirado para as calangas gregas.
Hoje eu estava sentado no meu banquinho de madeira ao lado de minha banca de feira e tinha terminado de ler o jornal. O movimento estava meio fraco ou fraco inteiro, pois meio fraco pode significar meio forte…
De um momento para o outro percebi que três mamães pararam na minha frente com os três carrinhos e seus respectivos bebés. A cena está ilustrando esta minha postagem e a foto foi tirada com a autorização necessária, tendo tido o cuidado de só focalizar as crianças.
Notei que o menino à esquerda e a menina à direita comiam uma banana cada um. Descascavam a frutinha com cuidado e mordiscavam-na em seguida. No meio estava outra menina com o olhar focado em todos os movimentos da vizinha. A mãe desta percebeu que eu me concentrava na cena. Não resisti e disse-lhe (sic) que a sua filhinha estava com vontade. Arrisquei-me a ser chamado de intrometido ou coisa que o valha. Recebi tão só uma negativa à minha dedução.
Porém, a mãe que estava com a sacola das bananas que acabara de comprar, de imediato pegou uma e deu à menina do meio. Ela comeu-a toda! E todos, depois, comeram mais meia banana cada um.
Nesse momento aquela mãe olhou para mim, simpàticamente, mas meio sem graça e acenou positivamente com a cabeça. Retribuí o sorriso e a simpatia manifestando a minha felicidade. Eu era, afinal, um homem feliz que acabara de flutuar num mundo diferente de pureza e convencido que entende as crianças, talvez até porque tenha sido uma delas por alguns momentos.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Emigrantes

Há vinte anos atrás, decepcionado por muitas situações no Brasil, regressei a Portugal com armas e bagagens e com a firme convicção de lá ficar definitivamente. Acabava por ficar junto com as duas famílias que havia formado e esse seria o principal ponto de satisfação. Terminava um longo período de imigração no Brasil e no peito deixariam de se manifestar as constantes palpitações da saudade. Naturalmente que, apesar dos pesares, iria ter muitas boas recordações do Brasil. Acabei por ficar sòmente cinco anos, mas essa é outra história...
Emigração ou imigração, assim denominada dependendo do ponto da localização do personagem é sempre uma grande empreitada e, por vezes, uma grande aventura. É uma decisão que requer exame muito apurado da situação sob a convicção de que não pode haver arrependimentos e que todos os desafios, obstáculos, reversões, etc., terão que ser enfrentados numa luta constante, com derrotas e vitórias, jamais a ser abandonada.
Quando no país que nos acolhe se conta com algum apoio, e esse foi o meu caso, as coisas correm de maneira muito mais tranquila. Todavia, não se pode interpretar isso como uma âncora lançada no porto e deve pensar-se em continuar a navegação de encontro ao destino traçado.
Mas, porque razão eu estou entrando neste tema das migrações e, principalmente, dando-lhe uma pincelada pessoal!? --- Exactamente por saber que essas situações e decisões não se enquadram a todas as pessoas e a todas as idades e ser essa a minha grande preocupação nestas últimas semanas.
Durante os cinco anos que vivi em Portugal, quando daquele meu regresso, muita coisa estranhei mercê de mudanças havidas e a muitas situações me adaptei; a outras não. Uma dessas que jamais digeri, foi a constatação de que alguns dos meus velhos amigos, com ou sem nova família formada, colocavam os seus pais em lares ou asilos. Isso me iompressionava muito e via ali um tipo de decisão que jamais conseguiria tomar; faria todos os sacrifícios (não é bem o termo) para sempre ter junto a mim o meu pai ou a minha mãe. Meu pai já havia falecido anos atrás, mas minha mãe ainda era e é viva; e mesmo naquele tempo ainda me ajudava, em todos os sentidos.
Reconheço que os tempos são outros; a nossa vida corre vertiginosamente e nós embrulhamo-nos nesse ritmo esbaforido. Maridos e mulheres trabalham fóra dos seus lares e nem sempre os netos daqueles, considerados por alguns de fardos, se importam. Mas, e há sempre um "mas", acredito que o buraco é mais em baixo e preocupo-me e muito com esse tipo de situação.
Aqui estou muito longe de minha mãe e não a vejo, a não ser pela internet, há oito anos. Também é verdade que, a partir do momento em que eu e meu irmão fômos servir as forças armadas, nos idos de 1967, ela sempre viveu só na sua humilde casinha; são 42 anos de solidão e muito marcada pela morte de meu irmão. Não uma solidão absoluta enquanto visitava ou era visitada pelos seus irmãos, meus tios, até que estes também partiram para outra dimensão. Também, enquanto os seus netos conviviam de perto, antes que cada um tomasse o seu rumo.
Mamãe avançou na casa dos oitenta e, naturalmente, deixou de ser tão forte; deixou de lutar. Abandonou a sua casa e foi viver com uma amiga, esta também carente de companhia. Uma acabou por constituir um problema para a outra... Não podia continuar assim; era uma situação inviável. Foi quando a sua ex nora (minha ex mulher) lhe deu guarida na sua casa, não sem ter limitações para uma companhia constante, pois que também tem a sua vida profissional. Inescapáveis as situações de acidentes que costumam ocorrer com as pessoas idosas. E ocorreram alguns.
Chegámos, então, ao cerne da questão: ir ou não ir para um lar ou asilo? Sei que tal nunca lhe foi imposto, mas ela própria se mostrou disposta. O grande problema, é que os asilos gratuitos ou dentro das possibilidades, têm grandes filas de espera, além de que, para num deles ingressar um dia, terá que frequentar um lar-de-dia para ir sendo avaliada. Esse primeiro passo foi dado, mas já se mostra descontente e inadaptada às regras, algo que eu, conhecendo-a como conheço, sabia que aconteceria. Todavia, resolvi não meter a colher nessa sôpa.
Mamãe já providenciou fotos recentes para revalidar o seu passaporte. Anda com algumas hesitações, mas dispõe-se a passar algum tempo comigo aqui no Brasil --- quem sabe, até, ficar aqui definitivamente. Para mim, sinceramente, seria maravilhoso. Viveria aqui com os outros netos e bisnetos e teria assistência constante. Seria uma simples troca de lugar em relação aos descendentes, mas algo mais com o reforço da minha presença, o que poria um ponto final ao que deveras podemos chamar de quarentena. Mas eu sei que a nova emigrante jamais se adaptará ao novo meio e logo vai querer regressar. Aquele cantinho do Alentejo nunca poderá ser trocado por qualquer outro torrão. Ela não terá a mesma força interior para aguentar essa separação definitiva. E, sendo assim, o que fazer? Eis aqui o grande entrave que os emigrantes, como eu, jamais enfrentámos ou que, por decisão própria ultrapassámos.

segunda-feira, junho 25, 2007

FELIZ ANIVERSÁRIO!

A minha Princesinha portuguesa hoje complecta 7 aninhos.
O Vô, muito orgulhoso, envia-lhe daqui do Brasil um milhão de beijos.