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sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Ontem e hoje

Ano de 1959. Cincoenta e dois anos são passados, mas a lembrança perdura. O meu grande sonho era ser oficial da Marinha de Guerra e, mais tarde, comandante de um qualquer navio mercante ou de passageiros, passaporte para conhecer o Mundo. E nesse ano esse sonho terminou...

Naquele ano eu cursava o 4º do Curso Geral de Comércio e era, como sempre fui, aquele aluno do meio da tabela; aprendia o que ouvia e não perdia horas decorando o que quer que fosse; situava-me, sempre, naquela faixa entre o medíocre + e o suficiente...

Companheiros inseparáveis naquele e nos anos anteriores da Escola, além do Calhau, Raúl Silva, Zé Baião, Constantino Pereira, Correia da Costa, Guilhermino, Chico Garcia, etc., tinha o Gualter Cabral. Este último e eu entrávamos na primeira aula de inglês e a professora, imponente no corpo e na voz disse: “vocês dois estão chumbados! Se quiserem entrar, entrem, mas não adianta”.

Um outro dia tinha Exercício de Contabilidade. Não me lembro o nome da professora; sei que era muito feia, hospedava-se num prédio do Cabido gerido por freiras e tinha um insuportável mau hálito. Eu, que não sabia patavina de Contabilidade, respondi a algumas questões e coloquei na folha a finalizar: “Continúa no próximo folhetim”. Isto dos folhetins estava em moda por causa dos da Emissora Nacional e que eu ouvia alternadamente com os Parodiantes de Lisboa.

O corpo docente reuniu-se extraordinàriamente só para avaliar o meu comportamento e eu lembro-me que fui punido com dois dias de suspensão.

Quando do regresso da punição, coincidiu haver um Exercício de Inglês. Imaginem! Sentei-me na carteira como todos os demais, rapazes e raparigas. Esquecia-me de assinalar que a turma era mista e lembro-me da Edite Garcia, Cristina entre outras. E aí aconteceu que a professora Dona I... chegou do meu lado e disse: “como não sabes merda nenhuma, faz aí uns desenhos iguais aos do Exercício de Contabilidade”. Claro que, como respeitador, cumpri e segui a sugestão... O resultado disto foram 10 dias de suspensão e estava configurada a minha reprovação de ano. Morreram os meus sonhos. No ano seguinte fui trabalhar no meu primeiro emprego em Lisboa e estudar à noite na Escola Dona Maria II, tendo como professor de História o inesquecível Talhante que no ano anterior estava em Évora.

Fui na residência da Dona I..., na Praça do Geraldo naquela época, casa de seus pais para pedir-lhe que reflectisse sobre a questão. O resultado disso foi que, quando eu voltei para as aulas ela disse para toda a classe e na minha presença: “o gajo foi na minha casa ajoelhar-se a meus pés”. Senti, definitivamente, que nada mais era possível.

Naqueles tempos tudo o que relatei se colocava num plano 180 graus oposto em relação à actualidade. Os meus pais nem do ocorrido tiveram conhecimento. Jamais foram chamados à Escola. E imaginem hoje uma professora dizer aos alunos o que me disse a mim. No mínimo apanhava do aluno e era expulsa da Escola...

Na realidade, a Escola era uma verdadeira ditadura. Naqueles Conselhos Docentes os alunos ou responsáveis não participavam e isso, per si, configurava arbitrariedade.

O Director, Guedes do Amaral, que também foi meu professor, era temido por todos nós. No fundo, porém, era boa pessoa. Lembro-me dele alguns anos mais tarde quando frequentemente eu ficava nas estradas pedindo boleia (carona) e várias vezes me abriu a porta do seu carro. Ele tinha um problema nos pés que se agravava ano a ano e lembro-me do seu sofrimento com isso. Foi o único dos docentes que referi aqui nominalmente. Da professora de Contabilidade não me lembro o nome. Da professora de Inglês sei o nome mas não o coloquei aqui por uma questão de ética, pois mesma se suicidou num dos anos da década de 90, possìvelmente por ter a consciência muito pesada.

A vida dá muitas voltas e eu acabei por me formar num curso superior, Administração de Empresas, aqui no Brasil em 1983. Sei que muitos dos meus antigos colegas não seguiram os estudos além do curso secundário e eu fi-lo já com idade avançada. Nas aulas de Ciências Contábeis, neste curso, eu fui sempre o melhor aluno, mesmo não escrevendo o nome das contas e a descrição com o bastardo francês e o cursivo inglês que muito bem aprendi... Quanto a inglês, não gosto. Falo e escrevo fluentemente espanhol e francês, mas fiquei com trauma do inglês... Não fui para a Marinha, mas a viagem que fiz para Timor como militar --- 60 dias de ida e mais 60 de volta de navio --- afagaram o meu ego...

