Mostrar mensagens com a etiqueta Emigrantes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Emigrantes. Mostrar todas as mensagens

domingo, novembro 08, 2009

Peão de obra

O governo andorrenho tinha adiantado esta manhã que o número de operários mortos no acidente de ontem tinha subido para cinco, escusando-se a confirmar a nacionalidade das vítimas. Horas depois, a secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas confirmou que todas as vítimas mortais são portuguesas e adiantou que os serviços têm estado em contacto com as empresas para as quais trabalhavam, a Ambicepol e a Unifor. As autoridades tentam encontrar a causa da derrocada da estrutura metálica, uma das maiores obras da região que estaria concluída no próximo ano.
O acidente deu-se na manhã de sábado, quando ruiu a ponte exterior que liga a estrada principal à boca do túnel de Dos Valires, que une as localidades de Encamp e La Massana.
O Sindicato da Construção do Norte garante que o acidente ocorreu devido a falhas na segurança.
Actualmente, são cerca de seis mil os portugueses que trabalham na construção civil em Andorra.

Este é um resumo das informações oficiais sobre o acidente do Principado de Andorra. Comentários específicos eu não poderei fazer, pois seria muita presunção da minha parte. As preocupações a respeito tenho-as, como todo o mundo, no que respeita aos possíveis erros técnicos ou políticos, uma vez que graves problemas nesses campos não se limitam a países do denominado terceiro mundo.
O que realmente eu quero comentar é a presente discriminação oficial que certos países insistem em implantar ou desenvolver. Lògicamente que andorrenhos natos, possívelmente ali nenhum se encontra trabalhando; devem ser franceses e espanhois os que lá estão e isso no nível da engenharia, coordenação e supervisão. No trabalho pesado, mesmo, são e serão sempre aqueles cidadãos, heroicos, que esses países tentam barrar…

segunda-feira, agosto 31, 2009

Emigrantes

Há vinte anos atrás, decepcionado por muitas situações no Brasil, regressei a Portugal com armas e bagagens e com a firme convicção de lá ficar definitivamente. Acabava por ficar junto com as duas famílias que havia formado e esse seria o principal ponto de satisfação. Terminava um longo período de imigração no Brasil e no peito deixariam de se manifestar as constantes palpitações da saudade. Naturalmente que, apesar dos pesares, iria ter muitas boas recordações do Brasil. Acabei por ficar sòmente cinco anos, mas essa é outra história...
Emigração ou imigração, assim denominada dependendo do ponto da localização do personagem é sempre uma grande empreitada e, por vezes, uma grande aventura. É uma decisão que requer exame muito apurado da situação sob a convicção de que não pode haver arrependimentos e que todos os desafios, obstáculos, reversões, etc., terão que ser enfrentados numa luta constante, com derrotas e vitórias, jamais a ser abandonada.
Quando no país que nos acolhe se conta com algum apoio, e esse foi o meu caso, as coisas correm de maneira muito mais tranquila. Todavia, não se pode interpretar isso como uma âncora lançada no porto e deve pensar-se em continuar a navegação de encontro ao destino traçado.
Mas, porque razão eu estou entrando neste tema das migrações e, principalmente, dando-lhe uma pincelada pessoal!? --- Exactamente por saber que essas situações e decisões não se enquadram a todas as pessoas e a todas as idades e ser essa a minha grande preocupação nestas últimas semanas.
Durante os cinco anos que vivi em Portugal, quando daquele meu regresso, muita coisa estranhei mercê de mudanças havidas e a muitas situações me adaptei; a outras não. Uma dessas que jamais digeri, foi a constatação de que alguns dos meus velhos amigos, com ou sem nova família formada, colocavam os seus pais em lares ou asilos. Isso me iompressionava muito e via ali um tipo de decisão que jamais conseguiria tomar; faria todos os sacrifícios (não é bem o termo) para sempre ter junto a mim o meu pai ou a minha mãe. Meu pai já havia falecido anos atrás, mas minha mãe ainda era e é viva; e mesmo naquele tempo ainda me ajudava, em todos os sentidos.
Reconheço que os tempos são outros; a nossa vida corre vertiginosamente e nós embrulhamo-nos nesse ritmo esbaforido. Maridos e mulheres trabalham fóra dos seus lares e nem sempre os netos daqueles, considerados por alguns de fardos, se importam. Mas, e há sempre um "mas", acredito que o buraco é mais em baixo e preocupo-me e muito com esse tipo de situação.
Aqui estou muito longe de minha mãe e não a vejo, a não ser pela internet, há oito anos. Também é verdade que, a partir do momento em que eu e meu irmão fômos servir as forças armadas, nos idos de 1967, ela sempre viveu só na sua humilde casinha; são 42 anos de solidão e muito marcada pela morte de meu irmão. Não uma solidão absoluta enquanto visitava ou era visitada pelos seus irmãos, meus tios, até que estes também partiram para outra dimensão. Também, enquanto os seus netos conviviam de perto, antes que cada um tomasse o seu rumo.
Mamãe avançou na casa dos oitenta e, naturalmente, deixou de ser tão forte; deixou de lutar. Abandonou a sua casa e foi viver com uma amiga, esta também carente de companhia. Uma acabou por constituir um problema para a outra... Não podia continuar assim; era uma situação inviável. Foi quando a sua ex nora (minha ex mulher) lhe deu guarida na sua casa, não sem ter limitações para uma companhia constante, pois que também tem a sua vida profissional. Inescapáveis as situações de acidentes que costumam ocorrer com as pessoas idosas. E ocorreram alguns.
Chegámos, então, ao cerne da questão: ir ou não ir para um lar ou asilo? Sei que tal nunca lhe foi imposto, mas ela própria se mostrou disposta. O grande problema, é que os asilos gratuitos ou dentro das possibilidades, têm grandes filas de espera, além de que, para num deles ingressar um dia, terá que frequentar um lar-de-dia para ir sendo avaliada. Esse primeiro passo foi dado, mas já se mostra descontente e inadaptada às regras, algo que eu, conhecendo-a como conheço, sabia que aconteceria. Todavia, resolvi não meter a colher nessa sôpa.
Mamãe já providenciou fotos recentes para revalidar o seu passaporte. Anda com algumas hesitações, mas dispõe-se a passar algum tempo comigo aqui no Brasil --- quem sabe, até, ficar aqui definitivamente. Para mim, sinceramente, seria maravilhoso. Viveria aqui com os outros netos e bisnetos e teria assistência constante. Seria uma simples troca de lugar em relação aos descendentes, mas algo mais com o reforço da minha presença, o que poria um ponto final ao que deveras podemos chamar de quarentena. Mas eu sei que a nova emigrante jamais se adaptará ao novo meio e logo vai querer regressar. Aquele cantinho do Alentejo nunca poderá ser trocado por qualquer outro torrão. Ela não terá a mesma força interior para aguentar essa separação definitiva. E, sendo assim, o que fazer? Eis aqui o grande entrave que os emigrantes, como eu, jamais enfrentámos ou que, por decisão própria ultrapassámos.