Adios amigos! Au revoir!

sexta-feira, maio 16, 2008

ONTEM E HOJE

Lá em Montemor-o-Velho aquele aluno de 12 anos ameaçou quebrar os óculos do professor e, antes que este se apercebesse da autenticidade e eminência da ameaça, não deu outra...
Não sei se se verificará algum tipo de punição para o jóvem rebelde, pois que tudo mudou tanto em relação ao meu tempo que, além do próprio termo "rebelde" ter outra conotação, certamente haverá reuniões de Conselhos disto e daquilo, de representatividades tantas quantas as que couberem.
Imaginem eu com os meus 14 anos. Tinha passado do terceiro para o quarto ano (antigo 2º do Curso Geral de Comércio). O meu grande sonho era seguir a "Escola Naval" como curso superior. Rebeldia por parte dos jóvens existia aquela sem tempêro própria da adolescência em todos os tempos, mas sempre com um temor oculto e respeito explícito perante os mais velhos, principalmente os pais e professores.
"Contabilidade" era uma das disciplinas do currículo do curso e eu era tão bom nesta como nas demais --- sempre raspando a linha dágua. Nunca me dediquei a estudar muito, menos ainda adormecer sobre os livros no entrar da madrugada. Gravava na memória o essencial e ía arquitetando uma base mínima de conhecimentos. O típico aluno normal.
Naquele dia do qual jamais me esquecerei, tinha prova da disciplina referida. Eu era muito bom na letra francêsa e na inglesa (bastardos, bastardinhos, cursivos e cursivinhos) com as quais se escrevia os nomes das contas e a descrição das mesmas. Porém, no conteúdo eu estava um pouco fraco e deduzi que não conseguiria fazer o mínimo para alcançar nota positiva; ficaria abaixo da linha dágua dessa vez... Foi então que a minha rebeldia aflorou e, após meia dúzia de rabiscos e bobagens, escrevi: "continúa no próximo folhetim"... E isto porque naquela época estavam muito em moda as rádio-novelas e esse era o termo usado no fim do folhetim de cada dia...
A professora, da qual não me lembro o nome e nunca esforço fiz para o memorizar, logo me denunciou à directoria da escola. Foi reunido o Conselho de Professores que me castigou com oito dias de suspensão, que já emendaram com as férias de Natal...
Na volta das férias, período novo e vida nova! Seria mesmo assim?!
Dois meses passados e chegou o dia de uma prova de "Inglês". Confesso que sempre gostei mais de "Francês"... Todos na sala de aula preparados para a prova e eis que a professora (outra), chegou bem pertinho de mim e disse textualmente: "tu, que não sabes merda nenhuma, escreve qualquer coisa e faz também uns bonequinhos na folha!" . Como na verdade eu tinha dificuldades nessa matéria, fiz exactamente tudo do modo que ela sugeriu. Resultado: um mês de suspensão. Vencendo a minha timidez e angariando forças ainda me desloquei até à casa da professora para lhe pedir desculpas e, de algum modo, suavizar a penalidade. Resultado: negativo! e ainda a humilhação quando da próxima aula, pois para todos os meus colegas ela disse que eu me ajoelhara a seus pés, etc., etc, etc..
Não passei de ano exactamente por causa dessas duas suspensões. No ano seguinte o meu pai ordenou que eu estudasse no curso nocturno e trabalhasse durante o dia. E o meu sonho de um dia ser Oficial da Marinha acabou ali. A D. Ivone Andrade, professora de inglês, suicidou-se há alguns anos atrás.

quarta-feira, agosto 29, 2007

O GRITO DOS PROFESSORES

Um professor de física atuando no ensino médio numa escola pública do interior da Bahia aufere o salário bruto mensal de R$ 650,00. Vergonhoso! Porém, outros seus colegas nas mesmas funções, mas que não têm curso superior recebem minguados R$ 440,00. Também se verifica essa situação noutros Estados da União.
Será que alguém acha que com um salário assim, a rede de ensino poderá contar com professores competentes e dispostos a ensinar? Não querendo generalizar, pois ainda existem bons professores lecionando, atualmente a regra é esta: o professor faz de conta que ensina, o aluno faz de conta que aprende e a escola aprova estudantes mal preparados. Incrível! Mas é a pura realidade.
Muitos dos professores nesta situação são idealistas e consideram a profissão como um trabalho social. Todavia, perante o que se vê, em relação aos políticos, mais exactamente em relação aos parlamentares, essa consciência é agredida de maneira muito violenta.
Um parlamentar brasileiro custa ao país R$ 10,2 milhões por ano. São os parlamentares mais caros do mundo. Com esse dinheiro pagar-se-ía o salário de 688 professores do naipe do acima citado.
Troquemos, então, um parlamentar por 200 professores. Estes passariam a ganhar um pouco mais que o triplo e os alunos seriam, no futuro, eleitores conscientes.

terça-feira, maio 15, 2007

OPORTUNIDADE - Professores para Timor

Professores interessados em ensinar língua portuguesa no Timor Leste podem participar da nova seleção da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Os selecionados vão colaborar na formação, em língua portuguesa, de professores que atuam nas escolas daquele país. As inscrições ficam abertas até 1º de junho. Há vagas também para coordenador de atividades e professores para as áreas de matemática, física, química, biologia, história e geografia. Os candidatos selecionados terão direito a bolsa mensal no valor de US$ 1,1 mil, passagem aérea, auxílio-instalação no valor correspondente a uma mensalidade e seguro-saúde. O coordenador local terá bolsa de US$ 2 mil. As bolsas serão concedidas pelo prazo de até 12 meses. O início das atividades está previsto para a primeira quinzena de julho de 2007. As informações sobre quantidade de vagas para cada área e sobre as inscrições estão disponíveis no da CAPES. http://www.capes.gov.br/bolsas/cooperacao/timor_leste.html