domingo, fevereiro 22, 2009

Elefante na "cabeça"

29.945, para aqueles que gostam de fazer uma fézinha no jogo do bicho é um número atraente. Ainda por cima corresponde ao "elefante" e isso, tendo tudo a ver com a África, de onde saíram notícias surpreendentes que embasam esta crónica de hoje, alavanca mais ainda o interesse de amanhã ir na banca mais próxima e apostar no milhar. Já aproveitando, tomar aquela cachacinha tipo mata-bicho (não sei se o termo está de acordo com as novas regras ortográficas), pois quase todos os botecos são, também, pontos de jogo. Para aqueles que não residem no Brasil e, portanto, não terem acesso a esse tão popular jogo proibido (...), a sugestão é comprar um bilhete de lotaria ou loteria com aquele final.
A República Democrática do Congo está a indemnizar portugueses que perderam património e outros bens quando das nacionalizações e expropriações promovidas pelo regime de Mobuto na sequência da "zairização" do país. 55 ex-residentes no Zaire, incluindo os seus herdeiros, já receberam um total de mais de seis milhões de euros até ao fim de 2008. Então, faltam os referidos 29.945 que completam os 30 mil que lá residiam na década de 70 (antigo Zaire)...
Muitos desses (acredito que não todos), podem esperar por um contacto, pois parece que as autoridades de Kinshasa fizeram um levantamento exaustivo das situações individuais e abriu processos indemnizatórios com a elaboração da primeira lista de 55. Essas primeiras indemnizações orlam entre 300 e 400 mil euros cada, o que não deixa de ser uma boa grana, se bem que certamente muito inferior aos prejuizos e que nunca apagarão os constrangimentos vividos. Já se apurou que alguns dos já beneficiados continúam emigrados noutros países e outros em Portugal. De qualquer modo, pressupondo que estejam na idade sexi (sexagenários como eu que hoje completei 64), dará para endireitar algo que esteja torto...
As negociações foram conduzidas pelo gabinete do ministro das Finanças da República Democrática do Congo, Athanase Matenda Kyelu, que assinou protocolos de acordo com mandatários de cidadãos portugueses que foram identificados e que estavam em condições de serem ressarcidos pelos acontecimentos de 1973. A verba foi inscrita no orçamento de 2008 e as primeiras transferências de dinheiro começaram a ser efectuadas em Fevereiro e Março e duraram até Dezembro passado. Depois disto, começaram os contactos diplomáticos com Portugal no sentido de identificar mais situações passivas de processos de indemnização.
Este mês, o vice-ministro do Orçamento, Alain Lubanba wa Lubanba, esteve em Lisboa numa reunião no Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde António Braga, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, acordou em formar uma comissão mista para "agilizar e fiscalizar" todo o processo.
Outros países onde se verificaram acontecimentos idênticos, possìvelmente não tomarão iniciativas deste porte, a não ser que haja interesses embutidos como foi o caso do governo de Kinshasa que objectiva normalização de relações e captação de investimentos e também do governo português que está de olho nas riquezas naturais do país africano --- caso da Galp.
A mim não me tocará nada nesse testamento, pois só por lá passei duas vezes e um pouco ao largo nas águas costeiras. Por isso vou apostar naquele milhar e tentar ficar de olho no outro que será o definitivo para nova aposta. Quando, não sei...

terça-feira, maio 20, 2008

SONHOS FRUSTRADOS

Pobre Povo moçambicano: Afonso Dhlakama, Joaquim Chissano, André Matsangaíssa, Samora Machel e outros tantos, também vivos ou mortos, jamais vos abriram as portas do paraíso prometido. E jamais essas portas serão abertas porque esse paraíso nunca existiu e só vocês desconheciam essa realidade.
Não poderei afirmar que vocês "eram felizes e não sabiam", tomando por empréstimo este apostrofado que muito é proferido por estas bandas onde me encontro, pois pertenço à geração que vos poderia indicar um caminho melhor e por ele vos conduzir e não o fiz. Apesar dos meus ideais convergirem nesse sentido, sózinho pouco podia fazer. Outros camaradas meus, finalmente, deram um basta em toda uma mentira acalentada por muito tempo, mas os que mais mandavam foram apressados e conturbaram tudo.
Mas que tudo era muito melhor nos velhos tempos, apesar dos pesares, é uma realidade. Nós, povo português, também "entrámos numa fria". Os nossos e os vossos líderes agiram de má fé e, por essas e outras, nós continuamos a ser um povo emigrante em busca de uma vida melhor e digna, do mesmo modo que vocês passaram a ser nos últimos tempos.
Infelizmente a África do Sul também não é o paraíso sonhado e muitos dos vossos patrícios estão sentindo isso na pele e na carne. Sou solidário no sofrimento de todos vós que considero como irmãos e tenho esperanças que entre a gente mais séria apareça alguém que vos conduza por novos e seguros caminhos.
Quem sabe se um dia poderei voltar àquela que já foi a mais linda cidade da África e admirá-la como antigamente. O nome dela não importa; pode ser Lourenço Marques, Maputo ou outro qualquer. Porém, que seja uma cidade feliz comandando as demais, estas felizes também, em real progresso com trabalho para todos e convivência multi-racial.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

FUNDO DA FOSSA

Optei por não colocar o nome e tão pouco a foto do energúmeno, pois que, apesar de ser réu confesso, nunca se sabe se um dia sobra chumbo grosso para o meu lado. Por coisa menor, o caso dos dentistas brasileiros em Portugal, na década passada, a Polícia Federal do Brasil apertou-me os calos quando de um desembarque no aeroporto de Cumbica e eu nem dentista sou e deles me afasto o quanto possível... São aquelas retaliações bestas onde sobra para todo o mundo. Só imagino como seria hoje se o então Chanceler brasileiro estivesse no cargo...
Um funcionário do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) aproveitava-se sexualmente de cidadãs brasileiras, imigrantes ilegais no país, numa troca de favores. Outros já fizeram o mesmo e é possível que mais venham a usar os mesmos meios. Assim, um país que deveria estar progredindo, está regredindo. Voltando aos tempos de governos obscuros e ditatoriais ou seguindo o exemplo de alguns que ainda por aí proliferam.
Quando este país se lança numa campanha de "moralização" afim de se nivelar com os demais da UE, fazendo até com que engulamos muitos sapos difíceis de digerir, como poderemos reagir defronte de barbaridades deste calibre? Medidas duras deverão ser tomadas pois que, em caso contrário, nós que vivemos em países cujos cidadãos são mal tratados, selvàticamente até, poderemos sofrer represálias ou ser tratados com desdém. Sempre tive orgulho das gentes do meu país e o bradava aos quatro cantos. Hoje, por causa de meia dúzia de selvagens, começo a movimentar-me mais discretamente.

quarta-feira, setembro 05, 2007

DESABAFOS E OFENSAS

Deixei de participar no www.portugalclub.org há muito tempo, assim como outras pessoas que conheço o fizéram. Tanto assim é, que coloco aqui no meu espaço esta pequena nota, pois sei que esta ou outra parecida jamais lá seria publicada... Fui ofendido e, ainda por cima, censurado...
Alguns poucos dos que me dão a honra de passar por aqui, também visitam aquele portal e eu sei disso. É possível, por isso, que as minhas palavras cheguem até lá. Não é essa a minha intenção e, se lá não chegarem, vem ao encontro do que prefiro.
Não participo, mas leio todos os dias o que lá se publica e algumas matérias são interessantes. Outras nem tanto, mas isso acontece em todos os lugares. Mas, diga-se em abono da verdade, o nível por lá baixou muito; muito mesmo. E desta vez com algo que escreveu uma senhora de nome Cristina da Nóbrega. Ela ultrapassou os limites ao resolver atirar a esmo. Que as suas críticas visassem tão sòmente o gerente do portal, tudo bem. Mesmo até com alguns adjectivos eu concordo (labrego, analfabeto) mas não aceito e condeno muita coisa que escreveu.
Acho que eu desisti na hora certa...